Cultura

Era para ser uma época de preparativos para a festa mais nordestina do ano. Mas em 2020 não haverá fogueiras nas ruas, nem o arrasta-pé que embala multidões. Não haverá o brilho das quadrilhas, o som dos traques de massa, nem a decoração com bandeiras coloridas que anuncia a chegada do São João. Com a pandemia do novo coronavírus, as festividades foram suspensas no Estado. Para quem faz a festa acontecer, o pesar pela situação ainda divide espaço com as dificuldades enfrentadas por quem vive de atividades relacionadas ao período festivo.

Pelo calendário, o ciclo pré-junino para as quadrilhas deveria ter iniciado no dia 1º de maio, mas as atividades foram canceladas pela Federação de Quadrilheiras Juninas e Similares de Pernambuco (Fequajupe) devido às restrições impostas pela pandemia. “A situação está bastante complicada. Hoje todas as quadrilhas e fazedores de cultura estão parados. Muitos tiveram gastos com os trabalhos, como confecção de figurino, mas infelizmente entendemos que é por uma boa causa. Para o governo, a prioridade é a pandemia neste momento, o que é correto”, afirma Michelly Miguel, presidente da Fequajupe.

Conhecida como a Broadway do São João pernambucano, a quadrilha Lumiar, do Pina, estava bastante adiantada para o ciclo junino de 2020 antes da pandemia. “Em janeiro, fizemos o lançamento do tema e vínhamos estudando o repertório. Já tínhamos o piloto do figurino e havíamos feito, inclusive uma exibição no Teatro Barreto Júnior”, conta o presidente e marcador Fábio Andrade. O figurino do espetáculo Luz de Tieta seria confeccionado em Fortaleza, no Ceará, e era lá que o presidente estava dois dias antes do isolamento social ser decretado. “Voltei muito assustado. Pedimos que todos os materiais fossem guardados e paramos tudo o que estava sendo produzido”, conta. Segundo Fábio, os preparativos para a temporada 2020 estão cancelados e, para não perder o trabalho realizado até agora, o tema deverá ser utilizado em 2021. A Lumiar tem cerca de 200 integrantes, entre os quadrilheiros e equipe de execução.

O ano de 2020 seria especial para a Rainha Sertaneja, do município de Arcoverde, no Sertão pernambucano. Criada em 2015, ela paralisou as atividades nos últimos dois anos e faria a reestreia neste São João. “Já estávamos com ensaios e figurinos encaminhados e tudo parou. Todo nosso trabalho é feito a partir de doações e ficamos sem saber o que fazer em um primeiro momento, até para dar alguma resposta para quem nos ajudou”, conta Wilton Freire, presidente da quadrilha. A solução encontrada por eles foi a de finalizar toda a produção quando a pandemia acabar e gravar um DVD com a apresentação. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso homenageado de hoje é Gilberto Alves Martins, para os fãs, Gilberto Alves. Que nasceu no Rio de Janeiro em 15 de março de 1915 e faleceu em Jacareí, interior de São Paulo, em 04 de março de 1992, aos 77 anos.

Gilberto Alves  foi criado no subúrbio  de Lins de Vasconcelos. Aos 12 anos, fugiu de casa com o irmão mais velho e arranjou emprego de carregador de marmitas, passando a viver desse serviço. Depois, começou a trabalhar como carregador de sapatos, até que aprendeu o ofício de sapateiro, ao qual passou a dedicar-se por conta própria.

Paralelamente, cursava o secundário e iniciava-se em música, reunindo-se com amigos para serestas nas ruas de Lins de Vasconcelos e Meyer. Conheceu Jacó do Bandolim, então garoto, que viria a ser seu grande amigo, e  depois dos 16-17 anos começou a frequentar os cabarés da Lapa e o Café Nice, travando conhecimento com Grande Otelo e Silvio Caldas.

Por volta de 1953, as serestas  começaram a ser proibidas, e a guarda noturna dissolvia os grupos de seresteiros que encontrava. nessa época, conheceu Almirante, que, depois de ouvi-lo cantar, o convidou para se apresentar na Rádio Clube do Brasil. Começou a cantar naquela emissora, mas sem contrato, recebendo apenas cachê. Passou, depois, a apresentar-se na Rádio Guanabara, programa de Luiz Vassalo, para onde foi levado pelos compositores Cristóvão de Alencar e Nássara, que conheceu numa seresta em Vila Isabel.

Cantou ainda na Rádio Educadora, programa dos irmãos Batista (Marília e Henrique), atuando paralelamente em outras emissoras. em 1938 gravou seu primeiro disco, com os sambas “Mulher Toma Juízo” e “Favela dos meus Amores”, na gravadora Columbia. Conheceu então Roberto Martins e Mario Rossi, gravando seu segundo disco com uma música dessa dupla de compositores, “Mãos Delicadas”, além de “Duas Sombras”.

Daí em diante gravou vários sucessos da dupla Roberto Martins e Mário Rossi, entre os quais seu primeiro êxito em disco, Trá-lá-lá, em 1940, pela Odeon. A este seguiram-se outros sucessos, como “Natureza Bela”, em 1942, “A Marcha Cecilia”, no carnaval de 1943, e no ano seguinte o “Fox Adeus”. Ainda em 1944 gravou “Despedida; Algum te direi; Sinfonia dos Tamancos e Capital do Samba”.

Em 1949, casou com Jurema Cardoso. No ano seguinte, transferiu-se para a Rádio Tupi, onde permaneceu até 1970, quando se aposentou. Os maiores sucessos de sua carreira foram Pombo Correio, Agora é Tarde, Recordar é Viver, De lanterna na mão, Louca pela Boemia, além de Cecília e Natureza Bela.

Nos últimos anos de sua vida apresentava-se em churrascarias e na televisão, ao lado de cantores da chamada Velha Guarda. Gilberto Alves se estivesse vivo estaria com 105 anos. Um motivo mais que especial para lhe homenagear através de suas belas interpretações. Escolhemos para você relembrar o Rei da Voz, Gilberto Alves, a música:

Algum dia te Direi…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

Paulo Uchôa/LeiaJáImagens/Arquivo

A Federação de Quadrilhas Juninas e Similares de Pernambuco (Fequajupe) está empenhada em uma ação de solidariedade aos brincantes desta tradição nordestina. A campanha Pau de Arara está arrecadando alimentos e kits de higiene, para ajudar aos quadrilheiros e quadrilheiras a enfrentarem esse momento de pandemia, bem como a seus familiares e comunidades. A campanha já doou mais de 200 cestas básicas e pretende arrecadar ainda mais nessa rede de colaboração. 

A Pau de Arara foi dividida em três etapas e deve durar até o começo do mês de julho. Neste sábado (16), o fim da primeira fase da campanha marca a doação de 220 cestas básicas. Inicialmente, o projeto acolheu 300 famílias de toda a Região Metropolitana do Recife mas, para as demais fases, outras serão contempladas com os alimentos e kits de higiene arrecadados. O objetivo da Fequajupe é arrecadar outras 600 cestas até o fim da campanha. 

 Os interessados em colaborar podem fazer sua doação através da conta bancária de número 5821662-6; Agência: 2811-8 do Banco do Brasil; CNPJ: 05.821.662/001-46. A presidente da Fequajupe, Michelly Miguel, falou sobre a ação. “Esperamos conseguir alcançar (a meta) com o apoio de toda a população, e empresas que puderem nos ajudar. A Fequajupe vai até  você  e recolhe a doação, ou pode ser doado via conta bancária. Estamos em busca de ajudar nossos quadrilheiros”. 

Por Naldinho Rodrigues*

A música brasileira, em especial o seresteiro, chora a partida de Carlos José Ramos dos Santos. Carlos José, foi um cantor e compositor, nasceu em São Paulo em 22 de setembro e 1934, filho e um funcionário público e irmão do violonista Luiz Claudio Ramos, em 1939 transferiu-se com a família para o Rio de Janeiro, indo morar no bairro de Santa Teresa.

Interessado por música desde criança, aos 11 anos aprendeu a tocar violão com a mãe. Carlos José estudou nos colégios Menino Jesus, Santo Inácio e Andrews, ingressando mais tarde, na Faculdade de Direito, no Catete. Durante todo esse tempo sempre esteve ligado a grupos musicais amadores. Aos 13 anos participou do programa de calouros Papel Carbono, na Rádio Clube, classificando-se em 1º lugar.

Sua carreira profissional começou em 1957, quando ainda cursava Direito. Numa das festas da faculdade, apresentou-se  com um conjunto e foi ouvido por Flávio Cavalcante, que o convidou para participar de seu programa Um Instante Maestro, na TV Rio. Na televisão, conheceu o compositor Alcir Pires Vermelho, por meio de quem gravou um 78 RPM, pela Polydor, que incluía a música (Ouça) de Maysa e foi à noite de Tom Jobim e Newton Mendonça.

Essa gravação deu-lhe o título de cantor revelação do ano, concedido pelos cronistas do Rio de Janeiro. O sucesso levou-o a abandonar a advocacia para dedicar-se somente à música entre seus maiores sucessos, destacam-se Esmeralda, Lembrança, Queria Guarânia da Saudade e Oração a Mãe Menininha.

Carlos José atuou muitos anos na sede da Socimpro, no Rio de Janeiro, aonde chegou a ser  presidente, marcando-se  como defensor dos direitos autorais dos compositores e intérpretes brasileiros. Considerado um grande seresteiro, atuou em várias capitais o País, consolidando o repertório tradicional da Música Popular Brasileira.

Do seu casamento com a jornalista e produtora Maria D’Ajuda, nasceram dois filhos.

Carlos José lançou sua última produção, Musa das Canções, em 2015, ao lado do irmão o Maestro Luiz Carlos Ramos. Em 1957, o mundo perdeu um advogado e ganhou um cantor quando o paulistano Carlos José Ramos dos Santos foi eleito uma das revelações musicais daquele ano após aparição em programa de TV apresentado por Flávio Cavalcante.

Carlo José faleceu no último sábado, dia 09 de maio de 2020, aos 85 anos, vítima de Covid-19, no Hospital São Francisco na providência de Deus, na Tijuca, zona note do Rio de Janeiro, onde estava internado com problemas respiratórios.

Carlos José deixou a esposa, dois filhos e dois netos. Os eternos românticos e seresteiros vão se lembrar por muito tempo desse enorme talento da música brasileira, Carlos José. E para os nossos leitore(a)s ter uma noção de como ele cantava, acompanhe essa maravilha musical… Esmeralda.

Um dos seus maiores sucessos.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Uma campanha nas redes sociais incentiva a compra e a venda da arte de artesãos pernambucanos durante a pandemia. Para participar, os profissionais devem cadastrar o produto em uma plataforma online. A iniciativa, uma espécie de vitrine virtual, conta com o apoio de artistas como Lenine, Hermila Guedes e Caco Ciocler.

A campanha oferece a divulgação gratuita para os artesãos na internet. Segundo Márcia Souto, diretora de Promoção da Economia Criativa, essa é uma forma de promover a ponte entre os consumidores e profissionais.

“Estamos recebendo todos os dados dos artesãos que participam do Programa de Artesanato de Pernambuco. Eles mandam um material de divulgação com os materiais disponíveis para compra e nós fazemos divulgação nas redes com contribuição dos artistas que abraçaram a causa”, explicou.

O convite é estendido para todo o estado. Ainda de acordo com Márcia, são mais de 11 mil artesãos que participam do programa e podem participar da campanha.

“Para participar é só acessar nossas redes sociais, preencher um formulário e enviar o material com fotos do produto, com uma foto própria e contatos de como fazer a compra. O comprador entra em contato direto com o artesão”, instruiu. O link do formulário está no Instagram do Centro de Artesanato (@centrodeartesanatodepe).

Considerada a maior feira de artesanato da América Latina, a Fenearte tinha data marcada para acontecer: entre o dia 1º e 12 de julho, no Centro de Convenções de Pernambuco. Mas, segundo Márcia, porém, não é possível confirmar que o evento irá acontecer, por causa da pandemia. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

Vamos destacar na homenagem nesta quinta-feira, que antecede o domingo do Dia das Mães, Silvia Maria Peixoto Araújo, ou simplesmente Silvinha. Que nasceu no dia 16 de setembro de 1951 em Mariana, e foi criada em São João Del Rey, ambas nas Minas Gerais.

Começou a cantar profissionalmente aos 14 anos e vendeu mais de um milhão de discos ao longo de sua carreira. Casou-se com Eduardo Araújo, outro ícone da Jovem Guarda, em 1969.

Silvinha começou sua carreira na década de 1960, lançada por Chacrinha. Na época, apresentou o programa ‘O Bom’, com Eduardo Araújo. Em 1967 gravou seu primeiro disco, o Compacto  “Feitiço de Broto”. Entre suas composições de maior sucesso, está “Minha Primeira Desilusão”.

O crítico e produtor musical Nelson Motta chegou a chamá-la de Janis Joplin brasileira, após  versão “Soul” que imprimiu à canção “Paraíba” de Luiz Gonzaga. No final da década de 1970, passou a gravar em jingles publicitários e gravou mais de 2 mil. Entre os anos 1970 e 1980 ela foi jurada de calouros no programa dominical de Silvio Santos.

Nos anos 90 fez parte do quarteto vocal 4×4. Em 2000, passou a se dedicar à gravadora Number One (sua e do marido), em 2001, lançou o álbum “Suave é a Noite”. Em 2007, lançou um DVD comemorativo dos 40 anos da Jovem Guarda e trabalhou muito na divulgação desse trabalho.

Silvinha ganhou fama na época da Jovem Guarda, em  meados dos anos 60, ao lado de outros ídolos daquele momento, como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa, sem falar em Eduardo Araújo.

Silvinha foi casada por 39 anos, teve dois filhos do casamento com Eduardo Araújo. Nos últimos 12 anos de sua vida, Silvinha conviveu com um câncer de mama, em decorrência do qual faleceu, aos 56 anos, no hospital onde estava internada na capital paulista.

O enterro da cantora aconteceu no cemitério Horto da Paz , em Itapecerica da Serra, Grande São Paulo. Silvinha faleceu no dia 25 de junho de 2008.

Silvinha fez parte da chamada nata da extinta Jovem Guarda, tanto que deixou grandiosos sucessos, e um deles vamos recordar aqui e agora…com a música “Não Posso ser Feliz”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Rafael Bandeira/LeiaJáImagens/Arquivo

Eventos mundo afora tiveram que ter um ‘plano B’ para driblar a crise ocasionada pelo novo coronavírus. Por conta da seriedade da doença, a organização do Cine PE decidiu mudar a data do festival, que seria realizado no Cinema São Luiz de 25 a 31 de maio. Agora, a direção optou por relocar a cerimônia do audiovisual para agosto, entre os dias 24 e 30. Apesar da decisão, a 24ª edição do Cine PE pode ainda sofrer alterações.

“Vale destacar, em adição, que o Cine PE 2020 levará em conta as tendências que poderão advir da experiência da pandemia, no que tange aos aspectos da mobilização de público e suas relações possíveis com novos hábitos e costumes. Será bem provável que esses esforços passarão, inicialmente, por critérios de readaptação ao estilo convencional do que seja um modelo de festival de cinema, talvez até ajustando novas tendências comportamentais”, diz um trecho do comunicado.

Abaixo, confira alguns pontos que serão inovados no projeto:

  1. algumas exibições em sala convencional, com regras claras de limitação de público, distanciamento na disposição da acomodação nos assentos e segurança preventiva (uso de máscaras e orientações sobre higiene básica, enquanto se usar a sala);
  2. algumas exibições veiculadas por rede social, via Internet (sendo possível até mostras retrospectivas);
  3. algumas exibições abertas, no velho modelo “autocine” ou drive-in, também dentro das regras de segurança;
  4. programações dos seminários, das oficinas e do mercado (subprojeto TELA), num mix de modelo menos presencial e mais virtual. 

Realizada há décadas no mês de julho, a Missa do Vaqueiro de Serrita vai ocorrer em uma nova data este ano, devido à pandemia do novo coronavírus. A mudança foi anunciada em live realizada pelos organizadores da missa.

A presidente da Fundação Padre João Câncio, Helena Câncio, que coordena toda organização, disse que a festa dedicada aos vaqueiros será realizada de 27 a 29 de novembro. “Resolvemos adiar a missa para novembro apostando de que nesse tempo tudo isso vai ter passado”, disse.

Este ano a Missa do Vaqueiro terá uma edição especial em comemoração aos 50 anos do evento. Daí a importância da realização ainda em 2020. Para Helena, também amenizará um pouco os efeitos econômicos causados no setor artístico pelo vírus, um dos mais atingidos pela necessidade de isolamento.

Jan Ribeiro/Divulgação

O Governo de Pernambuco suspendeu o 15º Concurso do Registro do Patrimônio Vivo do Estado devido à pandemia do novo coronavírus (covid-19). A suspensão foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (30). De acordo com a publicação, um novo calendário do concurso deverá ser divulgado no prazo de até 90 dias, contemplando as etapas de inscrição, habilitação, recurso, análise, seleção e diplomação.

Coordenado pelo governo do Estado e coordenado pela Secretaria de Cultura, o concurso reconhece o trabalho de homens, mulheres e grupos que enriquecem nossa arte, nossa cultura e nos reaproximam da nossa identidade. Desde que foi criado, o concurso já diplomou 63 Patrimônios Vivos. Desses, 15 já faleceram, mas a lista cresce ano a ano.

Quem já havia realizado as inscrições válidas até 20 de março deve seguir para as etapas posteriores conforme reabertura dos novos prazos e regulamentações do Edital, que estará à disposição dos candidatos na Gerência Geral de Preservação do Patrimônio Cultural da Fundarpe, situada na Rua da Aurora, nº 463/469, bairro da Boa Vista, no Recife. O horário de atendimento é das 09h às 16h. O edital também estará disponível no endereço www.cultura.pe.gov.br.

As candidaturas, sejam de pessoas físicas ou de grupos, não podem ser feitas pelos próprios interessados. É necessário que uma entidade proponente apresente. Pode ser a Assembleia Legislativa de Pernambuco, as câmaras municipais de vereadores e as entidades sem fins lucrativos que atuem no Estado a mais de dois anos. Dentre os inscritos, seis novos candidatos serão escolhidos pelo Conselho Estadual de Preservação do Patrimônio Cultural (CEPPC) e diplomados com o título de “Patrimônios Vivos de Pernambuco”. Continue lendo

Por Naldinho Rodrigues*

Aproveitando o espaço que nos é concedido por este conceituado blog, onde semanalmente trazemos aos leitores a oportunidade de relembrar dos artistas que fizeram histórias com as mais belas canções, muitos deles esquecidos, não fisicamente, isso os familiares nunca esquecem, mas pelo legado que deixaram, e nesta quinta-feira, que antecede ao feriado do Dia do Trabalho, vamos relembrar  um pouco  de quem foi Sérgio Murilo Moreira Rosa, ou simplesmente, Sérgio Murilo. Que nasceu no bairro do Catete, na cidade do Rio de Janeiro no dia 02 de agosto de 1941.

Sérgio Murilo fez parte da pré-jovem guarda. O cantor integrou movimento que incluía cantores como os irmãos Celly e Tony Campello, além Ronnie Cord, Carlos Gonzaga, Wilson Miranda, etc.

Foi um garoto precoce que aos 12 anos de idade já animava um programa infantil na extinta Tv Rio. Com seus 15 anos de idade estava cantando no programa “Os Curumins” da Rádio Tamoio. Em 1956, já era considerado como melhor cantor de Rock’n Roll e aparecia com frequência nos programas de rádio da época, com músicas rock-balada muito em voga e, principalmente, embaladas no mesmo caminho do estilo de canções que fazia muito sucesso. Em 1959  começou a participar do programa de Paulo Gracindo (ator) na Rádio Nacional, quando conheceu o compositor Edson Borges, e por intermédio dele conseguiu um contrato com a gravadora Columbia e lançou seu primeiro disco cantando a toada “Mudou Muito” e também um samba  canção  chamado “Menino Triste”. Nessa mesma época chegou ao sucesso à música “Marcianita” que se tornou um clássico. Esta música  chegou a ser regravada  mais tarde  por Raul Seixas e Caetano Veloso. Sérgio Murilo também obteve um grande sucesso com a música “Broto Legal”.

O sucesso o levou a participar de filmes como “Alegria de Viver” e também recebeu uma grande reportagem na revista Radiolândia. Sergio Murilo participou do filme “Matemática Zero, Amor Dez”, onde cantou a música  “Rock da Morte”. Seus sucessos continuaram até por volta de 1964, onde se apresentava frequentemente no programa “Alô Brotos”. Em 1963 fez um grande sucesso no Peru chegando a receber um prêmio como o “Artista Estrangeiro mais Popular” e “O Microfone de Prata”.

No auge de sua carreira foi considerado pela revista do rock como o “Rei do Rock” devido ao sucesso cantando várias versões de sucessos norte-americanos, em especial de Neil Sekada e Paul Anka. Sergio Murilo também  foi um dos primeiros cantores brasileiros de rock a mexer os quadris estilo Elvis Presley e também considerado como o pioneiro do rock pauleira  ao lançar a música “Lúcifer” que chegou a ser bastante criticada por ser muito avançada para a época. Depois, sua carreira já entrava em decadência  e quando surgiu o programa Jovem Guarda, Sergio Murilo já era um nome pouco  cogitado. Ele não foi convidado porque seu estilo já não mais combinava com a época.

Depois disso muito pouco se sabe a respeito de sua carreira e de sua vida. Sabe-se apenas  que se formou em Direito e por muitos anos trabalhou como advogado. Também existem notícias que gravou em 1978 músicas em ritmo de discoteca no peru, incluindo a música “Mosca na Sopa” de autoria de Raul Seixas.

Sérgio Murilo morreu no dia 19 de fevereiro de 1992, aos 50 anos. Infelizmente seu nome se tornou pouco conhecido nos dias atuais, e poucas são as referências que podem ser encontradas a seu respeito atualmente. Assim como Meire Pavão, Wilson Miranda e alguns outros artistas que fizeram grande sucesso no passado e foram praticamente esquecido pela maldita mídia falada e escrita, Sérgio Murilo foi mais um a pagar um preço muito alto, o esquecimento.

Morreu de atrofia cerebral e insuficiência renal em sua casa em Copacabana, mergulhado numa depressão profunda.  Segundo sua irmã Angelica Maria Rosa Lerner, desde o lançamento em 1989, de dois discos, que não obtiveram nenhuma resposta do público.

Um pouco mais de 30 pessoas compareceram ao velório do cemitério do Catumbi. No ano de 2000, teve seus LPs do período de 1959 a 1962 relançados pela Sony na coleção “Jovem Guarda”.

Recorde um pouco da obra de Sérgio Murilo, esse grande cantor de rock brasileiro dos anos 60/70 a música “A Tramontana”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 horas da manhã.

VOLTANDO

Por Maria Lúcia de Araújo Nogueira (foto)*

Na minha infância no interior, meus passeios eram regrados: igreja aos domingos, escola na semana, visitas aos avós e, no restante do tempo, estava em casa, ajudando nos afazeres domésticos, cuidando dos irmãos menores e estudando. Não era enfadonho. Era o que eu tinha.

Tudo sob o olhar atento de uma mãe que não descuidava da educação dos filhos. Neste momento peculiarmente nostálgico, vem a minha memória, que estávamos sempre em casa, sem nervosismo, nem histeria, nem brigas. Obedecíamos aos nossos pais, sem questionamentos. Dormíamos cedo e nossa diversão eram coisas simples: bola, pular corda, esconde-esconde, desenhar, brincar com as bonecas e os meninos com carrinhos, além da leitura de bons livros, no que eu era uma voraz leitora.

Então, no meu hoje, com a pandemia do corona vírus nas ruas, faço essa releitura para encaixar o meu eu de agora, que menos vibrante, porém em eterno aprender, volta meus passos atrás e observa comovido a obra que minha mãe realizou em mim e que ainda um pouco inacabada, foge se esgueirando travessa, buscando fugir desta clausura domiciliar. Dias difíceis estes que passamos sem tempo para curtimos nossas famílias, viajar, passear. Um confinamento imposto pelo que não vemos, mas letal, a ponto de aniquilar a todos. Sair de casa tornou-se fatal, tomar um ar fresco, ir à casa dos amigos, prosear. Nem pensar. Volto ao que escrevi no início e me amparo nos princípios educacionais que recebi: ficar em casa, para que assim, recolhidos, nos tornemos mais simples e menos individualistas e na confiança de que a normalidade retorne, nos entreguemos então, ávidos ao conforto do nosso lar, porto seguro nesta tempestade, sem sacrifício, sem escaldar o cérebro atrás de ideias disparatadas para driblar a quarentena imposta por este vírus.

Devemos, sim, vencer uma praga pior: o tempo, que me parece, pela primeira vez, ter feito pausa em todos nós.

Neste giro, uma mudança, sem ansiedade, inicia-se. O nervosismo cede lugar a algo modificador, vejo-me mais tolerante, me apraz relembrar o que as páginas da vida tinham passado. Tenho profunda satisfação de me reencontrar, esperançosa para encarar um novo amanhecer.

*Maria Lúcia de Araújo Nogueira é Advogada e Escritora.

Por Naldinho Rodrigues*

Alguém já ouviu falar ou lembra de Wilson Antonio Chaves de Miranda? Pois bem, Wilson Miranda foi um cantor e compositor brasileiro, nasceu no dia 27 de março de 1940. Esse ariano de Itápolis, interior paulista, começou sua carreira no final dos anos 50, como crooner de um conjunto de jazz.

Em 1960 assinou contrato com a Rádio Tupi e passou a cantar rock-balada. Apesar de não ter sido bem recebido pela crítica, Wilson Miranda conseguiu  sucesso comercial com músicas como “Alguém é sempre bobo de alguém” e “Bata Baby”. Em 1965 gravou “Tempo Novo”, disco que lhe rendeu muitos prêmios. Mesmo assim, nos anos seguintes deixou a carreira de cantor em segundo plano, atuando como produtor em discos de Nelson Gonçalves, Banda de Pífanos de Caruaru, Originais do Samba, Célia, Vanusa, Maria Medalha, entre outros.

Em 1978 voltou a gravar, dessa vez com um repertório mais voltado para a Música Popular Brasileira, afastando-se definitivamente da imagem de roqueiro do início de sua carreira. Na década de 1950, Wilson Miranda junto com Carlos Gonzaga, foi um dos intérpretes que introduziam  gêneros como o Calypso e o Twist no Brasil, além das versões de baladas de rock.

Wilson Miranda é daqueles famosos casos  do primeiro a partir e também a abandonar o barco, como deixou de lado a jovem guarda. Embora fortemente criticado pelos meios de comunicação, em virtude da defesa dos valores tradicionais e contra a invasão de cultura estrangeira no País, o rapaz de Itápolis alavancou aplausos junto ao público, principalmente em função das músicas “Estou começando a chorar” e “A Lição”.

Apesar dos pesares, Wilson Miranda deixou de lado o microfone, mas não se afastou do meio musical. Ensaiou ainda um retorno à frente do palco, debaixo dos holofotes, detrás as cortinas luminosas e preparadas  para um repertório romântico e cada vez mais menos roqueiro.

Só não contava que a vida por vezes opera cortes bruscos, sem intervalo, câmara ou claquete. Morreu de parada cardíaca, dentro de seu carro, preso em um engarrafamento na cidade de São Paulo. No radinho do seu veículo apareceu à voz que não canta mais, chove na memória.

Wilson Miranda faleceu em 20 de junho de 1986, aos 46 anos.

Vamos abrir a memória do caro leitor(a) curtindo o maior sucesso de toda a carreira do grande cantor Wilson Miranda…com a música “Estou começando a chorar”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

No  dia 23 de abril  comemora-se o Dia Nacional do Choro. A data foi criada como homenagem ao que se acreditava ser a data de nascimento de Pixinguinha. Ela foi criada oficialmente em 4 de outubro de 2000, quando foi sancionada a lei originada por iniciativa do bandolinista Hamilton de Holanda e seus  alunos da escola de choro Raphael Rabello.

Em novembro de 2016, entretanto, foi descoberto que a verdadeira data de nascimento do compositor é 4 de maio de 1987, e não 23 e abril, como se acreditava até então, apesar disso, a data de comemoração do estilo musical criado pelo artista permaneceu inalterada.

Alfredo da Rocha Vianna Filho, conhecido como Pixinguinha, nasceu na Piedade, Rio de Janeiro. Era filho do flautista e funcionário do Departamento Geral dos Telégrafos, Alfredo da Rocha Vianna e de Raimunda Viana.

Pixinguinha foi um músico brasileiro, autor da música “Carinhoso”, talvez, a música mais conhecida até hoje dos brasileiros, disputando a preferência como “Asa Branca” “Garota de Ipanema” e “Aquarela Brasileira”. Pixinguinha foi arranjador, instrumentista e compositor, um dos maiores representantes do “Choro Brasileiro”. Pixinguinha nasceu em meio a 17 irmãos.

Estudou no colégio mantido pelo Mosteiro de São Bento. Nunca foi aluno brilhante, estudava só par agradar aos pais. Durante as serestas que o pai promovia em casa, Pixinguinha ficava quieto em um canto da sala, só escutando e fascinado pelas valsas, lundus e pelas polcas da moda.

O apelido de Pixinguinha foi resultado do nome colocado por sua avó Edwiges, africana de nascimento, derivado do dialeto natal, “Pizindin” (Menino Bom), que depois virou Pixinguinha. Aos 12 anos Pixinguinha já dominava os conhecimento de teoria musical.

Em 1911 Pixinguinha foi levado, com apenas 14 anos, para o grupo carnavalesco “Filhas da Jardineira”. Ainda em 1911, Pixinguinha compôs sua primeira música, o chorinho “Lata de Leite”.  Entusiasmado com o progresso do filho , seu pai importou da Itália uma flauta especial, surgindo assim mais um músico na família.

Em 1915, Pixinguinha fez sua primeira gravação, com o grupo “Choro Carioca”, interpretando o tango brasileiro “São João Debaixo D’água”. Em 1917 gravou o choro “Sofre Porque Queres” e a valsa “Rosa”. Em 1918 Pixinguinha e o amigo Donga foram convocados pelo proprietário do Cinema Palais, para formar uma pequena orquestra para tocar na sala de espera. No dia 7 de abril de 1919, o grupo estreou no saguão do Cinema Palais tocando maxixes, lundus, batuque e tangos, uma música intensa e animada fez vibrar o público, acostumado com a música importada.

Em 1921, Pixinguinha foi convidado para uma temporada em paris, financiada pelo milionário Arnaldo Guinle. Com sete integrantes o “Les Batustas” embarcou no Vapor Massília, rumo a Europa. O grupo Les Batutas permaneceu por mais de seis meses em Paris tocando em diversas casas. O público francês entusiasmou-se com o chorinho e o samba, ainda com tons de maxixe que o grupo apresentava. Quando retornou para o Brasil , Pixinguinha compôs “Carinhoso”, entre 1916 e 1917 e “Lamento” em 1928, que são  considerados alguns dos choros mais famosos, Pixinguinha foi criticado e essas composições foram consideradas como tendo uma inaceitável influência do jazz, enquanto hoje em dia podem ser vistas como avançadas demais para a época. Além disso, “Carinhoso” na época não foi considerada choro, e sim uma polca.

Pixinguinha  passou os últimos anos de sua vida em Ramos, bairro que adorava, e faleceu no dia 17 de fevereiro de 1973, aos 75 anos, na igreja de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, quando seria padrinho em uma cerimônia de batismo.

Relembre agora com muita saudade de um dos maiores talentos musicais que o Brasil já teve, Pixinguinha, e a música Carinhoso...

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

O homenageado de hoje é Noel de Medeiros Rosa. O famoso Noel Rosa, que nasceu no Rio de Janeiro no dia 11 de dezembro de 1910 e faleceu em 4 de maio de 1937, também no Rio de Janeiro.

Noel Rosa foi um sambista, cantor, compositor, bandolinista, violinista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil. Vítima de tuberculose, Noel Rosa morreu com apenas 26 anos de idade. Isso não o impediu, contudo, de contribuir para a história da música brasileira. Foi ele quem tornou popular, por exemplo, o samba do morro. Além disso, deixou uma série de músicas que foram  lançadas postumamente e , hoje, fazem parte da MPB.

Noel Rosa nasceu marcado pelo Fórceps (instrumento obstétrico utilizado para extrair o bebê num parto vaginal), que lhe fraturou e afundou o maxilar inferior, provocando também paralisia parcial no lado direito do rosto. Com a primeira Guerra Mundial, o comercio de roupas masculinas de seu pai faliu e Seu Manoel partiu para o interior de São Paulo para trabalhar nas fazendas de café. Para ajudar no sustento dos filhos, Noel e Heleno, Dona Marta abriu uma escolinha, o externato Santa Rita de Cássia.

O defeito do queixo de Noel  se acentuava à medida que ele crescia. aos seis anos, foi operado, mas não mostrou melhora. Seis anos depois fez outra cirurgia, mas estava marcado para toda a vida. Com 13 anos ingressou no tradicional Colégio São Bento. recebeu o apelido de “queixinho” e amargava a tristeza que o defeito lhe causava. Muito cedo aprendeu a tocar bandolim e na hora do recreio tocava para os colegas que se reuniam ao seu redor, momento em que se sentia importante.

Do bandolim passou para o violão que seu pai tocava quando vinha visitar a família. Aos 15 anos já dominava o instrumento. Seu irmão também tocava e ganharam a fama de “Músicos da Vila Isabel”. Em 1929, junto com os músicos Almirante, Braguinha, Alvinho, Henrique Brito e Henrique Domingos, formou o conjunto Bando de Tangarás. Ainda em 1929, gravaram o primeiro disco, inicialmente influenciado pela música sertaneja. o conjunto fez grande sucesso apresentando-se em rádios, cinemas e teatros.

Em 1930, ingressou na Faculdade Nacional de Medicina, mas depois de dois anos abandonou o curso. Já estava envolvido com a música e a boemia. Ainda estudante gravou mais de vinte músicas. A partir de “Com que Roupa” Noel já não pertencia mais ao grupo. A música foi o primeiro sucesso de Noel escrito em 1930 e gravado no mesmo ano, o samba estourou no carnaval de 1931. Era o primeiro samba, mas já estavam presentes as características de toda a obra: O humor, a ironia, as rimas surpreendentes, a música brejeira. em 1932, Noel Rosa trabalhou como contra regra no programa de Ademir Casé, na Rádio Phillips.

Noel também cantava, apesar de sua voz fraca, nos tempos de vozeirões de Francisco Alves e Vicente Celestino. Em 1935 passou a trabalhar na Rádio Clube do Brasil, fazendo o programa humorístico “Conversa de Esquina”. Fez também revistas radiofônicas, sempre parodiando composições, inclusive de sua autoria. Conhecido e admirado por todos que faziam música popular, Noel Rosa era requisitado para parcerias e convidado para participar dos mais diversos conjuntos. o samba “O Orvalho vem Caindo” feito em parceria com Kid Pepe, foi gravado por Almirante em 1933 e tornou-se  grande sucesso do carnaval de 1934.

Acometido de tuberculose, em 1935, Noel Rosa foi para Belo Horizonte para tratamento de saúde. Na volta para o Rio de Janeiro, havia muito trabalho para fazer. Achando-se curado, retornou a boemia. Em busca de ares de serra (clima frio), Noel viajou para Nova Friburgo, mas sua saúde piorava sensivelmente.

Morreu em sua casa na Rua Teodorico Da Silva, em Vila Isabel. O interesse pela obra de Noel Rosa continua até hoje, com destaque para intérpretes como Fafá de Belém, Elza Soares, Ivan Lins, Jair Rodrigues, Martinho da Vila, Gal Costa, Jamelão, Chico Buarque e Alcione.

Vamos matar as saudades do gênio da música, Noel Rosa, com a melodia Feitiço da Vila.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

O São João, maior festa popular do Nordeste, que ocorre em junho, foi cancelado em vários estados. Em alguns casos, pela primeira vez terá sua versão fora de época no final deste ano.

É para quando está previsto ocorrer o intitulado “O Maior São João do Mundo 2020”, em Campina Grande, na Paraíba, e que reúne cerca de 2 milhões de pessoas no Parque do Povo. Este ano, o festejo seria entre 5 de junho e 5 de julho, mas, devido à epidemia do novo coronavírus, foi adiado para entre 9 de outubro e 8 de novembro.

Adiar a 37ª edição do evento para o final do ano foi o jeito que a Prefeitura de Campina Grande encontrou para atender tanto as recomendações de saúde, de evitar aglomerações, quanto aos grupos econômicos que lucram com o festejo (sobretudo o setor turístico), que movimenta cerca de R$ 250 milhões.

Em comunicado, a prefeitura declarou que a decisão buscou ouvir também o setor que envolve hotéis, restaurantes e agências de viagens e que o momento é de cuidados com a pandemia. “No tempo oportuno, haverá readequação da programação e da grade de atrações.”

Com o adiamento dos festejos, o Parque do Povo poderá ser adaptado e, se preciso, transformado em hospital para abrigar infectados com o vírus.

No estado, são 35 casos e quatro óbitos, segundo o Ministério da Saúde. Com o avanço da doença na Paraíba, outras 23 cidades do estado decidiram cancelar ou suspender as festas locais de São João.

E a mesma situação ocorre com as dez cidades da Bahia que realizam as principais festas de São João do estado, tanto públicas quanto privadas –o estado tem 462 casos confirmados e 14 mortes por conta da Covid-19. Continue lendo