O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) apontou indícios de que o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) teria utilizado a compra e venda de imóveis para lavar dinheiro. O filho do presidente Jair Bolsonaro teria comprado 19 imóveis por R$ 9,425 milhões de 2010 a 2017. O lucro foi de R$ 3,809 com as transações.

As informações são do jornalista Fernando Molica, da revista Veja, que teve acesso ao documento do pedido do bloqueio bancário do filho do presidente Jair Bolsonaro, que está mantido sob sigilo.

Eis a íntegra.

A quebra de sigilo foi autorizada em decisão do juiz Flávio Nicolau, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro), dada em 24 de abril de 2019. No pedido, o MP-RJ afirma que as transações poderiam “simular ganhos de capital fictícios”, com o objetivo de encobrir o “enriquecimento ilícito decorrente dos desvios de recursos”.

De acordo com a reportagem, o MP-RJ afirma ter encontrado “sérios indícios” de crime de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa pelo gabinete de Flávio Bolsonaro. No período, ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio.

O documento também mostra que os imóveis obtidos pelo senador tiveram uma valorização acima da média para a época em que foi comprado.

Em novembro de 2012, Flávio comprou um apartamento em Copacabana por R$ 140 mil. Vendeu por R$ 550 mil 15 meses depois, obtendo um lucro de 292%, enquanto a média para a região era de 11%.

Em outra aquisição, também em Copacabana, Flávio comprou um apartamento por R$ 170 mil. Vendeu um ano depois por R$ 573 mil. O lucro foi de 237%. A média para a época era de 9%.

Ainda de acordo com o documento, de dezembro de 2008 a setembro de 2010, o senador comprou 10 salas comerciais em um prédio na Barra da Tijuca, no valor de R$ 2,662 milhões. No mês seguinte, vendeu as salas para a empresa MCA Exportação e Participações, no valor de R$ 3,167 milhões.

O QUE DIZ FLÁVIO BOLSONARO

No Twitter, Flávio Bolsonaro divulgou nota em que disse que “não são verdadeiras as informações vazadas” pela revista. O senador alegou ser “vítima” de constantes vazamentos e que “tudo será provado em momento oportuno dentro do processo legal”.

Segundo o senador, “os valores informados são absolutamente falsos e não chegam nem perto dos valores reais”.

“Tenho meu passado limpo e jamais cometi qualquer irregularidade em minha vida. Tudo será provado em momento oportuno dentro do processo legal”, disse.

Eis a íntegra da nota:

“Não são verdadeiras as informações vazadas na revista Veja acerca de meu patrimônio. Continuo sendo vítima de seguidos e constantes vazamentos de informações contidas em processo que está em segredo de justiça.

Os valores informados são absolutamente falsos e não chegam nem perto dos valores reais. Sempre declarei todo meu patrimônio à Receita Federal e tudo é compatível com a minha renda.

Tenho meu passado limpo e jamais cometi qualquer irregularidade em minha vida. Tudo será provado em momento oportuno dentro do processo legal.
Apenas lamento que algumas autoridades do Rio de Janeiro continuem a vazar ilegalmente à imprensa informações sigilosas, querendo conduzir o tema publicamente pelos meios de comunicação e não dentro dos autos”.

OUTRAS TRANSAÇÕES

Em outra transação imobiliária, o filho do presidente teria lucrado R$ 728 mil. As informações são do jornalista Igor Mello, do site UOL, e foram publicadas na manhã desta quarta-feira (15).

De acordo com a reportagem, o senador também se beneficiou ao negociar com o norte americano Charles Anthony Eldering.

Em novembro de 2012, Flávio comprou de Eldering uma sala em Copa Cabana, zona sul do RJ, por R$140 mil. O valor é R$60 mil a menos do que foi pago pelo americano em março de 2011. O lucro que Flavio teve com esta sala foi de R$410 mil, quando vendeu o imóvel por R$550 mil em fevereiro de 2014.

Flávio Bolsonaro negou qualquer irregularidade na compra e venda dos imóveis.