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Um mês após ser reeleito, o governador Paulo Câmara (PSB) enfrenta sua primeira crise política com a extinção da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (Decasp) – uma unidade especializada no combate à corrupção de agentes públicos – e da Delegacia de Crimes Contra a Propriedade e Material (Deprim). A justificativa foi a de cumprir a promessa de campanha de criar um Departamento de Repressão ao Crime Organizado (Draco). O desgaste, porém, tornou-se nacional após a mudança ser criticada pelo procurador federal responsável pela Lava Jato, Deltan Dallagnol, e pelo procurador de contas Júlio Marcelo, que denunciou as “pedaladas fiscais” da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

“Esse é um projeto que não nasceu agora, ele foi construído lá atrás, replica aqui (em Pernambuco) o departamento que já existe na Polícia Federal, que existe em outros Estados. A gente debateu isso na campanha, ele fez parte do meu programa de governo e eu tenho certeza que a gente vai avançar no combate à corrupção”, declarou Paulo Câmara na última terça-feira (06), após missa de Ação de Graças pela sua reeleição realizada em Santo Amaro, na área central do Recife.

A sanção da lei que cria o Draco e extingue a Decasp foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (07). Desde outubro, contudo, o tema gera controvérsia, sobretudo no Legislativo estadual, onde foram registrados embates entre parlamentares governistas e opositores, além de protestos de entidades policiais e da sociedade civil. 

Ontem, em entrevista à Rádio Jornal Caruaru, o senador e candidato ao governo derrotado Armando Monteiro (PTB) defendeu que a Polícia Federal possa assumir parte das investigações se houver dúvida sobre a decisão do governo de acabar com a delegacia. “Passa a eleição, e imediatamente se apresenta uma proposta de reestruturação, sem discussão, atropelada, que até hoje não foi bem explicada à população. Ninguém consegue entender o porquê da pressa.”

De posse de um parecer jurídico elaborado pelo movimento Livres, o PPS-PE promete entrar com uma ação judicial contra a legislação. Segundo Karla Falcão, representante do Livres, o interstício de quatro sessões entre os dois turnos de discussão da matéria foi descumprido. Em regime de urgência, o texto foi votado duas vezes em 24 horas. “Faremos todo o possível para anular a medida. Mas não temos ainda uma estratégia jurídica pronta”, explica o deputado federal Daniel Coelho, presidente do PPS.

Eleitores têm pressionado os deputados estaduais que votaram a favor da extinção da Decasp. Embora a orientação da ala ligada ao Palácio seja evitar o assunto para que cair no esquecimento, o deputado Odacy Amorim (PT) se queixou publicamente de estar sendo criticado por adversários em função do seu voto. “Existiu uma exposição da Casa. Isso é público e notório. Nas redes sociais, nos últimos dias, só se fala nesse assunto. Tecnicamente o projeto é muito bom. Acho que se apegaram à questão do regime de urgência. O contingente de policiais vai ser dobrado, e a atuação será ampliada para todo o Estado”, afirmou o Eriberto Medeiros (PP), presidente da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).