Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) disputam segundo turno para Presidência Foto: Miguel SCHINCARIOL e Daniel Ramalho / AFP

Dirigentes do partido se trancaram em seguidas reuniões para tentar decifrar o fenômeno e, mais do que isso, garimpar um flanco na campanha do rival que possa levar a uma reversão do quadro na etapa final da disputa.

Por enquanto, a conclusão é que o partido precisa mudar a pauta da eleição. Como? Ainda não está claro. Segundo os petistas, Lula dominou as discussões eleitorais até o dia 6 de setembro, quando Bolsonaro foi esfaqueado em Juiz de Fora (MG). Desde então, só houve espaço para o capitão reformado. Seja para o seu drama enquanto esteve no hospital, como para suas declarações polêmicas em entrevistas.

A tropa de Bolsonaro nas redes sociais, principalmente no WhatsApp, deixou os petistas perplexos. “Nós fizemos uma campanha analógica, enquanto eles entraram totalmente na era digital. Eles têm uma tecnologia que a gente não domina”, admite uma liderança da legenda.

Dirigentes do partido, que até dez dias da eleição afirmavam não ter nenhuma preocupação com as fake news, passaram a acusar Bolsonaro de agir deliberadamente para propagar as notícias falsas. Esse mecanismo teria sido fundamental para o candidato do PSL avançar nos votos lulistas das classes mais pobres. Nos corredores dos hotéis onde o PT tem realizado as suas reuniões, são as inúmeras as teorias de dirigentes sobre como o candidato do PSL tem financiado essa ofensiva digital.

É ponto pacífico entre os petistas que a campanha falhou nas redes sociais no primeiro turno. Por enquanto, o que o partido definiu é que o Psol, de Guilherme Boulos, uma das legendas que aderiu à campanha de Haddad no segundo turno, vai ajudar os petistas a se mobilizarem nas redes. A campanha quer tentar engajar os seus simpatizantes para desconstruir Bolsonaro, pregando a pecha de que o rival é um político tradicional por estar na Câmara há 27 anos e seguidor da velha prática como a de tentar eleger parentes.