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Caso a aliança entre PT e PSB se concretize em Pernambuco, o deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) deve deixar para trás suas vorazes críticas ao Partido dos Trabalhadores e pedir votos para seu possível companheiro de chapa na disputa pelo Senado, o senador petista Humberto Costa. Ontem (12), Jarbas afirmou que pediria votos para Humberto “sem nenhuma dificuldade”.

“Vou pedir voto para quem for meu companheiro de chapa. O comando dessa questão é do governador. Ele está num diálogo com o PT e eu acho positivo. Quanto mais ele puder fazer um governo abrangente, melhor para o Estado. O PT não é nenhum bicho de sete cabeças, o governador integrando o PT à aliança eu não me oponho em coisa nenhuma, vamos trabalhar juntos, peço (voto para Humberto) sem nenhuma dificuldade, se esse for o caso”, disse o parlamentar.

As declarações são novidade na vida política de Jarbas. Tradicionalmente em campos opostos, os dois políticos já trocaram duras farpas ao longo da trajetória política. Em 2012, no palanque de Geraldo Julio — que disputava contra Humberto a Prefeitura do Recife —, Jarbas classificou o petista como “petulante” e “perdedor nato”, por cair nas pesquisas da época.

Ontem, logo após a fala de Jarbas, o presidente do PT em Pernambuco, Bruno Ribeiro disse que o PT vai pedir voto para quem defender o projeto de Lula. “O PT luta para superar a perseguição a Lula. A fraude do impeachment destituiu a presidente que o povo elegeu, e agora prenderam o presidente que o povo vai eleger. Então vamos pedir voto a Lula. Quem estiver junto conosco nessa luta nós não teremos dificuldade em defender a votação, acho importante essa declaração do deputado Jarbas Vasconcelos, temos respeito, mas nos últimos anos temos tido posições bem diferentes”, disse.

Disputa Nacional

A aliança entre petistas e socialistas passa por um apoio do PSB ao ex-presidente Lula, que está preso após ser condenado a 12 anos e um mês de prisão na Operação Lava Jato. Para Jarbas, não haveria problemas em subir no palanque de Paulo Câmara se também houver a aliança nacional com o PT, mas ele ressaltou que o seu voto para presidente é do tucano Geraldo Alckmin (PSDB). 

“Acho que o eleitor sabe fazer uma distinção, sabe o respeito e até admiração que tenho por Lula. Lula é um líder popular importante, mantenho boa relação de admiração e respeito recíproco, sempre o recebi bem. Não vejo que isso possa me trazer desconforto ou qualquer tipo de dificuldade, estamos no tempo de internet, a busca da verdade é mais fácil”, disse o emedebista.

Jarbas ainda foi questionado do motivo pelo qual não vota com o pré-candidato do seu partido à Presidência, Henrique Meirelles. Ele admitiu que não vê viabilidade no projeto do ex-ministro da Fazenda do governo Temer. “Ele teve uma intenção válida, mas viu que está inviabilizado, é um técnico renomado e é melhor ficar no lugar dele. Ele não sai do lugar nas intenções de voto, e não vejo como isso pode acontecer, seria saudável, mas não vejo viabilidade. É melhor pensar em outras alternativas, e não ficar amarrado em algo que de antemão não vai prosperar”.

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No passado, palanques históricos

Se a aliança entre PSB e PT realmente se concretizar, esta não será a primeira vez que o deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) estará com um antigo desafeto no mesmo palanque. No passado, o parlamentar já se uniu com o PFL, adversário histórico do MDB, e com o ex-governador Eduardo Campos (PSB), nome que recusou como vice na chapa que o elegeu prefeito do Recife em 1992, fato que selou seu afastamento definitivo do ex-governador Miguel Arraes.

Integrantes de campos políticos completamente distintos, MDB e PFL uniram-se em 1985 em torno da candidatura de Sérgio Murilo para a Prefeitura do Recife. A insatisfação de Jarbas com a escolha – que o deixava de fora do pleito – foi tão grande que ele deixou a sigla, filiou-se ao PSB e acabou vencendo a eleição. Pouco depois, porém, retornaria às hostes emedebistas. 

O episódio, que retrata apenas um dos vários embates que o deputado travou com o PFL, não o impediu de, em 1993, ajudar a criar a União por Pernambuco, que aglutinou, mais uma vez, os dois partidos no Estado.

A tensão com Arraes, por sua vez, surgiu de maneira distinta. Aliados de vários anos, Jarbas e Arraes tiveram alguns atritos, mas a relação só azedou de vez quando o emedebista negou a Eduardo a vaga de vice na sua chapa. Arraes lançou o neto como candidato à prefeitura, e o novato perdeu para o emedebista. Em 1998, nas eleições estaduais, o próprio Arraes foi derrotado por Jarbas.

A reaproximação entre o deputado federal e o PSB só ocorreria em 2012, quando Eduardo já era governador. A união se deu quando o MDB decidiu apoiar a campanha de Geraldo Julio à prefeitura. Na ocasião, os grupos se uniram para derrubar o candidato do PT, Humberto Costa.