O site da revista Veja divulgou nesta sexta-feira (28) o nome das duas testemunhas sugeridas pelo então juiz Sergio Moro ao procurador Deltan Dallagnol. Elas serviriam para ajudar em processo do ex-presidente Lula. A passagem faz parte dos vazamentos das conversas entre Moro e a força-tarefa da Lava Jato feito pelo site The Intercept.

Segundo a Veja, que teve acesso a alguns trechos exclusivos da ‘Vaza Jato’ após parceria com o Intercept, as testemunhas seriam: um técnico em contabilidade e um dono de posto de gasolina, ambos de Campo Grande (MS).

O primeiro chama-se Nilton Aparecido Alves. De acordo com a reportagem, ele é conhecido por fazer trabalhos ilícitos em terras da capital sul-matogrossense. Ele recusou-se a responder se havia prestado algum depoimento ao MPF e se tinha informações sobre os filhos do ex-presidente Lula.

Procurado pela revista, Nilton negou qualquer envolvimento com a Lava Jato: “Não sei por que meu nome está nessa história. Alguém deve ter falado alguma coisa errada”.

Já o 2º homem é Mário César Neves, que teria ligação com Nilton. À reportagem da revista, afirmou que repassou o endereço e o telefone do contador para o MPF, que teria entrado em contato com ele. Assim como Nilton, Mário negou que soubesse se algo envolvendo os herdeiros do petista.

A denúncia da Veja chama a atenção para o que seria um cumprimento de ordens de Moro por parte do MP. A orientação de um juiz aos procuradores é proibida pela Constituição Federal de 1988.

‘DESCUIDO FORMAL’

Em 7 de dezembro de 2015 , Moro enviou a Dallagnol uma possível pista sobre um dos casos de Lula: “Então. Seguinte. Fonte me informou que a pessoa do contato estaria incomodado por ter sido a ela solicitada a lavratura de minutas de escrituras para transferências de propriedade de um dos filhos do ex-presidente. Aparentemente a pessoa estaria disposta a prestar a informação. Estou então repassando. A fonte é seria”.

Moro disse que está tranquilo em relação aos seus atos enquanto juiz dos casos da operação Lava Jato.

De acordo com ele, o teor das conversas divulgadas foram tirados de contexto, mas a Polícia Federal investiga os fatos com autonomia. Isso porque a PF é subordinada à pasta da Segurança Pública, da qual Moro é ministro.