A maioria dos articuladores dos pré-candidatos a presidente da República consideram que a eliminação do Brasil da Copa do Mundo irá precipitar as negociações entre os partidos, mas os dirigentes partidários não acreditam que o fechamento das alianças se dará antes dos prazos finais previstos para as convenções de cada legenda. Embora os negociadores dos principais pré-candidatos anunciem a disposição de intensificar as reuniões em busca de definições, os dirigentes querem ganhar tempo e empurrar para a última hora.

Articulador das alianças em torno da candidatura de Ciro Gomes, o presidente do PDT, Carlos Lupi, acredita que a derrota do Brasil para a Bélgica irá antecipar as negociações. Ele diz que continua negociando tanto com o PSB quanto com os partidos do Centrão.

— Provavelmente tudo irá ser antecipado. Tudo sendo aguardado. Mas acho que não demora, disse Carlos Lupi após o término do jogo, em que a Bélgica derrotou o Brasil por 2 a 1.

Mas os presidentes do PSB, Carlos Siqueira (foto), e do PP (que integra o blocão de Centro), senador Ciro Nogueira (PI), não pretendem atropelar o calendário. A reunião da Executiva Nacional do PSB que irá deliberar sobre o apoio a Ciro ou ao PT, além da neutralidade, deve acontecer em julho, mas sem data marcada. A convenção para sacralizar a decisão será no dia 4 de agosto.

— Não creio que o fechamento das alianças em torno dos pré-candidatos a presidente será antecipado por causa do fim da Copa para o Brasil. Político brasileiro gosta de decisão na 25ª hora, disse Carlos Siqueira.

Já o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, disse que o combinado, de só decidir depois da Copa, está mantido, entre os dias 16 e 20 de julho. Na próxima semana o “blocão” começa a afunilar o debate com uma reunião em Brasília com a presença dos quatro partidos: DEM, PP, PRB e Solidariedade. Na última quarta-feira eles encerraram a rodada de conversa com os principais pré-candidatos.

— Acho que a definição das alianças não será antecipada por causa da saída do Brasil. Foi o que combinamos que a decisão seria só depois da Copa. Não vejo motivo para mudar, disse Ciro Nogueira.

Para Mendonça Filho (DEM-PE), ex-ministro e nome cotado para ser vice de Geraldo Alckmin (PSDB), o tema ganha mais relevância com a eliminação do Brasil na Copa. O DEM ainda negocia uma possível aliança com tucano ou Ciro Gomes (PDT).

— Não acho que a derrota chega a acelerar o processo de negociação dos partidos. Mas a política, certamente, vai começar a ocupar mais espaço no debate nacional. É claro que o tema vai ganhar mais relevância.

Líder do PR na Câmara, o deputado José Rocha (BA) avalia que as tratativas para seu partido fechar uma aliança serão aceleradas a partir de agora. O PR está muito próximo de ter um acordo para indicar o candidato à vice na chapa de Jair Bolsonaro, pré-candidato do PSL. Mas não deixa de dialogar com outros pré-candidatos.

— Agora com certeza adianta, disse José Rocha, sem especificar, entretanto, uma data para a definição de quem o partido irá apoiar.

O deputado diz que foi convidado para uma reunião com partidos de centro que será realizada na próxima quarta-feira, em Brasília. Mas ainda não sabe se vai participar.

Presidente do PPS, que deve apoiar Geraldo Alckmin, Roberto Freire defende que essas tratativas sejam aceleradas.

— É bem provável que agora, com o Brasil fora da opa, essas articulações para fechamento de alianças sejam antecipadas. Penso que devemos articular um encontro com forças de centro e centro direita visando à unidade com um candidato democrático. No próximo dia 14, sábado, no Rio, haverá uma reunião do polo democrático e será um bom momento para a concretização desta reunião com o Centro, vamos chamar assim, e que tem como maior referência o DEM. Deve ser convidado. Vamos ver, defende Roberto Freire.

Pré-candidato do Podemos, o senador Álvaro Dias (PR), também não acredita na antecipação das alianças por causa da Copa. Ele diz que antes do dia 20, quando começam as convenções, nada será sacramentado.

— Imagino que antes do dia 20 será difícil acontecer a definição de todas as alianças. Vejo os partidos empurrando para a última hora e podem deixar a definição das alianças para o final do prazo que é 5 de agosto. Sobre as negociações para que seja batido o martelo em torno de um único nome de centro, não há essa pressão. O que há é discussão sobre possibilidade de convergência. Nunca ninguém me pediu pra deixar de ser candidato. Sempre conversam comigo com respeito, procurando argumentar sobre a necessidade de convergência sem falar em torno de quem será o candidato. Continuamos as conversar com os partidos mais ao centro, disse Álvaro Dias.

O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que o partido vai “intensificar os diálogos”. A legenda pretende inscrever o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato:

— Vamos intensificar os diálogos para a formação das alianças.