A audiência pública realizada nesta quinta-feira (21) pela Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle e Defesa do Consumidor do Senado (CTFC), em Brasília (DF), revelou um quadro de calamidade bem maior do que o imaginado, no bairro do Pinheiro, que afundou 40 centímetros em dois anos, em Maceió (AL). Na ausência marcante dos chefes das três esferas do Poder Executivo no debate que durou mais de dez horas, o presidente da CTFC, senador Rodrigo Cunha (PSDB-AL), vereadores e deputados estaduais e federais apelaram para que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) assuma a coordenação das ações humanitárias.

Rodrigo Cunha cobrou a criação de um comitê central de crise coordenado pela União, integrando as ações de agentes federais, estaduais e municipais. O coordenador da bancada federal, Marx Beltrão (PSD-AL) quis saber se Bolsonaro teve razão ao atribuir culpa à mineradora Braskem pelo fenômeno. E a deputada estadual Jó Pereira (MDB-AL) pediu que o prefeito de Maceió (AL), Rui Palmeira (PSDB), decrete situação de calamidade pública, para antecipar a projeção de soluções, também cobrando a interação do governo estadual de Renan Filho (PSDB).

Durante o debate que reuniu 22 agentes diretamente responsáveis pela busca por soluções para as cerca de 30 mil pessoas que habitam o Pinheiro e seu entorno, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) foi pressionado pelo senador e pelos demais parlamentares e representantes de moradores a concluir seus estudos e emitir um laudo conclusivo, até o final de abril.

O coordenador dos estudos da CPRM, o geólogo Thales Queiroz Sampaio, mostrou que toda a área onde fica situado o Pinheiro está baixando, muito rapidamente, chegando a 40 centímetros em dois anos, e atingindo áreas dos bairros vizinhos do Mutange e Bebedouro. Thales alertou para a necessidade de evacuação de todas as áreas do Pinheiro, em caso de previsões de chuvas superiores a 30 milímetros por dia.

Mas o especialista da CPRM disse que os estudos poderão afirmar se haverá estabilização da área, com a possibilidade de instalações de sensores que orientariam evacuações temporárias, em caso de alertas; como acontece em países desenvolvidos com áreas de atividades vulcânicas, sísmicas ou de avalanches. E apontou ainda para a possibilidade de apresentações de soluções de engenharia para estabilizar o Pinheiro, a exemplo da instalação de dutos profundos, já que a água é que amplia os riscos de movimentação do solo.

“Precisamos de um monitoramento exemplar de sísmica, interferometria, sensores de movimento no próprio bairro. É possível estabilizar, a partir de dados da geofísica, a gente vai saber se isso vai estabilizar, ou não. É possível solução de engenharia para estabilização. A engenharia é riquíssima. Não é uma coisa para se dizer: ‘Ah! Não tem jeito, vamos nos mudar’. Não podemos dizer isso. Vamos esperar até abril”, disse Thales Queiroz, ratificado por Victor Hugo Bicca, da Agência Nacional de Mineração (ANM), que informou que os danos estão sendo medidos por sonares, e que em três anos o local passou da área verde para a vermelha. As informações são do Diário do Poder.