Ademar Rafael Ferreira (Papa)*

Ade maleu lapa-el – Vamos retornar com o assunto Administração para suas origens. Onde estão as primeiras marcas? Quando começou efetivamente o processo de sistematização?

Papa – Acredito ser impossível identificar o ponto de partida, mesmo assim vamos narrar fatos onde são perceptíveis aplicações de variáveis que formam o universo da Administração.

Quando nos debruçamos sobre as campanhas de Moisés, Ciro, Alexandre, Aníbal e Júlio César constatamos que todos eles utilizaram métodos e conceitos da Administração em suas trajetórias.

Um exemplo clássico pode ser retirado do diálogo entre Moisés e seu sogro Jetro, citado na bíblia em Êxodo 18:13-26. Nele, ao ser questionado como proceder para escolha de auxiliares, Jetro sugere: “Escolha entre o povo homens capazes e tementes a Deus, que sejam seguros e inimigos do suborno; estabeleça-os como chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez”.

Ao acatar a sugestão Moisés aplicou técnicas e critérios de seleção de pessoas, delegação de poderes e formação de equipes. Veja que capacidade e honestidade estão entre as qualidades que os escolhidos teriam que ser portador.

Saindo do campo especulativo vamos adentrar no espaço da sistematização. Vários autores defendem a tese que a Administração surge, de fato, no século XVII com o surgimento das primeiras fábricas e creditam a Adam Smith a primazia de abordar as vantagens da divisão do trabalho em seu livro “A riqueza das nações”.

O primeiro grande mentor da Administração, para totalidades dos estudiosos do tema, foi Frederick Taylon que em 1903, que apresentou suas teses à Sociedade Americana de Engenheiros Mecânicos. Estudos estes posteriormente levados para o livro “Princípios da Administração Científica”, cujos pilares são: “É preciso estudar as tarefas para definir como elas devem ser executadas; devem ser selecionadas as melhores pessoas para execução das tarefas; é preciso treinar as pessoas e é preciso oferecer incentivo monetário para as pessoas desempenharem bem suas tarefas”.

Em sua grande obra Taylon indica também que as práticas a seguir são decisivas para êxito dos processos: “Estudo de tempos e movimento, para que os últimos sejam sistematizados; padronização de ferramentas e instrumentos e adoção de um sistema de pagamento vinculado ao desempenho do trabalhador”.

O que nos ensina Jetro com seus conselhos e Taylon com os pilares da sua teoria não tem prazo de validade. Podem até ser adaptadas, ignoradas jamais. Até agora venceram todos os modismos.