Alberto Feitosa (Foto: Reprodução)

O deputado estadual Alberto Feitosa (Solidariedade) foi entrevistado neste sábado (19) no programa 20 Minutos, da TV Jornal. Ele conversou com o cientista político Antônio Lavareda sobre a possibilidade de instalação de uma usina nuclear em Itacuruba, no Sertão de Pernambuco. O parlamentar é o principal defensor do tema na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe).

O Ministério de Minas e Energia tem feito estudos para a implantação de seis usinas nucleares no Brasil. A cidade sertaneja pode ser uma das candidatas a receber o empreendimento. Contudo, Pernambuco não pode, por lei, ter esse tipo de usina, por causa do Artigo 216 da Constituição Estadual. “É a forma mais limpa de geração de energia elétrica, sobretudo com a capacidade que tem uma usina nuclear. Se os ambientalistas querem se preocupar com emissão de gases poluentes, eles têm que defender à  instalação de usinas nucleares”.

Feitosa alegou que a energia nuclear é mais eficiente do que a eólica e a fotovoltaica. “Elas são limpas, porém intermitentes. Dilma (Rousseff) tentou estocar vento e não conseguiu essa tecnologia”, ironizou.

Questionado sobre o impacto de acidentes como o da usina nuclear de Pripyat, em Chernobyl, e de Fukushima, no Japão, o parlamentar continuou sua defesa. “A matriz energética que menos matou no mundo foi a nuclear. Se for analisar, milhões morrem por ano por emissão de gases tóxicos. Não existe energia mais poluente que a que queima fóssil. Houve um acidente na China, o rompimento de uma barragem de usina hidrelétrica,  que matou mais de 23 mil pessoas”, afirmou Feitosa.

“Existem no mundo 444 usinas nucleares gerando energia limpa, com o máximo de segurança. Os estudiosos dizem que é mais fácil cair um meteoro na cabeça de alguém do que ser atingido por radiação, então é seguro”, continuou.

“A Alemanha desativou 4 de suas usinas nucleares, depois do acidente de Fukushima, e investiu 580 bilhões de euros em  energia eólica e fotovoltaica. Só que essas energias são intermitentes. Num País em pleno desenvolvimento, é preciso a continuidade da oferta de energia. Quando tiver dificuldade de sol e vento, ou baixa nos reservatórios das hidrelétricas, aí você (com a nuclear) pode ter uma matriz de energia que funciona ininterruptamente por até 60 anos”, argumentou o deputado.

Segundo Feitosa, Pernambuco pode arrecadar R$ 800 milhões anuais com a instalação da usina nuclear. A cidade de Itacuruba, ainda de acordo com o parlamentar, arrecadaria R$ 160 milhões por ano. “Imagina a revolução do ponto de vista social, do conhecimento. Serão 15 mil pessoas na obra, salário médio de R$ 5 mil, morando naquela região de Floresta, Itacuruba, Belém de São Francisco, adquirindo imóveis, pagando IPTU, consumindo energia, nos supermercados”, imaginou.

DECISÃO

Para o deputado, o governo federal está decidido a implementar a usina em algum ponto da região Nordeste. “No dia 30 de setembro foi publicado um comitê com membros do Ministério do Meio Ambiente, o de Minas e Energia, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e do Ministério de Ciência, Tecnologia e Comunicações”, afirmou.

“Itacuruba aparece como possibilidade desde 2010. Em 2011, o governador Eduardo Campos (PSB) anunciou isso para a mídia. Se não for para Pernambuco, vai para a Bahia, ou Alagoas, porque é só atravessar o São Francisco”, explicou o parlamentar. 

Feitosa afirma que a população de Itacuruba e da região do entorno precisa ser convencida dos benefícios do investimento. “É preciso fazer audiências públicas. A população recebe informações de um ativismo irresponsável, que aborda o tema de forma alarmista e sensacionalista”, avaliou. “É o mesmo que querer desativar o aeroporto porque um avião pode cair”, disse o deputado. Com informações do Jornal do Commercio.