Fuzis foram apreendidos na casa de Alexandre Motta, amigo de Ronnie Lessa. Foto Alexandre Cassiano / Agência O Globo. Foto: Alexandre Cassiano / Agência O Globo

O Globo

A Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desame) investiga se  partes dos 117 fuzis  encontrados incompletos, na última terça- feira, no Méier, na Zona Norte da cidade , e que pertenceriam ao sargento reformado da PM Ronnie Lessa, suspeito de matar a vereadora Marielle Franco,  estejam ainda escondidos em algum ponto.

Na foto, Ronnie Lessa é levado da DH para uma audiencia de Custódia. Foto Pablo Jacob / Agencia O Globo Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

As armas estavam guardadas em caixas e foram apreendidas  na casa de Alexandre Motta da Silva, amigo de Lessa há mais de 20 anos. Os dois foram presos na terça-feira , a exemplo de Élcio Queiroz, suspeito de ter dirigido o carro usado na execução de Marielle.

O armamento incompleto (os fuzis estão sem  cano de direcionamento de tiro, parte do carregador e  o mecanismo de disparo) tem valor estimado pela polícia em R$ 3,5 milhões. Se estivessem completos, o valor chegaria até R$ 4 milhões.

O delegado Marcus Amim, da Desarme, disse que as equipes da especializada já estão investigando o que pode ter acontecido com as partes do fuzis que não foram encontradas.

—Estamos realizando diligências neste sentido. Pode ser o material que falta esteja escondido em algum lugar ou que ainda não estivesse chegado para o Ronnie. O cano que direciona o disparo, por exemplo, não existe em qualquer lugar, disse o delegado.

A apreensão dos 117 fuzis, modelo M-16, foi a maior já registrada pela Polícia Civil no Rio de Janeiro. Por conta do encontro do armamento, Ronnie Lessa e Alexandre passaram a ser investigados pela Desarme por crimes de tráfico de armas e lavagem de dinheiro.

Nesta quinta-feira, Marcus Amim adiantou que a polícia trabalha com a hipótese de que Lessa venderia os fuzis para mais de um comprador.

— Pela quantidade do material apreendido, por se tratar de um mesmo modelo de fuzil ( M-16), não teria como ser vendido apenas  para uma única  organização criminosa. Trabalhamos com a hipótese de que haveria mais de um comprador. Os fuzis apreendidos, que estão sem o cano , tem valor estimado em torno de R$ 3,5 milhões. Se estivessem completos  valeriam algo em torno de R$ 4 milhões. Isso tudo é muito dinheiro para um só comprador, disse Amim.

Ouvido na DH, Lessa admitiu, nesta quarta-feira ao prestar depoimento,  que era o dono dos fuzis e inocentou o amigo.  Ao ser preso, Alexandre havia alegado que apenas guardou caixas em sua casa, trazidas por Lessa, em dezembro,  e que não sabia que elas continham armas em seu interior.

 Para  Marcus Amim, Ronnie Lessa pode estar tentando proteger o amigo.

— Ele (Lessa) assumiu que as armas eram dele e que o Alexandre não tinha nada com aquilo. Mas, nós não acreditamos nisso. Uma mesa de montagem de fuzil foi apreendida em um imóvel próximo ao do Alexandre. Nós estamos investigando os dois por tráfico de armas e lavagem de dinheiro, disse o delegado.