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JC

Maior partido da base aliada do governador Paulo Câmara (PSB), o MDB pernambucano ainda não saiu do radar do grupo Pernambuco Vai Mudar, encabeçado pelo senador Armando Monteiro (PTB). Ontem, em Petrolina, o pré-candidato ao governo do Estado pela frente oposicionista disse confiar que a Justiça garantirá ao senador Fernando Bezerra Coelho (MDB), seu aliado, a presidência da sigla, atualmente sob o comando do vice-governador, Raul Henry.

“Quando uma decisão, nesse caso a que destituiu o diretório anterior, é tomada pelo órgão máximo do partido, a Executiva Nacional, essa deliberação foi feita pelo voto da maioria do Diretório. Eu só posso imaginar que essa decisão tem uma legitimidade inquestionável do ponto de vista jurídico, até porque há um preceito constitucional de que os partidos se autodeterminam. (…) Me parece que não há nenhuma dúvida de que, ao final, o comando passará a ser do grupo liderado pelo senador Fernando Bezerra”, declarou o petebista.

Em março deste ano, após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) derrubar uma liminar concedida pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) que impedia a dissolução do MDB-PE, a Executiva Nacional do partido depôs Raul Henry e deu a FBC a presidência da agremiação. Poucos dias depois, porém, a defesa de Raul recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF), instaurando um conflito de competência (CC) sob a alegação de que o TSE não teria jurisdição para derrubar uma liminar da Justiça Comum. Além de devolver a sigla a Raul, o ministro relator do CC, Ricardo Lewandowski, determinou que, até o julgamento do mérito do caso, a Nacional não poderia voltar a dissolver o diretório estadual.

Nessa batalha que aguarda posicionamento do STF, porém, está em jogo muito mais do que o poder de controlar o MDB pernambucano. Nas mãos de FBC, o partido migraria para a oposição, reduzindo significativamente o tempo de rádio e TV da Frente Popular, uma estratégia para tentar dificultar o projeto de reeleição do governador. 

Jarbas Vasconcelos, pré-candidato ao Senado, e Raul Henry, que pode manter-se como vice na chapa de Paulo ou concorrer a uma vaga de deputado federal – desafetos públicos de FBC e do presidente nacional do MDB, Romero Jucá –, também teriam dificuldades para viabilizar suas candidaturas.

Questionado se a dupla seria bem-vinda à oposição, Armando tergiversou. “Essa pergunta deve ser feita a Fernando Bezerra, mas ele sempre manifestou uma posição de muita abertura, no sentido de que não pudesse atuar de forma a discriminar ou excluir ninguém”, afirmou.

FBC e Raul foram procurados para comentar as declarações do petebista, mas não foram localizados pela reportagem.

AFAGO

Na mesma semana em que chamou para si, de maneira enfática, a responsabilidade por coordenar as movimentações acerca da composição da chapa oposicionista, Armando Monteiro tentou dirimir possíveis interpretações de que os membros do grupo estariam rachados. Em entrevista à Rádio Grande Rio AM, por exemplo, o parlamentar não poupou elogios ao PSDB, que constantemente tem afirmado possuir a preferência na indicação de um nome para a vaga disponível para o Senado na majoritária.

“O PSDB é um grande construtor, é um dos pilares dessa aliança. (…) É um partido que tem importância, que tem quadros, tem expressão, inclusive a do seu presidente, o deputado Bruno Araújo. Ele poderá ter qualquer posição na chapa”, disse o senador.

Ainda em Petrolina, Armando anunciou para o dia 4 de agosto, no Recife, a convenção que formalizará candidaturas e coligações na Frente das Oposições. 

As convocações para as convenções do MDB e PSB, que serão realizadas nos dias 3 e 5 de agosto, respectivamente, foram publicadas no Diário Oficial de ontem. Os socialistas definem os rumos da sigla no Clube Internacional do Recife, e os emedebistas se reunirão na sede da legenda, no Bairro do Recife.

 
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