Paulo Câmara e Márcio França

Folha Política

Antes de receber a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, amanhã (12), em Pernambuco, o governador Paulo Câmara seguiu, ontem, para São Paulo. Foi recebido, à noite, no Palácio dos Bandeirantes, pelo chefe do Executivo estadual, Márcio França. Na leitura feita no PSB, São Paulo e Pernambuco guardam em comum o fato de terem seus cenários para o pleito de outubro ainda em aberto e regados a acenos do PT aos socialistas. Detalhe: o que pode resolver a vida de Paulo Câmara complica a de Márcio França.

Em outras palavras, embora pessoas próximas ao governador de São Paulo admitam que Fernando Haddad – coordenador do programa de governo da pré-campanha do ex-presidente Lula – fez sinal para composição, também ponderam que uma aliança do PSB com o PT, aos olhos do eleitorado paulista, soaria como um “desastre”. Essa aliança só seria viável, caso a eleição por lá assumisse um caráter plebiscitário. Ou seja, na hipótese de João Doria atrair o MDB e, consequentemente, França resolver ir para o “tudo ou nada”.

Em meio ao atual desenho, há quem não descarte uma alteração de planos do PSDB na corrida presidencial, o que poderia mudar a equação local. Na semana passada, quem foi à mesa com França, em São Paulo, foi o presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira. Márcio França tem diálogo aberto com o presidenciável Ciro Gomes, que também faz gesto ao socialista em São Paulo, mas mantém compromisso com Geraldo Alckmin.

As contrapartidas que o PDT, inclusive, têm oferecido, nos estados, ao PSB passaram a ser vistas como algo que torna a “oferta” do PT nada competitiva. O PSB contabiliza 10 pré-candidatos a governador e tinha como meta eleger o máximo possível e uma bancada de até 45 deputados. Mas a sigla não anota acenos do PT em outros estados, além de Pernambuco. As reuniões da executiva nacional e do diretório do PSB, que precedem o Congresso do próximo dia 5 de agosto, devem ser realizadas até o dia 20 deste mês.

Hoje, Paulo Câmara almoça com Carlos Siqueira em Brasília. Leia-se: não é sem alinhar os planos com o presidente nacional do PSB e com o governador de São Paulo que Paulo Câmara recebe Gleisi Hoffmann, amanhã, no Palácio das Princesas, em café da manhã.