Nunca é tempo de baixar a guarda contra os problemas carregados pelo Aedes (Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem)

Não são só os municípios com maior concentração de pessoas com dengue, chikungunya e zika que preocupam as autoridades de saúde e pesquisadores. Em Pernambuco, as cidades que registraram um menor volume de casos também estão no radar da Secretaria Estadual de Saúde (SES), que deve lançar (já com atraso) o Plano de Enfrentamento das Arboviroses 2019 ainda este mês. O documento apresentará estratégias que serão desencadeadas e intensificadas para o controle das doenças, com um olhar especial para o Sertão, onde se percebeu uma incidência mais baixa de arboviroses nos últimos anos epidêmicos, em comparação a outras regiões de Pernambuco.

“Esse panorama nos faz deduzir que são municípios onde há um maior risco de adoecimento, pois teria uma maior parcela da população susceptível (à infecção pelo Aedes aegypti) por não estar imune aos vírus”, explica o diretor-geral de Controle de Doenças Transmissíveis da SES, George Dimech. Ele acrescenta que a intenção do plano de enfrentamento deste ano é fortalecer a capacidade técnica dos municípios para que gestores se sintam preparados para atuar na prevenção dos casos e lidar com possíveis novas ondas epidêmicas. “Enquanto houver pessoas a adoecer (aquelas que nunca se infectaram e, por isso, não estão imune ao vírus) e mosquito circulando, sempre haverá riscos. Portanto, não devemos esmorecer as ações de prevenção e de vigilância, mesmo diante das reduções de casos, em comparações com os anos epidêmicos de 2015 e 2016.”

A SES ainda chama a atenção para o atual cenário de circulação do zika na população. Após o ano de 2017 sem confirmação de casos, 2018 chegou ao fim com 56 registros confirmados de adoecimento pelo vírus. Todas as regiões do Estado registraram notificação de casos – e houve registro da suspeita da doença em 117 municípios. Desses, 23 tiveram confirmações de adoecimento pelo vírus. Dessa maneira, o cenário passa longe do fim do risco de ocorrência de casos de zika e consequentemente de síndrome congênita do vírus, que tem a microcefalia como o sinal mais conhecido.

Professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o clínico-geral Carlos Brito alerta para a possibilidade de um novo ataque em massa do Aedes este ano. “Com base na experiência com dengue, as epidemias geralmente ocorrer a cada três ou quatro anos. Então, agora vivemos um risco real do reaparecimento de zika e chikungunya, cujas explosões de casos aconteceram, respectivamente, em 2015 e 2016”, frisa.

Para o médico, a percepção é de que o Estado não teria condições para enfrentar um novo surto de arboviroses. “Se pensarmos em chikungunya, ainda há muita gente em acompanhamento por causa de dores após dois ou três anos da fase aguda da doença”, acrescenta Brito, sem deixar dúvidas de que nunca é tempo de baixar a guarda contra os problemas carregados pelo mosquito.