Cultura

Por Naldinho Rodrigues*

Alguém se lembra da “Divina”?

Pois muito bem. A “Divina” foi nada mais nada menos do que Elizeth Moreira Cardoso. Elizeth Cardoso, cantora brasileira e considerada uma das maiores intérpretes da música brasileira, além de uma das mais talentosas cantoras de todos os tempos, reverenciada pelo público e pela crítica nacional e internacional.

Elizeth Cardoso nasceu no dia 16 de julho de 1920, no Rio de Janeiro. Cantora popular carioca, começou a trabalhar aos 12 anos como balconista. A divina foi descoberta aos 16 anos de idade por Jacob do Bandolim durante uma festa de aniversário dela mesma na Rua do Rezende, na Lapa. O bairro, visto com maus olhos pela sociedade moralista da época, não poderia ter sido um melhor reduto para a ascensão de quem construiu com sua vida um modelo de resistência feminina.

A presença de Jacob na comemoração se deu por conta da amizade que o artista tinha com o pai de Elizeth (um senhor muito bruto), também músico. Anos mais tarde, em 1958, o apelido de divina veio do jornalista Haroldo Costa, que a chamou  após assistir a um de seus shows.

O nome pegou no meio artístico e entre os críticos culturais do país por conta da voz que conseguia ser potente e suave, erudita e popular, tudo ao mesmo tempo. foi logo que a carreira começou a deslanchar que Elizeth seu primeiro namorado, o jogador de futebol Leônidas da Silva (o inventor da bicicleta, falecido em 2004). O relacionamento não era aprovado pelos pais. Não era bom que uma jovem, cantora e solteira ficasse voltando para casa altas horas da madrugada ou dormindo na casa do namorado.

Criada com outros cinco irmãos, quatro mulheres e um homem, ela via sua vida tolhida desde muito cedo principalmente pelo pai, que não a deixava ter muitas liberdades que não seriam bem vistas aos olhos da sociedade partindo de uma mulher jovem e solteira.

O término do namoro com Leônidas veio depois da Divina  decidir adotar uma bebê que havia encontrado abandonada na rua. O jogador teria dado um ultimato para que ela escolhesse entre ele ou a menina. Elizeth não só escolheu a menina, a quem chamou de Tereza, como não hesitou em registrá-la como mãe solteira, um escândalo na época.

Um pouco depois, ela conheceu o músico Ary Valdez, com quem começou a namorar rapidamente e se mudou para a casa dele com a filha de seis meses. Tudo, é claro, contra a vontade dos pais.

Elizeth e Ary tiveram um filho biológico, Paulo Cesar, e a cantora passou anos do seu relacionamento lutando contra o ciúme do marido, que não aceitava as viagens a trabalho e os compromissos noturnos, ao mesmo tempo em que já a havia traído. no fim da década de 1930, quando se separou (ainda grávida), Elizeth não quis nada pra ela, mesmo sem ter dinheiro para se sustentar, ela e filhos. Para conseguir alguma renda, ela decidiu aprender e se tornar taxista na noite carioca.

O emprego que conseguiu como cantora no dancing avenida, casa de danças no Rio de Janeiro, Elizeth passou a ganhar 300 mil réis por mês. Mudou de endereço com os dois filhos e sua mãe para Bonsucesso, bairro chique do Rio de Janeiro.

Aos poucos, a carreira foi deslanchando. Elizeth  se tornou a noiva do samba-canção, mesma vertente cantada por vozes como Dalva de Oliveira e Maysa, e abriu as portas para a bossa nova ao gravar o LP “Canção do Amor Demais”, em 1958, cantando canções de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, com João Gilberto ao violão em duas faixas. entre elas, o marco zero do movimento “Chega de Saudade”. Amante do samba, do carnaval da Portela, flamenguista de carteirinha, Elizeth via com humildade o título de “Divina” quando me chamam de divina na rua, eu nem olho, faço de conta que não é comigo porque na verdade me dá um pouco de encabulamento.

Elizeth Cardoso nasceu em São Francisco Xavier, perto do morro da mangueira, no Rio de Janeiro, filha de um seresteiro. Faleceu no dia 7 de maio de 1990 aos 69 anos. Se estivesse viva, a cantora teria feito 100 anos em julho passado.

Mesmo com tanto tempo após sua morte, ela segue lembrada como uma de nossas maiores vozes e precursora na luta das mulheres pelo reconhecimento na música.

E para matar as saudades da Divina, que tal apreciarmos a beleza de interpretação de Elizeth Cardoso na música : Eu Bebo Sim.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Por acaso alguns dos leitores já ouviram falar nos irmãos Eustáquio e Eduardo Gomes de Farias? Não? Mas se a pergunta fosse: Quem de vocês já ouviu falar em Dom & Ravel? Muita gente irá lembrar.

Dom & Ravel foi uma dupla brasileira, que surgiu na década de 1960 e se notabilizou pelo apoio que prestou à ditadura militar no Brasil, de 1964 a 1985. Em 1970, por ocasião da Copa do Mundo realizada no México, conquistou o país com a música Eu Te Amo, Meu Brasil, que estourou nas paradas de sucesso. O sucesso foi absoluto nos anos seguintes. Dom & Ravel se apresentaram por todo o país e nos principais programas de rádio e de televisão, ganhando vários prêmios. A música ufanista era utilizada pelo regime militar em eventos cívicos.

Os irmãos Farias nasceram em Itaiçaba, no Ceará, Eustáquio em 21 de agosto de 1944 e Eduardo em 13 de outubro de 1947. Mudaram-se para São Paulo ainda crianças, nos anos 1950. Eduardo obteve o apelido de Ravel, dado por um professor de música, por causa de sua aptidão para a arte. Por volta dos anos 1960, à dupla, então já conhecida como Dom & Ravel, lançou seu primeiro LP em 1969, “Terra boa”, que trazia entre outras a canção “Você também é responsável”, transformada, em 1971, pelo ex-ministro da Educação, Jarbas Passarinho, no hino do Movimento Brasileiro de Alfabetização,  antigo Mobral.

Nos anos 1970, a dupla atingiu grande sucesso com a canção “Eu te amo meu Brasil”, gravada pelo conjunto Os Incríveis. Outros sucessos da dupla foram: “Animais irracionais”, “Só o amor constrói” e “Obrigado ao homem do campo”. A ligação dessas canções, que na época levaram-nos ao sucesso, com a ditadura militar, levou a dupla ao ostracismo posterior.

Em sua defesa, eles diziam que nunca tinha composto uma música encomendada pelo governo, e que a apropriação de suas composições pela ditadura era feita sem qualquer consentimento. Eles só não reclamavam justamente por medo de represália dos militares. Apesar do grande sucesso entre o público em geral, os irmãos não agradavam a esquerda do país, de políticos a artistas.

Para tentar amenizar o mal-estar que essa situação gerou, a dupla compôs em 1974 a música “Animais Irracionais”, que criticava duramente as injustiças sociais do país, mas isso os levou a serem odiados também pelos militares e seus seguidores. No final dos anos 70, tanto a esquerda quanto a direita do país acusavam a dupla de enaltecer o outro lado.

Donos de um talento incomparável, a dupla compôs canções que ainda hoje estão vivas na memória de quem viveu aquela época, principalmente de quem era criança. Infelizmente, graças a esta suposta ligação com o regime militar, eles foram abandonados pela mídia nas décadas seguintes.

Dom, com nome de batismo Eustáquio Gomes de Farias, faleceu em 10 de dezembro de 2000, em decorrência de um câncer de estômago. E Ravel, com nome de batismo Eduardo Gomes de Faria, faleceu em 16 de junho de 2011, de um ataque cardíaco.

Para lembrarmos dessa dupla que tanto trouxe alegria na sua época, vamos relembrar um grande sucesso: Obrigado ao Homem do Campo.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o Programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Vamos homenagear no dia de hoje o senhor João Rubinato. Muitos seguidores vão se perguntar, mas que é este cidadão?

João Rubinato foi simplesmente Adoniran Barbosa que ficou conhecido nacionalmente como o pai do samba paulista. Adoniran Barbosa nasceu em Campinas (SP), em 6 de agosto de 1910 e morreu em São Paulo, no dia 23 de novembro de 1982, aos 72 anos.

Adoniran Barbosa foi um compositor, intérprete, comediante, radioator, ele teve muitas profissões até ingressar no meio radiofônico, no começo dos anos 1930. Sétimo filho de um casal de imigrantes italianos, foi com a família para a cidade de Jundiaí, São Paulo, em 1918, e trabalhou com o pai no carregamento de vagões da são Paulo Rail Way.

Na cidade frequentou o grupo escolar, depois tornou-se entregador de marmita, e posteriormente, varredor em uma fábrica de tecidos. Com 14 anos , mudou-se para Santo André, onde exerceu a função de tecelão, encanador, pintor, vendedor ambulante de meias e garçom. Também trabalhou pouco tempo como metalúrgico por causa de problemas pulmonares. No início dos anos 1930, já em São Paulo, frequentou os programas de calouros e foi contratado pela Rádio Cruzeiro do Sul.

Em 1935, classificou-se em primeiro lugar no concurso de músicas carnavalescas da Prefeitura de São Paulo com a marcha Dona Boa. Até 1941, passou por várias rádios da capital. Nesse período compôs uma série de sambas e marchas. Ingressou na Rádio Record e trabalhou como comediante. Foi eleito o melhor intérprete cômico do rádio paulista em 1950. No ano seguinte conquistou, na mesma categoria, o primeiro de uma série de cinco prêmios Roquete Pinto.

Nessa década, suas composições musicais, obtém grande sucesso. Depois da gravação de Saudosa Maloca em 1955, pelo grupo Demônios da Garoa, conjunto que é um dos mais importantes intérpretes de suas composições, tornou-se o mais autêntico representante do samba paulista, título referendado em 1965, quando sua composição “Trem das Onze” também interpretada pelo Demônios da Garoa, e ganha o carnaval carioca.

Adoniran Barbosa ficou conhecido por elaborar suas letras a partir das trágicas cenas de vida e da linguagem cheia de sotaques, gírias, inflexões e erros de habitantes de cortiços, malocas e bairros característicos da cidade, como Bexiga e Brás. “Pra escrever uma boa letra de samba a gente tem que sê em primeiro lugá anarfabeto”, dizia o mestre Adoniran.

O pai do samba paulista passou por muitas e boas nessas vida. Aos dez anos, sua certidão de nascimento foi falsificada a fim de que pudesse trabalhar, pois só com doze anos era permitido. Adoniran Barbosa foi casado com Olga e com ela teve uma filha, Maria Madalena. O casamento não chegou há durar um ano. Em 1949, Adoniran casou-se novamente. Matilde Luttif foi sua companheira por mais de 30 anos e chegou até a ser sua parceira em algumas composições.

Adoniran passou os últimos anos de sua vida triste, sem entender o que tinha acontecido à sua cidade. “Até a década de 60, São Paulo ainda existia, depois procurei mas não achei São Paulo. O Brás, cadê o Brás? E o Bexiga, cadê? Mandaram-me procurar a Sé. Não achei. Só vejo carros e cimento armado”, teria dito.

Adoniran Barbosa morreu em 23 de novembro de 1982, aos 72 anos, pobre e quase esquecido. No momento de sua morte estavam presentes apenas sua mulher, Matilde Luttif, e uma irmã dela.

Adoniran Barbosa partiu já faz um bom tempo (38 anos), mas a sua obra musical jamais será esquecida. O samba popular cheio de gingado, malícia, sofrimento e alegria, sempre será lembrado, como por exemplo no seu primeiro sucesso: SAUDOSA MALOCA.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

O dia 21 de agosto de 2020 ficará marcado na história da música sertaneja do Brasil. É que naquele dia nos deixava Alberito Leocádio Caetano, mais conhecido pelo nome de Ronaldo Adriano.

Ronaldo Adriano nasceu no dia 7 de setembro de 1950. Foi um cantor e compositor brasileiro, e ainda muito jovem, mudou-se de sua cidade natal Capinópolis para cantar em bares e boates de cidades mineiras, paulistas, cariocas e capixabas. Começou a despontar no ano de 1974, pela gravadora Tapecar.

Gravou seu primeiro disco, interpretando músicas de Lindomar Castilho e Claudio de Barros, entre outros. Ronaldo Adriano foi um nome muito importante no cenário da música popular brasileira. Seu trabalho musical, mais conhecido e mais tocado no país com mais de 50 regravações é “Você é Doida Demais”. Composição sua em parceria com Lindomar Castilho.

Grandes sucessos da carreira de Lindomar Castilho revelaram a criatividade musical do compositor Ronaldo Adriano. O cantor continuou na ativa até pouco tempo antes de falecer, fazendo shows pelo país e gravando sua participação num DVD em Fortaleza ao lado de cantores populares. Com suas composições e gravações, Ronaldo Adriano também se tornou um dos maiores vendedores de discos no Brasil.

Foram centenas de músicas compostas e regravadas por grandes nomes da música popular, como: Tião Carreiro e Pardinho, Tonino e Tinoco, Cascatinha e Inhana, Trio Parada Dura, Barrerito, Gilberto e Gilmar, Roberto e Meirinho, Peão Carreiro e Praense, Milionário e José Rico, Reginaldo Rossi, Sergio Reis, Teodoro e Sampaio, Lindomar Castilho, Waldick Soriano, As Galvão, Leandro e Leonardo, Chico Rey e Paraná, Frank Aguiar, Cezar e Paulinho, Duduca e Dalvan, Mato Grosso e Matias, As Mineirinhas, Belmonte e Amaraí, Chitãozinho e Xororó, Guilherme e Santiago, Edson e Hudson, Cesar Menoti e Fabiano, Chrytian e Ralf, dentre outros.

Ronaldo Adriano morando em Uberlândia, foi homenageado com o título de Mérito Legislativo em Capinópolis, sua cidade natal. A homenagem foi feita ao filho ilustre da cidade celeiro de Minas Gerais como reconhecimento público do povo de Capinópolis.

Ronaldo Adriano morreu aos 70 anos no dia 21 de agosto de 2020, vítima de um infarto, após ter sido curado do coronavírus. Seu corpo foi enterrado em Uberlândia. E lá se foi  um dos maiores compositores do Brasil deixando em sua obra uma música, ao lado de Lindomar Castilho, um sucesso que jamais será esquecido pelos brasileiros: Você é Doida Demais…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

O acervo do músico e compositor Capiba, um dos maiores nomes da arte pernambucana, será tombado pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). O material se encontra sob a guarda da viúva, Zezita Barbosa, na casa onde reside em Surubim.

O processo de tombamento foi iniciado por decisão preliminar do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural da instituição. E, até a sua conclusão, estão asseguradas ao acervo as mesas prerrogativas de bem efetivamente tombado. O edital de tombamento foi assinado pelo diretor-presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto, no último dia 17.

O artista

Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido como Capiba, nasceu em Surubim, Pernambuco, no dia 28 de outubro de 1904. Filho de um mestre de banda, Severino Athanásio de Souza Barbosa, e de Maria Digna da Fonseca Barbosa, viveu e respirou música desde a infância.

Ainda pequeno, mudou-se com a família para o estado da Paraíba, onde fez seu cursou o ginásio no Liceu Parahybano. Aos 26 anos de idade, foi morar na capital pernambucana, onde ingressou na Faculdade de Direito do Recife. Na Universidade do Recife. Formou-se em novembro de 1938, mas nunca exerceu a profissão.

Sua carreira foi na música. Autor de mais de 200 canções, sendo mais de 100 frevos, é considerado o maior compositor do gênero genuinamente pernambucano. Entre as músicas mais famosas estão “Cala a boca menino”, “Madeira que cupim não rói” e “Oh! Bela”, repertório insubstituível nos carnavais. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

Quem já ouviu falar em João Salvador Peres e José Salvador Peres? Pois bem, esses dois irmão foram nada mais nada menos do que Tonico e Tinoco.  Dupla formada com uma trajetória coberta de grandes sucessos. Tonico e Tinoco foram cantores, compositores, violeiros, radialistas e atores. A carreira dessa dupla coincide com o desenvolvimento da “Tradição da Música Caipira”, que se define como produto cultural depois do lançamento de cinco discos produzidos entre 1884 e 1958, em que foi registrados “causos”, anedotas e contos ao lado de modas de viola, sambas caipiras, cururus e cateretês.

No início da carreira, os irmãos João e José, conhecidos como Tico e Nego, iniciam como os irmãos Peres, aos domingos, na Rádio Clube de São Miguel. Mudam-se para São Paulo no inicio dos anos 40, cantando em parques de diversões e participando de concursos de calouros nas rádios.

Mas a história de Tonico e Tinoco começou em 1930, quando a família Peres trabalhava na fazenda Tavares, em Botucatu (SP), os dois irmãos ouviram discos da série caipira de Cornélio Pires. Cinco anos depois, juntada a quantia de 10 mil réis, compraram uma viola feita a canivete e passaram a cantar em dupla.

A primeira canção que a dupla aprendeu foi “Tristeza do Jeca”, quando fizeram a primeira apresentação. A dupla surgiu mesmo para o sucesso, em 1951, quando o humorista Saracura resolveu batizá-los de “A Dupla Coração do Brasil”, pela interpretação de todos os ritmos regionais. A dupla passou por todas as mudanças na música sertaneja, mas jamais mudou de estilo, copiadíssimo durante as décadas de 1950 e 1960.

Tonico e Tinoco foi considerada a dupla caipira mais importante da história da música brasileira e a de maior referência, ambos entraram na lista dos “maiores músicos recordistas de venda da história mundial”. Em 64 anos de carreira, Tonico e Tinoco realizaram quase 1.000 gravações, divididas em 83 discos. As gravadores a que eles pertenceram já lançaram no mercado um total de 60 discos. A dupla vendeu mais de 50 milhões de discos. Realizando cerca de 40 mil apresentações em toda a carreira.

O último show da dupla Tonico e Tinoco foi na cidade mato-grossense de Juína, no dia 7 de agosto de 1994.

João Salvador Peres, mais conhecido como Tonico, nasceu em São Manuel, no dia 2 de março de 2017 e faleceu em São Paulo, no dia 13 de agosto de 1994, aos 77 anos, após uma queda da escada do prédio onde morava. José Salvador Peres, mais conhecido como Tinoco, nasceu em Prataria, em 19 de novembro de 1920 e faleceu em 4 de maio de 2012. Tinoco foi o artista sertanejo que permaneceu mais tempo em atividade (82 anos). Morreu aos 91 anos, vítima de insuficiência respiratória. Logo após a morte de Tonico, Tinoco e Tinoquinho, tentaram dar sequência sem o companheiro, porém sem grande êxito.

Tinoco encontrou forças no apoio que recebeu dos fãs, e na saudade do companheiro que faleceu, realizou mais de trinta apresentações contratadas anteriormente a morte do irmão. Em 2010 no especial “Emoções Sertanejas” Tinoco recebeu uma homenagem do cantor Roberto Carlos, que foi um amigo e fã da dupla.

Em homenagem a dupla coração do Brasil, vamos curtir a música que talvez seja a que mais se identificou ao longo dos 64 anos de estrada da dupla inesquecível “T o n i c o & T i n o c o”: Tristeza do Jeca…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem no dia de hoje vai para José Gomes Filho. Alguém já ouviu falar em um cantor famoso com esse nome?

Claro que não! Mas se eu mudasse a pergunta: alguém já ouviu falar em Jackson do Pandeiro? Agora clareou. Pois bem, Jackson do Pandeiro, o rei do ritmo, foi um importante instrumentista, compositor e cantor que gravou uma série de forrós e sambas e ajudou a popularizar a cultura nordestina.

Jackson nasceu no Engenho Tanque, em Alagoa Grande (Paraíba), no dia 31 de agosto de 1919. Ele era filho de uma cantora de coco, Flora Mourão. Através dela Jackson do Pandeiro começou a tomar gosto pelo ritmo como tocador de zabumba. Após a morte do pai, José Gomes, no inícios dos anos 30, a família decide se muda para Campina Grande, a pé, Flora e três filhos, José (Jackson), Severina e João. Foram tentar uma nova vida, após quatro dias de viagem.

Em Campina Grande, Jackson trabalhou como engraxate, ajudante de padaria e nas noites, tocava no Cassino Eldorado de Josefa Tiburtino, sua madrinha artística, a qual foi homenageada na música Forró em Campina.

Na Feira Central de Campina, conviveu com artistas populares, como coquistas e violeiros. Seu nome artístico originou-se das brincadeiras de criança, ainda em Alagoa Grande, dos filmes de faroeste, no tempo do cinema mudo, onde se autodenominava Jack, inspirado em Jack Perry,  artista dos referidos filmes. O apelido pegou e em Campina Grande, após iniciar como pandeirista ficou conhecido como Jack do Pandeiro, e passando a acompanhar artistas da terra.

Mudou-se para João Pessoa nos anos 40 e continuou sua vida de músico tocando em boates e cabarés, sendo, logo a seguir contratado pela Rádio Tabajara para atuar na orquestra daquela emissora, sob a batuta do maestro Nozinho. Quando o maestro Nozinho foi contratado para a Rádio Jornal do Comercio de Recife, levou alguns membros da Orquestra Tabajara, entre eles Jackson do Pandeiro.

Portanto, Jackson já chegou a Recife formado no mundo dos ritmos, pois em Campina Grande e João Pessoa entre os anos 30 e 40 passou por zabumba, bateria, bongo, até chegar profissionalmente ao pandeiro. Somente em 1953, com 35 anos, Jackson gravou o seu primeiro grande sucesso “Sebastiana”. Logo depois, emplacou outro grande hit “Forró em Limoeiro”.

Foi no rádio pernambucana que ele conheceu Almira Castilho de Albuquerque, com quem se casou em 1956, vivendo com ela até 1967. Depois de 12 anos de convivência, Jackson e Almira se separaram e ele se casou com a baiana Neuza Flores dos Anjos, com quem viveu até seus últimos dias de vida.

No Rio de Janeiro, já trabalhando na Rádio Nacional, Jackson alcançou grande sucesso com “O Canto da Ema”, “Chiclete com Banana” E “Um a Um”. Os críticos ficavam abismados com a facilidade de Jackson em cantar os mais diversos gêneros musicais: baião, coco, samba-coco, rojão, além de marchinhas de carnaval.

Muitos o consideram o maior ritmista da historia da Música Popular Brasileira e, ao lado de Luiz Gonzaga, foi um dos principais responsáveis pela nacionalização de canções nascidas entre o povo nordestino.

Jackson do Pandeiro que era diabético desde os 06 anos morreu aos 62 anos, em 10 de julho de 1982, em Brasília, em decorrência de complicações de Embolia Pulmonar e Cerebral. Ele tinha participado de um show na cidade uma semana antes e no dia seguinte passou mal no aeroporto antes de embarcar para o Rio de Janeiro.

Ele ficou internado na Casa de Saúde Santa Lúcia. Foi enterrado em 11 de julho de 1982 no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro, com  presença de músicos e compositores populares, sem a presença de nenhum medalhão da MPB.

Hoje  seus restos mortais se encontram em Alagoa Grande, sua cidade natal, em um memorial preparado em sua homenagem pelo povo do lugar. O pernambucano e amigo de Jackson, Alceu Valença, escreveu certa vez a seguinte frase: Na minha opinião existem duas escolas de canto no Brasil, a de João Gilberto e a de Jackson do Pandeiro.

Que tal matar as saudades desse gênio nordestino da música brasileira? Com o seu primeiro sucesso: O Canto da Ema

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso espaço será preenchido hoje por Manolo Otero Aparício, conhecido pelo nome artístico de Manolo Otero. Foi um cantor e ator espanhol radicado no Brasil. Ele nasceu no dia 25 de junho de 1942, Madri, Espanha, e faleceu no dia 1 de junho de 2011, em São Paulo.

Manolo Otero foi casado duas vezes, com Maria José Cantudo (de 1973 a 1978) e com Celeste Ferreira. Com uma voz fenomenal, Manolo Otero conquistou o mundo desde seus primeiros passos.

Manolo Otero era filho de pai cantor de ópera e mãe atriz, ele herdou as influências artísticas de seus progenitores. Ficou famoso no ano de 1975 com seu primeiro álbum “El Tiempo Des Mundo”. Manolo começou a estudar canto aos 14 anos com sua madrinha, que era professora de piano e diretora do coral da Filarmônica de Madri.

Ele foi intérprete de canções como “Vuelvo a Tí”, “Bella Mujer” e “Que Hé de Alcer Para Olvidarte”. Também cantou versões famosas de “Champagne’ e “Quizás, Quizás, Quizás”.

Uma das vozes românticas mais conhecidas nos países hispano-americanos nas décadas de 1970 e 1980, o cantor espanhol Manolo Otero tinha um jeito simples de cantar e atraia facilmente o público brasileiro, com quem viveu seus últimos anos. O cantor, que perdeu a mãe no ano anterior a sua morte, (dezembro de 2010) deixou um filho Manolo Otero Junior, fruto do primeiro casamento com a atriz Maria José Cantudo, de quem se divorciou em 1979.

Manolo Otero ficou poucos dias internado no Hospital das Clínicas, em São Paulo, onde se tratava de um câncer no fígado, doença descoberta já em estágio avançado. Por decisão da sua segunda esposa, a brasileira Celeste Ferreira, o cantor foi cremado na cidade de Santos (SP).

Seu último show no Brasil foi em São Paulo, em 2010. Neste mesmo ano, ele também se apresentou nos Estados Unidos, Colômbia, Venezuela e Bolívia. O projeto dele para o ano em que faleceu era se concentrar em apresentações no Brasil, para não precisar viajar.

Manolo Otero partiu aos 63 anos deixando uma obra musical inesquecível que os brasileiros irão recordar para sempre. Como por exemplo: Vuelvo a Tí…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Hoje, vamos recordar Jairo Alves de Souza Aguiar, conhecido artisticamente com o Jairo Aguiar. Paraibano de João Pessoa, nasceu no dia 11 de setembro de 1937. Jairo Aguiar foi um cantor que obteve sucesso nas décadas de 1950 e 1960, gravando inúmeros compactos e LPs.

Iniciou a carreira na década de 1950, cantando na Rádio Clube de Pernambuco. Em 1954, participou do concurso “primeiro campeonato de cantores novos”, promovido pela Rádio Nacional e apresentado por Cesar de Alencar, ficando em primeiro lugar, cantando músicas do repertório de Jorge Goulart e Carlos Galhardo. Assinou contrato de dois anos com a Rádio Nacional.

Com um timbre de voz muito peculiar e grande paixão pelo canto, Jairo Aguiar conseguiu grande destaque na mídia nacional e a oportunidade de participar de programas de auditório, especialmente o apresentado por Paulo Gracindo, que foi seu grande incentivador, na contracapa de um dos discos do cantor, Paulo Gracindo o elogiou escrevendo que “joia não sai de moda nunca”.

Para impulsionar a carreira, Jairo Aguiar se mudou para o estado do Rio de Janeiro. Em 1956, foi contratado pela Gravadora Copacabana, pela qual estreou com sucesso cantando o samba “Uma Noite no Rio”. No ano seguinte, Jairo Aguiar fez sucesso com as gravações da canção “Caprichos do Amor” e com a balada lenta “Checamba-me”. Em 1958, o artista gravou o samba “Devoção” e “Lamento”. No ano de 1959, gravou as composições “Veneno”, “Amor de Índia” e o bolero “Triste Recordação”.

Após uma série de sucessos, o cantor no ápice de sua carreira artística, com destaques nas rádios de todo o país e até no exterior. Atuou no teatro de revista e em filmes produzidos por Carlos Imperial. Em 1960, gravou a melancólica canção “Lamento do Triste Adeus” e o bolero “Minha Estrela é Você” e se apresentou na Argentina e no Uruguai. de volta ao Brasil, passou a cantar principalmente nas regiões Norte e Nordeste. Voltou a produzir discos em 1990 lançando “Emoção Maior”. No ano seguinte, lançou “O Despertar da Montanha”.

Com o passar do tempo, porém, o cantor foi perdendo destaque, apesar das tentativas de se relançar no mercado fonográfico. Seu último CD, “Jairo Aguiar Reconquista Sucessos”, foi lançado em 2001. A carreira do cantor foi prodigiosa.

Ainda hoje há controvérsia sobre a sua morte. Dizem que Jairo Aguiar faleceu no ano de 2016 na cidade de Niterói no estado carioca. Houve divulgação de sua morte na cidade paraibana de Santa Rita. O que se sabe é que o seu falecimento está registrado no dia 02 de julho de 2016 aos 89 anos. Poucas foram às entrevistas concedidas pelo cantor e é restrito o conhecimento sobre sua biografia. O que se sabe realmente é que Jairo Aguiar, hoje é só saudade.

E para relembrar um pouco desse talento paraibano, curta um dos seus maiores sucessos: Ainda espero por ti...

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Miss Mundo é cancelado pela primeira vez na história

O tradicional concurso Miss Mundo (Miss World) não acontecerá em 2020. Pela primeira vez na história, o evento será cancelado e só voltará a ocorrer, provavelmente, em 2021.

Criado em 1951, o concurso de beleza vai para a sua 70ª edição. O motivo do adiamento, como era de se esperar, é a pandemia causada pelo novo coronavírus. Devido à doença, que ainda não possui vacina ou medicamento comprovadamente eficaz, diversos eventos ao redor do mundo estão sendo cancelados.

A decisão pelo adiamento do Miss Mundo, aliás, foi divulgada pela Miss World Organisation, segundo informações do WikiNews. A nova edição deve acontecer na Tailândia, país que sediaria o concurso este ano. Ao todo, 120 candidatas, de todos os continentes do planeta, devem participar da competição.

Atualmente, a jamaicana Toni Ann-Ann Singh é atual detentora do título. Ela foi coroada no fim do ano passado após vencer 111 concorrentes. No top 5, aliás, também ficou a brasileira Elis Miele, que conquistou o título das Américas.

O Miss Mundo, aliás, tem por mote a ação “Beleza com propósito“, que incentiva as candidatas a apresentarem um projeto social dos quais participaram ou criaram em seus próprios países. O trabalho indicado pelas postulantes, dessa forma, recebe uma nota preliminar classificatória, que se soma ao resultados das outras etapas da competição.

Por Naldinho Rodrigues*

Desde a última terça-feira (28), que a música romântica brasileira já não é mais a mesma. Foi morar com Deus Renato Cosme Vieira de Barros. Renato Barros, da banda musical Renato e seus Blue Caps.

Renato Barros foi um cantor, compositor e guitarrista brasileiro. Nasceu no dia 27 de setembro de 1943 e faleceu no dia 28 de julho de 2020. Renato nos deixou depois de quase dez anos da morte do então irmão, cantor e parceiro da banda Renato e seus Blue Caps, Ed Wilson, que morreu no dia 03 de outubro de 2010. 

Ele estava internado desde o dia 17 de julho na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), de um hospital de Jacarepaguá, na zona oeste da capital fluminense, onde fez uma cirurgia cardíaca da qual não se recuperou. Renato foi casado com Lucia Helena Dias Ribeiro, que morreu em 2006. Ele deixou duas filhas, Renata e Erika, e duas netas, Juliana e Fernanda.

Renato e seus Blue Caps foi uma das bandas que ajudaram a formar o movimento da jovem guarda no Brasil. Por um breve momento, em 1963, o cantor Erasmo Carlos também chegou a fazer parte da banda. Com forte inspiração no rock americano e também nos Beatles e Rolling Stones, a banda Renato e seus Blue Caps regravou em português versões como Califórnia Dreaming, que virou ‘Não Te Esquecerei’, I Should Have Know Better (Menina Linda), You Wan’t See Me (Até o Fim), If I Fell (Tudo Que Sonhei) e Shame And Scandal In The Family (Escândalo).

Renato e seus Blue Caps é uma das mais antigas bandas em atividade no rock brasileiro. A banda começou a careira em 1959, e fez fama na época da jovem guarda. O cantor Renato Barros era muito ligado ao Recife e tinha a capital pernambucana como base, só cortava o seu cabelo da Capital do Frevo. Renato também se destacou como um grande compositor, entre seus trabalhos está à música “Devolva-me”, gravada inicialmente pela dupla Leno e Lilian e que fez muito sucesso numa regravação com Adriana Calcanhoto.

Nome relevante no movimento da jovem guarda e compositor de diversos clássicos nas décadas de 1960 e 1970 com mais de 15 discos lançados, Renato Barros também teve na banda dois irmãos, Ed Wilson, já falecido, e Paulo Cesar Barros, outro músico consagrado da música brasileira.

No dia 21 de julho, Renato sentiu fortes dores na face e foi levado para um hospital do Rio, onde passou por uma cirurgia de sete horas para fazer uma dissecção da aorta. Após a cirurgia foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ele apresentou complicações pulmonares, apesar disso, o quadro do cantor chegou a evoluir. No último sábado, Renato Barros já se alimentava por via oral.

Renato Barros agora é uma estrela no céu, foi tocar sua guitarra no plano superior ao lado de seus pais, sua esposa amada Lucia Helena e seu irmão Ed Wilson. Seus fãs enlutados choram a sua partida.

Caros leitores(as), sabiam que me deu muito trabalho escolher um sucesso da banda Renato e seus Blue Caps? Até que escolhi e espero que vocês gostem de: Obrigado Pela Atenção. 

Observem, na letra, Renato se despede cantando e agradecendo o carinho dos fãs. Torço para que aprovem a minha escolha…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Hoje, vamos conhecer um pouco da trajetória musical de João Carlos Cezar Dorácio, mais conhecido como Carlos Cesar. Foi um cantor, compositor, letrista, instrumentista e também produtor, com brilhantes participações em festivais diversos, tanto na MPB como também na música sertaneja.

Carlos Cesar nasceu no dia 02 de junho de 1942 e faleceu no dia 06 de maio de 2002,  aos 59 anos, em Mogi Guaçu (SP). Apesar de ter sido registrado como nascido, em Pradópolis (SP), seu local de nascimento foi às margens do Rio Araguaia.

Carlos Cesar compunha com incrível facilidade, chegando inclusive a musicar os versos ao mesmo tempo em que lia a letra da música. juntamente com José Fortuna compôs centenas, gravadas por diversos intérpretes, Sérgio Reis, Tião Careiro e Paraíso, Chitãozinho e Xororó, Duo e Ciriema, etc. Em 1980 formou com Cristiano uma dupla de grande sucesso.

Tudo começou numa reunião de amigos, com Cristiano fazendo a primeira voz, e a  cargo de Carlos Cesar, em dado momento, espontaneamente, eles inverteram os papéis, dentro da mesma musica, sem interrupção. Tal entrosamento animou Carlos Cesar e Cristiano a formarem a dupla, já ambos lutavam bastante por uma carreira artística.

Carlos Cesar compôs mais de uma centena de belíssimas páginas e a consagração dele como compositor, com o parceiro José Fortuna aconteceu por ocasião do segundo Festival Record, no qual os dois compositores conquistaram três primeiros lugares, com todos os méritos, dois anos seguidos.

Carlos Cesar começou sua carreira no início da década de 1960 com vários discos em estilo MPB (músicas românticas, tipo seresta), até que em 1978 migrou para o sertanejo, tendo se firmado no início do anos 80 fazendo dupla com Cristiano, que apelidada de “Os Cowboys Andarilhos”, juntos, gravaram uma dezena de discos e, quando estavam gravando um CD comemorativo para os vinte anos de carreira da dupla, Carlos Cesar veio a falecer vítima de insuficiência renal, na Santa Casa de Misericórdia de Mogi Guaçu (SP).

Carlos Cesar gravou com várias duplas, trios e cantores solos, compôs pra muita gente famosa, como: Pedro Bento e Zé da Estrada, Belmonte e Amaraí, Milionário e José Rico, Lourenço e Lourival, Marcelo Costa, Marcelo Aguiar, Cezar e Paulinho, Nalva Aguiar,  Chitãozinho e Xororó, Bruno e Marone e Zezé Di Camargo e Luciano.

O cantor de músicas românticas, estilo seresta, sertanejo e, principalmente o compositor de muitas relíquias musicais, nos deixou aos 59 anos de idade, com uma melodia que ficará eternamente na mente de várias gerações…Amigos Para Sempre

*Naldinho Rodrigues é locutor de Rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 horas da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Nesta quinta-feira, 16 de julho, bateu saudades de José Marciano, esse era seu nome completo, isso mesmo, da dupla com João Mineiro. Marciano nasceu em Bauru, no dia 1º de abril de 1951 — e faleceu em São Caetano do Sul, em 18 de janeiro de 2019,  aos 67 anos, era conhecido como O Inimitável ou simplesmente Marciano, foi um cantor brasileiro de música sertaneja. Dono de uma voz inconfundível, também foi compositor, e junto a outros poetas da música popular, foi responsável por grandes sucessos como “Fio de Cabelo”, “Crises de Amor”, “As Paredes Azuis”, “Menina Escuta Meu Conselho”, entre outros. Na dupla com João Mineiro, Marciano alcançou o auge da carreira com os sucessos “Seu Amor Ainda é Tudo” e “Ainda Ontem Chorei de Saudade”. Em 2016, o cantor formou uma dupla com Milionário, que também perdeu seu parceiro José Rico, falecido em 2015.

Começou cantando ainda criança com o pai em festas religiosas. Na adolescência, passou a apresentar-se em programas de rádio e televisão de sua região. Aos 16 anos, conheceu João Mineiro na região metropolitana de São Paulo. Com ele, formou a dupla João Mineiro & Marciano e fez grande sucesso entre os anos 1970 e 1990, com músicas como “Ainda Ontem Chorei de Saudade”, “Seu Amor Ainda É Tudo”, “Aline”, “Se Eu Não Puder Te Esquecer”, entre outras, muitas delas composições suas. A dupla João Mineiro & Marciano vendeu cerca de 10 milhões de discos, tendo 10 conquistado o disco de ouro, 5 conquistado o disco de platina e 2 de platina duplo, além de realizar uma turnê pelos Estados Unidos e comandar um programa semanal no SBT, nos anos 1980.

Durante a carreira, teve cerca de 150 composições suas gravadas por si mesmo e também por outros artistas sertanejos, entre elas, sucessos como “Crises de Amor”, “No Mesmo Lugar (Coisa Estranha)”, “Esta Noite Como Lembrança”, “Paredes Azuis” e “A Bailarina”. Em 1977, Zico & Zeca gravaram sua música “Vou Levar Você”, no LP Minha Graciosa.

Em 1979, teve a música “Pensando em Voltar”, parceria com Darci Rossi, gravada por Chitãozinho & Xororó no LP 60 Dias Apaixonado. Em 1980, Industrial & Fazendeiro gravaram “Você é Mais Forte Que Eu”, sua e de Darci Rossi, no LP Corrida de Ouro. Em 1982, teve a música “Por Trinta Dias”, parceria com Darci Rossi, gravada pela dupla Cezar & Paulinho no LP Coração Marcado. No mesmo ano, outra parceria sua com Darci Rossi, “Podes Me Negar”, foi gravada por Pedro Bento & Zé da Estrada no LP Serenata do Amor.

Em 1983, sua parceria com Darci Rossi, “Fio de Cabelo”, foi gravada pela dupla Chitãozinho & Xororó e tornou-se um marco ao ser uma das primeiras músicas sertanejas a fazer sucesso no Brasil todo. No mesmo ano, o Trio Parada Dura gravou “Nossas Brigas”, parceria sua com Mangabinha e Waldemar de Freitas Assunção no LP Luz da Minha Vida. Em 1989, teve sua música “Vou Tirar Você Daqui”, parceria com Darci Rossi, gravada por Junio & Júlio no LP Junio e Julio. No mesmo ano, teve sua parceria com Waldemar de Freitas Assunção, “Sozinho na Estrada”, gravada por Milionário & José Rico no LP da trilha sonora do filme Sonhei com Você,

protagonizado por esta mesma dupla. Em 1990, seu principal parceiro em composições, Darci Rossi, gravou uma parceria dele com Marciano, “Vinho Rosé”. Em 1993, separou-se de João Mineiro e iniciou carreira solo.

Marciano faleceu após sofrer um infarto fulminante enquanto dormia em sua casa, em São Caetano do Sul, por volta das 2h da manhã do dia 18 de janeiro de 2019.

Vamos ouvir a música “Paredes Azuis“, e relembrar de uma voz realmente inimitável.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

A Lei Aldir Blanc, criada em articulação de parlamentares, gestores e sociedade civil e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro no final de junho, emergiu como um fio de esperança para o setor cultural, um dos mais prejudicados pela pandemia do novo coronavírus. A lei institui liberação de R$ 3 bilhões do Fundo Nacional de Cultura, que será repartido para os estados, prevendo o pagamento de três parcelas de R$ 600 para trabalhadores informais da área, além de subsídios para manutenção de espaços artísticos e culturais. Pernambuco, um dos estados com maior diversidade cultural do país, receberá em torno de R$ 150 milhões. Desse montante, R$ 74 milhões serão destinados ao Governo de Pernambuco, enquanto R$ 74 milhões vão para os 184 municípios, de acordo com cota de participação.

O desafio agora é entender como distribuir esse dinheiro de uma maneira que contemple artistas e equipamentos economicamente frágeis. Para isso, a Secretaria de Cultura de Pernambuco e a Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco realizam webconferências com representantes das microrregiões. De acordo com Gilberto Freyre Neto, secretário de Cultura, e Marcelo Canuto, presidente da Fundarpe, em entrevista ao Viver, a lei ainda apresenta uma carência de regulamentações que expliquem mais o papel do estado e dos municípios, como um regramento dos repasses. Bolsonaro já editou uma medida provisória que abriu o crédito extraordinário de R$ 3 bilhões aos estados, mas ainda faltaria uma segunda MP que explicaria melhor as regulamentações.

“O grande desafio é a execução em si. Apesar de ser emergencial, faltam amarrações legais. Isso em um período emergencial se transforma em um cabedal. É preciso muita energia. Os órgãos de controle estão sendo muito duros, com razão. A sociedade também está fiscalizando”, diz Canuto. “Essa é a maior transferência de orçamento para o setor cultural de estados e municípios desde a criação do Ministério da Cultura, que atualmente está desativado. Vamos precisar construir uma filosofia de trabalho, entendendo que essa é uma ação emergencial, para ter um controle desses recursos”, afirmou Freyre. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa eterna saudade de hoje é para Isaura Garcia, ou simplesmente, Isaurinha Garcia com era chamada carinhosamente pelos inúmeros fãs. Isaurinha Garcia nasceu no dia 26 de fevereiro de 1923, em São Paulo e faleceu em 30 de agosto de 1993. Foi uma cantora brasileira, considerada uma das mais importantes intérprete da MPB do século XX.

Com mais de cinquenta anos de carreira, gravou mais de trezentas canções. Foi casada com Walter Wanderley, organista de muito sucesso, que renovou a Bossa Nova com seu talento e até hoje é bem executado em mais de cem países.

Filha de Manuel Garcia, português, e Amélia Pancetti, ítalo-brasileira. Isaurinha era sobrinha do célebre pintor paulista Giuseppe Pancetti. Antes da fama, costumava cantar no quintal, enquanto ajudava a mãe a lavar roupas, e no bar de seu pai, ente as mesas. Seu primeiro programa de calouros, ainda sem qualquer preparo técnico, foi na Rádio Cultura, quando cantou uma canção de Aurora Miranda. Levou uma “Gongada Bárbara, Linda de Morrer”.

Sua carreira começou de fato em 1938, depois de participar de um concurso no programa Qua-Qua-Qua-Quarenta da Rádio Record, onde ganhou o primeiro lugar cantando a canção “Camisa Listrada” e foi contratada pela emissora paulista. Neste começo de carreira, inspirava-se em Carmen Miranda e Aracy De Almeida, e vivia na Rua da Alegria no Brás, bairro onde nasceu.

Ainda sem muitos recursos, ia de bonde ou a pé para a emissora todo domingo se apresentar. Isaurinha Garcia foi campeã de vendas da gravadora RCA/Columbia. Os êxitos discográficos começaram em 1943, com músicas cujas letras retrataram sua própria desventura amorosa. Ela mesma associou o apelo sentimental do repertório e as interpretações passionais à sua vivência pessoal. Isaurinha fez sua carreira no samba. De suas dez primeiras gravações registradas oito se enquadram no gênero.

Entre o final dos anos 1940 e início da década de 1950, diversificou seu repertório com a inclusão de toadas, fados e baiões. Na época, o sucesso do ritmo propagado pelo pernambucano Luiz Gonzaga, contagiou a intérprete paulista que gravou “Festa Junina” (1952), “Pé de Manacá” (1950), “Baião da Solidão”. O destaque de sua incursão pelo gênero nordestino foi “Baião no Brás” (1950), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

Por sua ligação com o samba-choro, além de muitas composições, ela também gravou os raros choros letrados em 1949, “Sofres Porque Queres e Seresteiro” de autoria de Benedito Lacerda e Pixinguinha e Doce de Coco de  Jacob do Bandolim.

A música ‘MENSAGEM’ é uma pequena amostra do imenso talento da cantora, que começou sua carreira em 1938, após um concurso na Rádio Record.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.