Pedro Araújo

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Na região do semiárido brasileiro, o período de chuva costuma ser curto e é preciso aproveitá-lo para fazer o plantio. Para esperar a chegada desse momento ideal para a plantação, os agricultores costumam ter o hábito de guardar as sementes em casa. Porém, para garantir uma maior segurança para esses trabalhadores rurais, a Articulação do Semiárido (ASA) e a Fundação Banco do Brasil firmaram uma parceria para implantar 180 bancos comunitários de sementes e 171 cisternas para armazenamento de água da chuva em nove estados do semiárido, com investimento social de R$ 10,8 milhões. Cada estado será beneficiado com 20 bancos de sementes e Pernambuco está incluído no programa, com 400 famílias envolvidas.

Os bancos de sementes prometem garantir uma maior segurança aos agricultores na hora que chegar o período ideal para plantar. A ideia é usar o espaço de uma casa para que os trabalhadores do campo possam guardar as suas sementes em prateleiras e garrafas pet ou recipientes maiores. “Todo agricultor tem o hábito de guardar sementes em casa. Mas, se precisar comer, vai usá-las. Ou se plantarem no período inapropriado, vão perder o plantio. Então eles vão deixar as sementes no banco e, quando chegar o período de chuva, eles e outras pessoas podem pegar a quantidade de semente para plantar. Desta forma garante um nível de segurança maior para a semente”, explica Maitê Maronhas, assessora da ASA.

Ela reforça que, em Pernambuco, não existe tradição de bancos comunitários de sementes e que a implementação vai beneficiar os agricultores locais. “Quando a gente vai a campo, encontra o hábito de guardar em casa. E a chegada dos bancos é um passo muito grande e que vai fazer diferença na vida das pessoas porque elas vão ter a semente na mão na hora que precisarem. Não vão precisar esperar programa de governo, que pode atrasar as sementes, levando em consideração que o período de chuva é curto”, completa.

Os bancos comunitários funcionam com a mesma lógica de uma instituição financeira, usando as sementes no lugar do dinheiro. Os agricultores participantes depositam no banco as sementes e, quando chega o período de plantar, eles emprestam a quantidade necessária. Após colher, cada um devolve 50% a mais do que foi emprestado, ajudando a aumentar o estoque para ter a capacidade de ajudar mais gente na próxima colheita.

As sementes utilizadas no programa são as crioulas, que vêm sendo selecionadas por agricultores ao longo dos anos. “As sementes comerciais são levadas para laboratório para serem melhoradas e, quando são avaliadas como boas, voltam ao mercado. A questão é que as condições do campo variam, em uns lugares chove mais e em outros menos. Já as sementes crioulas são escolhidas entre as melhores e sempre foram trabalhadas no mesmo lugar, então estão adaptadas para aquele lugar específico. Elas se adequaram às condições dali”, afirma. As sementes crioulas do Semiárido tem característica importante porque são mais resistentes à seca.

Além dos bancos de sementes, a iniciativa também vai implantar 171 tecnologias sociais de acesso a água que captam e armazenam água da chuva para a produção de alimentos e a criação de pequenos animais.

Um dos mais tradicionais eventos culturais de Pernambuco chega a sua 48ª edição, a Missa do Vaqueiro de Serrita, no Sertão Central do Estado. A cerimônia foi idealizada para homenagear o vaqueiro Raimundo Jacó, primo do rei do baião Luiz Gonzaga, que foi assassinado em 1954. Neste ano de 2018, a programação teve inicio no dia 19 e termina neste domingo 22 de julho, ao longo desses dias acontecem shows, apresentações culturais, vaquejada e pega de boi.

Como já é de costume em ano de eleições a movimentação de políticos é intensa, principalmente neste domingo quando se encerra as homenagens com uma missa campal. No entanto, ameaças de protestos por parte dos pipeiros que cobram do Governo do Estado valores atrasados referentes aos serviços prestados de contratos de veículos para abastecimentos de água, deve mudar a agenda do governador que já o mesmo era esperado para este domingo.

Edson Novaes, que é um dos pipeiros que tem dinheiro para receber do Estado, informou ao Portal de Serrita que a manifestação estava programada para acontecer neste sábado (21), todavia ele foi comunicado do cancelamento dos protestos. Ainda de acordo com Edson, uma conversa entre representantes dos pipeiros e do governo está marcada para acontecer esta semana, mesmo assim, não era dada como certa a presença do governador no encerramento da programação.

Nos primeiros meses do ano, choveu no estado acima do esperado para o período em todas as regiões. (Foto: Marlon Costa/Pernambuco Press)

Nos primeiros 20 dias de julho, choveu no estado de Pernambuco cerca de 20% do volume de chuvas esperado para o período, registrou a Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac). O órgão já esperava precipitações abaixo do normal neste mês, mas o volume foi inferior ao que previam os meteorologistas

“Embora seja um ano que está sendo próximo do normal, as condições oceânicas não foram favoráveis para que as chuvas aumentassem aqui, principalmente na faixa leste do estado de Pernambuco”, explicou Roberto Pereira, meteorologista da Apac-PE.

De acordo com Pereira, o início do mês coincide com o fim do inverno na Zona da Mata, Agreste e Região Metropolitana do Recife. “Na realidade, o que as pessoas consideram como inverno, a gente considera como quadra chuvosa, o que seria os quatros meses onde se tem o maior volume de chuva durante o ano”, comentou.

No Sertão, a quadra chuvosa compreende os meses de janeiro a abril. “No início do ano, a previsão era de que a chuva no Sertão fosse dentro do normal ou acima do normal. E isso ocorreu. Inclusive, choveu cerca de 6% acima do normal entre janeiro e abril”, disse o meteorologista. Neste período, a Grande Recife registrou 30% de precipitações acima do que era esperado para os mesmos meses do ano.

Nos próximos meses, a Apac estima que haja uma pequena queda no volume tradicionalmente esperado para o segundo semestre. Nesta época do ano, normalmente, não são registradas muitas precipitações. “Isso não significa que não vai chover, mas as chuvas são bastante reduzidas nessa época”, explicou Roberto Pereira.  

Cristina Amaral aprendeu a cantar tendo Gal Costa como inspiração. / Foto: Guga Matos/JC Imagem

Que Cristina Amaral é o próprio forró todo mundo sabe. A música composta por Petrúcio Amorim virou a identidade desta cantora de 56 anos, natural de Sertânia, no Sertão de Pernambuco. Comemorando 35 anos de uma carreira de sucesso, Antônia Cristina Amaral Silva já rompeu fronteiras do Brasil e do mundo levando a força desse gênero nordestino nos palcos afora. Mas na noite desta segunda-feira (23), no Festival de Inverno de Garanhuns, a artista mostrará sua veia mais romântica no show Para Núbia, com Amor, às 21h, entoando os sucessos da saudosa Núbia Lafayette, além de lançar simbolicamente o disco deste concerto em plena Noite da Seresta no Palco Mestre Dominguinhos.

O gosto pelo romantismo, porém, não é uma novidade para Cristina Amaral. “Sou muito fã de Gal Costa desde adolescente. Apaixonada mesmo. Ela não sabe, mas aprendi a cantar com ela”, confessa. A facilidade que ela tem de passear por vários ritmos veio ainda no início da carreira, quando cantava nos bailes da vida com a Orquestra Marajoara, de Sertânia, e tempos depois, na banda Os Tropicais, com o cantor Flávio José. “Não tem escola melhor do que o baile. Eu cantei tudo: Elis Regina, Zizi Possi, Elba Ramalho, Alcione, Gal, cantava samba, frevo, cantava tudo”, relembra.

Um pouco dessa versatilidade pode ser visto no mais recente CD e DVD independente Minha Voz, Minha Vida (2018), gravado ao vivo no Parque Dona Lindu e lançado em maio. Na obra, ela repassa essa história ao lado de vários convidados especiais.

Além disso, Cristina acabou de regressar de uma turnê pela Europa com data para voltar. Em janeiro, ela se apresenta no Psil Festival, na Alemanha. Até lá, ela segue tocando seus projetos musicais e sociais, como a campanha Sertânia Sem Fome, em que realiza shows beneficentes para crianças carentes de sua cidade natal.

CELEBRAÇÃO

Diante de tanto trabalho em 35 anos, nos palcos e fora dele, ver Cristina Amaral amanhã à noite no FIG é uma celebração ao seu talento. E é assim que ela deseja ser lembrada na posteridade. “Acho que eu deixo um legado, uma história na música, na cultura pernambucana e nordestina. Eu quero continuar na vida das pessoas como referência, pois tudo que fiz foi com muita dedicação e amor”, conclui emocionada.

O pré-candidato da frente “Pernambuco Vai Mudar” ao governo do Estado, senador Armando Monteiro (PTB), deu início na noite deste sábado (21) a um giro pelo Sertão do Pajeú. Acompanhado do pré-candidato ao Senado, deputado federal Mendonça Filho (DEM), e do deputado estadual Augusto César (PTB), Armando esteve nas cidades de Santa Cruz da Baixa Verde e Triunfo, levando a mensagem da mudança à população da região. É a segunda visita do senador ao Pajeú em julho. Neste domingo (22), Armando, Mendonça e o senador Fernando Bezerra Coelho (MDB) estarão na Missa do Vaqueiro, tradicional celebração religiosa que ocorre no município de Serrita.

Em Santa Cruz da Baixa Verde, Armando e Mendonça foram recepcionados com entusiasmo por cerca de 300 pessoas em um evento coordenado pelo prefeito Tássio Bezerra (PTB). Além do chefe do Executivo local, se fizeram presentes o ex-prefeito José Bezerra, o vice-prefeito Titico, os vereadores Danda Gaia, Eraldo, Megeu e Naiara, e mais representantes da sociedade civil de toda a região.

Em sua fala, o prefeito salientou a parceria com o senador, majoritário na eleição de 2014 na cidade, quando foi candidato ao governo. Entre as queixas contra o governador Paulo Câmara, Tássio Bezerra criticou a questão do abastecimento de água no município. “Grande parte do nosso povo bebe água de cacimba porque a Compesa não funciona aqui. E há recursos para isso, garantidos desde 2013. Por isso, vou apoiar Armando porque ele é um parceiro da nossa cidade”, disse.

Armando destacou a parceria com o prefeito Tássio Bezerra e disse que seu governo vai dar atenção especial à questão hídrica. “Sempre procurei lembrar de Santa Cruz da Baixa Verde em Brasília. A questão do abastecimento de água é um compromisso com o povo dessa cidade. Quero voltar aqui para dizer que cumpri a palavra”, destacou o pré-candidato. Ao longo dos anos como parlamentar, Armando destinou mais de R$ 1 milhão em emendas parlamentares, que beneficiaram a população do município em áreas como saúde, pavimentação de ruas e infraestrutura.

O pré-candidato voltou a criticar o atual governador. “Ele é bom de promessa, mas não cumpre. É bom de ordem de serviço, mas, quando inicia a obra, ela para. São muitas obras inacabadas. Por onde andamos ouvimos o povo pedindo mudança. Quando o povo quer, ninguém segura”, enfatizou Armando. Mendonça Filho também não poupou o atual governo. “Infelizmente, nós temos a pior geração de empregos do Nordeste. O que mostra que Pernambuco está andando para trás. A população tem o poder da mudança deste cenário nas mãos”, salientou Mendonça Filho.

TRIUNFO

Os dois pré-candidatos marcaram presença na abertura da tradicional Festa dos Estudantes, em sua 60ª edição, realizada no Pátio de Eventos Maestro Madureira. Armando e Mendonça prestigiaram o evento, que teve apresentações das bandas Rádio Serra Alta, Biquíni Cavadão e Brucelose. Eles circularam em meio à multidão, sendo cumprimentados e bem recepcionados pelo público presente. As informações são de Edmar Lyra.

Em meio à protesto de ex-trabalhadores do consórcio EMSA-Siton reivindicando salários atrasados e rescisões, o Ministério da Integração Nacional liberou as águas do Rio São Francisco para o Reservatório Negreiros, na zona rural de Salgueiro. Os recursos hídricos vão encher a barragem, para serem bombeados por estação elevatória em direção ao Ceará. A estrutura faz parte do Eixo Norte do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

Nova adutora

O Reservatório Negreiros é muito importante para a população salgueirense porque é a partir dele que a Compesa (Companhia Pernambucana de Saneamento) planeja fazer uma nova adutora e extinguir os problemas da falta d´água na cidade. A estatal já solicitou empréstimo à Caixa Econômica Federal para executar a obra. O banco vai dar uma resposta sobre a liberação dos R$ 37 milhões até o final deste ano.

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O PROS anunciará na próxima terça-feira (24) a adesão à candidatura da vereadora Marília Arraes (PT) ao governo do Estado, com a tendência de indicar o ex-deputado federal Maurício Rands para uma das vagas da chapa majoritária. A princípio, com os nomes de Sílvio Costa (Avante) e de Humberto Costa (PT) no páreo para o Senado, a tendência é que a sigla ficasse com a vice. Mas não está descartado que Humberto abra mão de disputar a reeleição em uma chapa encabeçada por Marília, já que ele defendia a aliança do PT com o governador Paulo Câmara (PSB).

Amanhã, o PROS deve se reunir com Rands para apresentar a proposta de composição da chapa, já aprovada previamente pela direção estadual. Secretário de Acesso a Direitos da Organização dos Estados Americanos (OEA) em Washington, Maurício Rands foi líder do PT na Câmara. Deixou o partido em 2012 para se filiar ao PSB e integrar a gestão do ex-governador Eduardo Campos. Primo da ex-primeira-dama Renata Campos, Rands chegou a ser cotado para vice de Paulo Câmara.

O PROS tinha duas opções para compor a aliança com Marília: Rands ou o deputado federal João Fernando Coutinho. A tendência é que o parlamentar dispute a reeleição pela estratégia nacional do partido de garantir uma bancada federal, já que as novas regras eleitorais condicionam o tempo de TV e a destinação de fundos eleitorais ao tamanho das siglas no Congresso.

Além disso, o PROS firmou um compromisso com Rands de reinseri-lo no cenário político quando o ex-deputado se filiou à legenda. Há algumas semanas, a sigla ofereceu o nome dele para integrar a vice na chapa presidencial da ex-senadora Marina Silva (Rede), cujo programa de governo Rands havia ajudado a coordenar em 2014. Como o martelo não foi batido, porém, o partido passou a rever a estratégia e já discute internamente se o melhor caminho nacionalmente é mesmo a coligação com a ex-senadora.

Há dois dias, Marília circulou com Silvio Costa e João Fernando Coutinho por eventos em São José do Egito, no Sertão. Hoje, os dois se encontram para a Missa do Vaqueiro, em Serrita, também no Sertão.

A chegada do PROS à chapa da petista, além de garantir mais 31 segundos de tempo de TV e o apoio de 56 pré-candidatos a deputado estadual, pode levar ainda outra legenda para o palanque de Marília: o PMN. De acordo com dirigentes do PROS, o PMN se comprometeu em uma aliança para a disputa proporcional, e “o diálogo para a campanha majoritária está evoluindo”.

Antes do PROS, o PSC deixou a base do governador Paulo Câmara há um mês. Desde 2014, o socialista deixou de contar com PSDB, DEM, PSL e viu o comando do MDB ser judicializado. Além disso, PP, PR, PDT e Solidariedade pressionam o governo por mais espaço enquanto flertam com a oposição.

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Adotar um planejamento eficaz para destravar obras no País e evitar a paralisação de projetos estruturadores é um dos desafios para o próximo presidente. Hoje, devido a problemas técnicos e falta de recursos orçamentários, há 2.796 projetos parados no País. Apenas 517 (18,5%), referentes à área de infraestrutura, já custaram R$ 10,7 bilhões aos cofres públicos, cerca de 73% do investimento realizado, que soma R$ 14,66 bilhões. A situação de Pernambuco reflete o cenário nacional. No Estado, há 173 obras paralisadas que consumiram investimentos da ordem de R$ 1,8 bilhão. Do total, 44 são projetos de infraestrutura, sendo a maior parte de saneamento.

A conclusão é do estudo Grandes Obras Paradas: Como enfrentar o Problema?, realizado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com dados fornecidos pelo Ministério do Planejamento. A iniciativa faz parte de série de documentos apresentados pela CNI com propostas da indústria para os candidatos à Presidência da República.

A CNI não divulgou o nome de todas as obras, mas realizou análise de três grandes empreendimentos: as Ferrovias Oeste Leste (Fiol) e Transnordestina e a Transposição do São Francisco, que refletem problemas da área de infraestrutura, os mais preocupantes. Nesta categoria, estão parados projetos de saneamento, aeroportos, portos, hidrovias, rodovias e ferrovias. A maioria foi descontinuada quando já estava parcialmente concluída, o que implica “significativo custo de oportunidade”, segundo a CNI. Só de saneamento, há 447 construções paralisadas. Creches, pré-escolas e quadras esportivas nas unidades de ensino representam quase metade das obras paradas (48,7%), mas são mais baratas e de menor complexidade. 

Entre os principais entraves para conclusão dos empreendimentos, estão abandono da obra por parte das empresas, problemas técnicos, falta de recursos financeiros e titularidade de terras ou desapropriação. “No País e em Pernambuco, o principal problema que leva à paralisação de obras é de ordem técnica. São projetos de baixa qualidade que denotam mau planejamento. No caso das escolas e creches, muitas empresas pequenas assumiram as obras e, com a crise econômica, não conseguiram levar adiante”, explica a especialista em Infraestrutura da CNI, Ilana Ferreira.

Para evitar paralisações, a CNI aponta que a solução está em melhorar o planejamento. Isso é possível com realização de planos setoriais plurianuais, projetos eficientes de engenharia, que incluam cronogramas, orçamentos, fontes de financiamento, avaliação e alocação de riscos, previsão de licenças ambientais, entre outros. Além disso, também é preciso alinhar as equipes, desenhar contratos mais equilibrados e fortalecer o controle interno. 

Das três obras analisadas, a Transnordestina foi à única que recebeu sinal vermelho para ser concluída. Segundo a CNI, é preciso realizar mais estudos sobre a viabilidade do projeto. A ferrovia foi projetada para ligar o interior do Nordeste aos portos de Suape, no Recife, e de Pecém, no Ceará. Segundo a CNI, o projeto mal elaborado não levou em consideração vários aspectos, entre eles, desapropriações e judicializações. De acordo com o Ministério dos Transportes, grupo de trabalho concluído no fim do ano passado apontou que é possível retomar aportes públicos na obra desde que sejam atendidas algumas condições, como a apresentação de um parceiro estratégico que suporte R$ 4,5 bilhões necessários para a conclusão do investimento. Até dezembro de 2016, a ferrovia recebeu investimentos de R$ 6,3 bilhões.

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Para triplicar seu tempo de TV na campanha, o presidenciável Geraldo Alckmin (PSDB) fechou acordo com líderes partidários que têm uma ficha de ao menos 13 inquéritos criminais por suposto envolvimento em corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes contra a administração pública. 

Os representantes do Centrão que assumiram a dianteira das negociações com o tucano são investigados na Operação Lava Jato, a maioria por recebimento de propinas da Odebrecht. Os casos motivaram rumorosas operações da Polícia Federal e tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República como integrante do chamado quadrilhão de seu partido. Conforme a acusação, ele e outros congressistas recebiam subornos em vários órgãos, entre eles a Petrobras. 

O PP tem o maior número de parlamentares citados no petrolão. Em outros três processos, Nogueira é apontado como beneficiário de até R$ 5,2 milhões em pagamentos de Odebrecht, Queiroz Galvão e UTC. Neste último caso, foi denunciado por, supostamente, obter R$ 2 milhões para favorecer a empreiteira em obras. 

Nogueira também sofreu medidas de busca e apreensão da PF em abril e, em junho, foi denunciado por tentar obstruir investigações. É acusado de ameaçar um ex-assessor que diz ter testemunhado seus crimes. O STF ainda não decidiu sobre eventual abertura de ações penais contra o senador. 

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também pediu apuração sobre pagamento de propina a Nogueira pela JBS. Presidente do Solidariedade, o deputado Paulo Pereira da Silva (SP), o Paulinho da Força Sindical, também ajudou no acerto com Alckmin. 

No STF, ele enfrenta duas investigações sobre fraude no Ministério do Trabalho. A mais recente veio à tona em maio, com a Operação Registro Espúrio. Paulinho e outros políticos estão proibidos de frequentar a pasta. 

Delatores da Odebrecht citaram repasses de caixa dois para o deputado, o que motivou mais dois inquéritos. Nas planilhas de propina do grupo, ele era identificado como Força ou Forte. 

Num dos casos sob investigação, o deputado teria recebido R$ 1 milhão em 2014 em troca do apoio político dado à empreiteira numa greve. Outro inquérito, referente às eleições de 2010, apura recebimento de R$ 200 mil. O dinheiro, segundo os executivos, foi dado ao congressista para que ajudasse na solução de problemas em obras. 

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), desistiu de sua candidatura ao Planalto por Alckmin. Associado ao codinome Botafogo nas planilhas da Odebrecht, ele é alvo de dois inquéritos. Um apura se recebeu R$ 100 mil pela aprovação de medidas provisórias de interesse do grupo. Outro investiga pagamentos de caixa dois a ele e ao pai, o ex-prefeito do Rio César Maia, em 2008 e 2010. 

O presidente do PR, Valdemar Costa Neto, desembarcou da candidatura de Bolsonaro para aderir a Alckmin. Condenado e preso no esquema do mensalão, voltou a figurar no noticiário policial em 2016, também por causa da delação da Odebrecht. 

Dois executivos o acusaram de receber propinas nas obras da Ferrovia Norte-Sul. Seu grupo político teria ficado com 4% do valor do contrato da empreiteira com a Valec. 

Chefe do PRB, o ex-ministro Marcos Pereira é investigado por, supostamente, receber R$ 7 milhões para que o partido aderisse à chapa de Dilma Rousseff em 2014.

O episódio foi relatado por ex-dirigentes da Odebrecht. O empresário Joesley Batista, dono da JBS, disse em delação ter negociado repasse de outros R$ 6 milhões ao ex-ministro, em troca da promessa de facilidades na Caixa. 

OUTRO LADO

O advogado de Ciro Nogueira, Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, disse que havia uma tendência do ex-procurador-geral Rodrigo Janot de criminalizar a política.

Ele explicou que, no caso sobre recursos da UTC, por exemplo, faltavam elementos até para abrir o inquérito. 

“O Ciro, como presidente do PP, reconhece que fazia os pedidos para doação em nome do partido. A partir daí, o Janot fez ilações irresponsáveis, absolutamente prematuras e sem outro indício que o comprometesse”, criticou Kakay.

Ele afirmou que a denúncia sobre obstrução de Justiça é teratológica (deformada). A assessoria de Paulinho da Força não retornou a contatos da reportagem. Maia disse que prestou os esclarecimentos solicitados e que espera ver tudo resolvido com brevidade. Costa Neto informou, também por escrito, que não comenta trabalho de investigação ou conteúdos que serão examinados pelo Judiciário.

Na primeira entrevista do GLOBO com candidatos à Presidência, Jair Bolsonaro, que será escolhido neste domingo (22), o nome do PSL ao Planalto, admite desconhecer assuntos econômicos e diz que quem responde por ele nesta área é o consultor Paulo Guedes — o seu ‘Posto Ipiranga’. O deputado ainda provoca adversários e afirma não entender o que o movimento feminista quer

Em declarações públicas recentes, o senhor gerou desconforto ao dizer que não entende de economia. Não é um problema para um candidato que mira o Planalto?

Não entendo mesmo. Não entendo de medicina, de agricultura, não entendo um montão de coisa. Acho que temos que ter bom senso para governar. Foi o que falei para a equipe do Paulo Guedes (economista responsável pelo programa econômico do presidenciável). O que a gente quer: inflação baixa, dólar compatível para quem importa e exporta, taxa de juros um pouco mais baixa e não aumentar mais impostos. Só pedi coisa boa.

Mas a economia vai ser um eixo relevante da campanha…

Esse é o bê-á-bá, precisa saber mais do que isso? Estou indo para o vestibular ou para campanha política?

Por exemplo, qual seria a sua política de combate à inflação?

É com ele (Paulo Guedes). Mas acho que tem que manter a meta que está aí, de 4,5%. Agora, é importante dizer que a inflação está muito mais baixa, não pelo trabalho da equipe econômica, mas sim pelo desemprego e empobrecimento da população.

O senhor é favorável à autonomia ou até mesmo a independência do Banco Central?

O Goldf… Como é o nome dele? (um assessor diz o nome de Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central). A ideia do Paulo Guedes é mantê-lo. Outro dia, o Paulo deu uma declaração importante: devemos manter alguns integrantes da equipe econômica atual. Até alertei: “Paulo, não fala em manter alguns da equipe, fala o nome dos caras, para não me vincular com o Temer.” Daqui a pouco, a imprensa vai dizer que apoio o governo Temer.

Qual a sua proposta de reforma tributária?

O deputado Luiz Carlos Hauly está bastante avançado em um projeto. Não vi ainda, mas as informações que tenho são de que, sendo aprovada, vai trazer um grande alívio. O Marcos Cintra (economista) tem fixação em imposto único. Eu, como leigo, acho que é legal, mas também uma utopia. Se conseguir diminuir 15 ou 20 impostos, já seria excelente. É igual à reforma da Previdência: vamos devagar, que a gente chega lá.

Taxação de grandes fortunas?

Sou contra.

E taxar dividendos?

Quem aplica no mercado financeiro, é isso? Aí eu vou para o Posto Ipiranga. Perguntar para o Paulo Guedes. Não tenho vergonha de falar isso não.

Tudo o senhor joga para o Paulo Guedes?

Sobre isso aí (taxar dividendos), eu vou ouvir a opinião dele.

O senhor é contra aumentar imposto, mas pode assumir um governo com problema de caixa. Onde vai cortar?

Se para salvar o governo, tem que quebrar os trabalhadores, vamos morrer juntos abraçados. Ninguém aguenta mais pagar imposto. Podemos também diminuir a quantidade de ministérios. Fundir Agricultura e Meio Ambiente. Transformar o Ministério da Cultura só em uma secretaria.

A negociação durante meses com o PR, liderado pelo Valdemar Costa Neto, condenado no mensalão, não contraria seu discurso contra as práticas da velha política?

Minha negociação era apenas com o senador Magno Malta. O Valdemar abriu para que eu colocasse quem eu quisesse de vice: do meu partido, do dele ou até mesmo um terceiro. Ele coligaria conosco desde que nós fechássemos aliança no Distrito Federal, Rio e São Paulo. Mas acabou, PR já morreu.

A aliança do centrão em torno de Geraldo Alckmin preocupa o senhor?

O centrão diz que vai bater mesmo o martelo lá para o dia 4 de agosto. Podem acontecer problemas entre eles, e alguém vir para o nosso lado. O atrativo que eu tenho é a popularidade. Mas estou muito tranquilo. Se der zebra, eu vou para a praia. Não estou preocupado com isso.

O senhor quer mesmo ser presidente da República?

Não estou com obsessão, mas sigo em frente. Acabei de chegar de uma viagem barra pesada. Sozinho, por Goiânia e Rio Verde (GO).

Está cansado da pré-campanha?

Eu digo que sou “imbroxável”, mas estou meio broxa sim.

O senhor vai participar dos debates?

Vou, mas sem ficar preso à agenda, no joguinho de discutir besteira. Vou dar um tranco de dez segundos e falar o que interessa. Não adianta querer me amarrar numa pauta. Vou responder o que eu quero.

O senhor imagina algum adversário caso passe para o segundo turno?

Acho que não enfrento ninguém. A gente ganha no primeiro turno. O Alckmin acabou de me ajudar com a aliança com o centrão. Vou mandar um beijo para ele. Um beijo hétero.

Ele tem tentado provocar o senhor nas redes sociais. Vai responder?

Não vou entrar na pilha dele. Ele perde em casa (São Paulo) para mim em toda pesquisa. Ele tem que se explicar, crescer um pouquinho mais.

Marina e Ciro também já alfinetaram o senhor publicamente…

Não sou psiquiatra para responder o Ciro. Já a Marina me chamou de hiena em entrevista a um programa de rádio. Imagina se fosse o inverso. A hiena é um animal que só faz amor uma vez por ano, come porcaria o tempo todo…

Sabe quanto a sua pré-campanha gastou até agora?

Não. Fico em casa de amigos. São caras que me convidam, alguns parlamentares. Há uma briga de foice para me levar a qualquer estado do Brasil. Minhas viagens são com o dinheiro do partido. Antes, viajava, em média, uma vez e meia por mês. Agora é quase toda semana.

Tem empresário ajudando o senhor no empréstimo de jatinhos ou na produção de vídeos?

Já tive oferecimento de jatinho e helicóptero e não aceitei. Sobre os vídeos, tem gente que faz no amor e manda para cá. As mídias sociais, sou eu que posto.

Há páginas no Facebook impulsionando postagens favoráveis ao senhor, além de outdoors espalhados pelo Brasil. É tudo espontâneo?

Eu não tenho nada a ver com isso. Não conheço 99% desses caras. Deve ser gente que tem dinheiro. Tem vaquinha também. Por que está acontecendo tudo isso aí? Porque sou diferente dos outros.

O senhor propôs aumentar o número de ministros do Supremo, medida tomada no passado pela ditadura militar no Brasil e por Hugo Chávez na Venezuela. Não é autoritário?

Não. Tem que propor emenda à Constituição, e os nomes seriam acolhidos pelo Senado. Eu indicaria dez. Ninguém em sã consciência acha que o Supremo, em especial a Segunda Turma, está fazendo um trabalho à luz da Constituição.

Pelos cálculos, o senhor poderá indicar dois ministros do STF se for eleito. Por que quer indicar dez?

Você tem que ter maioria independente no Supremo.

Seria dependente do senhor essa maioria, certo?

Não. Nós sabemos como são indicados os ministros. Em especial, quando começou o mensalão, o critério foi mais politizado e ideologizado. E o Supremo está numa situação de querer legislar. O Conselho Nacional de Justiça também, e o Executivo e Legislativo não tomam providência.

O senhor defende pontos fora da lei brasileira, como uma espécie de carta branca para policiais matarem em operações nas favelas. Por quê?

A lei permite só para o lado do crime. Imagina um soldado na rua em missão da GLO (Garantia da Lei e da Ordem). É surpreendido, tem troca de tiros e acaba morrendo um inocente. É justo levar esse garoto para uma Auditoria Militar para uma condenação de 12 a 30 anos de cadeia? Ele tem que ser responsabilizado por tudo isso? Estamos vivendo em guerra, e nela os dois lados atiram. Eu topo manter como está se os especialistas e a imprensa participarem com os policiais de uma operação e mostrarem como têm que fazer.

Em entrevista para a revista Playboy, em 2011, o senhor disse a seguinte frase: “Prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”. Voltaria atrás?

Negativo. Não foi do nada. Naquela época, o governo estava com um programa para combater a homofobia e apareceu o kit gay (forma como Bolsonaro chama uma cartilha que seria distribuída pelo Ministério da Educação para debater sexualidade no ambiente escolar). Minhas frases foram importantíssimas para combater a questão de ensinar sexo para criancinha a partir de seis anos de idade.

O senhor acha que é possível ensinar a ser gay?

Não é ensinar, mas estimular. Se você passa um filme na escola de dois meninos se beijando, o Joãozinho no intervalo pode dar uma bitoquinha no Pedrinho. O garoto, até uma certa fase, imita.

Um garoto não poder ver um beijo gay mas pode fazer gestos como se estivesse com armas? (Bolsonaro foi fotografado simulando o uso de uma pistola)

Pelo amor de Deus, você quer comparar beijo gay com isso? Essa foto foi tirada de maneira totalmente espontânea, o pai autorizou e tudo. Ontem fiz mais uma. Chega de frescura, quando eu era criança brincava de arma o tempo todo. Nas favelas, tem gente de fuzil por todo o lado. Um filho vê o pai policial armado todo dia. Não vejo maldade nenhuma nisso. As crianças do Brasil têm que ver as armas como algo ligado à responsabilidade e de proteção à vida.

Caso eleito, haverá preocupação de gênero na formação da sua equipe?

Não vai ter essa preocupação de afro, mulher ou gay. Quero gente que dê conta do recado. Pode ter 14 mulheres até.

O senhor repetiria hoje a declaração de que a deputada Maria do Rosário “não merece ser estuprada, por ser muito feia”?

Exemplo: estou jogando futebol contigo. Você me dá um carrinho por trás, eu xingo você e dou uma cotovelada. Chama-se ato reverso. Estávamos discutindo o caso Champinha. Ela perdeu os argumentos, me chamou de estuprador, e eu respondi no reflexo.

O movimento feminista reagiu fortemente às suas falas…

Cada um faz o que quer da sua vida. Não estou preocupado com movimento de mulher com braço cabeludo. Não interessa. Quer depilar, depila; não quer, não depila.

O movimento feminista não é sobre depilação.

Mas o que o movimento feminista quer? Não sei. Não estou preocupado com isso.

Eleições Rio de Janeiro

Estados do Norte e do Nordeste concentram, proporcionalmente, o maior número de investigações por crimes eleitorais no País no período de uma década. Nas últimas seis eleições (2006-2016), Roraima, Acre, Rio Grande do Norte, Paraíba, Tocantins e Amapá tiveram a maior relação de inquéritos policiais por eleitor no Brasil. À maioria dos procedimentos abertos se refere à compra de voto.

Os números fazem parte de um levantamento feito pelo Estadão com base em relatórios da Polícia Federal obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI). A reportagem comparou dados do número de inquéritos de matéria eleitoral enviados pela Divisão de Assuntos Sociais e Políticos (Dasp), da Polícia Federal, com a quantidade de eleitores de cada um desses Estados.  

Na década, considerando apenas os pleitos nacionais, houve crescimento de 8,9% no número de inquéritos: de 1.022 para 1.113. No Ceará e em Roraima, os casos crescem ano a ano. No entanto, houve queda na quantidade de crimes eleitorais referentes aos pleitos municipais. Ainda assim, foram abertos 2.073 inquéritos em 2016 – ante 3.528 em 2008 (diminuição de 41,2%).

Procuradores eleitorais, delegados e presidentes dos tribunais regionais eleitorais apontam que esse tipo de problema é impulsionado pela dependência que essas regiões têm em relação a empregos relacionados à máquina pública. Roraima é o Estado que mais registrou esse tipo de ocorrência – 12,9 por cada 100 mil eleitores, em média, na década. 

“De dez anos para cá o voto de cabresto tem diminuído, mas ainda é um grande problema. A falta de acesso à educação e profissionalização, e por consequência, postos de trabalho, faz com que esses eleitores dependam muito de vínculos políticos regionais”, disse o secretário judiciário do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, Helder Silva Barbosa. Segundo ele, houve uma “institucionalização” do voto de cabresto em algumas regiões. “Prefeitos ameaçam terceirizados ou dizem aos eleitores que as escolas vão fechar, o vale gás não será mais concedido e aquele contrato terceirizado será cancelado.”

Estados do Norte e Nordeste receberam reforço da PF

Em razão do número de casos registrados, Norte e Nordeste são as regiões que mais receberam, na década, reforço da Polícia Federal no período eleitoral, tanto no primeiro quanto no segundo turno das eleições, segundo relatórios da PF. Dos oito Estados que pediram auxílio para a realização do último pleito nacional em 2014, sete eram dessas regiões, além do Distrito Federal.

Ainda assim, esses números podem representar apenas parte do fenômeno, já que muitas denúncias não resultam em inquérito. “A maior parte dos crimes eleitorais é de menor potencial ofensivo, como boca de urna e, via de regra, não resulta em inquérito policial. A apuração é feita em termo circunstanciado”, diz o procurador regional eleitoral em Rondônia, Luiz Gustavo Mantovani. 

Para o professor de direito da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e promotor de Justiça Tácito Yuri de Melo Barros, a crise econômica e a forte dependência dos cargos públicos contribuem para que esse tipo de crime seja comum  nessas regiões. 

“No Norte e no Nordeste essas questões são mais acentuadas, pois têm a ver com as necessidades da população. Às vezes a moeda de troca é ainda mais simples, nem sequer é um bem durável, mas sim comida, um botijão de gás”, diz.

Para o professor de Direito Eleitoral da FGV São Paulo e do Mackenzie, Diogo Rais, uma das explicações pode estar na importância da eleição na vida desses cidadãos. “Vive-se mais dentro da máquina pública do que em outras regiões. Em cidades menores o risco é ainda maior.”

Estados criam mecanismos de prevenção 

Estados das regiões Norte e Nordeste e autoridades locais criaram mecanismos para evitar crimes eleitorais como à compra de voto, além de elaborarem campanhas de conscientização na população, mostrando as penalidades previstas em lei.

Alagoas e Amapá, por exemplo, aprovaram na última semana recomendações aos proprietários de postos de combustível: só pode ser emitido vale-combustível para pessoas físicas ou jurídicas mediante a formalização de um contrato prévio, que deve ser comunicado à Procuradoria Regional Eleitoral 20 dias antes.

O documento também pede o controle, por parte do posto, da quantidade de carros e motos abastecidos, e também veta a realização de doação de combustível a táxis, mototáxis e carros de placa vermelha. Trata-se de uma medida para coibir a compra de voto em troca de combustível. Outra proposta, ainda em discussão, é a de limitar saques em notas pequenas na semana da eleição.

No Rio Grande do Norte, a procuradora regional eleitoral Cibele Benevides emitiu recomendações que reforçam pontos já existentes da legislação eleitoral. Uma delas é a instrução de que igrejas orientem todos os seus líderes religiosos para evitar que façam qualquer tipo de veiculação de propaganda eleitoral em cultos.

Em outra, o órgão alerta para a possibilidade de responsabilizar os partidos em casos de candidaturas “laranja” de mulheres para preencher a cota de gênero. O Estado também vai “copiar” a recomendação sobre venda de combustível posta em Alagoas e Amapá. “Muitas vezes não se sabe a consequência de cometer esse tipo de crime. A recomendação vai neste sentido, de educar”, diz a procuradora. As informações são do Estado de S.Paulo.

http://www.anac.gov.br/noticias/operacao-da-anac-contra-o-taxi-aereo-clandestino-interdita-mais-uma-aeronave/Fiscalizaoascom.jpeg/@@images/71793d4f-eaab-4990-8c8a-22f5dd74bcdf.jpeg

A Anac realizou neste sábado (21), no Aeroporto da Pampulha, uma operação para combater o táxi-aéreo clandestino.

Sabe quem estava confortavelmente embarcada num desses, um Phenom 300 prefixo PP-MCG? Anitta, que havia acabado de pousar em Belo Horizonte.

O jato foi interditado pela Anac. E as habilitações dos pilotos foram suspensas.

Em 21 de maio, noutra dessas operações, um jato que levava a cantora Marília Mendonça teve o mesmo destino: foi interditado pela Anac ao pousar no aeroporto de Jundiaí (SP).

André Coelho

Atualizado às 03:59

Janaína Paschoal (foto) embarca no voo das 7h30 deste domingo no aeroporto de Congonhas, em São Paulo, para o Rio de Janeiro.

Desembarca no Santos Dumont e segue direto para o Centro de Convenções Sul América, onde a convenção do PSL começa às 9h. O partido prevê duas mil pessoas no ato.

Se nenhum imprevisto acontecer até lá, Janaína sai de lá como candidata a vice-presidente da República na chapa do capitão Jair Bolsonaro.

A abertura de processo de caducidade da concessão para a construção da Ferrovia Transnordestina, por parte da Agência Nacional de Transportes Terrestres, teve um primeiro efeito. Pediu demissão da empresa o executivo Sérgio Leite, no cargo desde 2016.

Não quis comandar obra parada. Lançado em 2006, o trajeto de 1.728 km era para estar pronto em 2010, adiou-se para 2012, 2016 e 2017. Nesse meio tempo, uma auditoria na Transnordestina (controlada pela CSN e já dirigida por Ciro Gomes) e constatou um prejuízo de R$ 150 milhões, nos dois últimos anos.

A disseminação de fake news sobre vacinação pela internet vem contribuindo fortemente para diminuir a adesão dessa prática. O resultado, segundo reportagem do Jornal O Dia, é que em 312 municípios, menos de 50% da população foi imunizada. O Ministério da Saúde lançou alerta contra a enxurrada de informações enganosas sobre o tema, solicitando que os órgãos de saúde intensifiquem as campanhas.

“Antes de compartilhar uma informação que possa causar pânico desnecessário e confundir, certifique-se que vem de uma fonte oficial. Saúde Pública é coisa séria”, alerta a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).  Em 2017, o Ministério da Saúde recebeu mais de 2,2 mil alertas de notícias no meio digital para serem analisadas. Este ano, até agora, já foram mais de mil.

A vacina é indispensável para que haja o controle de doença epidemiológica, e, em função disso, a recomendação dos órgãos de saúde é que, no mínimo, 95% da população seja vacinada. O problema é que a população fica confusa com a quantidade de fake news espalhada pela internet e passa a questionar a eficácia da imunização.

A recomendação do Ministério da Saúde sobre notícias duvidosas é que se procure a confirmação ou que se peça ajuda e orientação a um profissional da saúde antes de compartilhar a informação. No site da instituição (portalms.saude.gov.br) estão disponíveis cartilhas de orientação sobre a imunização.