O presidente Michel Temer caminha para terminar 2017 com 25 pedidos de impeachment na Câmara à espera de uma decisão do presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sobre autorizar ou não o prosseguimento. Ao todo eram 26, mas um deles já foi arquivado por Maia. Na média, Temer tem um pedido de impedimento a cada 19 dias de governo. Ele assumiu o cargo definitivamente em 31 de agosto de 2016, logo após o Senado afastar definitivamente a ex-presidente Dilma Rousseff.

A maior parte dos pedidos contra o presidente foi feita após a delação da JBS. Antes, haviam chegado à Câmara quatro pedidos de impedimento, um deles, no dia 14 de fevereiro, foi arquivado. Desde então, o presidente da Câmara recebeu mais 22 pedidos contra Temer, cerca de uma a cada 10 dias.

Apenas 48h depois de revelada a colaboração, foram protocolados oito pedidos. Destes, o primeiro foi do deputado federal Alessandro Molon (Rede-RJ). Na denúncia por crime de responsabilidade, Molon afirma que o presidente procedeu de modo "incompatível com a dignidade, a honra e o decoro do cargo". Diz ainda que Temer foi "gravado em diálogo embaraçoso" com Joesley Batista, um dos donos da JBS.

Na sequência, todos os pedidos foram feitos pelo mesmo motivo. Além de Molon, o deputado JHC (PSB-AL), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), o deputado João Gualberto Vasconcelos (PSDB-BA), o deputado estadual Júnior Alves Araújo (PRP-GO), conhecido como Major Araújo e o deputado Diego Garcia (PHS-PR) foram alguns dos que também requisitaram o impedimento de Temer.

Uma semana depois, em 25 de maio, o presidente do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Claudio Lamachia, também protocolou um pedido de impeachment por "prática de infrações político-administrativas ensejadoras de crime de responsabilidade". Em um trecho do documento protocolado na Câmara, a OAB diz que a conduta do presidente foi "incompatível" com o cargo que ele ocupa.

MAIOR MÉDIA DE PEDIDOS DE IMPEDIMENTO

Em comparação com os outros presidentes do período democrático, Temer é quem tem a maior média de pedidos de impeachment na Câmara. Num governo que durou de 15 de março de 1990 até a renúncia no fim de dezembro de 1992, o ex-presidente Fernando Collor de Mello (hoje senador) teve contra si 29 ações na Câmara. A média é de um processo a cada 35 dias, quase um por mês.

Com a renúncia de Collor, o vice Itamar Franco assumiu e governou até passar a faixa presidencial para o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1º de janeiro de 1995. Itamar teve quatro pedidos de impedimento protocolados na Câmara, média de um por semestre. Já FH teve um total de 24 ações contra si durante seus dois mandatos (8 anos), um pedido a cada quatro meses.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve 37 pedidos de impeachment na Câmara, em seus oito anos de governo: uma ação a cada 77 dias (praticamente dois meses e meio).

Já a ex-presidente Dilma Rousseff teve 68 pedidos de impedimento na Câmara, incluindo aquele que foi aceito, protocolado pelos advogados Hélio Pereira Bicudo, Miguel Reale Júnior, Janaina Conceição Paschoal e Flávio Henrique Costa Pereira.

No entanto, como Dilma governou do início de 2011 até maio de 2016, quando foi afastada do cargo pelo Senado, sua média é superior à de Temer: um pedido de impedimento a cada 29 dias.

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