Teste do pezinho feito em Pernambuco diagnostica quatro doenças — Foto: Reprodução/TV Globo

G1

O teste do pezinho deve ser feito em recém-nascidos para detectar quatro doenças, entre elas a fenilcetonúria, que pode provocar deficiência mental irreversível, e a fibrose cística, que pode causar morte por pneumonia. Apesar da importância do exame, na rede pública de saúde de Pernambuco, há cinco meses, nenhum procedimento desse tipo é feito, por falta de materiais e equipamentos para o diagnóstico. Por isso, há mais 30 mil bebês esperando os resultados.

É fundamental realizar o exame até o quinto dia de vida, ainda na maternidade. A partir do teste, os médicos podem começar a tratar as doenças. Em 2018, o procedimento identificou doenças em 2.858 bebês, no estado.

Todos os exames são realizados pelo Laboratório Central (Lacen), administrado pela Secretaria Estadual de Saúde. O órgão informou que a empresa que ganhou a licitação para fornecer o kit com reagentes e equipamentos para realizar o exame não cumpriu as exigências técnicas. A empresa que ficou em segundo lugar foi convocada, mas ainda não conseguiu começar a entrega dos resultados.

O laboratório informou que pretende reforçar os trabalhos para entregar tudo em um mês. Entretanto, até que tudo seja regularizado, famílias, como a de Marina, esperam há quase seis meses pelo resultado do teste. Quando ligam para o Hospital da Mulher, na Zona Oeste do Recife, onde a filha nasceu, não recebem qualquer previsão.

“É algo que ela tem direito, que a gente tem direito a ter acesso, e já passou esse tempo todinho e nada, né, nem sinal de fumaça”, afirmou a terapeuta ocupacional Ivonete Silva, mãe de Marina.

Segundo a diretora do Lacen, Rose Hans, a demora não deve comprometer os diagnósticos. “O Lacen recebe todos esses exames e acondiciona, é refrigerado, então, eles estão em condições de poder serem analisados, agora que já voltamos a fazer”, afirmou.

Entretanto, para a pediatra neonatologista Bruna Brasileiro, a demora pode comprometer a vida dos bebês que apresentarem diagnósticos positivos para alguma das doenças.

“É preocupante essa demora, porque isso pode impactar na qualidade de vida dessas crianças. Um diagnóstico tardio pode levar a uma repercussão, um atraso no desenvolvimento dessa criança, que seria irreversível”, declarou.