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O deputado federal Daniel Coelho (PPS) afirmou que está decepcionado com a postura do deputado federal Jarbas Vasconcelos (MDB) diante das eleições deste ano, a partir da possibilidade do emedebista compor com o senador Humberto Costa (PT) para a disputa pelas duas vagas de Pernambuco no Senado Federal. O dinamismo das alianças políticas tem projetado uma rearrumação eleitoral no Estado, com possibilidades, por exemplo, do PT voltar a se aliar com o PSB e, com isso, integrar o mesmo palanque do MDB.

Com isso, Jarbas, que é ferrenho opositor e dono de declarações ácidas contra membros da legenda, admitiu que não terá dificuldades em pedir votos para o petista Humberto no palanque da Frente Popular. O fato gerou uma reação negativa de Daniel Coelho. “Nunca pensei em ter uma decepção tão grande com alguém já votei e acreditei”, disparou o pós-comunista, em publicação nas redes sociais. 

Daniel, que já apresentou dissidência quando o PSDB decidiu marchar com o PSB nas eleições de 2016 e agora está no PPS, disse também que prefere deixar a política a ter que pedir votos para alguém que sempre se opôs. “Já eu, prefiro sair da política, do que pedir voto para Humberto Costa. Nada pessoal contra ele, apenas uma questão de vergonha cara”, alfinetou.

Nessa terça-feira (13), Jarbas Vasconcelos começou a ponderar mais as avaliações sobre o PT e disse que o partido não é “bicho de sete cabeças”.

“Vou pedir voto para quem for meu companheiro de chapa. O comando dessa questão é do governador. Ele está num diálogo com o PT e eu acho positivo. Quanto mais ele puder fazer um governo abrangente, melhor para o Estado. O PT não é nenhum bicho de sete cabeças, o governador integrando o PT à aliança não me oponho em coisa nenhuma, vamos trabalhar juntos, peço [voto para Humberto] sem nenhuma dificuldade, se esse for o caso”, disse o pré-candidato a senador.

A mudança de postura de Jarbas diante de adversários não é tão novidade assim, uma vez que ele já cedeu também com o PFL em 1985, que na época o partido era opositor histórico do MDB, e baixou a guarda para o ex-governador Eduardo Campos, que ele tinha recusado como vice na chapa para a Prefeitura do Recife em 1992, o que culminou o afastamento de Jarbas e Miguel Arraes.