Se não tem economizado nas absurdas demonstrações de preconceitos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, até agora não conseguiu mostrar capacidade efetiva para tocar um processo de retomada mais forte da economia. Desde que ele tomou posse como superministro, em janeiro de 2019, só vem acumulando frustrações quando o assunto é crescimento econômico. 

Guedes assumiu com um discurso de que, com a posse de um governo liberal, o país entraria em um ciclo contínuo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB). Num tom ufanista, prometeu zerar o deficit público, superior a R$ 130 bilhões, em apenas um ano. Muita gente acreditou em tais promessas. 

A realidade que tem se imposto, porém, é totalmente diferente. A economia continua patinando e as contas públicas apresentam rombo próximo de R$ 100 bilhões ao ano. A incapacidade da equipe de Guedes de fazer o país crescer é tão grande, que nem a taxa básica de juros (Selic) no menor nível da história (4,25% ao ano) e a inflação abaixo da meta surtiram efeito. 

Desconfiança 

Embalada pelo discurso otimista de Guedes, a maior parte dos economistas chegou a prever crescimento de até 3% em 2019. A euforia entre empresários e integrantes do mercado era tamanha, que consultorias e bancos revisaram para cima suas projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) por diversas vezes. 

Aos poucos, porém, a ficha foi caindo e a realidade dando as caras. Agora, o Banco Central informa que a economia brasileira cresceu apenas 0,89% em 2019. Quando se olha para os resultados mensais do IBC-Br, que funciona como prévia do PIB, o que se vê é o número de novembro revisado de alta de 0,18% para queda de 0,11% e o de dezembro apontando contração de 0,27%. 

Esses dados ruins, que aumentam a desconfiança, vêm das quedas de 0,7% na produção industrial, de 0,1% no varejo e de 0,4% em serviços no último mês de 2019. Tudo isso mostra que, em vez de acelerar, como propagou Guedes, a economia perdeu força. Não por acaso, os especialistas estão revisando todas as estimativas de PIB de 2020 para baixo. Alta de 2% virou teto. 

Parasitas e domésticas 

O falastrão Guedes, que já agrediu a mulher do presidente da França, defendeu o AI-5, chamou os servidores públicos de parasitas e disse que não é aceitável que empregados domésticos viagem para a Disney. Mais preconceituoso impossível. 

Não custa lembrar que, depois de muitas tentativas e uma espera de mais de 30 anos, Guedes chegou ao posto mais alto da economia. Até agora, está sendo mais destaque pelas atrocidades que fala do que pela melhora efetiva da economia. 

Mais: Guedes poderia refletir sobre uma frase do genial Millor Fernandes. “As pessoas que falam muito mentem sempre, porque acabam esgotando seu estoque de verdades”.