De todos os lugares possíveis para se encontrar um amor, Solidão foi o cenário que o destino escolheu. Localizada a 409 km do Recife, no Sertão do Pajeú, a cidade não é passagem para nenhum outro local, mas é também partida e chegada de uma história que atravessa o tempo. Daulira Porcina de Oliveira e José Vicente Filho têm 90 anos de vida e 70 vivendo juntos. Solidão, para eles, é só nome de cidade. Talvez nem se lembrem da última vez em que se sentiram sozinhos. Lado a lado, construíram uma vida, uma família e um afeto que dura para sempre. Recentemente, o casal celebrou bodas de vinho ao lado de amigos e parentes. Juntos, tiveram sete filhos – dois homens e cinco mulheres.

Na cidade de seis mil habitantes, Daulira e José são referência de quão uma relação pode ser duradoura. A psicóloga Telma Maria Vicente de Melo é uma entusiasta do casamento dos avós. “Eu só tenho a admirar os dois. São um exemplo que devemos seguir”, opina.

Lúcida, com um terço na mão, Dona Lira, como é conhecida pelos moradores, vive à espera de Zé da Zuza voltar do trabalho na roça. Para ele, a vida rural e o contato com a terra fizeram o amor durar ainda mais. “Já faz tanto tempo, que não tenho a lembrança da primeira vez que eu a vi. Não conheço quem também tenha 70 anos de casados. Mas, para mim, o segredo é viver na roça. Trabalhando, não pensamos em coisas difíceis. Até hoje, saio de manhã para a roça e volto no começo da noite”, detalha José.

Sobre o motivo da relação durar tanto tempo, Daulira é mais enfática: “O segredo é Deus querer. Tem que ter muito amor um pelo outro. E paciência. Ser paciente com as coisas”, revela.