João Veiga também admitiu que, neste momento, o Hospital Mestre Vitalino está superlotado

Dr. João Veiga, diretor do Hospital Mestre Vitalino, em Caruaru, no Agreste, criticou a formação de médicos e enfermeiros em Pernambuco e outros estados da região Nordeste. O cirurgião disse à Rádio Jornal na manhã desta terça-feira (12), não adiantar abrir hospitais qualificados se a demanda de profissionais de medicina é precária. 

"Estamos formando muitos médicos em faculdades precárias. Esses médicos não passam na prova da residência. No meu entendimento, médico que não tem residência não é médico é formado em medicina", disse o diretor do Mestre Vitalino.

Ainda segundo o diretor, muitos profissionais que fazem o teste de residência não conseguem reproduzir procedimentos considerados básicos. "Médico formado em faculdades privadas do PB, CE e PE, tem demais, mas desqualificados. Fizemos um teste para entubar o paciente e 90% não sabiam, não sabiam cateterizar uma veia. É uma prova que eles não conseguem passar na prova de residência", comentou João Veiga. 

A formação em enfermagem também foi criticada pelo diretor. "Vem o problema da qualificação médica e o mais grave é a qualificação da enfermagem. As pessoas se formam em enfermagem em escolas precárias. As provas de enfermagem que fazemos deixam a preocupação muito grande pelo baixo nível. Não adianta ter hospital com tecnologia. A maioria das faculdades privadas não tem hospital, como você vai ser médico se não tem um hospital para treinar", concluiu. 

Falta de investimento na saúde pública

Dr. João Veiga admitiu que, neste momento, o Hospital Mestre Vitalino está superlotado e atribuiu à precariedade no atendimento a falta de investimento na estrutura de outras unidades de saúde da região. 

"Ampliamos os leitos e hoje o Mestre Vitalino atende neurologia, clínica médica, pediatria e cardiologia. Mas estamos superlotados. A central de leitos encaminha pacientes para cá e isso prova uma falência total da atenção básica de saúde que é responsabilidade do ministério da Saúde e dos municípios. É o ministério da Saúde tem um orçamento de mais de R$ 100 bi e só gastou 30% do orçamento e isso repercute nisso", comentou. 

O diretor garantiu que nenhum paciente foi colocado nos corredores, mas esta pode ser uma realidade próxima. "O Mestre Vitalino ainda é privilegiado, capacitado, os outros não. O hospital de Arcoverde não. Recebemos pacientes de toda a região e a emergência continua cheia. Não adianta o estado individualmente tentar resolver um problema que só se resolve pelo três entes. Quando dois não estão atuando, não dá. Não sabemos o ponto que vamos aguentar esse tipo de demanda sem botar paciente no corredor".

Coren critica formação de enfermeiros

A fiscal do Conselho Regional de Enfermagem (COREN), Ana Célia, concordou com as críticas do Dr. João Veiga ao ensino e preparação do profissional de enfermagem. Para ela, a falha na graduação é a que mais chama a atenção. "O Conselho Regional de Enfermagem (COREN) concorda, em parte, com o que foi colocado pelo Dr. João Veiga. Existe uma falha na formação, principalmente na graduação. Não são todas as instituições que tem organização em relação à formação".

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