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Em seu projeto de reeleição à Presidência da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM) desembarca nesta quinta-feira (17), no Recife, para tentar conseguir o apoio do PSB. E tem como fiador o governador Paulo Câmara, vice nacional do partido. Ele se reunirá com o demista e os deputados João Campos (PSB), Danilo Cabral (PSB) e Tadeu Alencar (PSB), líder da bancada socialista e que ainda não bateu o martelo sobre qual candidato irá apoiar. À tarde, Maia tem almoço marcado com a bancada pernambucana para também angariar votos. A expectativa é que compareçam entre 12 e 15 parlamentares.

Nos bastidores, comenta-se que, com o indicativo de apoio por parte do PCdoB e do PDT a Maia, ele identificou a possibilidade de o PSB voltar atrás e seguir o entendimento desses dois partidos. As três legendas formam um novo bloco de oposição ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). E foi justamente o apoio do PSL a Maia que gerou a primeira divergência no bloquinho, com os socialistas abrindo possibilidade de apoiar outro candidato. A negociação de apoios para a eleição passa pela ocupação de cargos na Mesa Diretora e pelo comando de comissões estratégicas, como a de Constituição e Justiça (CCJ), que faz parte do acordo com o PSL.

A bancada socialista de Pernambuco é a maior do País, com cinco deputados. O partido possui um peso histórico no Estado. Foram presidentes da legenda os ex-governadores Eduardo Campos e Miguel Arraes. A expectativa é de que, com o apoio dos pernambucanos, as bancadas de outros Estados poderão segui-los.

O PSB tem 32 deputados na Câmara. “O partido deu o indicativo de apoio e está dependendo do bloco. Até agora, o PCdoB também deu, falta o PSB. Se o PSB confirmar (apoio a Maia), tudo indica que o PDT deve apoiar a candidatura dele. Mas, atualmente, somos dissidentes dentro do PDT do apoio à candidatura de Rodrigo Maia”, afirmou o deputado federal eleito Túlio Gadêlha. 

Segundo Tadeu Alencar, haverá uma nova reunião na próxima semana para a sigla fechar questão. “O que está posto é um indicativo nosso de não fechar acordo, mas a tentativa de manter a intenção de constituir o bloco”, considera Tadeu. 

A maioria dos deputados pernambucanos é dos 12 partidos que já declararam apoio a Maia, como PSD, PPS, PRB e PROS. Essas siglas somam 283 cadeiras na Casa. Augusto Coutinho (SD), um dos articuladores da reunião de hoje, garante que todos os deputados foram convidados, independentemente da posição dos partidos. Mas nomes como Marília Arraes (PT), Carlos Veras (PT) e Eduardo da Fonte (PP) não comparecerão.

Partidos de um segundo bloco lançaram outras candidaturas na tentativa de neutralizar Maia e arrastar a disputa para um segundo turno. O PP lançou a candidatura do alagoano Arthur Lira. O próprio PSB tem o candidato alagoano João Henrique Caldas na agulha. Um parlamentar em reserva afirmou que a candidatura de Maia não é bem vista dentro da sigla progressista porque os deputados avaliam que “Maia já está há três anos e meio. Isso faz com o que os parlamentares possam conhecer os posicionamentos dele. Mas outras candidaturas também estão ganhando corpo e têm espaço de diálogo com outros parlamentares também”, afirmou.

Logo após o encontro com os pernambucanos, Maia segue para o Rio Grande do Norte. Ele já se encontrou com a bancada do Piauí, fruto de uma articulação do governador Wellington Dias (PT). 

SENADORES

Ainda nesta quarta-feira (16), no Palácio do Campo das Princesas, ocorreu o primeiro encontro oficial de Paulo Câmara (PSB) com os três senadores do Estado na próxima legislatura: Fernando Bezerra Coelho (MDB), Jarbas Vasconcelos (MDB) e Humberto Costa (PT).

Na pauta, as demandas de Pernambuco no Congresso Nacional e o quanto o trabalho em conjunto pode beneficiar a todos os envolvidos. “A nossa ideia é contar com o apoio dos senadores, do Poder Legislativo, seja aqui ou em Brasília, para destravar obras importantes para o desenvolvimento do Estado e, ao mesmo tempo, acompanhar mais de perto essas ações tão importantes”, frisou o governador, após o encontro.

Com a derrota de diversos quadros nas urnas, a bancada de oposição ao governador Paulo Câmara (PSB) está passando por uma reformulação.

Bezerra Coelho – que desde o início do ano passado enfrenta um imbróglio judicial com o deputado federal eleito Raul Henry e o próprio Jarbas pelo comando do MDB em Pernambuco – acabou sendo um dos poucos a conseguir sair vitorioso das eleições.

Mesmo sem ser candidato – tem mais quatro anos a cumprir no Senado –, emplacou em postos legislativos seus filhos, reelegendo Fernando Filho (DEM) para federal e elegendo Antônio Coelho (DEM) para estadual. Miguel Coelho (PSB) é prefeito de Petrolina.

“O que está posto hoje é um indicativo nosso de não fechar acordo”, afirma Tadeu Alencar (PSB) sobre apoio a Maia.

“O partido (PDT) deu o indicativo de apoio e está dependendo do bloco (formado por PDT, PCdoB e PSB)”, diz Túlio Gadêlha.

“Maia é um franco favorito para ganhar a eleição, inclusive aqui em Pernambuco”, considera o deputado federal Raul Henry (MDB).