Monthly Archives: julho 2019

A Polícia Federal (PF) erradicou três plantios de maconha, localizados na Fazenda Riacho do Meio, Zona Rural de Orocó, no Sertão pernambucano, nesse domingo (30). Um homem foi preso em flagrante por tráfico de drogas e todo material incinerado.

Além de 26.614 pés de maconha, equivalente a sete toneladas, foram apreendidos 13 quilos da erva pronta para consumo; 3,88 quilos de sementes; 2.520 mudas; dois celulares uma balança de precisão e duas motocicletas. Com a apreensão, Genival Mendes da Silva seguiu para a Delegacia de Polícia Federal de Salgueiro.

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A despedida dos festejos juninos em Caruaru, que durou um mês inteiro, foi com o Alto do Moura tomado por gente. Desde cedo, ontem, os forrozeiros chegaram ao alto, onde se apresentaram os cantores Santanna e Petrúcio Amorim. Entre os momentos mais emocionantes do adeus aos festejos, aquele em que os dois se juntaram para interpretar a música Meu cenário, um dos clássicos de Flávio José.

O clima de despedida começou no sábado, quando pela segunda vez aconteceu  O Maior Cortejo Junino do Mundo. O desfile homenageou o Ipojuca, rio que banha a Capital do Forró, e a história do artesanato do município. Quase mil artistas percorreram as ruas centrais da cidade, fazendo referências às manifestações culturais do ciclo junino.

Além de brincadeiras e folguedos,  shows nos polos Mestre Vitalino, Juarez Santiago, Mestre Camarão e Pátio de Eventos também aconteceram no sábado. No pátio, as apresentações ficaram por conta do caruaruense Valdir Santos, da dupla Bruno e Marrone e do cantor Avine Vinny. Milhares de pessoas estavam lá.

Em alguns dias da festa, segundo a prefeitura, o pátio recebeu cerca de 100 mil pessoas. Pudera. Por ele, nomes como Marília Mendonça, Alceu Valença, Zé Neto e Cristiano, Azulão, Alok, Fagner e Elba Ramalho passaram.

A festa é responsável por uma expressiva movimentação econômica. De 2015 para 2019, a quantidade de patrocinadores passou de 19 para 27.  “Economicamente, para nossa cidade, o São João é mais importante que o Natal” disse a prefeita Raquel Lyra.

Isso representa a geração de sete mil empregos diretos e indiretos, mais de R$ 200 milhões. No entanto, o maior legado, segundo ela, é a satisfação de quem participa da festa, seja morador de Caruaru ou dos visitantes.

A previsão para esta segunda-feira (1°), é de tempo parcialmente nublado com chuva rápida de forma isolada manhã e noite com intensidade fraca. As temperaturas variam entre 29°C e 19°C. A velocidade dos ventos é moderada e a umidade relativa do ar fica em torno de 55% a 98%.

Chuva fraca e de forma isolada e rápida também na Zona da Mata pernambucana, onde as temperaturas variam entre 27°C e 18°C. A umidade relativa do ar varia entre 60% e 99% e a velocidade dos ventos é moderada.

Já no Agreste as temperaturas caem, podendo chegar a mínima de 17°C. A umidade relativa do ar varia entre 55% a 95%. A velocidade dos ventos também é moderada.

Sol durante todo o dia no Sertão do estado, onde a variação térmica é de 30°C e 19°C e a umidade relativa do ar de 30% a 92%.

Pesquisa exclusiva: maioria dos brasileiros é contra privatizar Correios e Petrobras

Levantamento exclusivo do instituto Paraná Pesquisa para o site Diário do Poder e esta coluna sobre as possíveis privatizações da Petrobras e também dos Correios, mostra que a maioria dos entrevistados dizem não concordar com as medidas. São só 38,2% aqueles que defendem a privatização dos Correios e 55,1% contra. Já no caso da estatal do petróleo Petrobras, só 32% são a favor e 61,5% contrários.

O maior índice de apoio à privatização da Petrobras está entre aqueles que moram na região Norte e Centro-Oeste: 38,4%.

Na região Nordeste encontra-se o maior índice de entrevistados que são contra a privatização da Petrobras: 67,9%.

Já o maior índice de apoio à privatização dos Correios está entre os homens: 44,5% da população masculina são favoráveis.

O instituto Paraná Pesquisa entrevistou 2.102 brasileiros, entre 20 e 25 de junho, nas 27 unidades da federação. A margem de erro é de 2%.

O Real, moeda criada na gestão de Itamar Franco (1992-1995) com o objetivo de estabilizar a hiperinflação da economia, completa 25 anos nesta segunda-feira (1º).

O Plano Real, do qual resultou a moeda, foi elaborado por economistas tucanos sob a coordenação política do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso –eleito presidente em 1994.

De acordo com o site do Banco Central, o plano desenvolveu-se em três fases a partir do 2º semestre de 1993. A inflação, que finalizou 1994 com 916%, atingiu 22% em 1995.

Após esse período, mesmo com as várias crises internacionais e internas que prejudicaram a estabilização econômica, o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulado em 12 meses passou de 9% em poucas ocasiões.

Funcionários públicos de todo o país serão obrigados a bater ponto eletrônico. Segundo reportagem publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo nesta segunda-feira (1º), a medida vai atingir 410 mil funcionários dos 580 mil servidores do Executivo que trabalham para o governo federal.

O processo de implantação levará 12 meses e colocará fim em pontos ainda marcados no papel. Começa nesta segunda-feira para funcionários da AGU (Advocacia Geral da União), Ancine (Agência Nacional do Cinema) e UFT (Universidade Federal do Tocantins).

O controle dos horários poderá ser feito por computador, impressão digital ou um aplicativo, que confirmará o local por meio da geolocalização. As informações serão automaticamente transferidas para a folha de pagamento do governo federal.

As mudanças visam facilitar a fiscalização do trabalho feito pelos servidores. “Com o novo modelo será mais fácil identificar as infrações e apurar as responsabilidades”, disse à reportagem o secretário Wagner Lenhart, de Gestão e Desempenho do Ministério da Economia.

Os 146 mil professores de universidades públicas federais, funcionários com função comissionada (DAS) de número 4 a 6, e os de cargos de chefia do alto escalão do governo, como secretários, continuarão sem precisar bater ponto eletrônico.

VEJA

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, disse, após as manifestações em seu apoio em dezenas de cidades do país, neste domingo, 30, que sempre agiu “com correção”. Os atos em favor do ex-juiz da Lava Jato foram convocados em meio à revelação de diálogos dele e da força-tarefa da operação que colocam em dúvida a imparcialidade pelo juiz na condução dos processos, entre eles o que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à prisão.

“Eu vejo, eu ouço, eu agradeço. Sempre agi com correção como juiz e agora como ministro. Aceitei o convite para o Ministério da Justiça e Segurança Pública para consolidar os avanços anticorrupção e combater o crime organizado e os crimes violentos. Essa é a missão. Muito a fazer”, escreveu em seu perfil no Twitter.

Na sequência, o ministro também agradeceu o apoio que tem recebido do presidente Jair Bolsonaro. “Sou grato ao presidente Jair Bolsonaro e a todos que apoiam e confiam em nosso trabalho. Hackers, criminosos ou editores maliciosos não alterarão essas verdades fundamentais. Avançaremos com o Congresso, com as instituições e com o seu apoio”, disse.

O ministro afirma que os diálogos entre ele e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, foram subtraídos por meio da ação de um hacker e que essas conversas teriam sido editadas pelo site The Intercept Brasil, que revelou as trocas de mensagens, com o objetivo de fazer parecer que ele tivesse cometido algum ato irregular.

Os diálogos vazados até agora mostram que o então juiz indicou ao Ministério Público Federal, responsável pela acusação a Lula, ao menos duas sugestões de testemunhas que teriam informações a revelar sobre negócios imobiliários dos filhos do ex-presidente.

Os nomes das testemunhas não foram revelados, mas VEJA encontrou os dois e contou a história em reportagem que circula na edição desta semana. Ambos negaram ter algo a revelar sobre o caso, mas confirmaram terem sido procurados pelo MPF após a sugestão de Moro.

A comprovação de que o Ministério Público, de fato, não apenas ouvia, mas seguia suas orientações, reforça a tese de que, quando magistrado, Moro abandonou a posição de imparcialidade para instruir um dos lados da ação, algo considerado ilegal pelo Código de Processo Penal.

Outros diálogos vazados mostram que procuradores teciam muitas críticas a Moro, a quem consideravam “um juiz inquisitivo”, que desrespeitava o MPF. Uma das conversas foi entre os procuradores Ângelo Augusto Costa e Monique Checker. O primeiro diz que Moro “faz umas tabelinhas lá, absolvendo aqui para a gente recorrer ali, mas na investigação criminal — a única coisa que interessa — a dupla policial/ juiz é senhora”. E Monique reforça o que havia exposto anteriormente: “Moro viola sempre o sistema acusatório e é tolerado por seus resultados”.

Em outros diálogos, procuradores fazem duras críticas à opção de Moro de aceitar convite de Bolsonaro para ser ministro. Criticada pelo ex-juiz em outros diálogos já divulgados, Laura Tessler, por exemplo, diz, em 31 de outubro de 2018: “Acho péssimo. Ministério da Justiça nem pensar… além de ele não ter poder para fazer mudanças positivas, vai queimar a Lava Jato. Já tem gente falando que isso mostraria a parcialidade dele ao julgar o PT. E o discurso vai pegar. Péssimo. E ‘Bozo’ [nome utilizado para se referir a Jair Bolsonaro] é muito mal visto… se juntar a ele vai queimar o Moro”.

No mesmo dia, a procuradora Isabel Cristina Groba Vieira, da Lava Jato em Curitiba, afirma: “É o fim ir se encontrar com Bolsonaro e semana que vem ir interrogar o Lula” – ainda antes de Moro aceitar o convite do presidente. “Ele se perdeu (na vaidade) e pode levar a Lava Jato junto. Com essa adesão ao governo eleito toda a operação fica com cara de “República do Galeão”, uma das primeiras erupções do moralismo redentorista na política brasileira e que plantou as sementes para o que veio dez anos depois”, diz João Carlos de Carvalho Rocha.

Operação Lava-Jato prende no Rio o procurador Renan Saad. Na foto, o preso chega à sede da PF Foto: Márcia Foletto 01/07/2019 / Agência O Globo

Agentes da Lava-Jato no Rio saíram às ruas na manhã desta segunda-feira para cumprir mandado expedido pela Justiça em nova fase da operação. O procurador do estado Renan Saad foi preso sob suspeita de ter recebido propina em obras do metrô do Rio.

A operação foi desencadeada após a delação premiada do ex-diretor de contratos da empreiteira Odebrecht Marcos Vidigal do Amaral. Saad teria recebido R$ 1,265 milhão em pagamentos relacionados ao metrô do Rio. O delator disse que o procurador recebeu R$ 300 mil de caixa 2 em troca de um parecer sobre a Linha 4 que alterava o seu trajeto inicial, além de desvios no uso do tatuzão, que consome por mês R$ 2,9 milhões mesmo parado.

Os agentes deixaram a sede da Polícia Federal do Rio pouco antes de 6h desta segunda-feira e cumpriram o mandado na casa de Saad, em São Conrado, na Zona Sul do Rio.

Pareceres favoráveis de Saad teriam sido “fundamentais” para viabilizar as obras da Linha 4, segundo a investigação.

O procurador, que era identificado no Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht como “Gordinho”, teria recebido repasses da empreiteira entre 2010 e 2014, de acordo com a força-tarefa. Um deles — de R$ 100 mil — teria sido realizado em dinheiro vivo no escritório de advocacia de Saad.

O Custo do Tatuzão

Em maio de 2017, o Ministério Público cobrava R$ 3 bilhões por fraudes na Linha 4 do Metrô em uma ação contra 30 réus envolvidos nas irregularidades, entre os quais o ex-governador Sérgio Cabral, o ex-secretário de Transportes Júlio Lopes e empreiteiras que participaram do consórcio.

As obras da Linha 4 foram iniciadas em março de 2010, pelo Trecho Oeste, enquanto que as obras do Trecho Sul só foram iniciadas em outubro de 2012. A previsão inicial de conclusão das obras e a entrada em operação da Linha 4 era o mês de junho de 2016, porém apenas a ligação entre a Barra (Jardim Oceânico) e Ipanema (Estação General Osório) entrou em operação nesta data. A Estação Gávea tinha previsão para estar concluída em janeiro de 2018 (segundo o termo aditivo nº 4), mas até agora não saiu do papel. Um inquérito civil apura a paralisação da obra.

O tatuzão consome, por mês, R$ 2,9 milhões, segundo o contrato de concessão da Linha 4. Os valores são reajustados a cada ano. O equipamento, estacionado desde abril de 2016 em uma caverna sob a Rua Igarapava, no Alto Leblon, custava até dois anos atrás R$ 29,2 milhões. Já os dois canteiros na Gávea custavam R$ 222.968,57 por mês. Tiveram suas obras interrompidas em março de 2015, consumindo R$ 5 milhões em recursos.

O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni 18/06/2019 Foto: Jorge William / Agência O Globo

Líderes do Centrão avaliam que o ministro da Casa Civil , Onyx Lorenzoni , passa por um processo de “fritura” . Após o presidente Jair Bolsonaro afastá-lo da articulação política, sua saída do cargo passou a ser objeto de especulação. Para alguns líderes, a fragilidade de Onyx é recebida como um sinal preocupante e um indicativo da deterioração na relação entre Executivo e Legislativo.

Esta é uma semana importante para a articulação política do governo, com a tentativa de se votar, até a próxima quinta-feira, a reforma da Previdência na comissão especial da Câmara.

Desde o início do mandato de Bolsonaro, Onyx passou por dificuldades para atender às demandas de deputados. Nas últimas semanas, no entanto, segundo os parlamentares, houve uma melhora. O ministro se comprometeu a liberar verba para emendas e passou a articular o apadrinhamento de programas regionais para agraciar deputados.

Segundo um interlocutor do ministro, ele estava abatido ao longo da semana passada. Mas anteontem garantiu que estava seguro no cargo e que os questionamentos sobre sua saída não passam de especulação.

Ontem, o colunista Lauro Jardim informou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), aconselhou o ministro a deixar o cargo. Na visão do senador, Onyx pode ser submetido a processo semelhante ao dos ex-ministros Gustavo Bebianno (Secretaria Geral) e Santos Cruz (Secretaria de Governo). Ambos foram publicamente atacados nas redes sociais por pessoas ligadas aos filhos de Bolsonaro, o vereador Carlos e o deputado Eduardo, antes de serem demitidos.

Um aliado próximo de Onyx lembra que o ministro nunca teve proximidade com os filhos do presidente. O receio, na Câmara, é que a liberação de verba e cargos possa queimar o ministro diante da militância bolsonarista.

No PSL, partido do governo, o ambiente também não é favorável ao ministro. O líder da legenda na Câmara, Delegado Waldir (GO), criticou Onyx publicamente por ele ter demitido o ex-deputado Carlos Manato (PSL-ES) da equipe que participava das negociações no Congresso. Tratou a demissão como uma atitude “humilhante” e chegou a pedir a cabeça do ministro.

Além disso, integrantes do PSL acham que o DEM, que ocupa três ministérios (Casa Civil, Saúde e Agricultura), tem espaço desproporcional no governo.

Publicamente, Bolsonaro ainda dá sinais de que Onyx é importante para o seu governo. Após o acordo entre o Mercosul e a União Europeia ser anunciado, o presidente usou as redes sociais para agradecê-lo, entre outros integrantes do governo, por sua participação nas negociações.

Segundo um dos líderes do Centrão, o ministro estava começando a “afinar” a relação com o Congresso quando perdeu a prerrogativa de comandar a articulação política. Também estava “recuperando a credibilidade perante ao parlamento”.

Na semana passada, com a pressão de líderes do Centrão, a votação do relatório da Previdência foi adiada. Eles cobraram a liberação de R$ 10 milhões antes da análise da proposta em comissão especial para cada parlamentar, valor acordado por Onyx em liberação de emendas e restos a pagar.

Segundo o novo vice-líder do governo na Câmara, Herculano Passos (MDB-SP), o governo já coletou as indicações de municípios a que a verba deve ser direcionada, mas ainda não abriu o sistema para que prefeituras se cadastrem nos programas disponíveis. Com informações de O Globo.

Paulo Guedes

O ministério da Economia fechou um plano que definiu o destino das mais de 130 estatais brasileiras. As empresas que hoje consomem cerca de R$ 20 bilhões anuais dos cofres da União foram divididas em três grupos: as que serão mantidas, as que serão fechadas e as que serão vendidas.

Segundo envolvidos nos estudos, Correios e Eletrobrás fazem parte do último grupo. A EBC (Empresa Brasil de Comunicação) deve ser mantida, mas em um tamanho muito menor que o atual.

Apesar da lista da Economia, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, disse em março que seu plano para a estatal de energia não era a privatização, mas a capitalização, seguindo um modelo parecido com o que ocorreu com a Embraer no passado.

A ideia da equipe de Paulo Guedes é dar início às privatizações depois que a reforma da Previdência for aprovada.

Vazamento Lava Jato The Intercept

Novas mensagens de procuradores da Lava Jato obtidas pelo site The Intercept Brasil e publicadas ontem (30), pelo jornal Folha de S.Paulo apontam que os acusadores desconfiaram da versão da principal testemunha contra Lula no caso do triplex do Guarujá. Léo Pinheiro, dono da construtora OAS, mudou de versão ao longo de meses até que, finalmente, incriminou o ex-presidente e afirmou que ele chegou a orientá-lo a destruir provas. Em sua versão final, aceita pelos procuradores, ele afirmou que o apartamento no litoral de São Paulo era um presente a Lula em troca de benesses do Governo. O petista acabou condenado por Sergio Moro, que considerou que o ex-presidente recebeu da construtora dinheiro de corrupção dissimulado na compra do apartamento em troca de desvios de contratos com a Petrobras. Lula cumpre pena de 8 anos e 10 meses por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Em entrevista ao jornal El País, Lula afirmou que Pinheiro disse a seu advogado que mudou o depoimento por orientação de seu defensor.

O depoimento de Léo Pinheiro foi fundamental para a condenação do ex-presidente. Ele foi usado como base para a denúncia da força-tarefa, que afirmava que o Grupo OAS, presidido pelo empreiteiro, pagou 87,6 milhões de reais em propinas por contratos com a Petrobras. Um porcento desse valor, apontou a força-tarefa da Lava Jato, foi destinado a agentes políticos do PT em uma conta geral de propina que o partido mantinha com a construtora. Desta conta, afirma, teriam saído 2,42 milhões para o caso do Guarujá, referentes à diferença de valor entre o triplex e o apartamento tipo que a família de Lula já tinha comprado no edifício na cota de uma cooperativa e em reformas e bens para o imóvel.

Segundo a reportagem deste domingo, as mensagens dos procuradores vazadas por uma fonte anônima ao Intercept apontam que os relatos feitos por Léo Pinheiro sofreram várias alterações até que as negociações para uma delação premiada avançassem. Inicialmente, a delação de Pinheiro, que já estava condenado a 16 anos de prisão, foi rejeitada. O depoimento dele não servia para condenar Lula, já que ele dizia que as reformas e bens colocados no imóvel tinham o objetivo de agradar o ex-presidente, e não tinham qualquer contrapartida em benesses no Governo. Na época, a versão foi considerada pouco crível pelos acusadores da força-tarefa.

Pinheiro, nesta época, aguardava seu recurso no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF) em liberdade, mas temia perder e ser preso. Os advogados chegaram a perguntar se, diante da iminência da entrega de novos anexos, seria possível adiar a audiência de apelação, mas os procuradores disseram que o acordo com eles não interferia no andamento judicial. Em 20 de abril de 2016, mensagens dos procuradores revelam este bastidor. Januário Paludo escreveu: “Acho que tem que prender o Leo Pinheiro. Eles falam pouco. Quer dizer, acho que tem que deixar o TRF prender”.

Em 21 de julho do mesmo ano, o procurador Athayde Ribeiro Costa afirma ao grupo de procuradores: [os advogados] entregaram os anexos e pediram assinatura do acordo de confidencialidade. Negamos por insuficiência dos anexos e omissão de vários temas. A versão apresentada também é ruim para vários casos. “Roberson Pozzobon, então, respondeu: “Na última reunião dissemos que eles precisariam melhorar consideravelmente os anexos. Eles falaram que melhorariam e os trariam hoje”. O termo de confidencialidade, passo para a delação, foi assinado em agosto, um dia antes de a revista Veja trazer detalhes do depoimento de Pinheiro, que afirmavam que a delação da OAS citava o ministro do Supremo Dias Toffoli. Com o vazamento, alguns procuradores chegaram a defender que o acordo com Léo Pinheiro fosse suspenso, para evitar atritos com o STF.

Em 20 de agosto, o coordenador da força-tarefa Deltan Dallagnol se manifestou: “Não sei se os anexos evoluíram. Se estiverem uma porcaria ainda, aí tudo bem. Mas se os anexos estiverem bons, acho que não é o caso. Salvo engano, ainda, trazem PSDB como nenhum que fechamos trouxe. Até fecharmos algo bom do PSDB, não dá pra descartar.” A procuradora Anna Carolina Resende Maia Garcia respondeu:” Essa manobra deles pode nos custar muito caro. O STF vai se fechar e vão acabar com nossos acordos. Não acho que o risco valha a pena. Temos que sinalizar claramente que não vamos ser usados.” Depois, continuou: “Os anexos da OAS não valem isso. Na minha visão, são muito ruins, o advogado [da empresa] é mau caráter e Léo Pinheiro é o empreiteiro com mais prova contra si”.