Atualmente, 1.179 pessoas estão à espera de um órgão ou tecido em Pernambuco / Foto: Reprodução/Internet

Desde o ano passado, a Força Aérea Brasileira (FAB) tem intensificado o transporte de órgãos para auxiliar as ações da Central de Transplantes de Pernambuco (CT-PE). Entre junho de 2016 e abril deste ano, 71 órgãos foram transportados pelos aviões da FAB. A maior parte dos deslocamentos (51, totalizando 73%) saiu de Petrolina (Sertão), além de Caruaru (Agreste) e dos Estados da Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Maranhão, Sergipe e Alagoas.

O anúncio foi feito nesta terça-feira (23), quando a CT-PE dá início à Semana Estadual de Incentivo à Doação de Órgãos. "As Centrais de Transplantes de todo o Brasil já contam com o apoio das companhias aéreas, que fazem o transporte dos órgãos e tecidos em voos comerciais, sem custo algum. Assim, a FAB tem tido papel fundamental, principalmente, no transporte de órgãos que tem menor durabilidade após a retirada do corpo do doador, como o coração”, afirma a coordenadora da CT-PE, Noemy Gomes.

Entre junho de 2016 e abril de 2017, a FAB transportou para Pernambuco 30 rins, 21 corações, 19 fígados e 1 pâncreas. Dos 21 corações, 9 foram transportados este ano. Isso representa 45% dos 20 corações transplantados no Estado esse ano. "Um paciente à espera por um rim tem a hemodiálise para fazer as funções vitais do órgão. No caso do coração, o paciente precisa encontrar logo um doador, pois não há nada que substitua esse órgão. Essa é mais uma das provas da importância dessa parceria", reforça Noemy.

A CT-PE já realizou, na última semana, curso sobre transplantes com médicos e enfermeiros de Petrolina. Na próxima quinta-feira (25), haverá um curso de atualização em doação de órgãos e tecidos para os profissionais da própria central.

Negativa familiar

Em Pernambuco, cerca de 40% das potenciais doações não são realizadas por causa da recusa dos familiares. “Estamos reforçando as capacitações com os profissionais de saúde para que eles possam entender todo o processo da doação, do diagnóstico da morte encefálica até a cirurgia de retirada dos órgãos e tecidos para o transplante. Além disso, precisamos conscientizar a população da importância desse ato. No Brasil, a doação só pode ser efetivada com a autorização de um familiar de até segundo grau. Por isso, a importância de expressar nosso desejo ainda em vida e conversar sobre o assunto com nossos familiares”, esclarece Noemy Gomes.

Entre os motivos da negativa familiar, está o desconhecimento da população sobre a morte encefálica, além das dúvidas sobre a integridade do corpo após a doação. “Precisamos informar que o diagnóstico de morte encefálica segue um rígido protocolo na sua confirmação e que a família receberá o corpo do ente querido íntegro para realizar todas as cerimônias de despedida. Tirar dúvidas sobre esse processo e acabar com os mitos e preconceitos são pontos cruciais para que possamos salvar mais vidas”, frisa.

Dados

Entre janeiro e abril de 2017, Pernambuco realizou 553 transplantes. O quantitativo é 20,22% maior do que o mesmo período de 2016, com 460 procedimentos. Ao todo, foram transplantadas 304 córneas, 115 rins, 67 medula óssea, 41 fígados, 20 corações, 3 rim/pâncreas, 3 válvulas cardíacas e 1 fígado/rim. O maior percentual de aumento foi no número de corações transplantados, que saiu de 10, no mesmo período de 2016, para 20 este ano, uma ampliação de 100%.

Atualmente, 1.179 pessoas estão a espera de um órgão ou tecido. A maior fila é por um rim (805), seguido de córnea (259), fígado (66), medula óssea (37), coração (9) e rim/pâncreas (3).

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