Por Ademar Rafael Ferreira (Papa) *

Ade maleu lapa-el – É esse tal de RISCO SISTÊMICO? Fale-me sobre ele.

Papa – Para os especialistas o RISCO SISTÊMICO é: “… Possibilidade de perdas em virtude de dificuldades financeiras de uma ou mais instituições que provoquem danos substanciais a outras, ou ruptura na condução operacional de normalidade do Sistema Financeiro Nacional – SFN.” Para sanar os impactos deste risco sobre nossos bancos em 1995 foi criado pelo Governo FHC o Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional – PROER.

Este programa que vigorou no Brasil até 2001 torrou muito dinheiro do Tesouro Nacional para salvar bancos sob a alegação de que se o socorro não viesse o país quebraria e o Plano Real naufragaria. Com a promulgação da Lei de Responsabilidade veio o impedimento de socorro ao Sistema Financeiro Nacional com dinheiro público. Até os dias atuais os bancos socorridos nunca deram qualquer tipo de compensação ao país, pelo contrário a cada ano ganham mais dinheiro numa economia falida e com a população cada vez com maior índice de endividamento.

Como o RISCO SISTÊMICO afeta a economia de uma forma ampla, geral e sem preconceito em situações como a crise americana de 2008 fica agravado e pode provocar um colapso no Sistema Financeiro ou no Mercado de Capitais em qualquer parte do mundo, uma vez que as economias estão entrelaçadas. O controle deste risco é muito difícil, pois pode surgir em qualquer economia e sair arrastando as demais.

Alguns economistas e operadores do Mercado de Capitais sugerem que o RISCO SISTÊMICO, com a origem em turbulências severas nas instituições financeiras, nunca aparece do nada, dá avisos muitas vezes ignorados como a crise americana de 2008. Todos sabiam que a bolha imobiliária explodiria e ninguém adotou providências para reduzir os estragos. Alertam tais profissionais: “O pedido de falência de uma instituição ou grupo financeiro pode desencadear uma falência generalizada dos demais bancos.”

Quando trabalhamos com a hipótese da existência de RISCO SISTÊMICO e “NÃO SISTÊMICO”, encontramos o seguinte enunciado: “A principal diferença entre o risco sistêmico e não sistêmico é que os riscos não sistêmicos podem ser reduzidos através da correta diversificação dos investimentos. Em contrapartida, o risco sistêmico não é possível fazer alguma proteção.” Para evitar surpresas é necessário ler e interpretar cenários, as vacinas não existem.

(*) – Adaptações livres de textos de sites da TOPINVEST, BUSSOLADOINVESTIDOR, CVM, BCB E AMBIMA.