DECIFRANDO O ECONOMÊS

Por Danizete Siqueira de Lima

A crônica de hoje, a exemplo da que foi publicada semana passada, também será uma homenagem a outro colaborador desse blog e um amigo particular, bem como ex-colega de trabalho, com quem tive o prazer de conviver por um longo tempo e aprender muito com ele, dentro e fora do banco.

Ademar Rafael, ou o “papa sebo das varas”, como era conhecido pelos colegas da agência BB em nossa cidade, veio lá do distrito de Jabitacá, município de Iguaracy, aqui bem próximo. Filho de um grande amigo: escritor, poeta, contador de causos e funcionário público exemplar, Joaquim Rafael, ou Quinca Rafael – (in-memoriam), de família tradicional da região e de dona Corina Ferreira Rafael, que hoje está bem próxima de completar um século de vida.

O matuto das varas tem mais ou menos a minha idade; a diferença é de meses. É um sessentão cheio de histórias e périplos que não vamos contar aqui para não ocuparmos espaço além do recomendado. O encontro desses dois matutos se deu na adolescência, quando ainda usávamos calças curtas, e eu vim lá da Barra de Solidão para estudar aqui nessa metrópole. Era assim, não há como esconder: Afogados sempre se destacou nessa região do Pajeú.

Tenho a felicidade de dizer que, depois dos seus pais, fui uma das pessoas que mais conviveu com o Ademar, solteiro e não bancário. Entrou para o banco primeiro que eu uns dois anos e foi a primeira pessoa a me dar a notícia que eu havia sido aprovado, lá pelo início dos anos 80. No Banco fizemos vários amigos, mas, o conhecido trio “parada dura” era composto por Ademar, Zé Rodrigues e esse humilde cronista, mais conhecido pelos colegas como o “Perninha”. As aventuras do trio ficaremos devendo para não estragarmos a matéria. Rsrsrsrs.

O Zé Rodrigues, natural de Carnaíba (PE), aposentou-se lá pras bandas de Petrolina e hoje é Pastor em uma Congregação da sua cidade. Gente de primeira ordem, também poeta e contador de causos nas horas de folga.

Ademar, como se sabe, ingressou na agência local, acho que em 1978. Daqui levantou voo para a cidade de Barbalha (CE), onde conheceu dona Helaine, casaram-se e tiveram dois filhos: Raíssa (médica/pediatra) e Sávio (engenheiro civil). Depois de Barbalha, o matuto começou a tomar gosto por aventuras e, já casado, saiu por aí: São José do Egito (PE), Ithanhomi (MG), Rio Maria (PA), depois passou pela Bahia (Mimoso do Oeste), Serrinha, até voltar para o Pará, mais precisamente para a cidade de Marabá. O “Papa Sebo” identificou-se tanto com a região onde fez muitos amigos que, ao aposentar-se do banco mesmo em outro estado, voltou para Marabá, chegando a trabalhar em várias empresas, até como colaborador de algumas, a exemplo da Faculdade de Administração local.

Vale ressaltar que o homenageado, quando aposentado pelo BB, já havia concluído o curso de Administração de Empresas pela Faculdade Juvêncio Terra, de Vitória da Conquista (BA). Falar sobre Ademar demanda tempo e o espaço aqui teria que ser utilizado várias vezes; seria como escrever uma novela em vários capítulos.

Tentando abreviar o máximo concluímos dizendo que esse matuto, que tanto orgulha os jabitacaenses, além de aposentar-se como gerente do Banco do Brasil, trabalhou no SEBRAE, na empresa PASEMAR, foi administrador em empresa do grupo LEOLAR, foi professor na Faculdade Pitágoras, trabalhou como tutor na Faculdade AIEC e, de quebra, morando atualmente em João Pessoa (PB), trabalha na FAEPA/SENAR-PB.

Portanto caríssimos leitores, esse é o “matuto das varas” ou o famoso “papa sebo”. Com uma inteligência acima da média, mesmo vindo de família humilde, conseguiu todos os seus objetivos. É ao mesmo tempo: poeta, escritor, bancário, professor, administrador de empresas e adepto de uma boa leitura. Uma vez um amigo me dizia: perninha, aqui no Brasil se lê muito pouco. Para se ter uma ideia, Buenos Aires, capital da Argentina, sozinha, lê mais livros que o Brasil. Foi quando eu fiz uso da palavra e disse: Ademar, sozinho, lê mais que toda Buenos Aires.

Não é atoa que esse matuto, considerado um “poço de cultura”, hoje presenteia os leitores desse blog, semanalmente, coma a coluna: “Decifrando o Economês”.

Aqui seguem os nossos parabéns, ao amigo e ao Blog.