É inaceitável a postura fascista do Banco BTG Pactual em relação à imprensa. Copiando o autoritarismo do governo federal, decidiu segregar a imprensa em um evento com autoridades, empresários e investidores na última terça-feira (18). Não custa lembrar que o dono do banco, André Esteves, foi preso por suspeita de corrupção durante os governos petistas. 

A alegação do banco para segregar a imprensa em uma sala do Grand Hyatt, em São Paulo, disponibilizando banheiros químicos para os jornalistas, foi bizarra: parte dos palestrantes não estava à vontade diante da possibilidade de ser abordada pela imprensa. Por quê? Que medo é esse de jornalistas? Têm algo a esconder? 

O BTG Pactual mostra o quanto o setor privado está sendo contaminado pelo tratamento absurdo que o governo — em especial, o presidente da República, Jair Bolsonaro — vem dando aos jornalistas, como se fossem inimigos. São apenas profissionais cumprindo a clara missão de manter a sociedade informada e apta a pensar. 

Repúdio 

A situação criada BTG Pactual deve ser repudiada. De início, até os toaletes do hotel foram vetados, com a instalação de banheiros químicos para a imprensa no lado de fora. Somente depois das reclamações dos profissionais, o uso de banheiros no restaurante do lobby do hotel foi liberado. 

Esse modelo seguindo pelo BTG Pactual lembra muito a posse de Bolsonaro. A imprensa foi tratada com descaso nunca visto. Os repórteres escalados para cobrir o evento não puderam levar nem comida, mesmo sendo obrigados a chegar ao local onde ficaram confinados até sete horas antes. 

No Itamaraty, os jornalistas ficaram presos em uma sala por horas para não terem acesso a nenhum convidado para a posse presidencial. A liberdade de livre circulação dos jornalistas foi totalmente cerceada. E continua sendo. 

Vale o registro

Felizmente, nem todos se renderam ao fascismo do BTG Pactual: cinco dos mais de 30 palestrantes e moderadores, em respeito, foram até os jornalistas para conversar: o presidente da Câmara, Rodrigo Maia; o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida; e os governadores João Doria (São Paulo), Wilson Witzel (Rio de Janeiro) e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul). 

Não custa lembrar: o banco de André Esteves, que teve ligações íntimas com os governos petistas, foi criado pelo hoje ministro da Economia, Paulo Guedes. Realmente, os interesses mudam de acordo com a conveniência. 

Outro lado

A assessoria de imprensa do BTG Pactual informou que o evento realizado na terça-feira, o CEO Conference, tradicionalmente é fechado aos jornalistas. Afirma, ainda, que a sala usada pelos profissionais tinha todas as condições de trabalho. Mais: os palestrantes que chegaram até a imprensa foram levados pela assessoria do banco após pedido dos jornalistas. As informações são do Blog do Vicente.