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A importância do Nordeste para o Brasil tem sido destacada na contagem dos votos, nas últimas eleições presidenciais. O peso eleitoral da região, contudo, não é a tradução do valor político, e muito menos, da representatividade econômica, que exibe 14% do PIB nacional, apesar de somar 28% da população brasileira. Com sérias deficiências em infraestrutura, e contingentes populacionais abaixo da linha da pobreza, além da grande quantidade de pessoas vivendo com baixa renda, o Nordeste ainda carece de investimentos e de políticas públicas de estímulo ao desenvolvimento. Embora haja setores em franco crescimento, como o de energia renovável, e novos polos produtivos, como o automotor em Goiana, os nordestinos ainda esperam a visão integrada e as ações efetivas de um plano consistente para a economia regional.

O desafio é notório ao se examinar a miséria e as dificuldades de geração de emprego em todos os estados. Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad, eleito presidente da República no próximo dia 28, precisará voltar os olhos para cá. Como o JC mostrou na edição da ultima quinta, todos os estados nordestinos estão acima da média brasileira em relação à fatia da população em extrema pobreza. Ao se deparar com a legião de pobres, de um lado, e as restrições orçamentárias advindas de uma dívida pública estratosférica, acumulada pelos antecessores do próximo ocupante do Planalto, o futuro governo terá que fazer escolhas. Governar o Brasil a partir de 2019, mais que nunca, será exercer a arte de escolher, equilibrando a saúde fiscal com o angustiante déficit social.

Esse exercício de bom senso passa pelo aproveitamento do potencial do Nordeste. Algo que não foi pensado, ao menos não na dimensão que deveria ter sido, pelos dois finalistas do pleito presidencial. No programa de governo do PT, o termo que designa a região aparece apenas na referência à violência que grassa na região. No do candidato do PSL, há menção a uma nova matriz de energia limpa utilizando a força do vento e da luz solar, e só. É preciso retomar a estratégia regional para o desenvolvimento, através de políticas específicas que minimizem os desequilíbrios regionais. Sem que isso ocorra, a renda per capita média do cidadão nordestino continuará sendo até um terço menor do que em São Paulo, por exemplo. As chamadas redes de proteção social devem seguir a função de amparo temporário, mas sem políticas eficientes de redução estrutural da pobreza, o problema não se resolve.

A diminuição da pobreza no Nordeste e a ampliação das oportunidades de trabalho e negócios na região, significam um salto qualitativo para a economia brasileira. Neste aspecto, a abordagem regional é imprescindível para tirar o País da crise, e ao mesmo tempo, levar a condições de crescimento econômico sustentável com benefícios compartilhados por todos os brasileiros. Os primeiros esboços de planejamento do presidente a ser eleito não devem esquecer o Nordeste, nem os nordestinos. Do JC.