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A divulgação dos resultados do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2017 ontem pelo Ministério da Educação (MEC) mostra duas faces da educação em Pernambuco. Enquanto o ensino médio se destaca com notas acima da média nacional, o ensino fundamental míngua índices muito abaixo do esperado. Nesta segunda-feira, o MEC vai divulgar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), considerado o principal parâmetro da educação brasileira e calculado a partir dos dados sobre aprovação escolar e do Saeb.

Quando avaliadas as competências de língua portuguesa dos alunos do quinto ano do ensino fundamental, os estudantes pernambucanos atingiram a pontuação média 200. A proficiência média nacional nesse quesito foi 215, considerada nível 4, numa escala que vai de 0 a 9. Em matemática, foi registrada a proficiência 209, também inferior à nacional, que foi 224. 

No nono ano (última série do ensino fundamental), Pernambuco atingiu pontuação 250 em língua portuguesa (a média nacional foi 258) e 249 em matemática (258 no Brasil). Na avaliação do Ministério da Educação e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao MEC que realiza o Saeb, os resultados de aprendizagem dos estudantes brasileiros são “absolutamente preocupantes”. 

 Já no ensino médio, Pernambuco teve desempenho acima da média nacional. Em língua portuguesa, o estado teve taxa de proficiência 269 (pouco acima dos 268 pontos médios do país). Apesar disso, o estado aparece entre as 12 unidades da federação que apresentaram resultados inferiores a 2015, junto a Amazonas, Amapá, Bahia, Distrito Federal, Rio de Janeiro e outros. Em matemática, o estado teve 271 de proficiência média, enquanto o país ficou com 270. 

Do ponto de vista das diferenças de aprendizagem entre estudantes de nível socioeconômico mais baixo e mais alto, Pernambuco foi o estado brasileiro que apresenta a menor diferença, enquanto o Distrito Federal apresentou a maior diferença de aprendizagem. O dado é obtido cruzando os desempenhos dos alunos das escolas com índices mais altos no Indicador de Nível Socioeconômico das Escolas de Educação Básica (Inse) versus os mais baixos. Na prática, significa dizer que o estado é o que tem a menor desigualdade educacional.

Sobre os resultados, o secretário estadual de Educação, Frederico Amâncio, afirmou que é preciso considerar o contexto do estado ao comparar os resultados do ensino fundamental com os do ensino médio. Todos os anos iniciais (do segundo ao quinto ano) e 60% das matrículas dos anos finais (sexto ao nono ano) são de responsabilidade dos governos municipais. Os 40% restantes das matrículas dos anos finais e todo o ensino médio ficam a cargo do governo estadual. “O estado de Pernambuco deu um passo grande ao fazer grandes investimentos no ensino médio para que ele avançasse. Saímos da 21ª para a primeira posição no ranking nacional (do Ideb) em dez anos (entre 2007 e 2017). Hoje, o país inteiro reconhece o nosso trabalho”, afirmou. O secretário disse ainda que o governo estadual tem ajudado os municípios por meio do programa Educação Integrada, lançado no ano passado, com objetivo de contribuir para o combate ao analfabetismo e exclusão escolar de Pernambuco.

ENTENDA

O Sistema de Avaliação da Educação Básica é um processo de avaliação em larga escala realizado periodicamente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Ele oferece subsídios para a elaboração, o monitoramento e o aprimoramento de políticas com base em evidências, permitindo que os diversos níveis governamentais avaliem a qualidade da educação praticada no país. Por meio de testes e questionários, o sistema reflete os níveis de aprendizagem demonstrados pelo conjunto de estudantes avaliados.

Na edição de 2017, o Saeb avaliou com provas de língua portuguesa e matemática mais de 5,4 milhões de estudantes brasileiro do quinto e nono ano do ensino fundamental e da terceira série do ensino médio em mais de 70 mil escolas. Pela primeira vez, o sistema de avaliação testou os conhecimentos dos concluintes do ensino médio da rede pública de forma censitária. Isto é, a prova foi oferecida a todos os estudantes das escolas públicas e não apenas a um grupo de escolas, como era feito até então.

Também foi inédita a participação voluntária das escolas privadas com oferta da terceira série do médio por meio de adesão. Foram aplicados questionários direcionados a diretores, professores e estudantes. Nas escolas particulares, os resultados não foram divulgados.