Renan deixa a presidência do senado, muda o quê?

Por Danizete Siqueira de Lima

Eleito com votos de opositores ao governo Jair Bolsonaro em um pleito apertado que deixou fissuras na maior bancada do Senado, o MDB, o senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) terá a complicada missão de pacificar a Casa em meio às importantes votações que se avizinham. Boa parte dos senadores aposta que o alto custo dos 42 votos para o novo presidente do senado que teve o apoio ostensivo do ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, pode ser muito alto, numa típica “Vitória de Pirro”, já que emendas constitucionais só são aprovadas na Casa com 49 votos.

Entre os eleitores de Alcolumbre, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), colega de bancada amapaense em um partido que tende a ser oposição a Bolsonaro, aponta momento de tensão para o futuro do Senado. “O governo vai ter dificuldades a partir de agora. O MDB está fraturado e a maioria deve ser contra o governo”, avalia. A rachadura entre os emedebistas veio do desgaste nos últimos dias na medida em que o senador Renan Calheiros (MDB-AL) perdia a força política que manteve por mais de uma década na Casa, sendo derrotado na queda de braço com Alcolumbre e seus apoiadores.

Duas gotas d’água fizeram Renan desistir da candidatura à Presidência. A decisão da bancada do PSDB de abrir o voto – mostrando a cédula – foi o primeiro. O senador alagoano contava com os votos dos tucanos para vencer a eleição que estava apertada. O segundo foi o voto “aberto” do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em Alcolumbre, avaliam apoiadores. Mesmo após todo o desgaste com a eleição que durou dois dias, o senador Major Olímpio (PSL-SP), um dos líderes mais importantes do Bolsonarismo eleito com uma votação expressiva no estado de SP, discorda e acredita na pacificação.

“É um resultado positivo para o país. O próprio senador Renan, nas suas manifestações anteriores, deixou claro que ia impulsionar as medidas que são necessárias, como as reformas da agenda econômica”. Major Olímpio acredita, por exemplo, que todos os votos dados ao senador Esperidião Amim – PP-SC (13 votos), ficando em segundo lugar na eleição do Senado – serão do governo Bolsonaro. Uma conta que ajuda a fechar a aprovação de uma reforma da Previdência, questão chave de 2019.

O otimismo diverge do sentimento por outros parlamentares. Segundo o próprio Onyx, que sai vitorioso ao menos da disputa no Senado, terá retaliação organizada e firme quando a agenda de votações de interesse do governo começar a ganhar corpo nas casas legislativas.

De todo modo, vamos aguardar o desenrolar das aprovações e torcer para que o Legislativo faça a sua parte, votando a favor das reformas necessárias para se colocar o país nos trilhos. Afinal de contas à máquina está emperrada e as mudanças para destravá-la carecem de urgência. Todos sabemos disso; os congressistas, também.