Foto: Alexandre Gondim/JC Imagem

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), fez coro às críticas à recomendação do Palácio do Planalto ao Ministério da Defesa para que o aniversário de 55 anos do golpe de 1964, neste domingo (31), fosse comemorado nos quartéis. Aliado do socialista, o prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), escreveu um artigo para questionar a determinação do governo.

“A ditadura vigente de 1964 a 1985 vitimou milhares de cidadãs e cidadãos, perseguidos, presos, torturados, exilados e assassinados. Por décadas, seccionou o país, apartou civis e militares. Comemorá-la em nada contribui para a urgente pacificação que o Brasil necessita, de forma a que possa enfrentar, unido, os grandes desafios à frente”, afirmou Paulo Câmara em nota publicada neste sábado (30) no Instagram.

“Causa, portanto, estranhamento e surpresa à cidade natal de Paulo Freire a notícia de que há o que se celebrar em relação aos acontecimentos que envolveram o Brasil em uma sombria penumbra entre os anos de 1964 e 1985. Não há o que se comemorar. Há sim, o que não esquecer, pois um povo que desconhece o seu passado é incapaz de construir um futuro melhor para a coletividade. Sendo assim, vamos rememorar”, disse Geraldo Julio no artigo.

Recuo

Após os questionamentos, Bolsonaro afirmou que não pediu para que os quartéis “comemorassem” a data de 31 de março, e sim que rememorassem. “Não foi comemorar. Rememorar, rever, ver o que está errado, o que está certo. E usar isso para o bem do Brasil no futuro”, declarou após participar de cerimônia de aniversário da Justiça Militar, na qual foi condecorado.

Dias antes, porém, em entrevista coletiva, o porta-voz da Presidência da República afirmou que “o presidente não considera 31 de março de 1964 um golpe militar”. Segundo Rêgo Barros, na avaliação de Bolsonaro, sociedade civil e militares, “percebendo o perigo” que o País vivenciava naquele momento, se uniram para “recuperar e recolocar o nosso país no rumo”. “Salvo melhor juízo, se isso não tivesse ocorrido, hoje nós estaríamos tendo algum tipo de governo aqui que não seria bom para ninguém”, afirmou.

Questionado sobre como serão as “comemorações”, Rêgo Barros disse que ficará a cargo de cada comando. “Aquilo que os comandantes acharem, dentro das suas respectivas guarnições e dentro do contexto, que devam ser feitas”.