O presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (02) que sofreu pressão dentro do governo para demitir o ministro da Economia, Paulo Guedes, depois de ele ter sugerido, em 25 de novembro, a reedição do AI-5 para conter protestos. Afirmou que não viu “nada de mais” na fala e que, para ele, o ministro está protegido pelo direito à “liberdade de expressão”.

“O Paulo Guedes e o Eduardo citaram em um contexto de descambar o Brasil aqui, não para movimentos sociais, reivindicatórios, mas para algo parecido com o terrorismo, como vem acontecendo no Chile. Agora não vejo o porquê de tanta pressão em cima dos dois por causa disso daí”, disse o presidente, em entrevista ao Jornal da Record, da Rede Record.

Bolsonaro reclamou que a pressão contra seu guru econômico é exercida por quem quer “desestruturar” o governo. “Agora, pediram a cabeça e Paulo Guedes pra mim quando ele falou em um contexto de o Brasil descambar para movimentos que passavam longe de serem direitos sociais, que são os reivindicatórios, legítimos para a população. Então aqueles que querem a cabeça do Paulo Guedes, ou pediram, foi com o objetivo de nos desestruturar na questão econômica”, afirmou.

Esta foi a 11ª entrevista concedida por Bolsonaro à Record em 11 meses de governo. A emissora, do bispo Edir Macedo, é o veículo eletrônico mais amistoso com o Palácio do Planalto. Uma amostra disso foi o caminho adotado pelo entrevistador, o repórter Thiago Nolasco, ao conduzir a entrevista com o presidente nesta segunda-feira. O jornalista iniciou 3 de suas 7 perguntas ao presidente com “como o senhor vê“, construção que facilita a resposta do entrevistado.

Pouco dada à exposição, a primeira-dama Michelle Bolsonaro também já gravou duas entrevistas para a emissora de TV, em janeiro e em outubro deste ano.