Por Naldinho Rodrigues*

Caro  leitor;

estou mais entusiasmado e feliz da vida para tocar a saudade junto com você… e quem acompanha o nosso Blog já sabe qual o motivo, vamos direto ao assunto.

É que na crônica da quarta-feira (04), do “PERNINHA EM NOVA VERSÃO” elaborada e escrita pelo poeta e amigo Danizete Siqueira de Lima (Perninha), aqui neste Blog, eu recebi uma surpreendente homenagem do editor. Confesso que fiquei bastante orgulhoso e queria parabenizar o amigo e agradecer pelo conteúdo. Receber uma homenagem vinda de um cara tão importante o quanto você Perninha, é sempre maravilhoso, e isso nos dar uma injeção a mais de ânimo para continuar no meio radiofônico até quando Deus nos permitir. E hoje, vamos falar de uma pessoa que o grande ponta direita das saudosas tardes no mini-campo da AABB, com seus lançamentos preciosos, deixando o colega na cara do gol adversário, “Perninha” conheceu bastante…

Refiro-me a Antonio Moreira da Silva, um cantor  e compositor brasileiro, também conhecido como “Kid Morengueira”. Que nasceu no dia 1 de abril de 1902, no Rio de Janeiro, vindo a falecer no dia 06 de junho de 2000.

Moreira da Silva sempre viveu no Rio de Janeiro, na época em que a cidade era a capital da República e sua cultura e tipos populares definiam a identidade brasileira. com trânsito fácil entre morro e o asfalto soube explorar a linguagem e a malícia  que ajudaram a criar a figura do carioca.

Um tipo que trouxe dos batuques de rua para o rádio, e, mais tarde, para a televisão e que manteve atual durante 97 anos em que viveu. Moreira da Silva nasceu no começo do século vinte, em 1902, quando o Rio de Janeiro estava em transformação, com a inauguração das primeiras salas de cinema e já era uma cidade partida, onde os ricos frequentavam os cafés e teatros e os artistas se espalhavam pela lapa e zona boêmia do mangue.

Contemporâneo de Noel Rosa acompanhou o início da interação do samba  com a elite carioca. Os anos 30 e 40 foram os mais criativos da sua carreira, no rádio e nos cassinos, um universo em que foi absoluto. Quando gravou o segundo disco “O Último Malandro”, em 1958, adotou o terno branco, sapato bicolor e chapéu Panamá.

A amizade com o poeta e radialista Miguel Gustavo, começa nesta fase. Juntos, criaram e deram vida ao personagem Kid Morengueira, uma mistura bem dosada de herói e malandro com que Moreira deixou seu nome, para sempre, na história da MPB.

Considerado  o criador do samba-de-breque, Moreira da Silva iniciou sua carreira em 1931. em 1992, foi tema do enredo da Escola de Samba Unidos de Manguinhos. em 1995 gravou “Os Malandros In Concert” com Dicró e Bezerra da Silva, aos 93 anos de idade. Participou do histórico disco de Chico Buarque de Holanda, a “Ópera do Malandro” de 1979, fazendo dueto com o próprio Chico.

Em 1996, foi tema do livro Moreira da Silva – O Últimos dos Malandros. Com 98 anos de idade, ainda se apresentava em shows. Em 29 de abril de 2000, Moreira da Silva caiu em casa e foi internado numa clínica particular, sendo depois levado ao Hospital dos Servidores do Estado, no Rio de Janeiro, em função dos altos custos da permanência na UTI. O cantor faleceu em função de falência múltipla de órgãos na manhã de 6 de junho de 2000.

Seus maiores sucessos, foram: Implorar, Jogo Proibido, Acertei na Milhar, Amigo Urso, Fui à Paris, Na Subida do Moro, O Último dos Moicanos e o Rei do Gatilho. Este último, o mais famoso.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o Programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7 da manhã.