Por Naldinho Rodrigues*

Olá minha gente! Tenho certeza que poucos sabem ou já ouviram falar em Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior. Mas, se eu perguntar quem foi Gonzaguinha?

Gonzaguinha, filho de Luiz Gonzaga e da cantora e dançarina Odaléia Guedes dos Santos. Ficou órfão de mãe com dois anos de idade e foi criado pelo padrinho Henrique Xavier e pela madrinha Dina. Gonzaguinha foi filho registrado, mas não natural,  do cantor e compositor pernambucano Luiz Gonzaga.

Gonzaguinha aprendeu cedo a fazer música no convívio com Pafúncio, membro da ala de compositores da Unidos de São Carlos. Os primeiros acordes de violão ele aprendeu com o padrinho. Do pai “Gonzagão”, recebia algum dinheiro para pagar os estudos e umas visitas esporádicas. O jovem ia crescendo e aprendendo as durezas da vida.

Com 16 anos, Gonzaguinha decidiu morar com o pai, para continuar os estudos. Na época, Helena, a esposa do rei do baião, não aceitou o garoto, a quem chamava “bastardo”. Sem muita opção, o menino aceitou completar os estudos como interno em um colégio.

Em 1967, ingressou na Faculdade de Ciências Econômicas Cândido Mendes, no Rio de Janeiro. Suas primeiras composições surgiram quando passou a frequentar as rodas e violão na casa do psiquiatra Aluísio Porto Carreiro, pai de Ângela, com quem se casou e teve dois filhos, Daniel e Fernanda.

Nessa época, ele ficou amigo de Ivan Lins, Cesar Costa Filho, Aldir Blanc e Dominguinhos, com quem fundou o Movimento Artístico Universitário, o MAU. Logo começou a participar de Festivais Universitários de Música, e em 1968 foi o finalista com a música “Pobreza Por Pobreza”.

Em 1969 ganhou o primeiro lugar com a música “Trem”. Gonzaguinha transformava as dificuldades de sua vida em uma aguda consciência política e social, que se tornaria matéria prima fundamental de suas composições. A grande mudança em sua carreira veio em fevereiro de 1973, quando se apresentou no programa de Flávio Cavalcante, cantando a música “Comportamento Geral”.

Acusado de terrorista pelos jurados do programa,  recebeu uma advertência da censura no dia seguinte, mas a polêmica causada levaria sua música a ocupar as paradas de sucesso e seu Compacto Disco logo esgotou. Nessa época, vivia-se um tempo de perseguições e de censura pelo regime militar e a música “Comportamento Geral”, foi proibida em todo o País.

Gonzaguinha foi levado ao DOPS para prestar esclarecimentos. Mesmo com a perseguição e várias músicas censuradas, Gonzaguinha gravou os discos: “Gonzaguinha (1974), Plano de Voo (1975) e Começaria Tudo Outra Vez (1976)”, este último disco representou uma virada em sua carreira.

Em 1979, na voz de Maria Betânia, o compositor estourava no mercado musical com a música “Explode Coração”. Durante a década de 80, com suas canções belíssimas.

Os últimos 12 anos de sua vida, Gonzaguinha viveu em Belo Horizonte, com sua terceira esposa, Louise Margarete, com quem teve a filha Mariana.

Gonzaguinha nasceu no morro de São Carlos, no Rio de Janeiro, no dia 22 de setembro de 1945 e morreu aos 45 anos em 29 de abril de 1991, vítima de um acidente automobilístico ao regressar de uma apresentação em Pato Branco, no Paraná, o cantor dirigia um Monza e por volta das 7h20 da manhã em uma rodovia no Sudoeste daquele estado, quando colidiu com um caminhão.

Gonzaguinha estava se  dirigindo para Foz do Iguaçu, de onde seguiria de avião para Florianópolis, onde tinha um show agendado.

Vamos  relembrar Gonzaguinha com a sua eterna obra musical… e como viver é não ter a vergonha de ser feliz, vamos ouvir O Que é O Que é.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Transmite o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7 da manhã.