O deputado federal Eduardo Bolsonaro durante coletiva de liderancas do PSL Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo 13-03-19

Menos de um mês antes da viagem do presidente Jair Bolsonaro (PSL) a Buenos Aires no próximo dia 6 de junho, o deputado e filho do chefe de Estado Eduardo Bolsonaro chegará nesta quinta-feira (16), à capital argentina para uma visita de dois dias que terá a Venezuela no centro da agenda bilateral.

A Casa Rosada ainda não confirmou uma reunião entre o deputado e presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e o presidente Mauricio Macri, mas o encontro não foi descartado por fontes argentinas.

Por enquanto, o deputado tem marcada uma conversa com a deputada Cornelia Schmidt-Liermann, presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara argentina (do partido de Macri), uma ida ao Parlamento e uma palestra no Conselho Argentino para as Relações Internacionais (Cari), repetindo parte da agenda do ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que esteve em abril passado na Argentina.  

— A Venezuela será um dos assuntos, confirmou a deputada Schmidt-Liermann.

De fato, ambos deputados assinaram um comunicado conjunto no final de abril, após a tentativa fracassada de levante militar liderada pelo presidente da Assembleia Nacional (AN) venezuelana, Juan Guaidó, no qual afirmaram que “o desafio que cabe nesses momentos da história aos militares venezuelanos é chave para acompanhar o retorno à normalidade institucional e a liberdade plena dos cidadãos venezuelanos”:

“Esperamos que a totalidade das Forças Armadas se una a este movimento que demonstra valentia e compromisso cívico, que busca recuperar o sentido democrático do povo e que logre restaurar o respeito aos direitos humanos, acabar com a crise humanitária imperante e permitir o retorno dos milhares de venezuelanos exilados, produto desta grave situação”.

A deputada argentina mantém esta posição e perguntada sobre o que fazer atualmente em relação à crise venezuelana afirmou:

— O caminho a seguir é continuar criando consciência sobre a necessidade de ir em direção a um governo de transição. Os militares devem ajudar neste processo.

Tanto Brasil como Argentina expressaram críticas e preocupação pelo fracasso da operação comandada por Guaidó em 30 de abril passado. Ambos governos, confirmaram fontes dos dois países, estão “decepcionados pela improviso” do presidente da AN e temem que a crise entre num impasse prolongado. A questão Venezuela também será um dos principais assuntos a ser discutido pelos presidentes Macri e Bolsonaro, em junho.  

Papel de chanceler informal

Mais uma vez, o deputado e filho do presidente assumirá um papel quase de chanceler informal do Brasil, ofuscando a atuação de Araújo, que não passa por seu melhor momento no governo, sobretudo depois de ter assegurado, segundo fontes, que a ação de Guaidó tinha sucesso garantido.

Fontes do Congresso brasileiro disseram que a viagem faz parte de sua estratégia de “consolidar uma frente de direita na região”.

— Está sendo preparada uma nova cúpula de direita, como a que foi realizada no final do ano passado em Foz, e Bolsonaro (Eduardo) quer que a Argentina seja parte, ampliou a fonte.

Com Macri em campanha pela reeleição e em baixa nas pesquisas, outras fontes brasileiras apontaram que o governo brasileiro quer “dar uma ajudinha ao presidente argentino”.  Na quarta-feira, a Corte Suprema de Justiça decidiu acolher recursos apresentados pela ex-presidente e provável candidata Cristina Kirchner , provocando  a suspensão de seu primeiro julgamento por corrupção, que deveria começar na próxima terça-feira.

Nas últimas semanas, a senadora e ex-presidente consolidou-se como a pré-candidata mais forte para as presidenciais de 28 de outubro. Com informações de O Globo.