Após mudanças no Bolsa Família e colocar em estudo ajustes no Minha Casa, Minha Vida, o governo também estuda deixar seu carimbo em políticas de produção energética. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou marcado pela descoberta do pré-sal, e assumiu iniciativas sobre a extração de petróleo em bacias exploradas pela Petrobras. Sob a gestão de Jair Bolsonaro, a meta é marcar o mandato como o impulsionador do “pré-sol”. A meta, explica o líder do governo na Câmara (PSL-GO), é ser o difusor da produção de energia solar. 

A meta é tornar Cristalina (GO) um grande polo científico e tecnológico para transformação de quartzo bruto em silício purificado, material utilizado para a fabricação de células solares. Há anos o Brasil importa lâminas usadas na produção de painéis solares, apesar de ter uma das maiores reservas de quartzo no mundo. Quem está à frente dessa agenda é Vitor Hugo. 

O líder do governo mantém conversas com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), o ministro da Ciência e Tecnologia, Marcos Pontes, com o secretário de Desenvolvimento Econômico de Goiás, Adriano da Rocha Lima, e técnicos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). 

Presidente do ‘pré-sol’

Como presidente da Frente Parlamentar do Apoio aos Parques Tecnológicos, Vitor Hugo se articula para montar uma dessas estruturas, voltadas para a produção de energia solar, em Cristalina. “A gente pode até ter a ideia de criar o programa do ‘pré-sol’. Tornar o Jair (Bolsonaro) o presidente do pré-sol, o cara que vai desenvolver a ideia de energia solar a partir destes polos. Matéria prima a gente tem, de boa qualidade”, destacou. 

As universidades brasileiras conseguem purificar o silício ao grau necessário para a obtenção de células solares, mas, ainda, em pequenas quantidades. A meta de Vitor Hugo é desenvolver pesquisas científicas para desenvolver uma produção em escala. “Ou fazer parcerias para absorver a tecnologia e, com o tempo, desenvolver nossas próprias indústrias de purificação”, sustentou. 

Potencial logístico

O líder vai conversar com Bolsonaro sobre o assunto, aproveitando que o tema sobre energia solar está em alta. Na última semana, ele determinou que o governo não aceitará taxação sobre esse tipo de energia. Estará no centro do debate as conversas que teve e mantém com os técnicos do BNDES sobre financiamentos a parques tecnológicos em Goiás. “Que inclui não só Cristalina, mas outros, como em Aparecida de Goiânia e Anápolis, que tem grande destaque por todo o potencial logístico. As BRs, que saem dali, e o aeroporto de cargas”, afirmou. 

A partir dessa quarta-feira (14), Vitor Hugo vai percorrer alguns parques tecnológicos de Goiás. “A ideia é levar técnicos do BNDES para fazer uma primeira avaliação, pelo menos em Goiânia, Aparecida e Anápolis. Mas mandei emenda parlamentar e recursos para Jataí (GO), para um futuro parque tecnológico no município”, frisou.