Monthly Archives: agosto 2018

Nelson Almeida

No mesmo dia em que fez Jair Bolsonaro chorar, Roberto Medina também gravou um vídeo em que o capitão da reserva interage com seus principais assessores e conselheiros: os filhos Flávio e Eduardo Bolsonaro, o economista Paulo Guedes, o advogado e presidente provisório do PSL Gustavo Bebiano, e o general da reserva Augusto Heleno, entre outros.

O material, que será usado na internet e na TV, mostra uma conversa sobre os problemas do Brasil e as ideias de Bolsonaro para resolvê-los.

A propósito, o martelo sobre o vice de Bolsonaro será batido no sábado, mas o anúncio só deve acontecer no domingo, na convenção paulista do PSL.

Ailton de Freitas

Como no PT é difícil entender o que pensa todas as tendências do partido, que são inúmeras, o ex-presidente Lula diz que apoia Eunício, ao contrário do PT cearense que deu uma rasteira no senador José Pimentel, do PT, negando ao senador legenda para disputar a reeleição.

O PT, com o o.k. de Lula, vai facilitar a vida de Eunício Oliveira, emedebista até a medula. Mais do que isso, Eunício poderá exibir uma mensagem de apoio de Lula que vale um pote até aqui de votos no Ceará.

Gleisi Hoffmann tweetou no domingo um post tentando desmentir que Lula vá apoiar Eunício. Disse Gleisi:

— Lula não enviou nenhuma carta de apoio à candidatura de Eunício de Oliveira ao Senado da República pelo Ceará. 

Por meio de um ex-ministro de seu governo, Lula enviou uma mensagem em resposta a uma carta enviada pelo emedebista. Mais explícito, impossível:

— Meu candidato prioritário no Ceará é você. Jamais deixaria que uma ação com Dilma atrapalhasse essa reeleição.

E que ação é essa a que se refere Lula? O ex-presidente explicou que pouco antes de ir para Curitiba havia desautorizado uma operação em curso destinada a convencer Dilma Rousseff a transferir o domicílio eleitoral para o Ceará, onde seria candidata ao Senado. 

A mensagem de Lula foi uma resposta à carta de Eunício, que começava assim:

— Caro presidente Lula, querido amigo, foi ouvindo meu coração nordestino e sertanejo que tomei a liberdade de escrever esta mensagem. Com ela, quero reiterar a admiração e o respeito que lhe devoto desde muito antes de ter a honra de servir ao seu governo como ministro e, depois, como líder do PMDB, ao lado de outros valorosos companheiros.

GLEISI

A senadora e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse nesta terça-feira (31) que tentará derrubar a decisão do diretório estadual do PT cearense benéfica ao presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE).

“Vamos ter um recurso no diretório nacional. Não apoiamos Eunício. Essa decisão de ter candidatura ao Senado será feita no diretório nacional”, disse Gleisi, após reunião com presidentes de PSB, PC do B e PDT.

Valdemar (ao fundo, de perfil) numa reunião do centrão na casa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. O chefão do PR não gosta de holofotes Foto: Ailton de Freitas / Agência O Globo

ÉPOCA

Dono de um pragmatismo que impressiona mesmo velhas figuras de Brasília, o dono do Partido da República (PR), Valdemar Costa Neto, achou prudente, há cerca de um mês, deixar um pé fincado na canoa do centrão, enquanto flertava com o PSL do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (RJ). Naquele momento, o centrão era formado pelo Democratas do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), e por PP, PRB e Solidariedade. Havia uma divisão no grupo entre o apoio a Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT), e as legendas estavam empacadas, sem saber para que lado ir.

Valdemar negociava com o clã Bolsonaro a vaga de vice na chapa do PSL, a ser ocupada pelo senador Magno Malta (ES), mas decidiu aparecer em uma das reuniões do centrão para deixar vivas as conversas com o grupo e para avisar que apoiaria Bolsonaro. Ouviu dos dirigentes uma ameaça que lhe causou horror, apesar de não ter deixado transparecer seu sentimento naquele momento: ser deixado na oposição em um próximo governo caso o candidato apoiado pelo centrão fosse eleito.

“Vou falar por mim”, disse o deputado Paulo Pereira da Silva (SD-SP), presidente do Solidariedade, ao quebrar o silêncio em uma reunião na casa de Rodrigo Maia na Península dos Ministros, região povoada por mansões de políticos na capital federal: “Se você for com Bolsonaro, eu não te aceito de volta. Você vai ter de ser oposição”. O presidente do Democratas e prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, e o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), fizeram coro à fala de Paulinho da Força, como é conhecido o comandante do Solidariedade.

Valdemar justificou aos presentes que a aliança com Bolsonaro lhe interessava, não tanto pela indicação do candidato a vice, mas principalmente porque a coligação com o PSL poderia dar até 15 novos deputados federais para a bancada do PR. O maior objetivo político de Valdemar é aumentar a bancada do partido na Câmara dos Deputados, estratégia que pode garantir à legenda maior tempo de televisão e mais dinheiro do Fundo Eleitoral para as próximas eleições.

Rodrigo Maia, o anfitrião, quis saber em quais estados a aliança com Bolsonaro daria ao PR tamanho crescimento da bancada, hoje com 40 deputados, a sexta maior do Parlamento. Valdemar disse que seu foco era ganhar quadros no Rio do Janeiro, berço político do candidato do PSL, para compensar as perdas que calculava que teria no pleito de outubro. “Na primeira janela partidária, a gente toma seus deputados de volta”, disse Paulinho da Força em tom de brincadeira, arrancando risos dos presentes. O dono do PR disse que faria novas consultas ao partido e que voltaria a conversar com o grupo.

Apesar do clima de tranquilidade, Valdemar confessou ao senador piauiense Ciro Nogueira, depois da reunião, que “não tinha mais condições de ser oposição”, papel que desempenhou pela última vez nos governos do tucano Fernando Henrique Cardoso. “Oposição eu não quero mais ser”, disse o ex-deputado a Ciro Nogueira. Valdemar domina os cargos e o orçamento bilionário do Ministério dos Transportes desde a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e não pretende perder o controle do setor.

Depois que o PSL se recusou a dividir uma coligação com o PR nas eleições para a Câmara dos Deputados, Valdemar voltou a se reunir com o centrão e comunicou aos líderes do bloco que andaria junto com o grupo e que preferia apoiar o nome de Geraldo Alckmin. Valdemar desempatou o jogo interno no centrão e levou o bloco para o colo dos tucanos, não sem antes garantir apoio do PSDB a seu plano de inflar a bancada federal.

Questionados, os presidentes dos partidos do centrão e aliados de longa data descreveram o chefe do Partido da República como uma figura “das mais encantadoras”, bem-humorado e bom de papo, político leal aos seus e cumpridor dos acordos firmados com aliados. Sobre a atuação dele para levar o grupo para o lado de Alckmin, um dos dirigentes o descreveu como “um jogador habilidoso de pôquer”.

Valdemar foi capaz de receber elogios como esses mesmo depois de ter negociado, antes de resolver apoiar Alckmin, com o PT de Lula (com quem “morreria abraçado”, nas palavras de um cacique do PR, se o petista pudesse ser candidato à Presidência), com Bolsonaro e com Ciro Gomes. Ou seja, com praticamente todas as peças competitivas do tabuleiro político-eleitoral. À exceção de Marina Silva, da Rede, todas manifestaram interesse em selar um acordo com Boy, como Valdemar é conhecido em Mogi das Cruzes, São Paulo, seu berço político. O apelido vem de playboy, por causa de sua gorda conta bancária ainda na juventude.

Há anos sem nenhuma filiação partidária, Valdemar Costa Neto, paulista de 68 anos, é a única figura que manda no PR, legenda nascida em 2006 de uma fusão do antigo Partido Liberal (PL) com o Prona. O ex-deputado renunciou ao mandato por duas vezes. A primeira delas foi em 1° de agosto de 2005, no meio do escândalo do mensalão. Valdemar havia sido acusado por Roberto Jefferson, presidente do PTB e delator do esquema, de receber mesada do PT para votar de acordo com os interesses do governo. A segunda vez, em 2013, foi depois da condenação pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Ação Penal 470, o processo do mensalão.

Acusado por Jefferson, Valdemar chegou a dizer que a denúncia de Jefferson era uma “fantasia” do petebista. Acabou admitindo ter recebido dinheiro não declarado para bancar as eleições de 2002 e renunciou ao mandato de deputado na tarde de uma segunda-feira, dia de plenário vazio na Câmara. Depois de subir à tribuna com cabelos bem penteados, um terno preto de corte impecável, blusa social branca e gravata listrada em cores escuras, Valdemar chamou para si toda a responsabilidade pelo dinheiro ilícito. “Assumo a única e absoluta responsabilidade por esse ato. Isso quer dizer que nenhum membro do Partido Liberal pode ser responsabilizado pelo que foi decidido ou praticado por mim”, discursou. O gesto é sempre lembrado pelos correligionários de Valdemar ao elogiarem sua lealdade, o que lhe deu ainda mais cacife para dominar o PR.

Valdemar foi condenado a sete anos e dez meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro e levado para o presídio da Papuda, em Brasília, em dezembro de 2013. O ex-deputado ficou pouco tempo na penitenciária. Passou ao regime domiciliar em novembro de 2014. Em maio de 2016, ele foi beneficiado pelo indulto de Natal, e sua pena foi perdoada pelo ministro Luís Roberto Barroso. Além da condenação no mensalão, o dono do PR também foi citado na Operação Lava Jato por delatores do grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. O executivo do grupo e delator Ricardo Saud o acusou de receber dinheiro de propina da Odebrecht no exterior.

Do cárcere, Valdemar continuou a dar as cartas no PR, mesmo não tendo nenhum cargo formal no partido — oficialmente, ele é apenas um funcionário administrativo da legenda. Nenhuma decisão era tomada sem seu consentimento, nenhuma votação seguia por um rumo que ele não houvesse planejado milimetricamente. Com a prisão, no entanto, resolveu submergir. Pediu a amigos e aliados que não fossem visitá-lo na cadeia para “evitar constrangimentos”, com exceção do então presidente do partido, o ex-ministro Antonio Carlos Rodrigues, que o encontrava frequentemente para despachar sobre assuntos partidários. Quando passou para a prisão domiciliar, Valdemar começou a participar mais ativamente das articulações políticas e negociou os cargos do PR no governo do presidente Michel Temer.

As semelhanças entre Valdemar Costa Neto e Roberto Jefferson não aparecem apenas na ficha criminal. Ambos foram condenados pelos mesmos crimes, cumpriram pena pela participação no esquema do mensalão e, durante e depois da cadeia, continuaram comandando com mão forte seus partidos. Enquanto Valdemar domina os cargos do Ministério dos Transportes, Jefferson estendeu os tentáculos sobre o Ministério do Trabalho, palco de escândalos recentes que voltaram a atingir o delator do mensalão. Jefferson levou também seu PTB a se aliar à candidatura de Geraldo Alckmin.

Os dois têm, porém, estilos bem diferentes. Valdemar não delatou seus pares, apressou-se em sair dos holofotes, planejou os passos de sua prisão — mudou o domicílio eleitoral de São Paulo para Brasília pouco antes de ser preso — e ficou longe de jornalistas, sem nenhum plano de voltar a ter um mandato ou cargo público. Roberto Jefferson, quando seu mandato foi cassado, em 14 de setembro de 2005, “caiu atirando”. Ao contrário do comandante do PR, o petebista nunca desistiu de voltar à cena política e ainda sonha em ter mandato. Os dois não se bicam, e Valdemar, que não tem inimigos na política e negocia com quem for necessário, frequentemente se refere ao mensaleiro que o delatou como “canalha”.

De temperamento explosivo e espetaculoso, Jefferson adora frases de efeito e protagonizou nos dias que antecederam sua prisão no mensalão um verdadeiro reality show. No dia 23 de fevereiro de 2014, com policiais de plantão na porta de sua casa, pegou uma Harley-Davidson e, vestido com uma jaqueta de couro e uma calça da marca de motos, viajou por mais de três horas. Questionado por jornalistas ao voltar para sua casa na cidade de Levy Gasparian, interior do Rio de Janeiro, disse que estava aproveitando os últimos momentos em liberdade.

No dia seguinte, foi preso e levado ao Rio em um carro da Polícia Federal. Antes, foi até a porta de sua ampla casa para mostrar aos jornalistas o mandado de prisão expedido pelo STF. Ele foi condenado a sete anos e 14 dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, os mesmos crimes atribuídos a Valdemar. Cumpriu pena no regime semiaberto e, por causa de problemas de saúde, logo passou à prisão domiciliar.

Emotivo, o presidente do PTB, hoje com 65 anos, já cantou e chorou na frente das câmeras. A última delas foi em janeiro deste ano na porta do Palácio do Jaburu, onde mora o presidente Michel Temer. Na ocasião, sua filha, a deputada Cristiane Brasil (RJ), havia sido escolhida para ser ministra do Trabalho, em um acerto de Temer com o PTB, que, assim como o PR, integra a base aliada do presidente. Jefferson se emocionou ao dizer que a ascensão da filha ao cargo seria um “resgate do nome da família”, 13 anos após o mensalão. Não durou muito: Cristiane Brasil, condenada em ações trabalhistas, foi impedida pela Justiça de assumir a pasta, em um caso que se desenrolou por quase dois meses.

Meses depois, a PF deflagrou a Operação Registro Espúrio, que investiga fraudes na concessão de registros sindicais pela pasta. A operação mirou, entre outros nomes do PTB, o então ministro Helton Yomura, ligado a Cristiane Brasil, que foi afastado do cargo pelo Supremo. Ele renunciou em seguida, e a legenda perdeu o comando do titular da pasta, que passou às mãos de Caio Vieira de Mello, indicação dita de cunho técnico pelo Planalto. A PF também passou a investigar Cristiane Brasil e Roberto Jefferson por pagamento de propina na concessão de registros sindicais. De acordo com a PF, Yomura é suspeito de agir como testa de ferro dos interesses de pai e filha e de ter atuado ativamente para realizar e coordenar desvios na pasta.

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Uma programação especial foi montada pelo projeto Cine Sesc para o mês de agosto. Dois filmes de diretores japoneses ganham a telinha do Theatro Cinema Guarany, em Triunfo, no Sertão pernambucano. A primeira apresentação acontece nesta quinta-feira (02) e as seguintes nos dias 16, 23 e 30 deste mês. O público poderá se divertir gratuitamente com “O Castelo no Céu”, sempre às 15h, e “Nossa Irmã mais nova”, às 19h30. 

A animação japonesa “O Castelo no Céu”, dirigida por Hayao Miyazaki, traz a história de Pazu, um aprendiz de engenheiro, que conhece Sheeta, uma jovem garota dona de um colar de brilhante. Ambos estão à procura do legendário castelo flutuante.  E é assim que começa a aventura com piratas, agentes secretos e obstáculos que tentem a esconder o resgate desse colar. A classificação indicativa é 12 anos.  

Já o drama “Nossa Irmã mais nova” é do diretor Hirokazu Kore-eda, que tem predileção especial por questões familiares. O enredo apresenta as irmãs Sachi Yoshino e Chika. Elas vivem juntas em uma casa que pertence à família há tempos. Apesar de não verem o pai há 15 anos, resolvem ir ao enterro dele.  Lá conhecem a meia-irmã Suzu Asano. A classificação indicativa é para maiores de 10 anos.