Vinte alunos da Escola Municipal General San Martin, no Recife, fizeram o teste terça-feira. Professora Janilene foi uma das aplicadoras / Foto: Bobby Fabisak / JC Imagem

Setenta e quatro mil estudantes pernambucanos do 2º ano do ensino fundamental participam, até sexta-feira da próxima semana (dia 9), de uma avaliação oral de leitura. Inédita no Estado, a ação é uma das etapas do Programa Criança Alfabetizada, do governo estadual, cujo foco é auxiliar as redes municipais de ensino no processo de alfabetização de seus alunos. Os indicadores de aprendizagem mostram que a ajuda é necessária: de cada dez crianças do 3º ano em Pernambuco, sete não sabiam ler e cinco não conseguiam escrever em 2016, segundo a Avaliação Nacional de Alfabetização (ANA), realizada pelo Ministério da Educação (MEC).

Somente Salgueiro, no Sertão, não aderiu ao programa. As outras 184 cidades e o arquipélago de Fernando de Noronha assinaram o convênio com a Secretaria Estadual de Educação. “Cada município montou seu cronograma das avaliações de leitura, desde que sejam realizadas entre 29 de julho e 9 de agosto. Teremos um diagnóstico por turma, por escola e por cidade. Não vamos fazer ranking. Mas sim ter insumos para, a partir dos resultados, organizar as formações, em setembro, com os professores das rede municipais”, explica a secretária executiva de Desenvolvimento da Educação de Pernambuco, Ana Selva.

O Criança Alfabetizada prevê uma nova distribuição do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) Socioambiental. A definição do valor repassado para cada cidade vai considerar cinco indicadores (antes eram 11). Além disso, o componente da educação passará de 3% para 18%. O aumento será por etapas, num intervalo de seis anos. O programa prevê também distribuição de material e suporte técnico para as prefeituras. Foi lançado mês passado pelo governador Paulo Câmara.

APLICATIVO

A avaliação oral é simples. É dividida em três tarefas, que devem durar, no total, até 10 minutos. É feita individualmente e numa sala separada. Primeiro, a criança recebe uma lista de palavras para ler. É estipulado um tempo (igual para todas) para que as leia. Em seguida, há outra lista, desta vez com palavras fantasiosas, que não existem. Por último, o aluno lê um texto e depois responde cinco perguntas sobre ele.

“Tudo é gravado por meio de um aplicativo, baixado no celular. Concluída a avaliação, o aplicador, que deve ser um professor da escola, envia para o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação, o Caed, da Universidade Federal de Juiz de Fora, em Minas Gerais”, informa Ana Selva, que também coordena o programa. O aplicativo é o mesmo usado pelo MEC no programa Mais Alfabetização, que, só em 2018, avaliou o desempenho em leitura de cerca de 50 mil alunos do País.

A partir do momento em que o teste é ativado no aplicativo não há a possibilidade de refazer a avaliação, segundo o Caed, parceiro do governo estadual no Sistema de Avaliação da Educação Básica de Pernambuco (Saepe). Assim há a garantia de que o áudio gravado vai refletir exatamente o nível de fluência de leitura do aluno. O material colhido na gravação fica registrado no sistema informatizado do Caed e é analisado por uma equipe especializada.

RECIFE

Na capital pernambucana, cerca de 8 mil alunos (a rede tem 90 mil estudantes matriculados) farão o teste de fluência. Ontem, a avaliação foi aplicada para 20 crianças de uma das três turmas de 2º ano da Escola Municipal General San Martin, no bairro de mesmo nome, Zona Oeste do Recife. “É ótimo porque vai avaliar o trabalho que vem sendo feito na nossa escola”, comenta a professora Janilene Mariano, uma das aplicadoras.

Conforme o diretor executivo de Gestão Pedagógica do Recife, Rogério Morais, aproximadamente 70% dos alunos concluem o 2º ano alfabetizados. “Nossa meta é chegar aos 100%. O Programa Criança Alfabetizada vem somar ao que já realizamos na rede municipal de ensino, com o Pró-Ler. É interessante porque não tínhamos avaliação de fluência em leitura”, diz Rogério.

A Secretaria de Educação de Salgueiro informa que inicialmente o prefeito Clebel Cordeiro decidiu não aderir ao programa. Mas que ele fará uma nova reunião hoje para tratar do assunto. A rede tem 8 mil alunos e 25 escolas.