Diante da confirmação de cinco casos de sarampo em Pernambuco, é grande a procura pela vacina que protege contra a doença na Região Metropolitana do Recife. A demanda tem sido tão alta que algumas unidades de saúde de Olinda, Jaboatão dos Guararapes e Paulista chegaram a ficar sem a tríplice viral. O material vem sendo prontamente reposto, segundo as prefeituras.

Em Jaboatão dos Guararapes, na última quinta-feira, quem ia à Unidade de Saúde da Família (USF) Guararapes, ao lado do Fórum Eleitoral, não encontrava a vacina. Em conversa com uma funcionária do local, ela explicou que o estoque da unidade esgotou no dia anterior por causa da procura intensiva.

Em Olinda, foram encontrados três locais que não tinham o material: as USF’s dos Bultrins, na quinta; e de Outro Preto e da Vila Popular, na sexta-feira. A professora de educação infantil Janaína Souza, 38 anos, desistiu de frequentar o posto dos Bultrins: “Ora falta vacina, ora falta material”. Mãe de duas meninas, Janaína só vai agora à unidade de Rio Doce. “Nunca tive problema lá até o momento”, destacou.

Ir ao posto de Ouro Preto era sinônimo de tempo perdido, como dizia a autônoma Renata Souza Gomes, 34. “Eu só venho aqui em último caso, porque nunca tem nada. Agora vou lá no posto do Carmo”, reclamou. Ela estava atrás de uma dose para seu filho, Vitor Gabriel, de 4 anos. Mas quem chegava lá, já recebia uma resposta negativa dos funcionários.

Na USF da Vila Popular faltou vacina na quinta. Em conversa com funcionários, a reportagem soube que foi solicitado material, mas só chegou metade da quantidade pedida. Assim, só foi possível imunizar crianças nessa sexta. Os adultos terão que esperar até a segunda (26). Outros pontos visitados que também estiveram sem a tríplice viral foram a USF de Vila Manchete e a Policlínica de Ouro Preto – ambas reabastecidas ainda na sexta.

Em Paulista, a própria prefeitura admite, em nota, que o estoque de vacina chegou a esgotar: “mas chegaram mais duas mil doses e já estão sendo distribuídas nessas unidades”.

Demanda

No Recife, até o momento, não houve ocorrências expressivas de falta de vacina. Tanto na Policlínica Lessa de Andrade, na Madalena, quanto na USF Santo Amaro, a movimentação era grande, mas quem ia lá conseguia atendimento. 

Moradora de Santo Amaro, a dona de casa Fabiana Teixeira da Silva, 30, resolveu se precaver, apesar de já ter recebido as doses recomendadas da tríplice viral, quando criança. “Vim aqui para reforçar. As pessoas tem que ter força de vontade para irem nos postos, essa doença mata”, contou. 

Falta de doses pode ser pontual

Em nota, a Secretaria de Saúde do Recife explica que está com o estoque em dia, “mesmo com o aumento da procura nas últimas semanas”. “Normalmente, antes de acabar as doses, os responsáveis pelas unidades de saúde já solicitam a reposição. Eventualmente, podem ocorrer faltas pontuais, prontamente repostas pelo Plano Nacional de Imunização”, pontua a pasta. Não foi detalhado quantas doses chegam por mês na capital.

As prefeituras de São Lourenço da Mata e Camaragibe reforçaram os pedidos. No caso de São Lourenço, todo mês chegam 800 doses, mas na terça (20) foram pedidas mais 400. “Quando as vacinas esgotam, em algum posto, é imediatamente solicitado (material) ao Governo do Estado”, comentou o governo municipal, que promete buscar outras duas mil vacinas na segunda (26).

A Prefeitura de Camaragibe segue o mesmo caminho. “Quando falta, a unidade de saúde sinaliza e a equipe da Secretaria de Saúde reabastece”, disse, em nota. Todo mês, são solicitadas 1.430 doses, mas a cidade recebeu um quantitativo extra de duas mil. Com informações do Diário de Pernambuco.