Uma das primeiras a suspender as atividades em face da pandemia da Covid-19, as escolas em Pernambuco continuam sem um prazo para retorno às aulas presenciais. Considerando a diversidade das curvas epidemiológicas do estado, o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de Pernambuco (SINEPE-PE) propõe a reabertura das escolas de forma segura, seguindo protocolos, com cronograma de retorno escalonado e híbrido, contando com aulas presenciais e remotas. Pais e instituições de ensino aguardam uma data para a retomada. 

“A prioridade absoluta será na segurança da saúde dos estudantes, familiares e profissionais da educação. Para isso, estamos preparados”, informa o professor e presidente do Sinepe-PE, José Ricardo Diniz. No início de julho, o sindicato lançou um documento com uma proposta de retomada às atividades presenciais nas instituições de ensino, acompanhou e deu suporte para as adaptações necessárias.  

Assim, as escolas particulares já estão adequadas para implantar medidas como o distanciamento social de 1,5m entre alunos, a utilização contínua de equipamentos de proteção facial e a aferição e higienização regular na entrada, permanência e saída dos ambientes escolares. Tais medidas, entre outras presentes em e-book lançado pelo Sinepe-PE recentemente, são apontadas como eficazes para o controle da disseminação da Covid-19 por autoridades competentes, como a Organização Mundial da Saúde (OMS).  

De acordo com o infectologista e diretor médico do Infecto Associados do Recife (IAR), Dr. Filipe Prohaska, é necessário que os estabelecimentos de ensino modifiquem sua estrutura física, criem fluxos e redescubram a higienização adequada do ambiente. “A escola exerce um papel de formação que possibilita a expansão desse aprendizado em ambiente escolar para outros locais, como casa de familiares, áreas de convívio coletivo e cuidados com situações diárias de possível exposição. Grupos de risco devem permanecer com atividades remotas e a presença do pediatra ou hebiatra assistente é de suma importância nessa decisão junto aos pais”, ressalta.  Cada escola possui peculiaridades próprias, com necessidade de adaptações para minimizar o risco de contágio pelo novo coronavírus.  

“Para além do preparo do ambiente escolar físico, respeitaremos a posição de cada família. Os estudantes poderão permanecer no sistema remoto sem prejuízo, caso os pais ou responsáveis assim desejarem”, reforça o presidente do Sinepe-PE.  Mesmo podendo escolher entre manter os filhos no ensino remoto e retomar atividades presenciais, muitos pais anseiam pela volta às aulas, principalmente da Educação Infantil, em que o convívio social é extremamente importante para o desenvolvimento das crianças.  

A administradora Tatiana Mota, mãe de dois filhos, está entre os responsáveis que aguardam esse retorno o mais breve possível. “A Covid-19 é uma realidade com a qual teremos que aprender a conviver. Esperar por uma vacina é complicado, pois não temos previsão de quando ela ficará pronta e distribuída. O esforço dos educadores e escolas para disponibilizar o ensino remoto tem sido muito válido, mas as aulas presenciais são muito importantes, pois em casa meus filhos apresentam certa dispersão”, explica.  

A proposta do Sinepe-PE para o retorno progressivo inicia com Educação Infantil e Ensino Médio, dois grupos que não compartilham os mesmos espaços, têm acessos distintos, e os horários de entrada, saída e intervalo de aulas também distintos. “Acreditamos que a retomada segura já é possível e que não é preciso escolher entre a saúde das pessoas e o funcionamento das escolas. Vida e educação devem coexistir, e é nisso que estão concentrados nossos esforços”, afirma José Ricardo Diniz.