A Caixa Econômica Federal divulgará na próxima terça-feira (27) o balanço de 2017 e apresentará um lucro recorde de R$ 13 bilhões. Mas, como o banco enfrenta problemas de capital para ficar enquadrado nas regras internacionais de solvência do setor financeiro (que ficaram mais rigorosas a partir deste ano), o Tesouro Nacional decidiu liberar a instituição do pagamento de dividendos este ano. Ela vai internalizar todo o montante e, pela primeira vez, não pagará remuneração variável aos seus executivos.

Segundo interlocutores da instituição, isso deve gerar um desconforto dentro do banco. O lucro de R$ 13 bilhões considera o ganho com atividades financeiras em torno de R$ 10 bilhões, decorrente de tarifas e operações de crédito, por exemplo, e uma redução no valor da provisão de despesas relacionadas ao plano de saúde dos funcionários. Esta medida é decorrente de uma decisão da Secretaria de Estatais do Ministério do Planejamento, que restringiu gastos com saúde dos trabalhadores das empresas públicas.

Originalmente, a Caixa preferia utilizar o lucro de outra forma. A ideia era pagar os dividendos mínimos ao Tesouro (de 25%) e numa segunda etapa, o órgão devolver os recursos na forma de aporte de capital no banco. Mas a proposta foi rejeitada pela presidente do conselho de administração do banco, presidido pela secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi.

Segundo fontes a par do assunto, ao incorporar diretamente o lucro, a Caixa resolverá boa parte do problema de capital, embora um empréstimo do FGTS fosse a solução preferencial. No fim do ano passado, o Congresso aprovou a toque de caixa uma lei que permite ao Fundo injetar até R$ 15 bilhões no banco – sem prazo de pagamento. Mas a operação é contestada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Assim que divulgar o balanço, Gilberto Occhi vai deixar a presidência da Caixa para comandar o Ministério da Saúde. O titular da pasta, Ricardo Barros, deixará o cargo para disputar eleições para deputado federal. Ambos são do Partido Progressista (PP).

Occhi, no entanto, quer fazer o sucessor e defende a indicação do vice-presidente de Habitação da Caixa, Nelson de Souza. O assunto será tratado nos próximos dias entre o presidente Michel Temer e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI).

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