Pessoas esperam na fila para buscar gás em La

Além das manifestações nas ruas, que crescem em escala de violência, começa a faltar comida em algumas cidades da Bolívia. É o caso da sede do governo, La Paz, que enfrenta escassez de frango, ovos e combustível por conta do bloqueio nas estradas feito por apoiadores do ex-presidente Evo Morales, que isolam centros populacionais de fazendas. 

Há longas filas nas ruas de La Paz neste domingo (17) em busca de alimentos e também de combustíveis. Os postos estão sem nada. Autoridades disseram que um avião militar Hercules aterrissou na capital La Paz, no sábado (16), cheio de produtos de carne, contornando as barricadas nas estradas nas saídas da cidade.

O ministro da Presidência, Jerjes Justiniano, disse a repórteres que o governo estabeleceu uma “ponte aérea” para La Paz. Disse que autoridades esperam fazer o mesmo com outras grandes cidades bolivianas que foram isoladas de suprimentos.

A nação andina entrou em crise após as eleições de 20 de outubro. O então presidente Morales, que venceu o pleito, renunciou no domingo da semana passada, dia 10, depois que a auditoria da OEA (Organização dos Estados Americanos) revelou evidências de fraude eleitoral, e se asilou no México.

Apoiadores de Morales foram às ruas pouco depois, alguns armados com bazucas caseiras, pistolas e granadas, bloqueando ruas e entrando em conflito com forças de segurança.

Enquanto a violência piorava, muitos nas regiões mais pobres de La Paz passaram a cozinhar com lenha, e formaram longas filas por gás liquefeito, latas e pouca comida.

“Espero que as coisas se acalmem”, disse Josué Pillco, funcionário da construção civil em um bairro operário de La Paz. “Não temos comida ou combustível”.