Cultura

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso destaque de hoje, é para Augusto Calheiros, cantor e compositor, iniciou sua carreira artística no Recife em meados dos anos 1920. Em 1927, como integrante do grupo pernambucano Turunas  da Mauricéia, transferiu-se para o Rio de Janeiro.

A estreia do grupo ocorreu no Teatro Lírico, em espetáculo patrocinado pelo jornal Correio da Manhã, onde Augusto Calheiros fez enorme sucesso por causa de sua voz afinada e estilo peculiar de interpretação. Caboclo forte de Maceió, descendente verdadeiro de índios, Augusto Calheiros nasceu na capital alagoana em 5 de junho de 1891, numa família em boa situação, que começou a passar dificuldades com o falecimento do chefe, quando Calheiros tinha nove anos de idade. Rapazola muda-se para Garanhuns (PE), aí trabalhando como dono de bar, fabricante de sapatos, hoteleiro, subdelegado e carcereiro.

A música, porém seguia seus sonhos e projetos. Cantava no cinema e teatro locais. Em 1923, dá sua ida para a capital pernambucana, onde começa a atuar na Rádio Clube de Pernambuco, inaugurada oficialmente, em 07 de outubro de 1923,  como a segunda rádio transmissora brasileira. Nada ganhava. Em 1926, forma o conjunto Turunas da Mauricéia e no início de 1927, Os Turunas começaram a divulgar a típica música nortista no Rio de Janeiro, com um sucesso nunca visto. Augusto Calheiros, a partir de 1929, fez também sua carreira solo, mantendo um estilo próprio cantando músicas sertanejas.

No auge de sua popularidade, dividindo com Jararaca e Ratinho, Dercy Gonçalves, Artur Costa e outros, cantava na Casa Cabocla, famosa casa de espetáculos inaugurada em 1932, localizada na Praça Tiradentes, onde era divulgada a música regional brasileira. Em 1936, cantou no filme Maria Bonita. Ao todo gravou 80 discos com 154 músicas.

Em 1955 destacou-se no segundo Festival da Velha Guarda em São Paulo, organizado por Almirante. Augusto Calheiros tornou-se conhecido como “A Patativa do Norte” por sua voz afinada e estilo de interpretação. Em um segundo casamento, uniu-se a Josefa Faustina de Castro, mais nova que ele 36 anos. A relação começou em uma das suas viagens a Garanhuns, mas D. Zezé só foi morar com ele no Rio de Janeiro em 1950. Tiveram duas filhas, Cleide Conceição de Castro Calheiros, nascida em 14 de julho de 1954, e outra que só nasceu meses após a sua morte.

Do seu primeiro casamento há registro também de uma filha e netos. Segundo informações da comunicação da época, Calheiros passou longos dias de sua vida cantando com um só pulmão, devido à consequência de uma tuberculose. Durante muitos anos houve dúvidas sobre o seu local de nascimento. Parte dela criada pelo próprio Augusto Calheiros que declarou ter nascido em Maceió, enquanto que alguns afirmaram que ele nasceu na Rua do Cajueiro, em Murici, em 5 de junho de 1891.

Augusto Calheiros faleceu no dia 11 de janeiro de 1956 no Rio de Janeiro. Doente, viu-se desprovido de qualquer recurso, pois a vida boêmia o deixara pobre. Foi então socorrido pelo amigo Almirante, que muito o admirava. Almirante fez então circular um original livro de contos, com a finalidade de arrecadar o necessário ao seu tratamento. Calheiros, apesar da solidariedade recebida, veio a falecer vítima de falência múltipla dos órgãos, motivado por diabetes. Em 1958, seus restos mortais foram transladados para Garanhuns.

E para matar as saudades desse alagoano misturado de pernambucano e carioca, vamos curtir um dos seus maiores sucessos: Senhor  da Floresta!

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Chegou ao fim uma história de sucesso, dor e muito sofrimento. A vida da cantora Vanusa, que morreu no último dia 8 de setembro, aos 73 anos. Foi um desses enredos repletos de altos e baixos, seis casamentos conturbados, violência e dependência química. Dona de uma voz tão marcante quanto a sua cabeleira loira, Vanusa morreu na casa de repouso onde vivia há mais de dois anos, em santos, no litoral de São Paulo. O enfermeiro percebeu, por volta das 5h30, que ela estava sem vida. A causa da morte foi insuficiência respiratória.

Vanusa tinha depressão e problemas de saúde causados  pelo uso de medicamentos tarja preta em excesso, que a deixaram debilitada. Em setembro, ela esteve internada, também em Santos, com problemas respiratórios e renais. Ela também já apresentava  sinais de Alzheimer e demência.

A cantora se envolveu em 6 relacionamentos conjugais. Com medo de ameaças, Vanusa não revelou o nome do sexto companheiro e nem o citou na autobiografia. A cantora disse que sofreu muitos nos casamentos com o cantor  e compositor Antonio Marcos, que morreu em 1991. Com o diretor global Augusto Cesar Vanucci, morto no mesmo ano, o jogador de futebol Ademir Vicenti e com o empresário Francisco Machado Cotta.

Sobre Antonio Marcos, nunca escondeu que ele foi o grande “amor” da vida dela e que o casamento só acabou por contas dos problemas dele com o álcool. Na biografia, Vanusa conta que um dos motivos para o fim dos casamentos era que em algum momento os maridos queriam que ela parasse de cantar. Coisa que nunca admitiu. “chegava um momento em que eles queriam que eu parasse de cantar”, conta ela.

A cada separação, saía de casa levando, além dos filhos, livros, discos e um velho gramofone, presente de Antonio Marcos. Vanusa também revelou que apanhou de seus  ex-maridos Vanucci, Cotta, e até do próprio pai. Em uma das brigas violentas com o pai, ele saiu de casa e nunca mais voltou.

Com mais de 20 discos lançados ao longo da carreira, e mais de 3 milhões de cópias vendidas, a cantora e compositora era mais identificada com a canção popular do que com a MPB, mas flutuou entre gêneros como Rock, Funk Americano e Samba.

Gravou discos com Ronnie Von, Antonio Marcos, teve uma carreira ativa nos anos 1980 com o lançamento de discos e participações em diversos festivais de música no país e no exterior, como Uruguai, Coreia do Sul e Chile.

A primeira crise de depressão veio aos 34 anos, no auge da carreira. Não demorou a começar a tomar antidepressivos. Vanusa revelou: “Meu terapeuta me disse: Sabe por que muitos artistas acaba, na miséria, no álcool ou nas drogas? Porque a adrenalina é uma droga poderosa, e quando acaba aquela sensação mágica de quando se está no palco, é duro encarar a realizada”. Contava ela.

Mesmo com tanta dor, Vanusa lutou até o fim. Dizia para as mulheres nunca abdicarem de seus sonhos e não deixarem nenhum homem passar por cima deles.

Vanusa Santos Flores, paulista de Cruzeiro, mas foi criada em Uberaba, Minas Gerais, cidade onde deu início à carreira de cantora. Vanusa fez sucesso com milhares de músicas especialmente na década de 1970 com a canção “Manhãs de Setembro”, uma música  que teve grande repercussão e falava de romantismo.

Vanusa deixou três filhos: Rafael Santos Vanucci, Filho De Seu Segundo Marido, Augusto Cesar Vanucci, Amanda e Aretas, filhas do seu primeiro marido, o cantor Antonio Marcos.

Em março de 2009, ao participar do primeiro encontro estadual para agentes públicos na Assembleia Legislativa de São Paulo, Vanusa causou consternação aos presentes ao cantar o Hino Nacional brasileiro de forma desafinada e errada. Mais tarde alegou a má interpretação por estar sob ação de um remédio contra labirintite, errando a  letra. O vídeo da apresentação se espalhou rapidamente pela internet.

No ano seguinte, a cantora voltou a ser alvo de piadas, ao cantar no parque do idoso, em Manaus, em um  evento em homenagem ao dia dos pais. Vanusa errou a letra de “Sonhos de um Palhaço” de seu ex-marido Antonio Marcos, para compensar o equívoco a cantora cantou um trecho de “Como vai Você”, outra canção do ex-marido, segundo ela, sempre confunde as duas canções. Vanusa, filha do ex-futebolista Luis dos Santos Flores e de Noêmia Albino, partiu pra outra, mas deixou uma verdadeira obra prima musical. E para recordá-la com muito carinho, vamos curtir um de seus maiores sucessos: Pra Nunca mais Chorar…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Em tempos de pandemia, muitos fãs e seguidores talvez não souberam da morte do extraordinário cantor Carlos Alberto (O Rei do Bolero). Carlos Alberto era um nome artístico, seu nome de batismo era Nuno Soares, nasceu no povoado de Astolfo Dutra, no município de Juiz de Fora (MG) no dia 29 de setembro de 1933.

Foi um cantor, violonista e compositor brasileiro. Morou na cidade de Petrópolis (RJ), quando criança. E mesmo após se  mudar não se desfez de sua casa naquela cidade, no bairro do alto da serra. Foi posteriormente para a cidade de Três Rios para dar início à sua carreira musical, onde morou por 15 anos. Carlos Alberto tornou-se conhecido na década de 1960, quando ganhou a alcunha de Rei do Bolero dada por Chacrinha.

Também foi artista que mais  gravou boleros no Brasil. Tem uma marca de aproximadamente 800 músicas  em diversas gravadoras. Além disso, foi o recordista de vendas da gravadora junto com  Roberto Carlos (CBS). Carlos Alberto alcançou muito sucesso nas décadas de 67 e 70. Um de seus primeiros sucessos foi gravado em 1963 e se chama “Sabe Deus”.

Ao longo de sua carreira, gravou 50 trabalhos, conquistou uma série de premiações em programas de rádio e televisão. Os prêmios foram uma prova de sua dedicação à música brasileira, pelas suas interpretações e estilo musical de suas músicas e com ênfase no bolero, até hoje é reconhecido como o Rei do Bolero. Carlos Alberto cantou e encantou a todos por onde passou, levando muito amor e emoção com suas belas melodias.

Entre seus maiores sucessos, além de Sabe Deus, seu primeiro trabalho, podemos destacar “Aquece-me esta Noite”, “Ilumina-me Senhor”, “Rasguei o teu Retrato” e vários outros. Suas músicas ficaram nas paradas musicais durante muito tempo nos anos 60, 70 e 80, permanecendo aproximadamente dois anos (75 e 76) em primeiro lugar no programa Globo de Ouro.

O artista começou a sua carreira com 8 anos, quando já tocava violão. Em uma de suas últimas entrevistas, Carlos Alberto lembrou da carreira e disse que um dos momentos que mais o emocionou foi o primeiro teste como cantor de disco “eu estava dentro do estúdio e cantei a música teste. Eu notei que o diretor mostrou para o maestro o braço dele arrepiado e senti que estavam gostando de mim. Fiquei muito emocionado” contou na ocasião.

O seu último show foi na cidade de Recife (PE), reunindo um público de 15 mil pessoas. Carlos Alberto passou a residir no município de Simão Pereira, no estado de Minas Gerais. Ele faleceu no 7 de julho de 2020, aos 86 anos, na Santa Casa de Juiz de Fora, onde ficou internado durante oito dias por conta de um AVC no dia 8 de julho de 2020, às 9 horas, Carlos Alberto foi sepultado no Cemitério Municipal de Petrópolis, cidade que manteve residência por  cerca de 40 anos. O cantor deixou esposa, três filhos, quatro netos e quatro bisnetos.

Carlos Alberto, um dos maiores intérpretes do bolero nos deixou de forma acanhada, sem muita badalação, pelo que representou para nossa música brasileira. Que tal, uma roedeira e um choro de saudade desse famoso cantor chorão que nos deixou tão recentemente? Carlos Alberto e “Rasguei o teu Retrato”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Divulgação

Por José Teles/JC

O cantor, compositor e cronista Maciel Melo começou 2020 em ponta de bala. Seria o ano da celebração do lançamento de seu primeiro LP, Desafio das Léguas (1989), de preparação de disco e livro novos. Um dos nomes mais importantes do forró e cantoria nordestinas, o pernambucano de Iguaracy, 58 anos, esperava um 2020 de consolidações e exploração de novos horizontes. Até que foi pego de surpresa pela eclosão da pandemia, que obrigou pessoas no mundo inteiro a mudar seus roteiros. Nessa entrevista a José Teles/JC, Maciel Melo conta como foi se reinventar em meio a um dos mais melindrosos momentos pelos quais vem passando a humanidade em mais de um século, desde o flagelo da gripe espanhola, em 1918. “Essa pandemia me fez buscar um Maciel Melo que estava adormecido. A felicidade não é só sucesso, a felicidade está na gente ser o que é”, filosofa o caboclo sonhador.

JC – Quando chegou à pandemia, quais os planos que você tinha na agulha e foram interrompidos?

MACIEL MELO – Não fosse essa pandemia este seria, sem sombra de dúvidas, o melhor ano de minha vida. Havia planejado alçar voos mais altos; logo que acabou o Carnaval fui pra Bahia, estava montando uma parceria com um empresário de lá e já estávamos articulando o circuito junino por todo o estado baiano. Estávamos esperançosos, tanto eu, quanto ele, pois havíamos montado um escritório em Feira de Santana e tudo estava correndo dentro das nossas expectativas. Aí, veio a notícia do isolamento, e desandou tudo.

JC – Você imaginou que quase um ano depois estaríamos ainda reféns do coronavírus?

MACIEL – Não! A princípio, não. Mas, à medida em que a pandemia foi crescendo — embora o presidente da república minimizasse a gravidade da doença — fui me recolhendo e observando o descaso público com a vida humana. Gradativamente, vi que os planos do governo eram pessoais, políticos, no mau sentido da palavra, e passei a me posicionar nas redes sociais sobre o assunto. Hoje, a Europa inteira está voltando a se isolar novamente, e nós não aguentaremos mais outro lockdown. O país quebra. É urgente que o governo federal assuma sua responsabilidade, e o presidente aja como um verdadeiro chefe de estado. O país está pegando fogo, a Amazônia está pegando fogo, o Pantanal está pegando fogo, os biomas estão pegando fogo, o universo está adoecendo, e os caras preocupados em se reelegerem.

JC – Você passou um tempo na praia. Nesse interim, teve inspiração para compor? Ou sentiu os mesmos sintomas de grande parte das pessoas: apatia, ansiedade, ou mesmo depressão? Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso escolhido para nossa homenagem semanal, foi Antenor de Oliveira, mais conhecido como Cartola. Que nasceu no dia 11 de outubro de 1908 no Rio de Janeiro. Cartola foi um cantor, compositor e poeta brasileiro. Um dos sambistas que compunham a velha-guarda da escola de samba Estação Primeira de Mangueira, sendo considerado o responsável tanto pela escolha do nome, como das cores adotadas pela escola (verde e rosa). A escolha das cores foi uma homenagem ao seu amado fluminense, clube de futebol do Rio de Janeiro que utiliza-se de combinações mais sóbrias das mesmas cores (grená, verde escuro e branco).

Cartola compôs sozinho ou com companheiros , mais de quinhentas canções, como “As Rosas não Falam”, “Alvorada”, “O mundo é um moinho” e “O sol nascerá”. Tendo sido esta última regravada mais de 600 vezes. Suas canções são musicalmente bastante elaboradas e suas letras tem uma carga poética muito forte.

Seu envolvimento com o carnaval começou logo cedo. Aos 8 anos de idade já participava desfilando em blocos carnavalescos de rua. Foi morar no bairro da Mangueira, aos onze anos, por  problemas financeiros em sua família. Apesar da riqueza de suas poesias e da qualidade em que as produziu, Cartola só estudou somente até o primário. Cartola jamais conseguiu se integrar ao mercado de trabalho, passou sua vida trabalhando em bicos. Foi pedreiro, pintor de paredes, lavador de carros, vigia de prédio e contínuo de repartição pública.

Foi como pedreiro que ganhou seu apelido de Cartola. Quando trabalhava com cimento estava sempre sujando seus cabelos, o que o aborrecia bastante pois ele era muito vaidoso. Passou então a sempre usar um chapéu, assim seus cabelos estavam protegidos do cimento. Seus amigos então o apelidaram de Cartola.

Dona Aída, sua mãe, morreu prematuramente. Seu pai era muito severo e o expulsou de casa aos dezessete anos de idade. Sozinho, envolveu-se com várias mulheres, adoeceu e teve que parar de trabalhar. Esteve à beira da morte mas se reergueu com ajuda dos amigos. Cartola, assim como seu fiel amigo e também sambista Noel Rosa, vende sambas no início da carreira. O primeiro deles foi “Que infeliz sorte”, de 1927, vendido por trezentos contos de réis e sendo gravado por Francisco Alves.

Foi nessa época, década de 1920, que os blocos de carnaval resolveram se organizar na forma de sociedades permanentes. Em 1928, Cartola e mais seis amigos reunidos, na favela da Mangueira, reúnem os blocos carnavalescos do morro e fundam a escola de samba Estação Primeira de Mangueira. No primeiro desfile, com o samba enredo “Chega de Demanda” de Cartola, a Mangueira ganha seu primeiro prêmio de carnaval, no desfile na Praça Onze. Cartola segue como diretor de harmonia e como um dos compositores da escola, dedica a isso boa parte de sua vida.

Seus sambas são gravados por muitos cantores da década de 1930. Em 1940, participa de gravações com vários músicos brasileiros (Pixinguinha, Donga, Jararaca e outros). Cartola muitas vezes teve divergências com a direção da escola, nos anos 1949 e 1977 ele não desfilou. Ele alegou  que os diretores da escola haviam transformado a escola num reduto eleitoreiro. Cartola se afasta da mangueira, vai morar na baixada fluminense. Fica viúvo e contrai meningite.

Por volta dos anos 50, Sergio Porto o encontra lavando carros, trabalhando num posto em Ipanema nas madrugadas, e o relança como cantor e compositor. Em 1952 curado, volta a viver no morro da Mangueira e começa a namorar a também viúva dona Euzébia Silva do Nascimento, a famosa Dona Zica, irmã da mulher do compadre Carlos Cachaça. Dona Zica e Cartola haviam crescido juntos, haviam se conhecido nos desfiles dos blocos carnavalescos de rua.

Cartola e Dona Zica casam-se depois de doze anos juntos, em 1964. É ao lado de Dona Zica que Cartola compõe “As Rosas não Falam”, “Nós Dois” (dois dias antes do casamento de Cartola e Dona Zica)”, “Tive Sim” e “O sol nascerá”. Na década de 60 Cartola, Dona Zica e mais dois sócios fundam o botequim Zicartola que se torna um ponto de encontro dos grandes sambistas da ocasião e onde surgem grandes talentos.

É somente em 1974, já aos 65 anos, que grava seu primeiro disco, Cartola. No final da década de 70, depois de se submeter a uma cirurgia para tirar um câncer na tireoide, a saúde de Cartola foi aos poucos se fragilizando. E no dia 30 de novembro de 1980, morre de câncer, no Rio de Janeiro. Apesar do grande sucesso de seus sambas, Cartola morre pobre, morando numa casa doada pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Nos anos 2000 o cantor Ney Matogrosso lançou o CD “Ney canta Cartola” e o DVD “Ney canta Cartola ao vivo”. Ali são cantadas músicas raras de Cartola como “Senões”. e assim, você conheceu um pouco do gênio Cartola, autor desta obra prima: As  Rosas  não  Falam.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 horas da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa singela homenagem de hoje segue para o cantor e compositor Osmar Navarro. Autor de mais de mil músicas, Osmar Navarro gravou seis LPs e 20 Compactos. Seu grande sucesso, “Quem É?” de 1959, vendeu mais de um milhão de cópias e foi tema da novela Estúpido Cupido, da Rede Globo. Outras músicas de sucesso, “A namorada que sonhei” gravada por Nilton Cesar e “A mais bela das noites”, gravada pela dupla sertaneja Chitãozinho e Xororó.

Osmar Navarro participou de uma série de programas de televisão e recebeu, entre outros prêmios, o Microfone de Ouro. Produziu artistas e shows de alta qualidade na cidade de Santos, litoral de São Paulo, como Eneidalaís, Tarciso Góes, Lobão, Leninha e muitos outros grandes talentos que se apresentavam na baixada. Em 1956 estreou em discos gravando em dueto com Celita Martins, o samba canção “Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si”.

Em 1959 mudou de gravadora interpretando os sambas-canção “Imaginemos” e “Candidato a Triste”. No mesmo ano gravou de sua autoria o bolero mambo “Quem É?”, que se tornaria seu maior sucesso, sendo regravado no mesmo ano pelo Trio Nagô, pelos vocalistas modernos, por Roberto Amaral e pela saudosa Hebe Camargo.

Em 1960, gravou de sua autoria a balada “Vi” e o samba “Eterno Motivo”. No ano seguinte passou a gravar na Chantecler estreando com os sambas “Maestro Coração” e “Amor de Carnaval”. Em 1962 estreou na Odeon gravando as músicas “Quero” e “Lenita”.

Em 1963 gravou na CBS a “Balada da Esposa”. Como compositor teve ainda gravadas entre outras, o bolero “Quando estás ao meu lado” e “Teu Nome”. Em 1968 o cantor Antonio Marcos defendeu no festival da Record a composição “Poema de Mim”, de autoria dos dois.

Osmar Navarro nasceu no Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1930. Foi criado em Botafogo, mas se mudou para Santos em 1984, onde constituiu família e viveu por muitos anos de carreira. Osmar Navarro faleceu em 5 de janeiro de 2012, aos 81 anos.

E para relembrar uma carreira de grande sucesso, tanto cantando quanto fazendo músicas, eis o saudoso Osmar Navarro interpretando: QUEM  É?

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado sempre aos domingos, das 5 às 8 horas da manhã.

Por Ademar Rafael Ferreira (Especial)

Reza o folclore poético que numa cantoria em Brasília o poeta Sebastião Dias ao olhar para um quadro pintado na parede do espaço onde estava cantando fez a seguinte sextilha: “O quadro ficou bonito/A pintura ficou boa/E aquela garça branca/Lá na beira da lagoa/O pintor caprichou tanto/Que se espantar ela voa.” Essa plenitude artística detectada pela sensibilidade do poeta do Rio Grande do Norte eu percebo em obras de Edgley, sua força artística supera as mais exigentes expectativas.

Recentemente ele emprestou seu talento para capa de um cordel que o poeta Diomedes Mariano fez sobre personagens de Afogados da Ingazeira. Em função de outro trabalho o nível de perfeição estimulou o poeta de Solidão à em contato telefônico dizer: “Ademar, Edgley fez uma foto minha tão parecida que se apertar ela faz um verso”.

Destaco nesta crônica, três momentos especiais do artista. O primeiro, o “Homem de ferro” feito especialmente para o Baile Municipal de Afogados da Ingazeira, ano 2017; o segundo, o “Grilo Gigante” do Bloco Grilados no carnaval de 2019 e o terceiro o “Bolo de Aniversário” dos 110 anos da cidade que ele tanto promove com sua arte. Isto fique bem claro, é um minúsculo aperitivo do que já produziu nosso valoroso artista plástico.

Fica um pedido para os gestores públicos de Afogados da Ingazeira. Com as obras de revitalização ora promovidas na Praça Carlos Cottart e no seu entorno mandem Edgley pintar um quadro para exposição permanente na parede externa da Prefeitura. Tal pintura retrataria uma comparação entre o Rio Pajeú das praias do passado e o Rio Pajeú com esgoto a céu aberto da atualidade. Seria um presente para as gerações futuras com um alerta para que, diferente da nossa geração, cuidem melhor do nosso lendário rio.

Com este gesto também estaríamos dando para Edgley a visibilidade que ele merece e copiando um pouco do que a Catalunha faz pelo seu Salvador Domingo Felipe Jacinto Dalí (1904 – 1989), o Edgley de lá.

Por Naldinho Rodrigues*

Nossas crônicas semanais tem por intenção trazer aos dias de hoje personagens que fizeram sucesso com composições de muito tempo atrás e que ainda hoje são recordadas como se fossem criadas nos dias atuais, que ainda nos trás uma saudade confortável.

Hoje abordamos Dorival Caymmi, esse baiano de Salvador, que nasceu em 30 de abril de 1914 e faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de agosto de 2008. Foi um cantor, compositor, instrumentista, poeta, pintor e ator brasileiro.

Filho de Dorival Henrique Caymmi e Aurelina Soares Caymmi era casado com Adelaide Tostes, com quem teve seus três filhos: Nana, Dori e Danilo, que também são cantores, assim como suas netas Juliana e Alice.

Dorival compôs inspirado pelos hábitos, costumes e as tradições do povo baiano. Tendo como forte influência a música negra, desenvolveu um estilo pessoal de compor e cantar, demonstrando espontaneidade nos versos, sensualidade e riqueza melódica.

Era um poeta popular que compôs obras como Saudade da Bahia, Samba da minha Terra, Doralice, Marina, Modinha para Gabriela, Maracangalha, Saudade de Itapuã, O Dengo que a Nega Tem e Rosa Morena.

Ele era descendente de italianos pelo lado paterno, as gerações da Bahia começaram com o seu bisavô, que chegou ao Brasil para trabalhar no reparo do Elevador Lacerda. Ainda criança, iniciou sua atividade como músico, ouvindo parentes ao piano. Seu pai era funcionário público e músico amador, tocava, além de piano, violão e bandolim. A mãe, dona de casa, mestiça de portugueses e africanos, cantava apenas no lar. Ouvindo o fonógrafo e depois a vitrola, cresceu sua vontade de compor.

Cantava ainda menino, em um coro de igreja, como baixo-cantante. Com treze anos, interrompe os estudos e começa a trabalhar em uma redação de jornal O Imparcial, como auxiliar. Com o fechamento do jornal, em 1929, torna-se vendedor de bebidas. Em 1930 escreveu sua primeira música: “No Sertão”, e aos vinte anos estreou como cantor e violonista em programas da Rádio Clube da Bahia.

Já em 1935, passou a apresentar o musical Caymmi e Suas Canções Praieiras. Com 22 anos, venceu, como compositor, o concurso de músicas de carnaval com o samba A Bahia também dá. Gilberto Martins, um diretor da Rádio Clube da Bahia, o incentivou a seguir uma carreira no Sul do país. Em abril de 1938, aos 23 anos, Dorival, viaja de Ita (navio que cruza o Norte até o Sul do Brasil) para cidade do Rio de Janeiro, para conseguir um emprego como jornalista e realizar o curso preparatório de Direito.

Com a ajuda de parentes e amigos, fez alguns pequenos trabalhos na imprensa, exercendo a profissão em O Jornal, do grupo Diários Associados, ainda assim, continuava a compor e a cantar. Conheceu, nessa época, Carlos Lacerda e Samuel Wainer.

Foi apresentado ao diretor da Rádio Tupi, e, em 24 de junho de 1938, estreou na rádio cantando duas composições, embora ainda sem contrato. Saiu-se bem como calouro e iniciou há cantar dois dias por semana, além de participar do programa Dragão da Rua Larga. Neste programa, interpretou O que é que a Baiana Tem?, composta em 1938.

Com a canção, fez com que Carmen Miranda tivesse uma carreira no exterior, a partir do filme Banana da Terra, de 1938. Sua obra invoca principalmente a tragédia de negros e pescadores da Bahia: O Mar, História de Pescadores É Doce Morrer no Mar, A Jangada Voltou Só, Canoeiro, Pescaria, entre outras. Filho de santo de Mãe Menininha do Gantois, para quem escreveu em 1972 a canção em sua homenagem: “Oração de Mãe Menininha”, gravado por grandes nomes como Gal Costa e Maria Bethânia.

Em 1986, a Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira apresentou o enredo “Caymmi mostra ao Mundo o que a Bahia e a Mangueira têm”. Nesse desfile, com um belo samba a Estação Primeira de Mangueira conquistou o principal título do Carnaval Carioca. Em 2014 foi homenageado pela Escola de Samba Águia de Ouro, que apresentou o enredo: “A Velha Bahia apresenta o centenário do poeta cancioneiro Dorival Caymmi” homenageando o centenário de Dorival Caymmi. A escola finalizou na terceira posição, a mesma posição do ano anterior.  

Dorival Caymmi faleceu em casa, aos 94 anos, às seis horas da manhã, por conta de insuficiência renal e falência múltipla dos órgãos, em consequência de um câncer renal que possuía havia nove anos. Ele permaneceu em internação domiciliar desde dezembro de 2007.

E para matar a saudade desse baiano, de voz leve e suave, nada melhor que recordar com uma das suas mais belas composições: Maracangalha.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso homenageado de hoje é Gabriel dos Santos Lobo, mais conhecido como Ary Lobo. Nasceu no dia 14 de agosto de 1930 em Belém do Pará. E faleceu em 22 de agosto de 1980 em Fortaleza (CE).

Ary Lobo foi um cantor e compositor brasileiro, teve mais de 700 músicas gravadas por ele e outros cantores, músicos e intérpretes. Foi um defensor da música norte-nordestina de raiz de estilo semelhante ao de Jackson do Pandeiro, cantando derivativos do baião, entrecocos e rojões.

Ary Lobo lançou vários sucessos nos anos 50 e 60 em seus nove LPs. Retratou a vida e os costumes do povo nortista e nordestino em números divertidos como “Cheiro da Gasolina” e “Madame Paraíba”. Suas gravações mais conhecidas são provavelmente “O Último Pau de Arara”, “Eu vou pra Lua” e “Súplica Cearense”.

Ary Lobo FOI daqueles gênios que não nascem mais nos dias de hoje, um dos maiores compositores de forró da história. Um defensor solitário (ou quase) da música nordestina de raiz. Suas gravações são o retrato disso, a começar pelos instrumentos usados, ele não ousava muito, já tinha sua  fórmula metade. Antes de se tornar popular como cantor, exercia as mais diversas profissões, incluindo a de mecânico e músico corneteiro na Força Aérea Brasileira.

Ao se apresentar em um concurso de calouros em Belém, como era de se esperar, foi feliz na sua primeira apresentação. Todos achavam que a sorte de Gabriel estava no Sul, em uma certa ocasião, cantou no Teatro Arthur Azevedo, um show de curta temporada em São Luiz do Maranhão, e eis que na plateia encontrava-se ninguém menos que Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, que logo de cara gostou da bossa do menino, fazendo-lhe então um convite para acompanhá-lo ao Rio, convite este que não poderia ser aceito, pois Ary tinha muitos compromissos. Um ano após, apareceu em Belém o conhecido compositor Pires Cavalcante, que reforçou o que todos já diziam, o jovem Ary Lobo arrumou as malas e partiu para a metrópole.

Assinou contrato com a gravadora RCA Victor e em 1956 gravou seu primeiro disco, que foi o pontapé para a sua carreira musical. Em seu primeiro disco, interpretou o batuque “Sentinela do Mar” e o rojão “Forró do Cabo Gato”. No ano seguinte gravou os cocos “Paulo Afonso” e “Pedido a Padre Cícero” e o “O Criador”.

Em 1960 gravou o coco “A Mulher que vendia Siri” e no mesmo ano gravou a sua primeira composição o rojão “Eu vou pra Lua”. Em 1962 compôs em parceira com Jacinto Silva o rojão “Moça de Hoje”. Em 1964 gravou o LP que popularizou dois dos seus grandes sucessos como cantor, “Último Pau de Arara” e “Vendedor de Caranguejo”. Dois anos depois compôs “Quem é o Campeão”, faixa título do LP que lançou no mesmo ano. Em 2000 sua composição “Eu vou pra Lua”, foi regravada por Zé Ramalho no CD “Nação Nordestina”.

Ary Lobo morreu aos 50 anos de idade e foi sepultado no cemitério São João Batista, em Fortaleza. E para matar as saudades desse paraense arretado de bom, que tal uma curtir música contendo uma letra que se tornou  a realidade do povo brasileiro em sua maioria? Caveira. 

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa saudade segue hoje para Deny e Dino, dupla vocal formada pelos cantores e compositores José Rodrigues da Silva, o Deny e Décio Scarpelli, o Dino. Deny e Dino  conheceram-se  em Santos em 1956 e, identificados pelo gosto musical – o rock, decidiram apresentar-se em dupla.

No final da década de 1950, exibiram-se como os boas pintas em programas de rádios e boates. Na década seguinte, convidados para participar dos programas de televisão de Hugo Santana, adotaram os codinomes de Deny e Dino, gravando o primeiro Compacto na gravadora Odeon, com a música Coruja (da dupla), e obtiveram sucesso.

Presentes no programa Jovem Guarda da Tv Record, de São Paulo, lançaram outras composições, como “Eu não me importo, Lição de Moral, O estranho homem do disco voador”, incluídas no LP Coruja. Em 1969 a dupla gravou o LP Deny e Dino, na mesma fábrica. Os sucessos da dupla incluem: O maior golpe do mundo e Cantem Comigo.

A dupla gravou mais de 30 compactos e 10 LPs e participou de muitos programas de televisão da década de 1960. Assunto obrigatório em jornais e revistas, a dupla esteve  como muitas outras músicas na paradas de sucesso da época e ganhou vários discos de ouro e troféus como os famosos Chico Viola e Roquete Pinto. Suas músicas também foram tocadas em todos os países da América Latina.

A música Coruja vendeu mais de dois milhões de cópias, um feito inacreditável para a época. Mesmo com a morte do parceiro Dino, em 1994,  Deny continuou com a dupla, colocando o cantor Gilberto Gonçalves Pereira, nascido em 28/11/1949, em Santo André (SP), como o novo Dino.

Em 1995, a nova dupla gravou o CD “Deny & Dino – Essencial”, com regravações de antigos sucessos mesclados a novas músicas, além de participar do CD “30 Anos da Jovem Guarda”. A nova dupla desfez-se, entretanto, em 1996, quando Gilberto Gonçalves faleceu prematuramente, aos 47 anos de idade, vítima de uma hemorragia no aparelho respiratório (Esôfago).

Ainda em 1996, Deny passou a fazer dupla com Elliot (Élio de Souza Reis), nascido em 2/10/1951, em Presidente Prudente (SP), que assumiu o nome de Dino.  Juntos, gravaram apenas uma música, “Asa Delta” incluída no CD “Rockomodo”. Em 2012, a dupla chegou definitivamente ao fim e Deny passou a seguir carreira solo, além de apresentar programas de rádio sobre o Rock das décadas de 1950 E 1960.

Deny é paulista, nasceu em 1944 e Dino nasceu em santos em 1942 e faleceu e 1994.

E para matar as saudades de uma das mais afinadas duplas da época da jovem guarda, relembre a música: Coruja.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã. 

*Por Naldinho Rodrigues

Resolvemos homenagear hoje Taiguara Chalar da Silva (Taiguara). Que nasceu em Montevidéu no dia 9 de outubro de 1945 e faleceu em São Paulo, em 14 de fevereiro de 1996. Taiguara foi um cantor, compositor e instrumentista radicado brasileiro, estabeleceu  seu nome na Música Popular Brasileira,  junto a nomes como Chico Buarque e Toquinho, após participar, ser finalista e ganhar uma série de festivais nos anos 60, lançando álbuns com canções que marcaram sua primeira fase, como “Helena, Helena, Helena” e “Hoje”.

Nos anos 70, lançou “Viagem”, “Carne e Osso” (1971), “Piano e Viola” (1972) e “Fotografia” (1973). Entretanto, foi o artista mais censurado no Brasil durante o período do regime militar (ditadura), (1964-1985), tendo mais de sessenta músicas censuradas entre os anos de 1972 e 1973, impedindo-o de gravar ou reproduzir uma série de composições. Um de seus álbuns, Let the children hear the music, foi gravado no exterior mas censurado mesmo assim, impedindo seus lançamento.

Em 1975 retornou ao Brasil após breve auto exílio, quando gravou O Icônico Imyra, Tayra, Ipy – Taiguara, que acabou sendo recolhido das lojas pela polícia. Após mais extenso exílio, na Europa e na África, voltou ao Brasil em princípios dos anos 80, após a anistia, quando retomou carreira, com shows atravessando os anos 90 e dois álbuns, mais ativos politicamente e com letras de músicas também mais politizadas, canções de Amor e Liberdade, em 1983 e Brasil Afri em 1994.

Os problemas com a censura levaram Taiguara a se auto exilar na Inglaterra em meados de 1973, após a canção “A Ilha” do álbum Carne e Osso, de 1971, que ficou impedida de ser executada em rádios, como também suas apresentações. Taiguara ficou marcado e perseguido severamente pelo regime militar que não o perdoou. Quando voltou a cantar no Brasil, não obteve mais o grande sucesso de outros tempos, muito embora suas músicas de maior êxito tenham continuado a ser lembradas em flashbacks das rádios AM e FM.

Nos anos 80, começou a trabalhar como jornalista no jornal “Hora do Povo”, com coluna própria, entrevistando figuras como Elza Soares (outra marcada pela ditadura). Voltando a carreira musical, organizou a turnê “Treze Outubros”, contando com composições que iriam posteriormente aparecer em seus dois últimos álbuns, em apresentações que contaram com a participação de Ivan Lins e Beth Carvalho.

Taiguara cantou o amor, quando era a vez de protesto, e cantou o protesto, quando todos cantavam o amor, e virou guerrilheiro quando as tropas se recolhiam. No entanto, o momento político brasileiro e o contexto de golpe militar acabaram influenciando a carreira do músico que foi censurado pelo sistema de repressão do governo militar. Durante esse período de perseguição, o público ficou sem saber o que aconteceu com Taiguara, que quando voltou a cantar no Brasil, teve dificuldade em retomar o sucesso. Se não fosse a ditadura, ele provavelmente seria mais conhecido e lembrado atualmente. Embora ele nunca tenha sido preso e torturado, como outros militantes de esquerda foram no período, a carreira e a vida de Taiguara acabaram mudando.

As censuras ceifaram o trabalho de um dos grandes compositores da música brasileira. Taiguara faleceu em São Paulo no dia 14 de fevereiro de 1996 (50 anos) vítima de câncer. Como sugestão, para relembrar um pouco do grande Taiguara, curta a música: Teu Sonho não Acabou…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Alguém se lembra da “Divina”?

Pois muito bem. A “Divina” foi nada mais nada menos do que Elizeth Moreira Cardoso. Elizeth Cardoso, cantora brasileira e considerada uma das maiores intérpretes da música brasileira, além de uma das mais talentosas cantoras de todos os tempos, reverenciada pelo público e pela crítica nacional e internacional.

Elizeth Cardoso nasceu no dia 16 de julho de 1920, no Rio de Janeiro. Cantora popular carioca, começou a trabalhar aos 12 anos como balconista. A divina foi descoberta aos 16 anos de idade por Jacob do Bandolim durante uma festa de aniversário dela mesma na Rua do Rezende, na Lapa. O bairro, visto com maus olhos pela sociedade moralista da época, não poderia ter sido um melhor reduto para a ascensão de quem construiu com sua vida um modelo de resistência feminina.

A presença de Jacob na comemoração se deu por conta da amizade que o artista tinha com o pai de Elizeth (um senhor muito bruto), também músico. Anos mais tarde, em 1958, o apelido de divina veio do jornalista Haroldo Costa, que a chamou  após assistir a um de seus shows.

O nome pegou no meio artístico e entre os críticos culturais do país por conta da voz que conseguia ser potente e suave, erudita e popular, tudo ao mesmo tempo. foi logo que a carreira começou a deslanchar que Elizeth seu primeiro namorado, o jogador de futebol Leônidas da Silva (o inventor da bicicleta, falecido em 2004). O relacionamento não era aprovado pelos pais. Não era bom que uma jovem, cantora e solteira ficasse voltando para casa altas horas da madrugada ou dormindo na casa do namorado.

Criada com outros cinco irmãos, quatro mulheres e um homem, ela via sua vida tolhida desde muito cedo principalmente pelo pai, que não a deixava ter muitas liberdades que não seriam bem vistas aos olhos da sociedade partindo de uma mulher jovem e solteira.

O término do namoro com Leônidas veio depois da Divina  decidir adotar uma bebê que havia encontrado abandonada na rua. O jogador teria dado um ultimato para que ela escolhesse entre ele ou a menina. Elizeth não só escolheu a menina, a quem chamou de Tereza, como não hesitou em registrá-la como mãe solteira, um escândalo na época.

Um pouco depois, ela conheceu o músico Ary Valdez, com quem começou a namorar rapidamente e se mudou para a casa dele com a filha de seis meses. Tudo, é claro, contra a vontade dos pais.

Elizeth e Ary tiveram um filho biológico, Paulo Cesar, e a cantora passou anos do seu relacionamento lutando contra o ciúme do marido, que não aceitava as viagens a trabalho e os compromissos noturnos, ao mesmo tempo em que já a havia traído. no fim da década de 1930, quando se separou (ainda grávida), Elizeth não quis nada pra ela, mesmo sem ter dinheiro para se sustentar, ela e filhos. Para conseguir alguma renda, ela decidiu aprender e se tornar taxista na noite carioca.

O emprego que conseguiu como cantora no dancing avenida, casa de danças no Rio de Janeiro, Elizeth passou a ganhar 300 mil réis por mês. Mudou de endereço com os dois filhos e sua mãe para Bonsucesso, bairro chique do Rio de Janeiro.

Aos poucos, a carreira foi deslanchando. Elizeth  se tornou a noiva do samba-canção, mesma vertente cantada por vozes como Dalva de Oliveira e Maysa, e abriu as portas para a bossa nova ao gravar o LP “Canção do Amor Demais”, em 1958, cantando canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, com João Gilberto ao violão em duas faixas. entre elas, o marco zero do movimento “Chega de Saudade”. Amante do samba, do carnaval da Portela, flamenguista de carteirinha, Elizeth via com humildade o título de “Divina” quando me chamam de divina na rua, eu nem olho, faço de conta que não é comigo porque na verdade me dá um pouco de encabulamento.

Elizeth Cardoso nasceu em São Francisco Xavier, perto do morro da mangueira, no Rio de Janeiro, filha de um seresteiro. Faleceu no dia 7 de maio de 1990 aos 69 anos. Se estivesse viva, a cantora teria feito 100 anos em julho passado.

Mesmo com tanto tempo após sua morte, ela segue lembrada como uma de nossas maiores vozes e precursora na luta das mulheres pelo reconhecimento na música.

E para matar as saudades da Divina, que tal apreciarmos a beleza de interpretação de Elizeth Cardoso na música : Eu Bebo Sim.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Por acaso alguns dos leitores já ouviram falar nos irmãos Eustáquio e Eduardo Gomes de Farias? Não? Mas se a pergunta fosse: Quem de vocês já ouviu falar em Dom & Ravel? Muita gente irá lembrar.

Dom & Ravel foi uma dupla brasileira, que surgiu na década de 1960 e se notabilizou pelo apoio que prestou à ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985. Em 1970, por ocasião da Copa do Mundo realizada no México, conquistou o país com a música Eu Te Amo, Meu Brasil, que estourou nas paradas de sucesso. O sucesso foi absoluto nos anos seguintes. Dom & Ravel se apresentaram por todo o país e nos principais programas de rádio e de televisão, ganhando vários prêmios. A música ufanista era utilizada pelo regime militar em eventos cívicos.

Os irmãos Farias nasceram em Itaiçaba, no Ceará, Eustáquio em 21 de agosto de 1944 e Eduardo em 13 de outubro de 1947. Mudaram-se para São Paulo ainda crianças, nos anos 1950. Eduardo obteve o apelido de Ravel, dado por um professor de música, por causa de sua aptidão para a arte. Por volta dos anos 1960, à dupla, então já conhecida como Dom & Ravel, lançou seu primeiro LP em 1969, “Terra boa”, que trazia entre outras a canção “Você também é responsável”, transformada, em 1971, pelo ex-ministro da Educação, Jarbas Passarinho, no hino do Movimento Brasileiro de Alfabetização,  antigo Mobral.

Nos anos 1970, a dupla atingiu grande sucesso com a canção “Eu te amo meu Brasil”, gravada pelo conjunto Os Incríveis. Outros sucessos da dupla foram: “Animais irracionais”, “Só o amor constrói” e “Obrigado ao homem do campo”. A ligação dessas canções, que na época levaram-nos ao sucesso, com a ditadura militar, levou a dupla ao ostracismo posterior.

Em sua defesa, eles diziam que nunca tinha composto uma música encomendada pelo governo, e que a apropriação de suas composições pela ditadura era feita sem qualquer consentimento. Eles só não reclamavam justamente por medo de represália dos militares. Apesar do grande sucesso entre o público em geral, os irmãos não agradavam a esquerda do país, de políticos a artistas.

Para tentar amenizar o mal-estar que essa situação gerou, a dupla compôs em 1974 a música “Animais Irracionais”, que criticava duramente as injustiças sociais do país, mas isso os levou a serem odiados também pelos militares e seus seguidores. No final dos anos 70, tanto a esquerda quanto a direita do país acusavam a dupla de enaltecer o outro lado.

Donos de um talento incomparável, a dupla compôs canções que ainda hoje estão vivas na memória de quem viveu aquela época, principalmente de quem era criança. Infelizmente, graças a esta suposta ligação com o regime militar, eles foram abandonados pela mídia nas décadas seguintes.

Dom, com nome de batismo Eustáquio Gomes de Farias, faleceu em 10 de dezembro de 2000, em decorrência de um câncer de estômago. E Ravel, com nome de batismo Eduardo Gomes de Faria, faleceu em 16 de junho de 2011, de um ataque cardíaco.

Para lembrarmos dessa dupla que tanto trouxe alegria na sua época, vamos relembrar um grande sucesso: Obrigado ao Homem do Campo.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o Programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Vamos homenagear no dia de hoje o senhor João Rubinato. Muitos seguidores vão se perguntar, mas que é este cidadão?

João Rubinato foi simplesmente Adoniran Barbosa que ficou conhecido nacionalmente como o pai do samba paulista. Adoniran Barbosa nasceu em Campinas (SP), em 6 de agosto de 1910 e morreu em São Paulo, no dia 23 de novembro de 1982, aos 72 anos.

Adoniran Barbosa foi um compositor, intérprete, comediante, radioator, ele teve muitas profissões até ingressar no meio radiofônico, no começo dos anos 1930. Sétimo filho de um casal de imigrantes italianos, foi com a família para a cidade de Jundiaí, São Paulo, em 1918, e trabalhou com o pai no carregamento de vagões da são Paulo Rail Way.

Na cidade frequentou o grupo escolar, depois tornou-se entregador de marmita, e posteriormente, varredor em uma fábrica de tecidos. Com 14 anos , mudou-se para Santo André, onde exerceu a função de tecelão, encanador, pintor, vendedor ambulante de meias e garçom. Também trabalhou pouco tempo como metalúrgico por causa de problemas pulmonares. No início dos anos 1930, já em São Paulo, frequentou os programas de calouros e foi contratado pela Rádio Cruzeiro do Sul.

Em 1935, classificou-se em primeiro lugar no concurso de músicas carnavalescas da Prefeitura de São Paulo com a marcha Dona Boa. Até 1941, passou por várias rádios da capital. Nesse período compôs uma série de sambas e marchas. Ingressou na Rádio Record e trabalhou como comediante. Foi eleito o melhor intérprete cômico do rádio paulista em 1950. No ano seguinte conquistou, na mesma categoria, o primeiro de uma série de cinco prêmios Roquete Pinto.

Nessa década, suas composições musicais, obtém grande sucesso. Depois da gravação de Saudosa Maloca em 1955, pelo grupo Demônios da Garoa, conjunto que é um dos mais importantes intérpretes de suas composições, tornou-se o mais autêntico representante do samba paulista, título referendado em 1965, quando sua composição “Trem das Onze” também interpretada pelo Demônios da Garoa, e ganha o carnaval carioca.

Adoniran Barbosa ficou conhecido por elaborar suas letras a partir das trágicas cenas de vida e da linguagem cheia de sotaques, gírias, inflexões e erros de habitantes de cortiços, malocas e bairros característicos da cidade, como Bexiga e Brás. “Pra escrever uma boa letra de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto”, dizia o mestre Adoniran.

O pai do samba paulista passou por muitas e boas nessas vida. Aos dez anos, sua certidão de nascimento foi falsificada a fim de que pudesse trabalhar, pois só com doze anos era permitido. Adoniran Barbosa foi casado com Olga e com ela teve uma filha, Maria Madalena. O casamento não chegou há durar um ano. Em 1949, Adoniran casou-se novamente. Matilde Luttif foi sua companheira por mais de 30 anos e chegou até a ser sua parceira em algumas composições.

Adoniran passou os últimos anos de sua vida triste, sem entender o que tinha acontecido à sua cidade. “Até a década de 60, São Paulo ainda existia, depois procurei mas não achei São Paulo. O Brás, cadê o Brás? E o Bexiga, cadê? Mandaram-me procurar a Sé. Não achei. Só vejo carros e cimento armado”, teria dito.

Adoniran Barbosa morreu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos, pobre e quase esquecido. No momento de sua morte estavam presentes apenas sua mulher, Matilde Luttif, e uma irmã dela.

Adoniran Barbosa partiu já faz um bom tempo (38 anos), mas a sua obra musical jamais será esquecida. O samba popular cheio de gingado, malícia, sofrimento e alegria, sempre será lembrado, como por exemplo no seu primeiro sucesso: SAUDOSA MALOCA.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

O dia 21 de agosto de 2020 ficará marcado na história da música sertaneja do Brasil. É que naquele dia nos deixava Alberito Leocádio Caetano, mais conhecido pelo nome de Ronaldo Adriano.

Ronaldo Adriano nasceu no dia 7 de setembro de 1950. Foi um cantor e compositor brasileiro, e ainda muito jovem, mudou-se de sua cidade natal Capinópolis para cantar em bares e boates de cidades mineiras, paulistas, cariocas e capixabas. Começou a despontar no ano de 1974, pela gravadora Tapecar.

Gravou seu primeiro disco, interpretando músicas de Lindomar Castilho e Claudio de Barros, entre outros. Ronaldo Adriano foi um nome muito importante no cenário da música popular brasileira. Seu trabalho musical, mais conhecido e mais tocado no país com mais de 50 regravações é “Você é Doida Demais”. Composição sua em parceria com Lindomar Castilho.

Grandes sucessos da carreira de Lindomar Castilho revelaram a criatividade musical do compositor Ronaldo Adriano. O cantor continuou na ativa até pouco tempo antes de falecer, fazendo shows pelo país e gravando sua participação num DVD em Fortaleza ao lado de cantores populares. Com suas composições e gravações, Ronaldo Adriano também se tornou um dos maiores vendedores de discos no Brasil.

Foram centenas de músicas compostas e regravadas por grandes nomes da música popular, como: Tião Carreiro e Pardinho, Tonino e Tinoco, Cascatinha e Inhana, Trio Parada Dura, Barrerito, Gilberto e Gilmar, Roberto e Meirinho, Peão Carreiro e Praense, Milionário e José Rico, Reginaldo Rossi, Sergio Reis, Teodoro e Sampaio, Lindomar Castilho, Waldick Soriano, As Galvão, Leandro e Leonardo, Chico Rey e Paraná, Frank Aguiar, Cezar e Paulinho, Duduca e Dalvan, Mato Grosso e Matias, As Mineirinhas, Belmonte e Amaraí, Chitãozinho e Xororó, Guilherme e Santiago, Edson e Hudson, Cesar Menoti e Fabiano, Chrytian e Ralf, dentre outros.

Ronaldo Adriano morando em Uberlândia, foi homenageado com o título de Mérito Legislativo em Capinópolis, sua cidade natal. A homenagem foi feita ao filho ilustre da cidade celeiro de Minas Gerais como reconhecimento público do povo de Capinópolis.

Ronaldo Adriano morreu aos 70 anos no dia 21 de agosto de 2020, vítima de um infarto, após ter sido curado do coronavírus. Seu corpo foi enterrado em Uberlândia. E lá se foi  um dos maiores compositores do Brasil deixando em sua obra uma música, ao lado de Lindomar Castilho, um sucesso que jamais será esquecido pelos brasileiros: Você é Doida Demais…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.