Política

Bolsonaro-Alvorada

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu parabéns à Polícia Federal na manhã desta terça-feira (26) pela operação que atingiu o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC).

“Sobre essa operação, presidente, no Rio de Janeiro…”, começou a perguntar uma repórter. “Parabéns à Polícia Federal. Fiquei sabendo agora. Parabéns à Polícia Federal, tá ok?”, interrompeu Bolsonaro, na porta do Palácio da Alvorada, residência oficial da Presidência.

Havia poucos jornalistas no local, já que diversos veículos, como Folha de S.Paulo e o Grupo Globo, anunciaram na noite desta segunda-feira (25) que deixariam de fazer a cobertura naquela portaria. O motivo: “falta de segurança”.

“A deputada Carla Zambelli [PSL-SP] sabia dessa operação?”, questionou a repórter. “Pergunta para ela”, respondeu Bolsonaro.

Zambelli afirmou em entrevista à Rádio Gaúcha na segunda-feira que governadores seria alvo da PF. O motivo da ação desta terça-feira é apurar se houve desvios em contratos relacionados à pandemia da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus.

SOCORRO AOS ESTADOS

Bolsonaro voltou a dizer que tenta resolver a contratação de Policiais Rodoviários Federais aprovados em concurso para poder sancionar o projeto de socorro a Estados. O limite para a sanção é esta quarta-feira (27).

“O limite eu acho que é amanhã. Até amanhã sai. Mas estamos resolvendo aqui a questão dos concursados da PRF também. (…) Uma vez sancionado, não serem prejudicados”, disse, diante de um grupo de concursados no Alvorada, que foram recepcionar o presidente na portaria da residência oficial.

Depois, o mesmo grupo foi até o Palácio do Planalto. O governo corre contra o tempo para regularizar a situação dos aprovados. Ao todo, são 614.

Questionado se já conseguiria começar a repassar a verba para os Estados neste mês, conforme pedido dos governadores feito durante videoconferência, o presidente falou que o assunto é com o ministro Paulo Guedes (Economia). “Aí é com o Posto Ipiranga”, respondeu.

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu que Policiais Federais e Policiais Rodoviários Federais, que já foram militares, poderão utilizar o tempo de atividade nas Forças Armadas, para a aposentadoria especial de policial. 

A discussão começou em 2015, quando o deputado federal Gonzaga Patriota (PSB/PE), enviou à Corte de Contas da União, uma Indicação Consulta, sobre o tema. As duas corporações têm 155 policiais aptos que ingressaram na ação, solicitando a soma dos tempos de serviço. 

A Constituição prevê aposentadoria especial, de 15 anos para mulheres e 20 anos para homens, em “atividades de risco ou prejudiciais à integridade física”.

“A aposentadoria especial deve ser concedida ao policial exposto a situação permanente de risco, daí o uso da expressão “atividade estritamente policial”, escreveu o ministro relator, Augusto Nardes”.

“Essa decisão terá impacto em todos aqueles que se enquadrarem nestas situações, e não somente nos 155 policiais que ingressaram com a ação”, afirmou o advogado Jaques Reolon, que representou os policiais no processo.

O deputado federal Gonzaga Patriota é autor do Projeto de Lei nº 6894/13, que inclui o estudante de escola técnica federal, o bolsista de iniciação científica para ensino superior e médio e, o prestador de serviço militar obrigatório, como segurados empregados no Regime Geral de Previdência Social (RGPS, leis 8.212/91 – arrecadação – e 8.213/91 – benefícios). A medida busca computar o tempo da bolsa e do serviço militar para aposentadoria.

Segundo o Gonzaga Patriota, o período de bolsista é uma fase da vida em “que se ganha pouco e, os direitos previdenciários ainda ficam esquecidos”. Patriota lembra que bolsas mantidas por instituições como CNPq, Capes e ProUni, com dedicação exclusiva, não garantem a contagem do tempo de aperfeiçoamento para aposentadoria.

O mesmo problema acontece, de acordo com o deputado Patriota, no serviço militar obrigatório. “Os jovens ficam um ano inteiro prestando serviço às Forças Armadas, ao país, e não podem contar com esse período para a aposentadoria”, diz Patriota.

O período de trabalho nessas áreas, com as características do vínculo empregatício e remuneração, deve ser contado como tempo de serviço para a Previdência Social, na opinião do parlamentar. O tempo de serviço como bolsista vem sendo reconhecido judicialmente quando é comprovado o vínculo empregatício na atividade acadêmica.

Prefeitos de várias partes do Estado e 21 parlamentares pernambucanos, entre deputados federais e senadores, participaram, nesta segunda-feira (25), de uma assembleia extraordinária promovida pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe) para tratar de temas de interesse dos gestores municipais relacionados à pandemia da covid-19. Na ocasião, os prefeitos pediram apoio aos congressistas para o adiamento das eleições municipais deste ano – marcadas para 4 de outubro –, com prorrogação de mandatos até 2022, solicitação que dividiu opiniões no encontro.

José Patriota (PSB), presidente da Amupe e prefeito de Afogados da Ingazeira, explicou que, pela primeira vez, os prefeitos de Pernambuco tiveram a oportunidade de debater o pleito de 2020 com parlamentares dentro do contexto da crise criada pelo novo coronavírus. Segundo o socialista, na visão do movimento municipalista o País não teria condições sanitárias de realizar um evento tão grande quanto uma eleição em meio a uma pandemia.

“Na conjuntura atual, a maior parte dos prefeitos pernambucanos acha que a melhor opção seria adiar as eleições deste ano para 2022, unificando os pleitos. A apreensão dos gestores é muito grande. O povo sinaliza, nas pesquisas, que não quer eleições esse ano, pois não quer se contaminar. Além disso, não há segurança sanitária de que será possível fazer isso esse ano. Se der pra fazer, ótimo, o calendário tem que ser cumprido. Mas o problema não é só a data da eleição, são as etapas que a antecede”, pontuou Patriota.

Outro ponto levantado por José Patriota para defender a suspensão do pleito foi a economia gerada pelo gesto. Presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Glademir Aroldi informou que um levantamento produzido pela entidade aponta que “com o adiamento das eleições, os cofres públicos teriam uma economia de cerca de R$ 6,5 bilhões, que poderiam ser investidos para ajudar o País a se reerguer no pós-pandemia”. Continue lendo

Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro atribuiu ontem a imagem ruim do Brasil no exterior ao fato de a imprensa internacional ser “de esquerda”. “A imprensa mundial é de esquerda. O (Donald) Trump (presidente dos EUA) sofre muito com isso”, disse o presidente a uma apoiadora na saída do Palácio da Alvorada. 

Bolsonaro vem sendo duramente criticado pela imprensa internacional. Ontem foi a vez do Financial Times publicar um artigo afirmando que ele está levando o Brasil ao “desastre” com sua condução da crise. Fundado em janeiro de 1888 – pouco antes de a princesa Isabel assinar a Lei Áurea –, o Financial Times é um jornal focado em temas econômicos e de forte caráter liberal. 

A crítica a Bolsonaro foi assinada pelo colunista Gideon Rachman, o principal analista de assuntos externos do jornal. No texto, ele disse que o presidente brasileiro adotou uma abordagem semelhante à de Donald Trump, mas ainda mais “irresponsável e perigosa”. 

“Ambos os líderes ficaram obcecados com as propriedades supostamente curativas da hidroxicloroquina. Mas, enquanto Trump está apenas tomando o produto, Bolsonaro forçou o Ministério da Saúde a emitir novas diretrizes, recomendando o medicamento para pacientes com coronavírus”, escreveu. “O Brasil está pagando um preço alto pelas palhaçadas de seu presidente.”

No fim de semana, a revista americana Time publicou uma reportagem com o título “Brasil começa a perder a luta contra o coronavírus – e seu presidente está olhando para o outro lado”. “O presidente pode ainda sobreviver, mas muitos cidadãos brasileiros não vão”, afirmou a reportagem, ao falar que Bolsonaro incentiva as pessoas a abandonarem o isolamento social. Continue lendo

Givaldo Barbosa

Jair Bolsonaro conta que Celso de Mello só lhe dará trabalho por mais seis meses — em novembro, completa 75 anos e, pela lei, tem que se aposentar do STF.

Mas as coisas podem não caminhar assim.

O PDT, PT, PSB, PV, Rede e o PCdoB entram hoje na Câmara com um pedido de modificação da PEC 457 — que, em 2015, aumentou de 70 anos para 75 anos a idade da aposentadoria compulsória dos ministros dos tribunais superiores e do TCU.

O que esses cinco partidos desejam é que a idade-limite para a aposentadoria compulsória suba para 80 anos.

De cara, essa nova PEC da Bengala evitaria que Celso de Mello se aposente já — além de outros, como Marco Aurélio Mello, que completa 75 anos em julho do ano que vem. E o sonho de Bolsonaro de nomear um ministro “terrivelmente evangélico” teria que esperar muito mais.

Ministro da Educação, Abraham Weintraub

O plenário do Senado aprovou nesta segunda-feira (25), requerimento de convocação do ministro da Educação, Abraham Weintraub, para prestar esclarecimentos sobre declarações que fez na reunião ministerial de 22 de abril, após a divulgação de vídeo do encontro por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

O dia da participação de Weintraub no Senado – que é obrigatória, por se tratar de convocação – ainda não está definida. Entre outras declarações, o ministro da Educação defendeu, na reunião de abril, que botaria “vagabundos todos na cadeia, começando no STF”.

A fala de Weintraub foi revelada no vídeo da reunião que faz parte do inquérito em que, segundo o ex-ministro da Justiça Sergio Moro, o presidente Jair Bolsonaro tentou pressioná-lo a mudar o comando da Polícia Federal.

Na decisão em que autorizou a divulgação do vídeo, o ministro Celso de Mello, do STF, disse ter constatado a ocorrência de “aparente prática criminosa” cometida por Weintraub ao se referir à Corte.

A autora do requerimento foi a senadora Rose de Freitas (Podemos-ES). “Eu achei que estava vendo um filme de terror. Mas quando vi o ministro da Educação, tive certeza que era uma panaceia, um desrespeito”, disse Freitas. “Quero perguntar quem são os ‘vagabundos’ que precisam ser presos? Palavras não são em vão.”

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) também apresentou um requerimento. “Nos vídeos e na sua transcrição, Weintraub destila ódio, em termos claros, enfáticos e chocantes, contra o povo indígena e o povo cigano, nos seguintes dizeres”, diz o senador no requerimento. Continue lendo

O Senado aprovou nesta segunda-feira (25), por unanimidade, projeto que proíbe o corte de serviços públicos sem aviso prévio e em fins de semana, feriados e as suas respectivas vésperas. A matéria vai à sanção presidencial.

A proposta é de autoria do Senador Weverton (PDT-MA) e estabelece que a interrupção de serviços como água e luz não ocorrer ou ter início na sexta-feira, no sábado ou no domingo. Também está proibido o corte em feriados e vésperas de feriados.

Ainda assim, a empresa que quiser cortar o fornecimento deverá comunicar o consumidor informando o dia e o horário em que ocorrerá. Deve ser obrigatoriamente em horário comercial. Caso isso não seja feito, a empresa será multada e o cliente não precisará pagar nenhuma taxa de religamento.

Originalmente, o texto do Senado proibia a cobrança dessas taxas em qualquer situação. Os deputados, entretanto, trocaram esse trecho. A relatora da matéria, senadora Kátia Abreu (PP-TO), pediu a retomada da ideia inicial em seu 1º relatório. Ela foi convencida, porém, pelo líder do governo na Casa, Fernando Bezerra (MDB-PE), a abrir mão desse veto à cobrança.

Foi feito um acordo envolvendo os senadores, governo e a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para que esta última fiscalize a cobrança de valores abusivos como taxas de religação de serviços. A relatora criticou a falta de um padrão nacional nesses valores, fazendo com que alguns Estados pagassem muito mais que outros.

A Folha de S.Paulo e o Grupo Globo anunciaram que não enviarão mais repórteres para a cobertura em frente ao Palácio da Alvorada. A medida foi seguida também pela Band, Correio Braziliense e Metrópoles.

Nesta segunda-feira (25), apoiadores de Bolsonaro hostilizaram jornalistas que estavam na porta da residência oficial do presidente. Na ocasião, o chefe do Executivo fez novas críticas à imprensa. “O dia que vocês tiverem compromisso com a verdade eu volto a falar com vocês”, disse Bolsonaro.

Desta vez, os bolsonaristas tiveram o dobro do espaço que habitualmente é destinado a eles no local. Ficaram em dois “cercadinhos” – um ao lado da imprensa e outro à frente.

A Folha afirmou (leia aqui) que retomará a cobertura no local “somente depois das garantias de segurança aos profissionais por parte do Palácio do Planalto”.

Já o Grupo Globo enviou carta ao ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno. Declarou que seus profissionais “vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico”.

O Gabinete de Segurança Institucional costuma permitir a entrada de aproximadamente 30 pessoas. Havia cerca de 60 nesta segunda-feira. Os apoiadores se dividiram em dois grupos.

Depois que o presidente foi embora hoje, o grupo de apoiadores que estava do outro lado da rua andou livremente até a frente da área destinada à imprensa. De lá, hostilizaram os profissionais, junto com o grupo que já estava posicionado ao lado dos repórteres (como ocorre diariamente).

 Leia a íntegra da carta do Grupo Globo, assinada pelo vice-presidente de Relações Institucionais da empresa, Paulo Tonet Camargo: Continue lendo

No primeiro pregão da Bolsa de Valores de São Paulo depois da exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, na qual ficou clara a disposição do presidente Jair Bolsonaro de intervir na Polícia Federal, os investidores “compraram” com tudo a possibilidade de privatização do Banco do Brasil (BB). As ações da instituição registram alta de mais de 10%. 

Os investidores se empolgaram com as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o BB está pronto para ser vendido. “Tem que vender a porra do Banco do Brasil logo”, disse ele. Bolsonaro ressaltou, porém, que a privatização do BB só ocorrerá em 2023, caso ele seja reeleito. 

Não é de hoje que se sabe que o Banco do Brasil vem sendo preparado para a privatização. Essa, por sinal, foi a principal missão dada por Paulo Guedes a Rubem Novaes, quando convidou o executivo para comandar o banco controlado pelo Tesouro Nacional. 

Novaes deu passos importantes para enxugar o BB e entregá-lo, de preferência, ao capital estrangeiro com o argumento de que o governo quer aumentar a concorrência bancária no país. O BB, por sinal, já vendeu a participação que tinha na resseguradora IRB Brasil e na Neoenergia. Anunciou acordo para privatizar o BB Banco de Investimentos e avisou que venderá a BB DTVM e o BB Américas. 

O presidente do BB é um dos mais radicais defensores de Bolsonaro. Tanto que endossa todo o discurso reacionário do chefe do Executivo. Não é só: a fidelidade de Novaes a Bolsonaro é tão canina, que o filho 02 do presidente, o vereador Carlos, obrigou a instituição a voltar a anunciar em sites especializados em espalhar fake news. Ao ser denunciado, o BB suspendeu as propagandas, mas Carlos fez o banco recuar. 

Para especialistas, o Banco do Brasil sempre pagou um preço alto por sob controle do Tesouro e por ser usado politicamente em troca de apoio ao governo no Congresso. Com a perspectiva de privatização, no entanto, uma outra perspectiva se abre. Às 16h51, as ações ordinárias do BB estavam cotadas a R$ 31,43, com valorização de 10,24%. No ano, porém, caem 39,78%.

Nesta semana, o ex-patrono de Jair Bolsonaro na campanha eleitoral, o empresário Paulo Marinho, prestará depoimento no inquérito que investiga a interferência presidencial na Polícia Federal.

Depois de passar um longo período escondendo os supostos atos criminosos da primeira família, Marinho, que é candidato a prefeito do Rio, estará no centro dos holofotes. Seu depoimento poderá revelar se tem, de fato, algo a acrescentar nas investigações.

Com ou sem provas, no entanto, Bolsonaro deu demonstrações no fim de semana de que não pretende atuar com as armas do processo judicial para provar o caráter republicano de suas intenções ao mexer no comando da PF e na superintendência da corporação no Rio.

A reunião de 22 de abril, divulgada pelo ministro Celso de Mello, parece ter funcionado como gatilho para a radicalização do discurso bolsonarista. O golpismo no comportamento de apoiadores e de integrantes do governo, presente tanto na reunião de abril quanto nos minguados atos deste domingo, é prova disso.

O presidente da República usou suas redes para sugerir a prisão do ministro do STF que o investiga pela lei de abuso de autoridade, que proíbe vazamento de interceptações e mensagens que não tenham contexto com o ato investigado e que possam expor e constranger o alvo do processo. Não é o caso em questão, mas Bolsonaro preferiu deliberadamente seguir o caminho do ministro Abraham Weintraub, que também falou em cadeia para os “vagabundos do STF”.

O desrespeito à liturgia do cargo e ao convívio entre os poderes está mais do que posto. Para desgraça do bolsonarismo, o decano do STF, como asseguram seus colegas de Corte — que se aposentará em novembro –, não é magistrado de se acovardar diante de gritos – já viu isso no julgamento do mensalão, com os petistas igualmente aloprados — nem finalizará sua carreira sendo tutelado por arroubos autoritários.

Enquanto as mortes na pandemia avançam sem que haja comando nem linha de ação definida no governo central, a crise política alimentada pelo palácio a cada dia só tende a se agravar.

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A delegada Patricia Domingos, que é pré-candidata à Prefeitura do Recife, denunciou, juntamente com a ONG Fiscaliza Brasil, que o prefeito Geraldo Júlio tem efetuado compras do mesmo produto, porém com diferença de até 100% do preço de uma empresa para outra. 

A Prefeitura do Recife comprou 270 monitores multiparamétricos de transporte das empresas NEWMED, VALMIL, ALFAMED, MEDICALMED e CIRÚRGICA SÃO FELIPE, constando nos Termos de Dispensa de Licitação preços que variam de R$ 15.000 a R$ 30.500. 

“O que causa estranheza é que estes Termos de Dispensa de Licitação são elaborados pela própria Prefeitura e todos contém a mesma descrição do produto, mas em cada um dos termos constam preços diferentes. A título de exemplo, no Termo de Dispensa de Licitação nº 09/2020, de 16/03/2020, a Prefeitura informou o valor de R$ 15.088,00 a unidade e no Termo de Dispensa de Licitação nº 34/2020, datado de 23/03/2020, o mesmo produto passa a constar R$ 30.500,00 a unidade. Por que a Prefeitura constou no termo o valor de R$ 15.088,00 para o produto e, apenas 7 dias depois, já estimou o mesmo produto e pelo dobro do preço, no caso, R$ 30.500,00?”, questiona Patrícia Domingos que é especialista no combate a corrupção.

 Segundo a delegada e o Fiscaliza Brasil, “A empresa MEDICALMED vendeu este produto por R$ 15.000,00 enquanto a empresa ALFAMED vendeu o mesmo produto por R$ 30.500,00. E foi justamente na empresa que pratica o maior preço, R$ 30.500, que o Prefeito comprou a maior quantidade de monitores, no caso 80 unidades”. Continue lendo

Reunião

O vídeo da reunião ministerial, tornado público por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), conseguiu mobilizar um grupo de críticos da direita à esquerda na rejeição ao governo Bolsonaro, e deixou a base pró-governo ainda mais isolada.

É o que mostra monitoramento das discussões e interações no Twitter feito pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getulio Vargas: o repúdio ao governo Bolsonaro alcançou mais de 58,4% das interações no Twitter em 24 horas, gerando uma nova convergência da oposição, que desta vez reuniu desde deputados da esquerda ao ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Já a base de apoio ao presidente também esteve bastante ativa, chegando a 19% das interações. No entanto, apesar da “energização”, a base bolsonarista se mantém “cada vez mais isolada” e “dependente dos próprios influenciadores e da atividade destes. “Ao contrário da base de oposição, que agora conta com ex-membros do governo e antigos apoiadores de Bolsonaro”, afirma o estudo.

A discussão em torno do conteúdo da reunião ministerial deixou à margem o tema da pandemia. Um dos temas de maior repercussão foram os comentários do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que sugeriu a prisão dos ministros do Supremo. As informações são do Portal iG.com.

Primeira página do Correio da Manhã

Por Lauro Jardim/O Globo

Num dos trechos mais fortes da reunião ministerial do dia 22 de abril, um colérico Jair Bolsonaro defendeu armar a população.

Disse Bolsonaro, entre um palavrão e outro:

— Um puta de um recado para esses bostas: estou armando o povo porque não quero uma ditadura, não dá para segurar mais. (…) Por isso que eu quero, ministro da Justiça e ministro da Defesa, que o povo se arme! Que é a garantia que não vai um filho da puta aparecer pra impor uma ditadura aqui!

No dia 12 de maio de 1937, o “Correio da Manhã” estampava em manchete: “Mussolini diz que só um povo armado é forte e livre”. A reportagem relatava um discurso para cem mil italianos feito na Sicília por Benito Mussolini — uma fala “entrecortada por delirantes aplausos”.

Em 2006, Hugo Chávez bradava, também em praça pública, depois de comprar milhares de fuzis russos:

— A Venezuela precisa ter 1 milhão de homens e mulheres bem equipados e bem armados.  (…) Os gringos querem nos desarmar. Temos de defender nossa pátria.

A essência das três falas é a mesma. Qualquer semelhança…

A demora do presidente Jair Bolsonaro em sancionar a lei que autoriza o repasse direto da ajuda de R$ 60 bilhões para Estados e municípios enfrentarem os efeitos da Covid-19 deixou prefeitos de todo o País em estado de alerta. Entidades municipalistas afirmam que pode haver atrasos nos pagamentos dos salários de maio dos servidores. As cidades têm sofrido com a queda na arrecadação e contam com o auxílio federal para recuperar seus caixas. Bolsonaro tem até quarta-feira para sancionar a proposta – que já está em sua mesa há quase 20 dias.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Glademir Aroldi, o atraso tem impactos diretos na economia local. Ele lembra que os profissionais da Saúde também poderão ser atingidos.

“A falta de previsibilidade não vai ajudar na retomada da economia, como o governo quer”, disse Gilberto Perre, secretário-executivo da Frente Nacional de Prefeitos, à Coluna do Estadão desta segunda-feira (25),

Segundo Aroldi, o Ministério da Economia informou que, a partir da sanção, pode-se demorar cerca de sete dias para os valores chegarem aos cofres dos municípios. Assim, os salários correm o risco de ficar para depois do quinto dia útil de junho.

As duas entidades destacam que, mesmo com a recomposição de receitas que caíram e a ajuda do governo federal, os municípios deverão enfrentar ainda mais dificuldades a partir do segundo semestre.

 “Até agosto vamos sobreviver, mas, depois, não há nenhuma ajuda prevista”, afirmou Aroldi.

Após o ex-ministro da Justiça Sergio Moro dizer, em entrevista ao Fantástico, da Rede Globo, que o governo do presidente Jair Bolsonaro usava sua imagem, mas não tem o compromisso real de lutar contra a corrupção, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente da República, reagiu com postagem no Twitter.

Moro disse, na entrevista, que poderia ser uma “verdade inconveniente” para os seguidores de Bolsonaro essa fala, mas que havia vários exemplos e elencou, além da suposta tentativa de interferência política na Polícia Federal, a falta de empenho do governo para manter o Coaf no Ministério da Justiça e a desidratação do Pacote Anticrime no Congresso, no ano passado.

“No caso do Pacote Anticrime também não teve, a meu ver, um apoio adequado por parte do Palácio do Planalto”, reclamou.

Veja a postagem de Eduardo Bolsonaro:

O Pacote Anticrime foi desidratado no Congresso e Moro deu entrevistas na época tentando valorizar o que havia sido aprovado.

“E, após a decisão do Supremo Tribunal Federal derrubando a prisão em segunda instância houve uma iniciativa legislativa para recompor isso e não houve uma palavra de apoio por parte do presidente”, enumerou ainda o ex-ministro, antes de dizer que ficou no governo por um ano e quatro meses na esperança de que a situação mudasse. “Mas a gota d’água foi à tentativa de interferência na Polícia Federal”, contou ele para a jornalista Poliana Abritta.

Rompido com Bolsonaro desde o dia 24 de abril, quando se demitiu do governo acusando o presidente de querer interferir politicamente na Polícia Federal, Moro tem usado as redes sociais e entrevistas à imprensa para manter um jogo de acusações com seu ex-chefe.

As acusações de Moro a Bolsonaro geraram um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), o que tem como prova o já histórico vídeo da reunião ministerial de 22 de abril.