Carlos Decotelli

Carlos Decotelli, que teve sua posse no MEC adiada e corre o risco de nunca assumir o ministério, deveria ter seguido o exemplo do economista e professor Dionísio Dias Carneiro (1945-2010).

Consta no currículo de Decotelli a conclusão de doutorado em Rosário, na Argentina, e de um pós-doutorado, na Alemanha. Em seu vasto currículo, Dionísio escreveu: “cursou doutorado na Universidade de Vanderbilt, no Tennesse, EUA”.

Motivo: por uma divergência com o seu orientador, não entregou a tese e voltou para o Brasil para dar aulas na pós-graduação da FGV, dirigida então por Mario Henrique Simonsen.

Dionísio formou gerações de economistas e por duas vezes recusou o cargo de diretor do Banco Central no governo FHC.

Costumava dizer: “O salário no BC não paga as minhas contas”. O título de doutor não lhe fez falta alguma.

Decotelli deu uma entrevista no início da noite de ontem garantindo que continua ministro da Educação, embora sua posse tenha sido mesmo adiada — estava marcada para esta terça-feira (30), mas as revelações de que Decotelli fraudou seu currículo, com inexistentes doutorado (na Argentina) e pós-doutorado (na Alemanha), cancelaram o evento.

E o presidente Jair Bolsonaro sendo imprevisível, até o meio da tarde de ontem disse a dois auxiliares, que Decotelli estava fora do ministério e que pretendia anunciar um novo nome até sexta-feira.