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Centenas de manifestantes protestam na Rua da Aurora, no Centro do Recife, contra o bloqueio de verbas para universidades e institutos federais feito pelo Ministério da Educação (MEC) na tarde desta quarta-feira (15). Representantes de sindicatos, associações, movimento estudantil, movimento social e sociedade civil reúnem-se em frente ao Ginásio Pernambucano.

Mais de 40 instituições participam da manifestação. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), uma das entidades que organizam o protesto, 40 mil pessoas estão presentes no ato. A Polícia Militar não divulga estimativa de público em manifestações.

A passeata pelas ruas da área central da capital pernambucana teve início às 16h45. A ideia da organização do protesto é passar por vias como a Rua João Lira, Rua dos Palmares, Avenida Cruz Cabugá, Rua do Hospício, Avenida Conde da Boa Vista, Avenida Guararapes, Avenida Dantas Barreto e Pátio do Carmo.

Em abril, o MEC divulgou que todas as universidades e institutos federais teriam bloqueio de recursos. Em maio, a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) informou sobre a suspensão da concessão de bolsas de mestrado e doutorado.

De acordo com o Ministério da Educação, o bloqueio é de 24,84% das chamadas despesas discricionárias — aquelas consideradas não obrigatórias, que incluem gastos como contas de água, luz, compra de material básico, contratação de terceirizados e realização de pesquisas.

O valor total contingenciado, considerando todas as universidades, é de R$ 1,7 bilhão, ou 3,43% do orçamento completo — incluindo despesas obrigatórias.

O reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Anísio Teixeira, afirma que, se o bloqueio de verbas for mantido, a única alternativa para a instituição de ensino é fechar as portas. “O recurso que temos hoje dá para manter os custos da universidade até setembro. As perdas para a sociedade são grandes”, diz.

De acordo com o Sintepe, a luta pela educação pública de qualidade une as instituições na mobilização. “Sabemos que precisa melhorar. Não podemos dizer que a educação pública é de má qualidade. Os profissionais se desdobram para manter a qualidade. Cabe ao governo federal mandar mais recursos, e não retirar”, diz a secretária de comunicação do Sintepe, Vânia Albuquerque, professora há 33 anos.

Durante a manifestação, estudantes seguram cartazes com respostas à fala de Jair Bolsonaro. O presidente, que está em viagem nos EUA, afirmou que realizou um bloqueio de verbas na educação porque precisou fazer isso e não porque gostaria, mas chamou os manifestantes de “uns idiotas úteis, uns imbecis”, “massa de manobra” e que “não têm nada na cabeça”.

Parte das escolas públicas não tiveram aula pela manhã, assim como unidades do Instituto Federal de Educação (IFPE). Durante o dia de paralisação, professores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) ofereceram serviços como aferição de pressão e glicose e orientação sobre alongamento, na Zona Oeste do Recife.

De acordo com a Secretaria de Educação e Esportes de Pernambuco, 53% das escolas da rede estadual aderiram à mobilização. “A pasta reforça que as escolas que deixaram de funcionar por causa desse ato farão um cronograma de reposição de aula para que não haja prejuízo ao calendário letivo”, diz o governo estadual no texto.