Por Naldinho Rodrigues*

A música brasileira e portuguesa, em dose dupla, perdeu um grande ídolo no último final de semana. É que no dia 15 de setembro, brasileiros e portugueses calaram-se ao saber da triste notícia: Roberto Leal morreu.

Nascido em Macedo de Cavaleiros, norte de Portugal, em 27 de novembro de 1951, Antonio Joaquim Fernandes, foi um cantor e ator português radicado no Brasil. Era considerado embaixador da cultura portuguesa no Brasil.

Ao longo da sua carreira de 45 anos, vendeu quase 25 milhões de discos e ganhou trinta discos de ouro, além de cinco de platina e quinhentos troféus. Roberto Leal nasceu na aldeia portuguesa de Vale da Porca, e aos 11 anos , transferiu-se para ao Brasil acompanhado pelos nove irmãos e pelos pais.

O cantor ficou famoso no Brasil pela música ‘Arrebita’, que estreou nos palcos em 1971, na Discoteca do Chacrinha. Ele chegou a trabalhar como sapateiro e vendedor de doces na juventude antes de tentar a sorte na música, cantando fados e músicas românticas, após o sucesso na década de 1970.

O sucesso também abriu portas para Roberto Leal no cinema. Em 1978, ele protagonizou o filme Milagre: O Poder da Fé. O longa foi inspirado em sua própria história. O cantor ainda apresentou um programa de televisão em Portugal no final dos anos 80. Na época, ele retornou ao país natal para focar no mercado europeu, voltando ao Brasil somente no final da década seguinte, em 1990.

No ano passado, Roberto Leal revelou em uma entrevista que lutava contra um câncer há dois anos e que já havia perdido parte da visão em razão da doença. Na ocasião, ele disse ter passado por um tratamento que envolveu três cirurgias e dez sessões de radioterapia. Mesmo com a doença, o cantor tinha shows marcados até o mês de maio do ano que vem, de acordo com o empresário José de Sá.

Além dos sucessos em mais de quatro décadas de carreira na música, Roberto Leal deixou seu nome na história do futebol de São Paulo. Torcedor ilustre da Portuguesa de Desportos (hoje falida, não conseguindo sequer uma vaga na Série D do Brasileirão), Roberto Leal escreveu uma música que se tornou o Hino Oficial do Clube.

Em 2015, o cantor participou de uma campanha para ajudar o time, já em crise financeira, para conseguir um novo patrocinador. Outro momento curioso na vida foi à tentativa de se lançar na carreira política. Em 2018, ele lançou sua candidatura para deputado pelo PTB em São Paulo, onde obteve 8.273 votos (0,4% do votos válidos), não obtendo sucesso.

Roberto Leal morreu aos 67 anos, na madrugada do último domingo, 15 de setembro. A causa da morte foi um melanoma maligno, que evoluiu, atingindo o fígado, causando a síndrome hepatorrenal, e também complicações decorrentes de uma reação alérgica aos medicamentos da quimioterapia. O cantor estava internado havia cinco dias na Unidade Semi-Intensiva do Hospital Samaritano de São Paulo.

Roberto Leal era casado com Márcia Lúcia (sua parceira em muitas composições), com quem tinha três filhos. O último disco do cantor foi ‘Arrebenta a Festa’, lançado em 2016. Foram mais de 50 discos e coletâneas e mais de 400 músicas na carreira. Entre as gravações, em 1999, ele lançou o álbum ‘Roberto Leal canta Roberto Carlos’.

No Brasil sou português, em Portugal sou brasileiro. Foi assim que Roberto Leal se definiu em trecho da música ‘Português Brasileiro’.

E para  relembrar esse ídolo Português Brasileiro, nada melhor do que relembrar o seu grande sucesso: LISBOA ANTIGA. 

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.