Cultura

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Superada a fase de conhecimento da Manaus, o interior do estado do Amazonas tem como grandes atrativos?

Papa – Não recomendo desafiar a floresta amazônica para fazer nela uma incursão, faça com segurança, para tanto utilize empresas e guias sérios e preocupados com sua segurança. Para começar a sugestão seria conhecer o Museu do Seringal. O passeio, é claro, é feito de barco numa viagem em torno de 30 minutos. O local é estruturado para levar o turista ao mundo da exploração do látex. Guias muito bem treinados contam a história da atividade e o turista vai perceber o hiato entre as moradias dos barões da borracha e as casas dos trabalhadores que cuidavam da retirada do látex. O fenômeno Casa Grande x Senzala é presente também na região norte.

Nova aventura? Uma hospedagem em um dos diversos hotéis da selva. Novamente com apoio de uma empresa conceituada. Adormecer e acordar em plena selva amazônica, instalado numa estrutura rústica que repousa sobre as águas no estilo palafita é uma experiência inarrável. Nos pacotes serão ofertados passeios por meio da selva com direito a pernoite em redes armadas nas gigantescas arvores da selva.

Próxima etapa? Para os amantes de esporte radicais a sugestão é conhecer a região de Presidente Figueiredo, um pouco mais de 130 km de Manaus. O melhor meio de fazer o trajeto é de carro para conhecer a região com mais detalhes. Suas lagoas, grutas, cavernas e cachoeiras pagam todo e qualquer esforço, neste caso a palavra sacrifício não cabe. Na região está instalada a Usina Hidroelétrica de Balbina.

Outra sugestão é tirar um tempo para conhecer Parintins, fica há pouco mais de 400 km de Manaus por via fluvial. Fazer o percurso de outra forma é desperdiçar a oportunidade de navegar com segurança pelo Rio Amazonas. Nesta cidade, no mês de junho, é realizado um dos maiores eventos culturais do Brasil, a disputa entre os bois Caprichoso x Garantido é sinônimo de uma manifestação cultural que extrapola qualquer julgamento prévio ou expectativa com base em leitura ou cenas em filmes. Só vendo o turista pode medir a intensidade da festa.

Para encerrar a sugestão, é ir até a região de São Gabriel da Cachoeira, em viagem de avião. No extremo noroeste do Brasil, destaco a Praia Grande, no encantador Rio Negro; a Reserva Biológica Estadual Morro dos Seis Lagos, com seus contrates e em Santa Isabel do Rio Negro conhecer o Parque Nacional do Pico da Neblina, ponto mais alto do Brasil. Para este passeio além de guias experientes é necessário autorização de órgãos fiscalizadores instalados na região. Depois disto você desmentirá muita gente que fala besteiras sobre a Amazônia, sem conhecer.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem de hoje segue para Maysa Figueira Monjardim. Maysa foi uma cantora, compositora, instrumentista e atriz brasileira, nasceu no dia 6 de junho de 1936, no Rio de Janeiro. Maysa Matarazzo ou simplesmente Maysa, fez grande sucesso nas décadas de 1950 e 1960.

Maysa foi mãe de Jayme Monjardim, diretor de novelas. Filha da italiana  Inah Figueira Monjardim e do fiscal de rendas, Alcebíades Monjardim, descendente de tradicional família do Espírito Santo. Foi neta do Barão de Monjardim e bisneta do comendador José Francisco de Andrade Monjardim, que presidiram a província do Espírito Santo.

Com 3 anos mudou-se com a família para a cidade de Bauru, no interior de São Paulo. Com 7 anos foi levada para estudar no Sacre-Coeur de Marie, onde permaneceu interna durante quatro anos. Em 1950 foi morar em São Paulo. Desde pequena, Maysa desejava ser cantora. Compôs algumas músicas, entre elas , “Adeus”, quando tinha 12 anos. Na adolescência , se apresentava cantando e tocando violão para amigos e parentes. Era uma jovem bonita e rebelde para o seu tempo. Gostava de fumar, de beber, de usar cabelo curto e vestir calça comprida, hábitos moralmente masculinos para a época, o que desagradava a sua família.

Em 1954, com apenas 18 anos, Maysa casou-se com André Matarazzo, um rico empresário, amigo de seu pai, 17 anos mais velho que ela, um dos herdeiros da família Matarazzo. No dia 19 de maio de 1956, nasceu seu filho Jayme Monjardim Matarazzo (que se tornaria um conhecido diretor de telenovelas). Nesse mesmo ano foi descoberta por um produtor musical que lançou o disco “Convite para ouvir Maysa”, com a exigência do marido para a cantora não sair na capa – no lugar aparece orquídeas, e que a renda fosse revertida para o Hospital do Câncer. Tudo isso porque naquela época as cantoras de rádio não eram bem vistas pela sociedade.

O primeiro disco fez um grande sucesso e no ano seguinte, em 1957, foi lançado o segundo, “Maysa” que se destacou com as músicas “Ouça” e “Se todos fossem iguais a você”. Nesse mesmo ano, Maysa separou-se do marido, que era contra sua carreira, o que abalou profundamente a vida da cantora.

Em seguida lançou “Convite para ouvir Maysa” em 1958, que fez sucesso com a música “Meu Mundo Caiu”. Maysa foi aclamada pelo público e pela crítica. O fim do casamento levou-a  à depressão. Maysa mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a se relacionar com a “turma da bossa nova”. Namorou o produtor musical Ronaldo Bôscoli. A partir dessa época, começou a ter problemas com a bebida e a se envolver em casos amorosos explorados pela mídia. Conheceu seu segundo marido, o advogado espanhol Miguel Azanza, quando fazia uma temporada na Europa. Depois de se casar, fixou residência na Espanha.

Em 1974  sua depressão agravou-se , pois seus filho, Jayme Monjardim, havia acabado  de voltar da Espanha e não queria vê ou falar com ela. Acusava-a de tê-lo abandonado no colégio interno quando tinha apenas oito anos de idade, que nunca quis saber dele, e que nem foi buscá-lo no aeroporto ao chegar ao Rio, e por raiva, o j0vem  evitava ver e falar com a mãe. Isto fez Maysa lutar contra sua depressão, e criar forças para procurar o filho no Rio, na casa de seus pais, avós do rapaz, mesmo que ele se recusando a recebê-la. Após três anos sofrendo para se reaproximar do filho, pedindo perdão pelo que fez com ele, e por estar arrependida de tudo, eles, enfim, se reconciliaram por intermédio dos avós e da noiva.

No fim da tarde do dia do casamento do seu filho, em 22 de janeiro de 1977, Maysa pegou seu carro e voltou para Maricá, onde morava havia alguns anos, quando um terrível acidente automobilístico na ponte Rio-Niterói deu fim à sua vida. Em exames necroscópicos foi constatado que a cantora estava sóbria no momento do acidente.

Em uma de suas últimas anotações no diário que a acompanhava desde adolescente, registrou: “hoje é novembro de 1976, sou viúva, tenho 40 anos de idade e sou uma mulher só. O que dirá o futuro?”

E para relembrar uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, daria como sugestão, e espero que aceitem, a música : Ouça…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Reprodução

A Secretaria de Cultura de Pernambuco (Secult-PE) e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe) divulgaram os resultados finais dos editais Funcultura Geral e Funcultura da Música 2019-2020. Ao todo, 292 projetos foram aprovados (50 para Música e 242 para o edital Geral), em um total de R$ 20 milhões em incentivo para a cadeia cultural do estado.

No edital Geral provados projetos nas seguintes linguagens artísticas: Artes Integradas (4 projetos), Artes Plásticas (23), Artesanato (11), Circo (17), Cultura Popular (36), Dança (29), Design e Moda (7), Fotografia (22), Gastronomia (5), Literatura (21), Ópera (3), Patrimônio Cultural (28) e Teatro (36).

Para cada uma das linguagens foram contempladas ações de fruição, projetos da área de pesquisa (fase preliminar de uma ação cultural) e de formação (oficinas, palestras, seminários ou qualquer processo para formar fazedores de cultura). Dois 272 projetos aprovados, 9 proponentes nunca tinha sido aprovados em editais governamentais, o que representa mais de 15% do total.

O resultado deste ano também apresentou uma taxa recorde de regionalização, com 24 projetos da Zona da Mata, 26 do Agreste e 44 projetos do Sertão. Também houve aumento das ações de acessibilidade nos projetos apresentados. Dos 242 aprovados, 236 (97,5%) irão contar com pelo menos uma ação: tradução em libras (67,7%), audiodescrição (29,7%), legendagem (20,4%), descrição em braile (10,3%) e/ou adequação de espaço (45,4%), ressaltando que há projetos com mais de uma ação de acessibilidade.

Mais da metade (52%) dos projetos aprovados foram propostos por pessoas autodeclaradas negras (pretas e pardas) e 44,7% por pessoas identificadas pelo gênero feminino.

Confira os aprovados no Funcultura Geral aqui.

Funcultura da Música

O edital de Música recebeu 239 inscrições, das quais 212 foram habilitadas e 50 aprovadas, nas seguintes categorias: Circulação (12 projetos), Festivais (05 projetos), Gravação (10), Produtos e Conteúdos (seis), Economia da Cultura (dois), Difusão da Rede de Equipamentos do Estado geridos pela Secult-PE/Fundarpe (três), Formação e Capacitação em Música (oito), e, por fim, Pesquisa Cultural (quatro). Não houve projetos aprovados para Manutenção de Bandas de Música (Filarmônicas), Escolas de Bandas de Música e Corais.

Das ações aprovadas, 98% prevê ações de acessibilidade: tradução em libras (58%), Audiodescrição (34%), legendas – LSE (36%), descrição em braile (14%) e/ou adequação de espaço (52%), considerando que há projetos com mais de uma ação de acessibilidade.

Assim como no Edital Geral, o perfil de gênero e étnico-racial dos(as) proponentes contemplados(as) é diverso, sendo 56% autodeclarados(as) negros ou negras e 26% identificadas com o gênero feminino.

Confira a lista dos aprovados no Funcultura da Música aqui.

Por Naldinho Rodrigues*

Aproveitando a época, e principalmente o mês, a nossa homenagem de hoje é para Claudionor Germano da Hora, que nasceu em 10 de agosto de 1932 (89 anos). Claudionor Germano comemora 74 anos de carreira sempre contribuindo para a beleza  e a alegria do carnaval pernambucano, como um dos melhores intérpretes de frevo.

Claudionor Germano iniciou sua carreira artística em 1947, na Rádio Clube de Pernambuco, compondo um conjunto musical denominado  Ases do Ritmo. Em 1948 o grupo foi escolhido o melhor grupo vocal do ano de Pernambuco. Claudionor iniciou sua carreira-solo. Sem, no entanto, desligar-se dos Ases do Ritmo. Depois do seu contrato com a Rádio Clube, também foi contratado pela Rádio Jornal do Comercio e pela Rádio Tamandaré. Em 1951 gravou com Ases do Ritmo “O samba eu não posso viver sem mulher”.

Em 1955 a gravadora pernambucana  Rozemblit, através do Selo Mocambo, lançou o primeiro com sua interpretação. Claudionor Germano é o novo patrimônio vivo de Pernambuco. Antes dos anos 1960, o frevo era um gênero de compositores. Os LPs não propagandeavam na capa quem interpretava os novos frevos-canção do carnaval, destacavam apenas que ali estavam as novas criações de Capiba ou Nelson Ferreira. Na verdade, a própria ideia de alguém que fosse um cantor de frevo não existia. Foi o recifense Claudionor Germano, hoje com 89 anos, que, de certa forma, inventou esse ofício, a ponto de quase virar a voz oficial das canções da folia pernambucana.

A vida e a trajetória do homem conhecido como senhor do frevo ou o bom do carnaval se misturam a historia do frevo-canção com Claudionor Germano que lançou em 1959 de forma inédita dois LPs, Capiba: 25 anos de frevo e o que eu fiz e você gostou: carnaval cantado de Nelson Ferreira. Até os anos 1970, quase todos os frevos cantados tinham a voz dele. Ironicamente, apesar de ser o mister frevo, Claudionor nunca foi muito brincante “não sou carnavalesco, sou um cantor de carnaval. não é dizer não gostar, é que não caí no frevo, não caí no passo”. Além disso, mesmo tendo subido em inúmeras freviocas, a voz do frevo gostava mesmo era de se apresentar nos carnavais de clube. Sua fama era tão grande e o reconhecimento não faltou. Por seis anos , na década de 60, recebeu o prêmio de melhor cantor das rádios de Pernambuco.

“Só reconheço os dois hexas, o meu de melhor cantor e do Clube Náutico Capibaribe do Recife”, brinca Claudionor, que apesar da torcida pelo time Timbu, gravou hino pros outros dois maiores times de Pernambuco: Santa Cruz e Sport. Sem falar nas músicas que também eternizou para o Asa de Arapiraca, CRB de Alagoas e o ABC de Natal. Foi Capiba quem  forneceu o maior número de composições que Claudionor já gravou. Foram 132 músicas somente deste compositor, num total de 533.

Com a popularidade de ser um rei do frevo, Claudionor já foi representar o ritmo no Japão, Estados Unidos, Cuba e Argentina. Claudionor Germano é irmão do artista plástico Abelardo da Hora e do médico escritor Bianor da Hora, e pai do também cantor Nonô Germano.

Claudionor Germano foi o intérprete nacional que mais gravou um mesmo compositor. Ele se sente tão vivo e animado, que basta chegar mais uma época de folia de momo que os convites já começam a aparecer. Uma pena que ano não houve carnaval. O motivo? Todos já sabem: para relembrar o mito, o rei do frevo e dos bailes, que tal ouvir um Pot-Pourri com uns os maiores sucessos de frevos interpretados pelo imortal Claudionor Germano? Frevo / Oh! Bela / É Hora do Frevo / Catirina, Meu Amor / Você Está Chorando.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

YACY RIBEIRO/JC IMAGEM

O artista plástico Sílvio Botelho, 63 anos, estará nesta terça-feira (16) no seu ateliê, que também é residência, na Rua do Amparo, no Sítio Histórico de Olinda, no Grande Recife. Faz 33 anos que ele não sabe o que é estar sossegado numa manhã de Terça-feira Gorda. Fosse este um ano típico de Reinado de Momo, Sílvio estaria comandando o Encontro de Bonecos Gigantes, atração vista por milhares de foliões que aguardam os símbolos da folia olindense saírem do Largo do Guadalupe, também na Cidade Alta, e percorrerem ruas e ladeiras embalados por orquestras de frevo. Com a pandemia de covid-19 e por isso o cancelamento do Carnaval, a 34ª edição do encontro não vai existir. A cigana Magdala e o Galo da Madrugada, dois novos bonecos que iriam estrear no desfile, ficarão guardados até 2022.

“Jamais imaginaríamos que isso iria acontecer. Pela primeira vez, em 34 anos, desde que o encontro foi criado, não vamos colocar os bonecos na rua. É por uma justa causa, mas o sentimento é de tristeza”, diz Sílvio. “Estou me sentindo órfão nesses dias de Carnaval. Vou ficar na minha casa, amargar a falta da festa”, comenta o bonequeiro, responsável por criar mais de 1.300 bonecos em quatro décadas de ofício. “Para este ano fiz Magdala, uma mestra cigana, muito protetora. Ficou bonita, ela tem uma beleza própria. Mas isso os foliões só vão ver em 2022”, afirma. Outra encomenda que ficou pronta é o boneco do Galo da Madrugada, bloco que igualmente não saiu este ano pelas ruas do Recife.

Sem poder acompanhar os personagens animados pelas ruas, o consolo dos foliões que estão em Olinda é visitar o espaço que reúne alguns dos bonecos criados pelo artista plástico. No Alto da Sé funciona a Casa dos Bonecos Gigantes e Mirins de Olinda. Em outros anos, o espaço esteve fechado da sexta-feira da semana pré até a Quarta-feira de Cinzas. Sem folia em 2020, está aberto normalmente nesses dias para visitação, das 9h às 17h. O publicitário André Amorim, 39, levou o filho João Felipe, 3, para ver os bonecos. “Ano passado estivemos com ele no encontro do Largo do Guadalupe. Ele adorou. Como hoje (ontem) estou de folga do trabalho e não haverá o encontro esse ano, viemos visitar o espaço”, conta André. Os bonecos preferidos de João Felipe são o Homem da Meia Noite e o Menino da Tarde. Continue lendo

Lançar luz sobre o cordel, trazendo a ótica e produção feminina e dialogando com outros elementos e gêneros da cultura. Esses são alguns dos objetivos do Encontro Literário de Escrita Feminina em Pernambuco, que traz a voz feminina nos folhetos de cordel em uma agenda de conversas online que acontece até março deste ano, no canal do Youtube “Cordel Mulher PE”.  

A iniciativa é assinada pela Rede de Mulheres Cordelistas de Pernambuco, que têm à frente as pesquisadoras e escritoras Eulina Fraga e Shirley Rodrigues. Juntas, atuam há mais de 15 anos no estudo, produção de livros e projetos educativos que objetivam a visibilidade do cordel e a presença feminina nele. 

A programação conta com mais de 10 encontros, sempre às 19h e mediados por elas, e que trarão sempre uma convidada para discutir temas que têm o cordel como protagonista. Na próxima segunda-feira (15), a convidada será a cordelista Isabel Maia, que vai falar sobre aprendizado e produção do gênero. Todas as conversas continuarão disponíveis no canal, após transmissão, para quem não puder acompanhar ao vivo. 

“É uma forma de discutirmos temas urgentes e necessários no que dizem respeito ao trabalho das mulheres cordelistas no estado, tendo em vista a vasta produção de folhetos, xilogravura, contação de histórias, música, formação e pesquisa, entre outros”, diz Shirley. Entre outros temas, estão “A educação pela poesia do Cordel”, com Erica Montenegro, “Redescobrindo a arte de cordelizar na terceira idade”, com Edilene Chick Cordéis, “A representação feminina na cadeia produtiva do cordel em Pernambuco”, com Ana Ferraz, e “Xilogravura e a produção de cordéis em Pernambuco do tradicional ao contemporâneo”, com Graciela Castro e Kelmara. 

Serviço

Encontro Literário de Cordel de Escrita Feminina em Pernambuco 

Programação:

16/02 – Entre Glosas e Cordéis, com Elenilda Amaral

17/02 – Cordelizar é preciso, com Dani Almeida e Edimaria

18/02 – Confluência da literatura de cordel com o turismo criativo e a música, com Elis Almeida Continue lendo

Por Ademar Rafael Ferreira (Papa)

Ade maleu lapa-el – Depois que vimos sobre Florianópolis, vamos ao interior de Santa Catarina?

Papa – Para esta viagem vamos dividir as atrações pelo perfil dos turistas, Santa Catarina tem grande relação de pontos turísticos.

Caso o turista esteja com sua família, principalmente com filho menores, a grande pedida é o completo “Beto Carrero World”, que neste ano completa trinta anos. O sonho do entretenimento do empreendedor João Batista Sérgio Murad – Beto Carrero foi materializado na cidade de Penha que fica próxima do Aeroporto de Navegantes e do Balneário de Camboriú.

Trata-se de um parque temático com inúmeras atrações, não tem como ficar parado durante uma demorada visita.  

Sendo o viajante um amante de belas praias, a rota a seguir no interior é o balneário de Camboriú. Sem ordem de preferência vou listar as principais opções. A Praia do Estaleirinho, avaliada por muitos como a melhor praia de região, seu mar azul e suas fortes ondas atraem os jovens; a vizinha Praia do Estaleiro é classificada como uma das mais belas praias do sul do Brasil, não entro nesse debate, apenas sugiro como passagem obrigatória; para os adeptos do naturismo existe a opção da Praia do Pinho, única praia de nudismo da região; os moradores do local são assíduos na Praia de Taquaras, isto indica que tem atrativos que não podemos ignorar; após a passagem pelo parque “Beto Carrero World” levar as crianças para Praia de Laranjeiras é uma ótima pedida, trata-se de uma praia ideal para famílias em função de suas ondas calmas; encerro esta relação com a Praia Central com sua ótima estrutura no tocante a restaurantes e bares.

Não temos como deixar de relatar os atrativos do Blumenau, cidade que é conhecida como capital de cerveja e onde a “Oktoberfest” acontece no mês de outubro de cada ano. Reza a lenda que tal evento perde somente para festa da cerveja realizada em Munique, na Alemanha. Além do quesito cerveja, em Blumenau o turista terá oportunidade de conhecer, sem precisar ir à Europa, uma cidade tipicamente alemã.

Por fim, para quem adora frio, Santa Catarina nos apresenta a região do Parque Nacional dos Aparados da Serra. A beleza de suas trilhas não cabe neste espaço. A cidade de Praia Grande pode ser uma das portas de entrada. O bom mesmo está reservado nas cidades de Bom Jardim da Serra, capital das cachoeiras; Lages, berço do Turismo Rural; São Joaquim, com suas plantações de maçã; Urubici, com suas cavernas e cachoeiras e Urupema, conserva costumes gaúchos e promove no mês de novembro de cada ano o Torneio do Laço, evento muito concorrido.

Por Naldinho Rodrigues*

Hoje vamos aborda Milton Santos de Almeida, ou simplesmente Miltinho Rodrigues, que foi um compositor e cantor brasileiro que nasceu em Goiânia (GO), em 2 de maio de 1941. Miltinho desde menino já demonstrava vocação musical, cantando em família.

Em 1958, assinou seu primeiro contrato, indo atuar na Rádio Nacional do Distrito Federal, para cantar canções românticas, inclusive em castelhano. Formou diversas duplas ao longo de sua carreira – Miltinho Rodrigues e Zé do Prado, depois Ninico e Miltinho e posteriormente Palmito e Miltinho.

Gravou também com Adolfinho das Velhas, todos os trabalhos realizados em sua cidade natal, Goiânia. Ainda em 1958, mudou-se para São Paulo, onde formaria dupla com Tibagi, renovando o estilo romântico-sertanejo. Em fins dos anos 1960, passou a cantar sozinho, lançando diversos discos. Em 1967, fez sucesso com as composições “Prisioneiro do amor” e “Você não apareceu”, de sua autoria e “Ébrio do amor”, de Palmeira e Romancito Gomes. Em 1968, gravou, entre outras, o grande sucesso de Jair Amorim e Evaldo Gouveia, “Quem será”.

Em princípios dos anos 1970, fez sucesso com as composições “Destino fere e às vezes mata”, em parceria com Benedito Seviero e “Por que será”, em parceria com Milton Yamada. Entre os anos de 1976 e 1978, afastou-se da vida artística, tendo trabalhado como publicitário em Goiânia. Em 1979, foi convidado para realizar apresentações com o Trio Parada Dura, em circos, feiras e teatros. Em 1989, a dupla Chitãozinho e Xororó gravou a sua composição “Faz um ano” no disco “Nossas canções preferidas”. Em 1994, lançou pela gravadora Disco de Ouro, o LP “Coração do Brasil”. Ficou conhecido como “O Trovador do Brasil”.

O sambista também animou carnavais com marchinhas como “Nós os carecas”. No aniversário de 70 anos, em 1998, lançou o CD “Miltinho Convida”, com elenco de alguns de seus aprendizes confessos, como João Nogueira, João Bosco, Luiz Melodia, Chico Buarque, entre outros. Já gravou também com Zeca Pagodinho, Elza Soares, Martinho da Vila, Ed Motta e Mariana Baltar. Como intérprete, lançou João Nogueira e Luiz Ayrão.

Também no filme, vencedor do prêmio de melhor curta brasileiro no festival É Tudo Verdade de 2009, Elza Soares, uma de suas parceiras, elogia: “A divisão de Miltinho, acho que ele tem ritmo até na ponta da orelha (…) Para mim, ele é único”.

Miltinho em uma frase assim definiu-se: “Eu não sou astro de coisa nenhuma. Sou apenas um mero cantor de samba. O que me honra muito”.

Miltinho faleceu no dia 9 de janeiro de 2021 por complicações de um Alzheimer, aos 86 anos. Segundo uma de suas filhas, Sandra Vergara, o cantor foi vítima de uma parada cardíaca no Hospital do Amparo, no Rio Comprido, Zona Norte do Rio, onde estava internado havia dois meses em tratamento de um problema pulmonar.

E para lembrarmos do “Trovador do Brasil” vamos curtir uma de suas melhores canções; PERFÍDIA.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Concurso Nordestino de Frevo terá premiações de até R$ 10 mil reais

Ascom/Fundaj

Apesar de 2021 ser um ano marcado pelas ruas vazias, sem o colorido das sombrinhas de frevo e ritmo dos passistas, não devemos deixar de celebrar a festa mais aguardada pelo povo de Pernambuco.

Para incentivar a produção de novos frevos e fomentar o setor cultural, a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj) promoverá o Concurso Nordestino de Frevo – Homenagem ao Maestro Duda, por meio da Diretoria de Memória, Educação, Cultura e Arte (Dimeca). Artistas de todo o Nordeste poderão participar.

Mesmo tendo origem no Recife, em Pernambuco, o frevo é um ritmo celebrado por toda região, tendo sido gravado por artistas como Caetano Veloso (BA), Zé Ramalho (PB) e Armandinho Macedo (BA).

“Nosso objetivo é mostrar a dimensão e relevância do frevo pelos nove estados e celebrar a história desse patrimônio cultural e social”, explica o diretor da Dimeca, Mario Helio.

Para se inscrever no Concurso Nordestino de Frevo, o compositor deve ser residente em um dos nove estados do Nordeste e apresentar músicas inéditas já com os arranjos.

As inscrições ficarão abertas até 12 de junho de 2021 e devem ser realizadas pelo site da www.fundaj.gov.br. Após a publicação no Diário Oficial da União, o edital será disponibilizado na aba Concurso Nordestino de Frevo. Os candidatos devem preencher um formulário eletrônico e anexar os materiais e documentações específicas da categoria. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

Nesta quinta-feira vamos relembrar um pouco de Thomas William Standen. Um cantor e compositor brasileiro, mais conhecido como Terry Winter. Começou a cantar ainda nos anos 60 em português, sob o nome Tommy Standen, mas foi como Terry Winter que ficou mais famoso no Brasil e na América Latina, com o hit “Summer Holiday”.

Terry Winter nasceu no dia 8 de maio de 1941, em São Paulo. Era brasileiro, filho de brasileiros, Charles Walter Standen e Maria Teresa Standen eram seus pais, porém neto de ingleses. Seu avó materno era veterinário e sua avó dona de casa, e residiam no Brasil. Terry Winter passou a maior parte da infância numa fazenda da família em Penedo, distrito de Itatiaia (RJ), na época,  ainda parte do município de Resende, onde seu pai tinha  uma pequena fábrica.

Estudou em colégio inglês, e sua família mantinha as tradições e os costumes ingleses, inclusive falando a língua inglesa em casa junto do português. Antes da carreira como cantor, nos anos 60, Terry Winter foi professor de inglês. No começo da carreira, adotou o nome artístico Tommy  Standen. Apresentava-se nos programas de auditórios, até que foi contratado pela gravadora RCA. Ali, atuou como compositor, tendo canções gravadas por artistas como Nilton Cesar, Ronnie Von e tantos outros.

Em 1969, lançou seu primeiro disco, um compacto simples com a música chefe “Tomorrow, Tomorrow”, pela gravadora Beverly. Em 1971, Terry Winter conquistou o auge da fama gravando o seu primeiro LP com a música “Summer Holiday” que se tornou um dos maiores sucessos e  foi lançada também em outros países da América Latina, alcançando semelhante sucesso. Outra canção de destaque do primeiro álbum foi “Our Love Dream”.

Após o sucesso alcançado, Terry Winter  volta a gravar, e em 1975, revela-se  brasileiro no programa Silvio Santos. No início da entrevista, o apresentador Silvio Santos só se comunica com o cantor por meio da intérprete, mas na volta do intervalo comercial, este passa a conversar com ele em bom português. Segundo Terry Winter, ele não havia revelado sua identidade antes por medo de perder o sucesso. Ainda neste programa anunciou que mudaria novamente o nome artístico, para Thomas Williams, mudança esta que não ocorreu.

Terry Winter trabalhou também como ator, como na telenovela “A Viagem”, de Ivani Ribeiro, produzida e exibida pela Tv Tupi, entre 1975 e 1976, onde fez o personagem Rui. Em 1976, alcança grande sucesso com a canção “Our Love”, num dueto com Heleninha, o que lhe possibilita entrar em mercados  como os Estados Unidos e gravar um LP em espanhol. Terry Winter lançou o seu ultimo disco em 1988, sem obter êxito.

Como cantor, ainda participou de festivais cantando na dupla  Chico Valente e Nil Bernardes, realizando seu ultimo trabalho em 1991. Na década de 1990, Terry Winter sentia falta do sucesso e buscava uma nova gravadora, já que vinha juntando várias composições. Em 1998, porém, as crises de bronquite asmática, doença com a qual sofria desde criança, ficaram mais frequentes, até que, em uma manhã de agosto, passou mal e com a demora na chegada do resgate, sofreu um derrame. Foi levado para um pronto-socorro no distrito paulistano do Butantã, e de lá foi transferido para um hospital no Jabaquara,  onde ficou internado na unidade de terapia intensiva.

As perspectivas de recuperação eram boas, porém, após trinta e dois dias de internação, contraiu uma pneumonia e veio a falecer em 22 de setembro de 1998, aos 57 anos. Foi sepultado em 23 de setembro de 1998 no Cemitério do Campo Grande, no distrito paulistano de Campo Grande. Deixou quatro filhos de seu casamento com Miriam Baraboskin: Shanon Mark, Shareenne, Scott Sheman e Shane Morgan e os amigos Álvaro Gomes, o saudoso Orival Pessine (o fofão da turma do Balão Mágico e seu Patropy da escolinha do Professor Raimundo) e Nil Bernardes.

Após Terry Winter, vieram Morris Albert, Dave Macleam, Christian, Michael Sullivan. Mark Davis (Fábio Júnior), Tony Stevens (Jessé) e o grupo musical Pholhas.

Alguém se lembra desse sucesso do cantor brasileiro Terry Winter nos anos 70?  Summer Holiday

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Para muitos, um cantor desconhecido, mas para a rapaziada que passou dos 60 anos, um grande artista: refiro-me a Francisco Egídio dos Santos, cantor e compositor brasileiro, que nasceu em São Paulo em 17 de janeiro de 1927. Dos 14 aos 24 anos participou de programas de calouros em várias emissoras de rádio de São Paulo, onde cantava  sucessos da época, principalmente de Nelson Gonçalves, Francisco Alves e Orlando Silva.

De 1946 a 1950 serviu na Polícia Militar da Aeronáutica, de onde saiu como Cabo. Em 1951 participou do concurso o cantor dos bairros, da Rádio Excelsior, de São Paulo, obtendo o primeiro lugar e o contrato de experiência por três meses na própria emissora. Nessa época, a Rádio Excelsior passou para as organizações Vitor Costa (hoje Rede Globo) e assim ele foi incluído no seu quadro artístico.

Francisco Egídio gravou pela primeira vez como cantor em 1953, na gravadora Copacabana, com músicas  rascunho brasileiro e uma versão do Tango Sim Palavras. Fez grande sucesso com a interpretação Creio em Tí, versão que lhe deu o Troféu Roquete Pinto, EM 1960, ano em que deixou a organização Vitor Costa.

Ainda em 1953, gravou em homenagem ao quarto centenário de São Paulo, o samba Terra Bandeirante e o dobrado São Paulo das Bandeiras. Em 1954, gravou mais dois discos pela Copacabana, em 1955, o cantor passou para a gravadora  Odeon com muito sucesso. E o cantor Francisco Egídio continuou gravando todos os anos. Ele gravou 20 discos em 78 rotações, muitos LPs e participou de várias coletâneas.

Suas principais gravações: ‘Feitiço da Vila’, ‘Palpite Infeliz’, ‘João Ninguém’, ‘Pedacinho por Pedacinho’, ‘Cinco Letras’, ‘Greve de Amor’, ‘Até parece castigo’, ‘Um Beijo de Amor’, ‘Creio em Tí’. Um dos maiores trabalhos do cantor foi no disco Francisco Egídio vive os sucessos de Lupicínio Rodrigues, “Nervos de Aço”, “Esses Moços, Pobres Moços”, “Cadeira Vazia”. Ainda gravou “Se acaso você chegasse”, “Deus, como eu te amo”, “Risque”, “Caminhemos”, “Cinco letras que choram”,  e muitas outras.

Na TV Tupi de São Paulo, em 1975, foi feito uma novela de muito sucesso, que se chamou “Meu rico Português”. Nela, Francisco Egídio cantou a música “Estranha forma de vida”, que vendeu muito. O cantor também participou de Escolas de Samba. Gravou em 1978, o LP ” Sambas de enredo de Escolas de Samba”.

Ainda na década de 60, Chico Egídio participou do LP de Hebe Camargo, em que ela colocou com vários cantores convidados. Ele chamou de ” Hebe comanda o espetáculo”. Em 1990, o cantor participou do LP “Feitiço da Vila”, em homenagem a Noel Rosa e nele Francisco Egídio cantou ‘Palpite Infeliz’. Cantor versátil, interpretava músicas românticas e também carnavalescas.

Uma das ultimas gravações do excelente Francisco Egídio foi uma marchinha que dizia “Me dá um gelinho aí”, “Estou a cem por hora”, “Se eu não aguentar o calor, eu jogo a roupa fora”. Coincidentemente, Francisco Egídio nasceu no dia 17 de janeiro de 1927 e faleceu no dia 17 de outubro de 2007 (80 anos).

Um dos grandes sucessos, espero que gostem, do grande Francisco Egídio foi à famosa música: “Foste minha um verão”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Em tempos que clamam por bons tempos, a música, a poesia e a força dos artistas podem trazer extremo conforto, especialmente em períodos em que a solidão parece tão recorrente. Por isso, como declama os versos da canção Bilha, que diz “quem quiser na vida ser feliz, tem que dividir seu sonho” do músico pernambucano Zé Renato Silva Filho, que traz toda a sua bela poesia para o público nesta quarta-feira (dia 27), em live a partir das 20h, em seu canal do YouTube: https://youtu.be/1xC6j0hJiQU. “Esta é a melhor maneira de celebrar o meu aniversário, nesta data específica, com esse grande projeto contemplado pela Secult/PE/Lei Aldir Blanc. Serão apresentadas 20 músicas autorais e convidei mais 3 artistas para dividirem o palco comigo, no estúdio Oráculo, que fica no Palácio do Frevo no Recife Antigo”, destaca Zé Renato.

Mais do que embalar o público com grandes sucessos como “Nossos Momentos” e “Frevo Chorado”, a noite marca o lançamento do novo trabalho do artista “O Amor em Canções”. A apresentação virtual contemplará 20 músicas autorais e a participação de mais de três convidados, entre expoentes da cena musical nacional como o cantor e compositor Rui Ribeiro, a cantora Beth Coelho e a cantora e compositora Haidée Camelo. “Reuni músicos talentosos para formar a banda que acompanhará a apresentação. Tenho aproveitado minha experiência e conexões para fazer essa integração com nomes que sintetizam a qualidade musical, nesse processo único de trabalho que mostrará a riqueza da nossa culturalnacional”, diz Zé Renato.

Com apoio de Romero Medeiros (teclado), Ledo Ivo (contrabaixo acústico), Carlos Lima (bateria) e Percy Marques (arranjos e violão 7 cordas), o músico tem agregado na sua trajetória um trabalho repleto de poesia e versos, em composições realizadas com algumas das importantes parcerias. O desenrolar dessa trajetória de Zé Renato conta com diversos acertos musicais com destaque para a Fundação do “Grupo Manifesto” e sua atuação junto a nomes como a dupla “Sá e Guarabyra”, Tibério Gaspar, Tavito, Antonio Villeroy, artistas locais André Rio, Vates e Viola, Nena Queiroga, Racine e Ravel, Paulinho Leite, Isabela Moraes, Luciano Magno entre outros.

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso homenageado desta quinta-feira é o carioca de Vila Isabel, Nerino Teodoro da Silva, conhecido popularmente por Nerino Silva. Nascido em 1920, ficou conhecido pelos sambas que gravou fazendo muito sucesso nos 50 e 60. Participou também de um filme “Preço da Vitória” em 1959.

Nerino Silva depois de sua estreia em 57 na RGE passou por outras gravadoras: Chantecler e RCA, gravando sambas de Oswaldo Nunes, Luiz Wanderley, Zé Kéti, Lupicínio Rodrigues, mas também marcha-rancho (Do meu pensamento saiu lágrima), xote estilizado (Adeus Maria Fulô) e até o clássico Súplica Cearense, de Gordurinha e Manoel Ávila Peixoto, em ritmo de samba.

Curiosamente a primeira versão gravada de Súplica Cearense, gravada pelo Gordurinha por volta dos anos 1960, está catalogada como de autoria de Gordurinha em parceria com Nelinho, mas no disco, gravado alguns anos depois, a parceria é com Manoel Ávila Peixoto. Em 1960, Súplica Cearense foi gravada pelo próprio Gordurinha, um dos autores, com lançamento em julho de 1960. Ressalte-se que esse clássico também tem interpretações expressivas de Ary Lobo e até mesmo Luiz Gonzaga, que gravou a música duas vezes: em 1979 (LP “Eu e Meu Pai”) e em 1984, em dueto com Fagner, no segundo e último álbum que eles fizeram em dupla.

Nerino Silva estreou em 1957 pela RGE, gravou um disco, talvez o mais conhecido “Deixe Comigo” de 1968. Depois disso ainda lançou pouco mais de 10 trabalhos, além de alguns Compactos. A música ‘Minha Sogra’ foi bastante tocada na década de 50 e 60 devido ao bom humor nas letras que animavam vários gostos. Uma curiosidade: estava eu no meu táxi, um Chevrolet 1946, no ponto onde estacionava na Rua Líbero Badaró, quando subiu no meu automóvel o então saudoso Nerino Silva. Conversa vai, conversa vem e eu disse a ele que gostava de cantar, e quando chegamos à Tupi onde ele era contratado já estava tudo combinado; eu faria um teste na quarta-feira, tudo bem. Lá fui eu com o  coração disparado e as pernas bambas, mas era tudo o que eu queria e  sonhava. Fiz o teste com outros cantores e por sorte fui naquele mesmo instante contratado para um período de dois anos, onde ia fazer parte de cast da Tv Tupi e também participações na Rádio Tupi.

O mesmo Nerino Silva me levou para a Chantecler, onde fui contratado também para gravar o meu primeiro disco 78 RPM, isso, depois de ter mostrado ao Diogo Mutero (Palmeira), então diretor artístico da gravadora, uma fita magnética em que cantava algumas músicas. Foram escolhidos duas músicas: “Agora”, um bolero, e “Não me falem dela”, um tango.  (Francisco Petrônio).

Nerino Silva faleceu no dia 13 de agosto de 2013 ás 11 horas em ponto, aos 83 anos de idade. Nerino Silva gravou pouco, porém deixou sua marca através de lindas interpretações, e a principal delas foi: Súplica  Cearense.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Meu caro leitor(a), a música raiz, o forró tipicamente nordestino, ficou menos rico de cultura, criatividade e alegria. É que perdemos um dos maiores destaques e representantes no início deste ano. Refiro-me a Genival Lacerda, que nasceu em 15 de abril de 1931, na cidade de Campina Grande, na Paraíba.

Genival Lacerda iniciou a sua carreira no Nordeste, mais precisamente na década de 50. Conhecido por cantar forró, xaxado e baião, ele se mostrou um cantor e compositor habilidoso e, como instrumentista, seu ponto forte foi à sanfona. Embora o primeiro disco de Genival Lacerda (78 rotações) tenha sido gravado em 1955, alcançando um sucesso razoável com a canção “Coco de 56”, foi somente em 1975 que ele de fato explodiu no cenário nacional e passou a influenciar o forró no Brasil.

Genival virou referência de humor e musicalidade com a faixa “Severina Xique-Xique”, quem não se lembra do clássico e empolgante refrão “ele tá de olho é na butique dela, ele tá de olho é na butique dela?”… Provavelmente você até leu esse trecho cantando, acertei? A composição foi feita em parceria  com João Gonçalves e rendeu a Genival Lacerda mais de 800 mil cópias vendidas.

Os maiores hits de Genival Lacerda são, sem dúvida nenhuma “De quem é esse jegue?”, “Severina Xique-Xique” e “Radinho de Pilha”, no entanto, é fácil encontrar muitas outras músicas famosas no meio dos mais de 70 discos que o cantor gravou. Dentre os álbuns lançados por ele estão “Canta Luiz Gonzaga”, “60 anos de forró com muita alegria”, “Se não fosse o forró”, “Aqui só tem forró”, “Cabeça Chata”, “Meu Nordeste”, dentre outros CDs e LPs. Para um cantor, até que a filmografia de Genival Lacerda é grande.

Em 1979, já estourado no país, ele viveu um cantor de forró no filme “Vamos cantar disco baby”. Em 1985 foi à vez de estrelar na obra cinematográfica “Made in Brasil”,  vivendo novamente um cantor. Cinco anos mais tarde, deu vida a um outro personagem musical no filme “Beijo 2348/72”. Por fim, em 2009, viveu ele mesmo em um documentário sobre a sua carreira.

Genival foi tão bom no que fez, que mesmo após mais de seis décadas de trajetória, continuou tocando e cantando pelo Brasil afora. A agenda dele foi intensa, sempre solicitado, especialmente durante o período de festas juninas. Recentemente, Genival Lacerda fez uma participação no filme “Folia Brasil”, que ainda não tem previsão de estreia nos cinemas brasileiros.

Genival Lacerda, com sua alegria de viver e com sua musicalidade, sempre inspirou o forrozeiro diversos talentos, entre eles, o cantor baiano Adelmário Coelho, um dos sucessos do momento da música nordestina.

Genival Lacerda foi internado em novembro de 2020 para se tratar de uma pneumonia decorrente da Covid-19, da qual faleceu em 7 de janeiro de 2021. A nossa música nordestina, principalmente o tradicional forró admirado pelo povo brasileiro está de luto e certamente fica mais pobre com a partida do mungangueiro, como era chamado carinhosamente pelo público, em especial, o sertanejo. Que Deus o receba lá no céu de braços abertos e o convide para fazer parte de uma seleta equipe de forrozeiros, encabeçada pelo Rei do Baião Luiz Gonzaga e com a participação de outras feras inesquecíveis da nossa música nordestina, como: Dominguinhos, Sivuca, Zé Calixto, Mário Zan e tantos outros (acho que só com esses citados na matéria daria para se fazer um forró de qualidade, não?). Vamos relembrar o famoso Genival Lacerda, curtindo o seu maior sucesso, aquele que o consagrou para o mundo da música: Severina Xique-Xique.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem mais que merecida nesta quinta-feira, na nossa primeira crônica de 2021, vai para Eunocelino Araújo do Nascimento, conhecido pelo nome artístico de Adelino Nascimento, que nasceu em 17 de setembro de 1957, em Maracaçumé, no estado de Sergipe, e faleceu no dia 10 de abril de 2008, no mesmo estado.

Adelino Nascimento foi um cantor e compositor brasileiro, do gênero musical “brega”. Intitulava-se “O cantor apaixonado do povão”. Fez sucesso na Região Nordeste do Brasil, especialmente no Maranhão. Compôs canções como ‘Adeus Ingrata’, gravada por Cláudio Fontana, ‘Menina Faceira’ e ‘Vou voltar pra São Luiz do Maranhão’.

Adelino começou a carreira em 1981, quando seu pai, agricultor em Turiaçu, vendeu um terreno para pagar a gravação de uma fita e a enviou a gravação a um empresário de São Paulo, que aprovou o cantor e o contratou para gravar seu primeiro disco.

Em 1996 candidatou-se a prefeito de Maracaçumé, mas não conseguiu se eleger. Adelino Nascimento, quando faleceu tinha 51 anos, estava casado  com Dona Aritânia, havia seis anos. O cantor deixou quatro filhos, um com uma atual esposa ao falecer e três do casamento anterior.

Com mais de 30 discos gravados, o cantor apaixonado do povão estava entre os mais populares da música romântica regional, conhecida popularmente como brega. Junto com Waldick Soriano, Reginaldo Rossi, Odair José e Lindomar Castilho, Adelino era considerado um dos melhores cantores do país em seu gênero.

Adelino gravou diversos discos de estilo brega nos anos 1980 e 1990, tendo atingido um alto patamar de  popularidade nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Lançou compacto simples, pelo selo RCA, em 1988. Em 1989, gravou o discos de maior destaque na carreira. “O cantor apaixonado do povão – VOL 1” e “O cantor apaixonado do povão – VOL 2”, que contaram  com sucessos como “Coração Arrependido”, “Não precisa Chorar”,” Flagra do  Ricardão” e “De joelhos na terra”.

Adelino Nascimento morreu no hospital de urgência João Alves Filho, no dia 10 de abril de 2008. Ele sofria de asma e após um show na cidade de Japaratuba, sentiu-se mal, com problemas respiratórios, mas não quis receber atendimento médico. Passou mal novamente dias depois, quando foi internado.

Adelino Nascimento, considerado um dos maiores nomes da música brega. O cantor tem um grande número de fãs em todo Nordeste. Foi sepultamento em Maracaçumé, sua cidade natal.

E para recordar o cantor apaixonado do povão, nada melhor do que a canção “Adeus Ingrata”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.