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Por José Maria Nóbrega*

A violência em Pernambuco voltou a crescer. Além da região metropolitana, cidades do interior passaram a ser, também, palco da violência. Caruaru, como a cidade onde houve o maior número de assassinatos. Entre 2004 e 2016, foram 2.066 pessoas assassinadas com incremento percentual de 34% e taxa de homicídios de 64/100 mil.

No entanto, não só Caruaru apresentou destaque no crescimento da violência. Avaliando 17 cidades com os maiores números de homicídios do Estado – Caruaru, Escada, Garanhuns, Goiana, Gravatá, Limoeiro, Palmares, Paudalho, Petrolina, Santa Cruz do Capibaribe, São Bento do Una, São José da Coroa Grande, Serra Talhada, Toritama, Trindade, Vertentes e Vitória de Santo Antão –, entre 2004 e 2016 foram assassinadas mais de 9.200 pessoas. A taxa de homicídios dessas cidades em conjunto foi de 54,5/100 mil, em 2016.

O município com maior taxa em 2016 foi Toritama, com 19 assassinatos naquele ano, e uma população estimada em 20.222, menor entre os municípios selecionados, ficou com uma taxa de 106,5/100 mil. A sua variação percentual foi de 318% entre 2004, que teve 11 assassinatos, e 2016. O ano mais violento, no entanto, foi 2015, com 23 crimes.

A cidade menos violenta em taxas de homicídios foi Petrolina, com 36/100 mil. Apresentou variação percentual de 4% na série 04/16. No entanto, em termos de números absolutos, ficou atrás apenas de Caruaru, com 122 homicídios em 2016.

Apenas duas cidades apresentaram variação negativa: Goiana e Limoeiro. Goiana, com redução de 25,4%, foi a que apresentou o melhor resultado. No entanto, com uma população estimada em 78.940 (2016), teve 38 assassinatos, o que resultou numa taxa de 48/100 mil. Limoeiro. Com -4,4% na variação, e população estimada em 56.203, teve 22 assassinatos em 2016 e uma taxa de 39/100 mil. 

Vertentes apresentou a maior variação percentual do período, 533,3%, a qual saltou de três óbitos em 2004 para 19 em 2016, resultando numa taxa de 94/100 mil, uma das maiores.

O interior de Pernambuco é, também, muito violento. Impera a “lei do silêncio” nas pequenas e médias cidades. Os homicídios fazem parte do cotidiano de sua população e o poder público (estadual e municipal) são negligentes para conter o crime violento nessas cidades.

*José Maria Nóbrega é cientista político e professor de ciência política da UFCG