Prédio do STF, em Brasília Foto: Divulgação / STF

Quando a Operação Lava-Jato descobriu que o executivo da Petrobras Paulo Roberto Costa tinha US$ 23 milhões em bancos suíços, com envolvimento de familiares nos negócios ilícitos, o investigado resolveu colaborar. Era a primeira de 110 delações premiadas já homologadas no Supremo Tribunal Federal desde 2014, quando a operação chegou à Corte por atingir pessoas com foro privilegiado.

Nesses mais de quatro anos, o Supremo arrecadou R$ 784,8 milhões em multas aplicadas aos delatores. A Procuradoria-Geral da República ofereceu 25 denúncias, das quais seis foram rejeitadas e nove recebidas, tornando-se ações penais. Entre as ações, há duas julgadas, com uma condenação, do ex-deputado Nelson Meurer e outros, e uma absolvição, da ex-senadora e atual deputada Gleisi Hoffman (PT-PR).

Esses e outros dados são de balanço apresentado nesta terça-feira pelo gabinete do ministro Edson Fachin, que se tornou relator da Lava-Jato no Supremo após a morte do ministro Teori Zavascki, originalmente o responsável pela operação na Corte. Há 60 inquéritos tramitando, sendo que três foram instaurados neste ano, aponta a pesquisa. Também em 2019, quatro investigações foram arquivadas.

Outros 19 inquéritos foram enviados, somente este ano, para outras instâncias, em decorrência da decisão que restringiu o foro privilegiado e também da não reeleição de envolvidos nas investigações. Há nada menos que 302 petições relacionadas à Lava-Jato em trâmite, de acordo com os dados divulgados.