Cultura

Por Naldinho Rodrigues*

Algum leitor já ouviu falar em Sergio Moraes Sampaio? Pois bem, Sérgio Sampaio foi um cantor, compositor, filho de Raul Gonçalves Sampaio, fabricante de tamancos, compositor e maestro, e de Maria de Lourdes Morais, professora primária, e primo de  Raul Sampaio , ex- integrante do Trio de Ouro e autor de sucessos como “Quem eu quero não me quer” e “Meu pequeno Cachoeiro”, sucesso de Roberto Carlos”.

Sergio Sampaio cresceu em meio musical, povoado de partituras e instrumentos, devido à atuação do pai como regente  diletante de várias bandas de música em Cachoeiro de Itapemirim, terra do rei Roberto Carlos, e Rubem Braga.

Aos 16 anos , presenciou o pai compondo  “Cala a Boca, Zebedeu”, música que viria a gravar, com grande sucesso, anos depois. Adolescente, trabalhou ouvindo muito o rádio e tornou-se um aficionado pela programação de rádio, tendo em Orlando Silva, Nelson Gonçalves e Silvio Caldas seus primeiros ídolos, bem como  os locutores Luiz Jatobá e Saint-Clair Lopes, cujo estilo esforçava-se em assimilar em imitações caseiras, o que acabou lhe valendo , aos 16 anos, a aprovação em um teste para locutor na Rádio Cachoeiro.

No rádio, aprimorou-se no oficio de locutor, aumentou sua cultura musical e  desenvolveu o hábito. Sergio Sampaio, em 1964, passou por um período de experiência na Rádio Relógio Federal, do Rio de Janeiro, quatro meses depois, retornou a Cachoeiro de Itapemirim. Em 1967, retornou ao Rio de Janeiro, a princípio, disposto a se estabelecer como radialista, para posteriormente, tentar a sorte como cantor-compositor e se destacou no cenário nacional em 1972, com a música “Eu quero é botar  meu bloco na rua”, apresentada inicialmente no IV Festival Internacional da Canção.

O compacto com a música vendeu cerca de 500 mil cópias. Esperava-se daí que  Sampaio fizesse, em série, músicas com o mesmo potencial mercadológico, mas não era para isso que tinha saído adolescente de Cachoeiro de Itapemirim. Sampaio fez o que queria, deu de ombros para a estrutura de divulgação da gravadora e ficou malvisto pelos executivos da música. Eu gosto de pensar que ele foi agente da própria carreira e que essas escolhas foram  conscientes.

Ele abriu mão do que estava se prometendo ali para ele, porque não era naquilo que ele acreditava. Diz o filho, João Sampaio: Eu tenho um puta orgulho disso. Mostra que ele era um cara, que além de tudo, tinha princípios muito firmes. É claro que ele sofreu o peso das escolhas que fez. Diverso, genial e mesmo assim relegado ao lado B da MPB (Música Popular Brasileira), cantor e compositor sofreu com a fama de maldito. Talvez pela profusão de grandes artistas, o Brasil se permita, em uma injustiça cruel, relegar ao lado B um compositor diverso e genial como Sérgio Sampaio, morto há 25 anos.

Sergio Sampaio, já disseram, era o Garrincha da MPB. Os dribles tortos se manifestavam na briga contra o óbvio, na verve afiada e pro que não? No bom humor cínico e irônico. Como Garrincha, o botafoguense, Sergio Sampaio conheceu o sucesso, o ostracismo e a lama, muito por causa dos excessos, mas também  por causa do brilhantismo e da recusa a se entregar a um sistema com o qual não concordava.

Morreu aos 47 anos, vítima de uma pancreatite, mas até o fim continuou produzindo. Pouco antes de morrer, Sampaio estava animado, apesar da doença, para gravar o primeiro CD. Os anteriores foram lançados em LP (Vinil). Em 04 de abril de 1994, Sergio Sampaio foi embora para o Rio de Janeiro, onde faria as gravações do novo álbum, mas acometido de uma forte crise de pancreatite, foi internado no Hospital IV Centenário, no bairro de Santa Tereza, onde faleceu. Foi sepultado no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

O velho bandido (chamado carinhosamente pelo seu maior amigo, Raul Seixas), há 25 anos que partiu e de lá pra cá não se ouviu mais alguém dizer ou ouvir imitando seu autor: EU QUERO É BOTAR MEU BLOCO NA RUA…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.

Festival Recife do Teatro Nacional exalta autores nordestinos

A 21ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional tem como tema “A Resistência da Arte Nordestina e a Arte Nordestina de Resistir”. O evento começa neste sábado (16) e segue até o dia 24 de novembro. Ao todo, vão ser apresentados doze espetáculos, entre produções nacionais e pernambucanas, em vários locais da cidade.

O diretor de teatro e coordenador do festival, Romildo Moreira, conta que o evento contempla diferentes gêneros das produções cênicas, mas que, desta vez, a programação vai ter um destaque especial para a contribuição nordestina ao teatro brasileiro.

Para abrir a programação de espetáculos, o evento presta homenagem a um dos principais representantes da cultura nordestina, o cavaleiro armorial Ariano Suassuna. Segundo Romildo Moreira, nos dias 23 e 24 uma montagem da peça o Alto da Compadecida será encenada com uma nova versão. “São cariocas que estão fazendo uma visita à obra de Ariano Suassuna. E mais nordestino do que Ariano, impossível”, disse.

Além de Ariano, a atriz Lúcia Machado também vai ser uma das homenageadas. Com diversos serviços prestados ao teatro recifense, Lúcia foi integrante e uma das fundadoras da Companhia Teatro de Seraphim. O coordenador do festival fala sobre a importância da homenagem. “Ela além de ser atriz, ela foi gestora pública, coordenadora de cursos de teatro (…) E ela tem também, como atriz, uma participação fundamental na encenação do teatro do Recife”, destacou. 

A 21ª edição do Festival Recife do Teatro Nacional, é uma realização da Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Cultura e da Fundação de Cultura Cidade do Recife.

Os ingressos serão vendidos nas bilheterias dos teatros, por R$ 20 (R$ 10 meia entrada).

Em evento vai ocorrer no próximo sábado (16),  um encontro que é considerado desde 2012 a confraternização da “Academia da Cultura, Letras e Músicas Gonzagueanas” acontecerá na quadra do Lions da Vila Kennedy. Sob a coordenação do pesquisador, fundador do Espaço Cultural Asa Branca do Agreste, o poeta Luiz Ferreira, o encontro dos Gonzagueanos Troféu Orgulho de Caruaru tem o apoio do Fã Clube de Gonzagão do Nordeste e do Lions Vila Kennedy.

O poeta Luiz Ferreira, diretor do Espaço Cultural Asa Branca do Agreste, avalia que o evento representa um tributo de reconhecimento e por isto além do encontro foi criado o Troféu Luiz Gonzaga Orgulho de Caruaru. O objetivo é agradecer e valorizar personalidades que fizeram e continuam prestando serviços pela história da vida e da arte do eterno Rei do Baião Luiz Gonzaga.

A cerimônia da entrega dos troféus está programada para as 17h30. Este ano seis personalidades receberão o Troféu Luiz Gonzaga Orgulho de Caruaru.

Na programação consta lançamento de livros e apresentações de cantores, sanfoneiros e amigos que voluntariamente se apresentam em um clima de confraternização que se faz presente também nos pesquisadores, jornalistas e historiadores ligados a historia do Rei do Baião.

Este ano 2019 os homenageados são:

  • Azulão – Cantor e Compositor – Caruaru (PE);
    Chico Neto – Vaqueiro – Fortaleza (CE);
    Luizinho Calixto – Compositor/Cantor e Sanfoneiro de 8 Baixos – Campina Grande (PB);
    Marcos Lopes – Empresário – Incentivador da Cultura Popular – Buenos Aires (PE);
    Tacyo Carvalho – Cantor e Compositor – Ouricuri (PE);
    Toinho do Baião – Cantor e Compositor – Recife (PE).

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O Governo de Pernambuco, através da Secretaria Estadual de Cultura e Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, divulgou o resultado das análise de mérito-artístico selecionadas Prêmio Pernambuco de Fotografia 2019. Ao todo, a premiação que está na sua segunda edição recebeu um total de 117 inscrições e mais de 426 fotos.

O resultado final será divulgado no dia 29 de novembro. Foram selecionadas 15 fotografias para uma exposição coletiva e a edição de um catálogo. Os autores também receberão um prêmio em dinheiro, no valor de R$ 6 mil por fotografia. Os selecionados na análise de mérito-artístico terão até o dia 22 de novembro para entregar a documentação completa, como previsto no edital.

O secretário estadual de Cultura, Gilberto Freyre Neto, destaca que a premiação, além de notabilizar a produção dos fotógrafos pernambucanos, busca evidenciar a riqueza e diversidade cultural do Estado. “Do Litoral ao Sertão, Pernambuco é um celeiro de grandes artistas. A ideia do prêmio é mostrar/revelar esses talentos e, principalmente, reverenciar nossas tradições culturais”, diz o gestor.

Neste ano, o prêmio homenageia dois fotógrafos que fizeram história no Sertão do Pajeú: José Pedro da Silva e José de Morais Veras. Outras informações sobre o Prêmio Pernambuco de Fotografia 2018 e a lista dos selecionados podem ser conferidas no Portal Cultura.PE (www.cultura.pe.gov/editais).

Confira abaixo a lista das fotos selecionadas:

  • Ora iê iê ô
  • Encantos do Sertão
  • A cor transforma
  • Veste Branco
  • Consolo Xukuru
  • O caboclo e o guerreiro de Ogum
  • Sr. Galego
  • Duarte
  • Fé, Força e Tradição
  • Caboclo no canavial
  • Cazumbazinhos
  • Queimando ervas
  • Yin e Yang
  • Chegança
  • Festa dos Vaqueiros de Jutaí

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa homenagem de hoje segue para um sambista muito especial, João Baptista Nogueira Júnior, mais conhecido como João Nogueira. Um carioca nascido no dia 12 de novembro de 1941, e que faleceu no dia 5 de junho de 2000.

João Nogueira foi um cantor e compositor brasileiro. Desde o início de sua carreira ficou conhecido pelo suingue característico de seus sambas. Pai do também cantor e compositor Diogo Nogueira.

João Nogueira começou a compor aos 15 anos, fazendo sambas para o bloco carnavalesco Labaredas, através o qual  conheceu o músico Moacir Silva, dirigente a gravadora Copacabana, que o ajudou a gravar o samba Espere, Ó Nega, em 1968. Mas ele apareceu no cenário artístico nacional quando no inicio dos anos 70 emplacou o sucesso das 220 Pra  Lá, samba que defendia a política de expansão de nossa fronteira marítima ao longo de 200 milhas da plataforma continental. O samba assumiu  as primeiras posições das paradas na voz de Eliana Pittman e mereceu citação em reportagem da revista americana “Time”.

Mas o primeiro álbum que levou seu nome no título, só veio em 1972, pela gravadora Odeon. No disco, um clássico: Beto Navalha, regravado por Martinho da Vila em 1973. Mas a largada pra valer de João Nogueira na carreira se deu em 1974, com seu segundo LP, ‘E lá vou eu’, disco que chamou a atenção da crítica e do mercado para uma novidade no reino do samba.

Fez grande parceira com o amigo Paulo Cesar Pinheiro, em vários sucessos e teve músicas gravadas por Elis Regina. João era diferente, não vinha do morro nem das escolas de samba, embora frequentasse a Portela desde criança, levado pelo pai, e não era o compositor de apartamento que fazia o ritmo popular, como Carlinhos Lyra, Tom Jobim e tantos outros. Aproximava-se  mais de Paulinho da Viola, com seus samba de varanda, som de subúrbios de casas avarandadas, de terreno antigo trilhado no choro e na seresta.

Seu jeito de cantar era típico dos interpretes do samba sincopado dos anos 40 e 50, mas com identidade própria. Nos quatro primeiros discos que João Nogueira lançou estavam dadas as linhas mestras do que seria sua carreira. E está contido o melhor do compositor, que um dia entrou no Portelão cantando o samba de apresentação à ala dos compositores da águia de autoria de Osvaldo Cruz.

João Nogueira morreu na madrugada  do dia 5 de junho de 2000, aos 58 anos, vítima de um infarto fulminante, em sua casa no Recreio dos Bandeirantes. João vinha sofrendo problemas circulatórios que lhe haviam causado uma isquemia cerebral dois anos antes. Esteve internado em estado grave por um bom tempo, mas conseguiu se recuperar.

Para fechar essa merecida homenagem, que tal matar as saudades do João Nogueira, com um dos seus maiores sucessos… A música: SÚPLICA…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado na Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.

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O Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Turismo e Lazer do Estado de Pernambuco e da  Empetur, em parceria com a Prefeitura do Recife, a Companhia Editora de Pernambuco, o Instituto Lourival Dantas e a Pitú abraçam a segunda edição do Encontro de Artes e Cultura do Pajeú. O evento acontecerá no Espaço Umbuzeiro, mais conhecido como o vão livre, do Centro Cultural Cais do Sertão entre os dias 15 e 17 de novembro. As atividades são gratuitas para todos os públicos, que poderá conferir as atrações a partir das 15h.

Toda a programação do segundo encontro será marcada pela pluralidade de música, poesia, dança, cinema, artesanato, que compõe o universo artístico dos municípios do Pajeú. A abertura do evento conta com apresentação da Orquestra Juvenil do Conservatório Pernambucano de Música. O grupo convidado fará pot-pourri de Xote, “Marcas da Nossa Terra”. O encontro dará continuidade com entidades em Fórum em Defesa da Cultura do Pajeú. 

Na sexta-feira (15), durante a abertura haverá uma rodada de conversa em defesa da  cultura do Sertão do Pajeú que contará com a presença do Secretário estadual de Turismo e Lazer, Rodrigo Novaes; Secretário Estadual de Cultura, Gilberto Freyre; da Vice-governadora do Estado de Pernambuco,  Luciana Santos; da Assessora Especial do Gabinete do Governador, Luciana Azevedo, do presidente da CEPE, Ricardo Leitão; da Secretária de Cultura do Recife Leda Alves; do prefeito de Carnaíba, Anchieta Patriota,  Gestor da Secretaria Estadual de Educação, Niedson; e do Pesquisador, poeta e professor, Ezio Rafael. Continue reading

Por Naldinho Rodrigues*

A musica popular romântica brasileira (Brega) ficou menos rica ou talvez mais pobre, como queiram, neste inicio de novembro. É que Sílvio de Lima, mais conhecido como Silvinho, também chamado de o Rei do Bolero e da Seresta, nos deixou.

Silvinho nasceu no dia 05 de dezembro de 1931 e faleceu no dia 02 de novembro de 2019, em Petrópolis, estado do Rio de Janeiro, aos 87 anos.

Seu maior sucesso foi à música “Quem É”, que vendeu milhares de cópias em vários países do mundo. No currículo, gravou 50 LPs, 25 Compactos e 50 CDs. Silvinho participou como convidado, dos principais programas de Rádio e Televisão do País.

Silvinho foi premiado com os mais importantes troféus da música brasileira, tais como: Chico Viola, Roquete Pinto e Buzina do Chacrinha. Silvinho compôs sua primeira música aos 15 anos, “Assim Como as Flores Morrem”.

Nas décadas de 1950 e 1960, teve intensa atuação nos conjuntos vocais Os Trovadores, Os Vocalistas, Trio Quitandinha e Conjunto Harmonia, entre outros. Nos primeiros anos da década de 1960, foi um dos maiores sucessos em vendagem de discos. Em 1961 gravou o samba “Boêmia” e o bolero “Ciúme”. No mesmo ano gravou de sua autoria e Maurílio Lopes o bolero “Quem É”, que se tornou grande sucesso, sendo gravado, logo em seguida por Gregório Barros e Bienvenido Grande.

Outro sucesso de  Silvinho foi à marchinha “Marcha da Coroa”, gravada em 1962. Em 1963, gravou “Esta Noite eu Queria que o Mundo Acabasse” de sua autoria e o bolero “Se Tu Gostasses de Mim”. Em 1964 esteve nas paradas e sucesso com a música “Mulher Governanta”.

Silvinho trabalhou na Rádio Nacional e em várias emissoras de Rádio e Tv do Rio de Janeiro e de São Paulo. Fez várias excursões ao longo de sua carreira de cantor, tendo se apresentado na Argentina, Uruguai, Chile e México. Muitas de suas músicas, principalmente os boleros, continham declamações.

Em 1999, a  Polydisc, dentro da série “20 Super Sucessos”, lançou um CD com seus grandes sucessos, entre os quais “Quem É”, “Mulher Governanta”, “Ciúme” e “Confesso”.

Desde o último sábado que a música brega sente a falta do grande ídolo, aquele que certamente jamais será esquecido. Quem gosta de tomar algo para esquecer alguma decepção amorosa, encontrará mais um pretexto para desafogar suas mágoas na birita, com a partida desse gênio do brega “S I L V I N H O”.

Vamos juntos recordar um pouco do grande cantor Silvinho, com a música “Quem É”, seu maior sucesso…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso toque de saudade, hoje, segue para Antonio Carlos Gomes Belchior Fernandes, ou simplesmente Belchior. Cearense de Sobral, que nasceu no dia 26 de outubro de 1946.

Foi um cantor e compositor brasileiro, um dos primeiros cantores de MPB do nordeste brasileiro a fazer sucesso nacional em meados da década de 1970. Durante sua infância no Ceará, foi cantador de feira e poeta repentista.

Estudou música, coral e piano com Acaci Halley. Foi programador de rádio em Sobral, e em Fortaleza começou a dedicar-se à música, após abandonar o curso de medicina.

Ligou-se a um grupo de jovens compositores e músicos, como Fagner, Ednardo, Rudger Rogério, Teti, Cirino entre outros, conhecidos como o pessoal do Ceará. De 1965 a 1970 apresentou-se em festivais de música no nordeste. Em 1971, quando se mudou para o Rio de Janeiro, venceu o IV Festival Universitário da MPB, com a canção “Na Hora do Almoço”, cantada por Jorge Melo e Jorge Teles, com a qual estreou como cantor em disco, um compacto da etiqueta Copacabana.

Em São Paulo, para onde se mudou, compôs canções para alguns filmes de curta metragem, continuando a trabalhar individualmente e às vezes com o grupo do Ceará. Em 1972, Elis Regina gravou sua composição “Mucuripe” (com Fagner). 

Atuando em escolas, teatros, hospitais, penitenciárias, fábricas e televisão, gravou seu primeiro LP em 1974, na Chantecler. O segundo, Alucinação (Polygram, 1976), consolidou sua carreira, lançando canções de sucesso como “Velha Roupa Colorida; Como Nossos Pais (depois regravadas por Elis Regina), e Apenas Um Rapaz Latino Americano”. Outros êxitos incluem “Paralelas” (lançada por Vanusa), “Galos, Noites e Quintais” (regravada por Jair Rodrigues) e “Comentário a Respeito From John” (homenagem a John Lennon).

Em 1983, Belchior fundou sua própria produtora e gravadora, Paraísos Discos, e em 1997 tornou-se sócio do Selo Camerati. Sua discografia inclui um Show – Dez Anos de Sucesso (1986, Continental) E Vicio Elegante (1996, GPA/VELAS), com regravações de sucesso de outros compositores.

O desaparecimento de Belchior surpreendeu a todos, família e amigos. Ninguém poderia esperar tal atitude. Ele deixou para trás a agenda de shows e todo o patrimônio, incluindo roupas, documentos, quadros, automóveis e apartamento.

O sumiço transformou Belchior em figura cult. A pergunta “Onde Está Belchior?” ecoou na internet e teve até repercussão internacional.  Surgiram  blogs sobre o tema. Campanhas nas redes sociais pediram a volta do músico. E apareceram montagens cômicas em que Belchior aparece em locais inusitados como a ilha do seriado Lost.

Suas músicas no YouTube, que antes tinham 5 mil acessos diários, hoje batem 500 mil. O sucesso no mundo virtual não trouxe nenhum benefício para Belchior de Carne e Osso. Aos 67 anos, ele viveu escondido com Edna em Porto Alegre, se escondendo do público e procurado pela polícia.

O mais intrigante na espantosa história de Belchior é que ele aparentemente não agiu movido por depressão, dívidas ou golpe publicitário, como se pensou no princípio. A influência da mulher foi apontada pela maioria dos amigos como o motivo do seu  comportamento. Ainda assim, não unanimidade.

“Edna não conseguiria sozinha virar a cabeça de alguém inteligente como Belchior. Foram dois sonhadores, juntaram suas utopias, deixaram de acreditar neste mundo materialista, objetivo e mesquinho e partiram para um caminho de desapego”, disse o artista plástico José Roberto Aguilar, amigo do casal.

Belchior partiu de vez e nos deixou no dia 30 de abril de 2017. Faleceu em Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul.

Curta um dos grandes sucessos desse arretado e intelectual cearense, matando as saudades de: Tudo Outra Vez…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.

Com o propósito de ajudar ao próximo, o grupo Amigos No Sertão está realizando uma festa beneficente com atrações regionais no dia 2 de novembro, às 20h, na Casa Rosada. O evento contará com artistas como Banda Os Carlos, Luizinho de Serra e Banda e o Poeta Flávio Leandro. Os ingressos estão à venda por R$ 60 na Livraria Jaqueira, Academia Clube 17 ou com a coordenação do evento.

O grupo surgiu há cinco anos e atualmente se tornou uma associação regulamentada para ajudar pessoas necessitadas nas regiões sertanejas. A equipe realiza viagens para o interior onde a população tem pouco acesso à saúde, alimentos e bens básicos como a água. Há quatro anos, o grupo vai até Conceição das Crioulas, uma comunidade remanescente de quilombo localizada na zona rural de Salgueiro, no Sertão, distante 550 km da capital pernambucana. 

Os idealizadores preparam a 1ª Festa Beneficente Amigos No Sertão e todo o dinheiro arrecadado com a venda dos ingressos será destinado para o “Projeto Amigos No Sertão em Salgueiro”, que visitará, ainda neste ano, a comunidade Conceição das Crioulas, levando às 1.100 famílias doações de redes, cestas básicas, kits de higiene pessoal, kits escolares, roupas e brinquedos. Além disso, o grupo levará uma equipe de médicos para atender à população.

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O sábado (26) será de circo em Triunfo, no Sertão pernambucano. É que o grupo Chocobrothers (SP) estará na cidade para nova edição do Palco Giratório. O grupo vai encenar espetáculo de mesmo nome às 20h, no letreiro da cidade, ao lado da base do teleférico do Sesc. No dia 27/10, o grupo também realiza a oficina “Técnicas acrobáticas, palhaçaria e malabares” no Museu do Cangaço (Serra Talhada). As duas ações são gratuitas.

O espetáculo tem classificação indicativa livre e mistura humor com números circenses, como a barra fixa, malabarismos e equilíbrio. O roteiro, bem-humorado, coloca os personagens Jeniffer, James e Brian em situações embaraçosas e muito engraçadas, com um repertório composto por músicas dos anos 1970.

No domingo (27), o grupo Chocobrothers vai ministrar a oficina “Técnicas acrobáticas, palhaçaria e malabares”, que pretende ensinar bases acrobáticas, palhaçaria e malabares para iniciantes. Os participantes experimentarão acrobacias de solo, mão-a-mão, acrobalance, cascatas, entre outras técnicas. Voltada para pessoas de todas as idades, a oficina tem carga horária de 4 horas é gratuita. As vagas são limitadas, e as inscrições podem ser realizadas na Biblioteca do Hotel SESC Triunfo.

Serviço

Palco Giratório

Espetáculo “Chocobrothers” – Dia 26/10, às 20h

Local: Letreiro da cidade, ao lado da base do teleférico do Sesc

Oficina “Técnicas acrobáticas, palhaçaria e malabares” – Dia 27 – 8:30h às 12:30h

Local: Museu do Cangaço (Serra Talhada – PE)

Informações: (87) 3846-2859

Por Naldinho Rodrigues*

O nosso toque misturado de saudade é para Wanderley Alves dos Reis, mais conhecido pelo público brasileiro como ”Wando’. Foi um cantor, violonista e compositor, chamado também popularmente de o ‘Rei das Calcinhas’.

Wando nasceu em 2 de outubro de 1945 em um arraial chamado Bom Jardim no estado de Minas Gerais. Lá ficava a fazenda  que teria pertencido aos seus avós. Seu registro, no entanto, foi feito na cidade de Cajuri, no mesmo estado.

Wando contou que ainda criança mudou-se para Juiz de Fora (MG), onde concluiu seu antigo primário. Mais tarde, ele foi para Volta Redonda (RJ), onde trabalhou como entregador de leite em residências, entregador de jornais, feirante e até caminhoneiro. Na mesma época passou a se interessar  por música, tendo inicialmente se dedicado ao estudo do violão clássico. Nessa fase de sua vida, Wando descobriu que não era interessante o estilo de violão clássico, pois ele queria fazer músicas para as mulheres, e em seu entender, esse estilo musical fazia com que elas ficassem entediadas.

Wando então descobriu sua verdadeira vocação musical, a de criar músicas românticas direcionadas especificamente para as mulheres. Após deixar a profissão de feirante, Wando mudou-se para Congonhas, também no estado de Minas Gerais.

Lá, começou a viver a música como integrante de um conjunto chamado “Escaravelhos”. “Escaravelho para quem não sabe, é um besouro, a mesma coisa que Beatles”.

Cinco anos mais tarde, decidiu tentar a sorte no eixo Rio de Janeiro/São Paulo. Frustrada a passagem pelo Rio de Janeiro, chegou a São Paulo, onde teve gravado seu primeiro sucesso, na voz de Jair Rodrigues. A composição “O Importante é ser Fevereiro”, teria sido uma música muito tocada  no Carnaval de 1974.

A canção  integra o disco de estreia de Wando, “Glória a Deus e Samba na Terra” (1973). De acordo com Wando, aquele trabalho seguia a linha do formato de Caetano Veloso, Chico Buarque de Holanda e Gilberto Gil.

A guinada em direção ao repertório romântico foi simbolizada pela música “Moça” do disco seguinte Wando (1975). Wando falou que cantando na noite em São Paulo, descobriu que a parte feminina adorava quando ele tocava músicas românticas. Ao longo da década seguinte, Wando consolidaria a reputação, como ele mesmo lista de “Obsceno, O Cara da Maçã, O Cara da Calcinha”.

É desse período, quando o cantor já vivia no Rio de Janeiro, sua musica  mais conhecida, “Fogo e Paixão”, do disco o mundo romântico de Wando, (1988), o décimo quarto da carreira. Wando foi precedido  por trabalhos como “Gosto de Maçã” (1978), “Gazela” (1979), “Fantasia Noturna” (1982), “Vulgar e Comum é não Morrer de Amor”, (1985) e “Ui-Wando Paixão” (1996).

Entre os álbuns de estúdio e registros ao vivo, Wando contabiliza 28 trabalhos, ao todo. O cantor acreditava  ter vendido dez milhões de discos, até na época que a gente contava. Depois, houve a história da pirataria, que acabou o fazendo mais popular. Permanecendo até os seus últimos dias.

Em 27 de janeiro de 2012, o cantor estava em Minas Gerais para a realização de uma sequência  de shows, quando se sentiu mal, sendo levado para o Hospital Biocor, em Nova Lima, Wando deu entrada com um quadro grave de problemas cardíacos. Nesse mesmo dia, Wando foi submetido à uma angioplastia coronariana para desobstrução de uma artéria do coração, sendo internado em estado gravíssimo na UTI do mesmo hospital, ficando internado por 12 dias, e não resistindo ao quadro clínico, faleceu em 08 de fevereiro de 2012 quando tinha 66 anos, deixando oito netos e uma filha de cinco anos, com Renata, e outras duas filhas e um filho de casamentos anteriores.

O corpo de Wando foi sepultado no dia 09 de fevereiro de 2012 no Cemitério Bosque da Esperança em Belo Horizonte. Que coincidência, Wando surgiu no mundo da música com a melodia “O Importante é ser Fevereiro”, gravada por Jair Rodrigues. E faleceu no mês de fevereiro.

Que tal, relembramos Wando com o seu primeiro sucesso…O IMPORTANTE É SER FEVEREIRO?

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o Programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7 da matina.

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Depois de uma cerimônia de abertura ontem, a Bienal do Livro do Município de Garanhuns dá início hoje a sua programação regular na Praça Mestre Dominguinhos e no Teatro Luiz Mendonça. Em sua quarta edição, o evento literário traz lançamentos, shows e palestras até o domingo, com programação gratuita.

A Bienal de Garanhuns tem como homenageados os jornalistas José Cláudio Gonçalves de Lima – também professor da rede municipal e autor de A Hecatombe – e Humberto Alves de Moraes (in memoriam). Entre as atrações, vale destacar o escritor pernambucano Raimundo Carrero, que lançou neste ano a novela Colégio de Freiras (Iluminuras), o poeta popular paraibano Jessier Quirino, a jornalista esportiva carioca Carol Barcellos e o educador paulista Celso Antunes. A realização é da Associação do Nordeste das Distribuidoras e Editoras de Livros (Andelivros). 

A programação de hoje traz, a partir das 9h, apresentação de cordel, recital poético, uma fanfarra, uma peça teatral e contação de histórias. Por volta das 10h, a pedagoga Maria Alexandre promove um curso sobre como utilizar obras infantis na formação de alunos. No restante do dia, a Bienal de Garanhuns traz apresentações de escolas. À noite, a grande atração é o educador Celso Antunes, autor de mais de 200 livros pedagógicos e 100 títulos sobre a educação. A sua palestra aborda os desafios dos docentes nas salas de aula de hoje.

Amanhã, um dos principais romancistas de Pernambuco, Raimundo Carerro, faz uma retrospectiva da sua carreira em conversa com o público a partir das 11h. A ocasião, claro, também vai marcar o lançamento em Garanhuns do livro Colégio de Freiras, narrativa voraz sobre uma jovem que é expulsa de casa e levada pelo pai para uma casa de prostituição.

Ainda na sexta, Carol Barcellos, que apresenta programas como o Planeta Extremo e Esporte Espetacular, vai falar da experiência nos esportes radicais. Outro assunto é o seu livro Quebrando os Limites, em que a repórter narra passagens pelo Deserto do Atacama, por cavernas na China e pelo Polo Norte.

No sábado, às 19h, o destaque é Jessier Quirino, que traz seus causos poéticos para o palco do Teatro Luiz Souto Maior com o espetáculo Juntando os Cacarecos, que conta a história de dois sertanejos que decidem se casar.

No último dia, também no Teatro Luiz Souto Maior, a manhã é animada com a Quadrilha Império Nordestino. O restante do dia conta com música e dança até o final do evento, às 21h.

SERVIÇO:

Bienal do Livro do Município de Garanhuns – Até domingo , das 9h às 21h, na Praça Mestre Dominguinhos e no Teatro Luiz Mendonça, em Garanhuns. Entrada franca. 

De 17 de outubro a 15 de novembro, Caruaru receberá a 2ª Bienal do Barro. A mostra, idealizada pelo artista Carlos Melo, com o tema “Nem tudo o que se molda é barro” acontecerá no Galpão da Fábrica Caroá e no Sesc Caruaru. Evento reunirá 16 artistas de todo Brasil, convidados pela curadoria de Márcio Harum. A realização e produção é da Jaraguá Produções fomentado pelo Funcultura, Sesc e Prefeitura de Caruaru. A bienal que teve sua primeira edição em 2014, gera um potente campo de condições para o resgate do barro, como símbolo cultural da região, e através desse AGRESTE/RESGATE a retomada da força telúrica, de um território considerado celeiro de produção artística.

Carlos Melo explica que a Bienal do Barro se consolida como um projeto inédito no país e de flexão entre a arte popular e a arte contemporânea, através de ações educativas. “O intuito é gerar novas plataformas de produção artística, em uma região como o Agreste pernambucano, até então, fora do circuito da arte, cuja tradição e a produção de sentido se constituem através do barro e que vem sofrendo com a falta de políticas culturais, incentivo e fomento de outras linhas de ação para a preservação do patrimônio cultural”, reitera o idealizador. 

O curador da bienal Márcio Harum destaca que a intenção é perpetuar o evento pelos próximos anos para que a discussão sobre a produção artística do Agreste não se acabe. Ele, que é coordenador do programa educativo no Centro Cultural Banco do Brasil (São Paulo), selecionou 16 artistas que utilizaram o barro como suporte artístico para ecoar a arte contemporânea em várias plataformas (performances, intervenções artísticas e espaciais, esculturas, objetos, vídeos e arte sonora). “O visitante fará um mergulho em espaços históricos como o pavilhão da Fábrica Caroá, um galpão da década de 1930, que já foi uma grande potência econômica para a cidade”, observa. A abertura foi nesta quinta-feira (17), com performance inédita de Flávia Pinheiro. Continue reading

cepe

Terra de cantadores e de poetas, o município de Arcoverde sediará entre os dias 24 e 27 de outubro a terceira edição da Feira Literária do Sertão (Felis), uma co-realização da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) e do Coletivo Cultural de Arcoverde (Cocar). O evento é o primeiro a ser realizado dentro do Circuito Cultural de Pernambuco, que reúne ações da Cepe, Secretaria de Cultura de Pernambuco e Fundarpe nas diversas linguagens artísticas. Serão mais de 40 horas e quase 60 atividades dentro de uma programação totalmente gratuita, que abrirá espaço para lançamentos de livros de autores locais e convidados, palestras, rodas de conversas, debates, apresentações musicais, oficinas, teatro, dança e gastronomia.

A programação da 3ª Felis foi apresentada nesta quarta-feira (16), em coletiva de imprensa que aconteceu no auditório da Secretaria de Educação de Arcoverde e que contou com a participação do superintendente de Marketing e Vendas da Cepe, Tarcísio Pereira; do diretor do Cocar, Kleber Araújo; do vice-prefeito de Arcoverde, Wellington Araújo e da secretária de Educação do município, Zulmira Cavalcanti.

Com o tema Literatura, Preservação e Memória, a Felis aportará na Praça Winston Siqueira – principal espaço de lazer da cidade -, ocupando também outros espaços, como a feira livre, que receberá intervenções com a participação de poetas do município, Pesqueira e Alagoinha. “O atual momento político do Brasil e do mundo reflete uma tendência ao revisionismo da história e a literatura pode ser um grande antídoto à tentativa de se apagar o passado. Há também uma discussão local que a Felis propõem uma reflexão geral: estamos cuidando da nossa memória patrimonial?”, destacou Kleber Araújo. Continue reading

Por Naldinho Rodrigues*

Se a Jovem Guarda ainda existisse, certamente seria outra com a ausência de Edson Vieira de Barros, conhecido artisticamente como Ed Wilson.

Nascido no bairro da Piedade, no Rio de Janeiro, conviveu com a música desde menino, inclusive aos 14 anos já cantava os sucessos de Nelson Gonçalves, Anísio Silva e outros ídolos que eram sucessos na época.

A família Barros sempre foi dedicada à arte, principalmente a música, sua mãe, Elair Silva, foi cantora da Rádio Nacional, chegou a ganhar concurso como melhor cantora, porém seu pai, o velho Barros, evidentemente com ciúmes, nunca permitiu que seguisse carreira. Seu Barros foi ator, teve participações em vários filmes nacionais. Todos os domingos a família se reunia para o famoso almoço dominical e a música rolava solta.

Edinho, como era carinhosamente chamado pelos amigos, junto com os irmãos Renato Barros e Paulo Cesar Barros, dois monstros sagrados na guitarra e contrabaixo, respectivamente, resolveram formar um grupo, após assistirem ao show de Bill Hallet, em abril de 1958, no programa Noite de Galã na Tv Rio, que futuramente seria o mais querido da Jovem Guarda, o “Renato e Seus Blue Caps”. O nome inicial dado por Renato foi: Bacaninha do Rock da Piedade.

A influência do Rock End Roll tomava conta do mundo, a juventude acompanhou a febre do rock, um rumo diferente, uma loucura. Renato por ser o mais velho, e seguindo orientação do pai, foi nomeado o líder, porém Ed Wilson era o cantor, todo estilo Elvis Presley, ou seja, se sentindo o próprio, deixando o topetão crescer, usando gola alta e jaqueta de couro.

O mais novo deles, Paulo Cesar, em seu contrabaixo acústico, afinava em dó maior. Ed Wilson permaneceu no grupo Renato e Seus Blue Caps junto com seus dois irmãos, até 1961. Em 1962, iniciou sua carreira solo e posteriormente o próprio grupo Renato e Seus Blue Caps gravou uma música sua denominada “Comanche”.

No mesmo ano, contratado pela Odeon,  lançou seu primeiro disco solo, incluindo a música “Nunca Mais” de Carlos Imperial. Ed Wilson sempre foi sucesso, gravando músicas de sua própria autoria, como “Sandra”, “Saudade” “Mais Que Frio Faz”, “Sem Seu Amor” e “Morro de Saudades de Você”.

Nos anos 90, Ed Wilson regravou uma coletânea de sucessos da Jovem Guarda ao lado de artistas com Erasmo Carlos, Leno e Lilian, Wanderléa e Golden Boys. o cantor também teve passagem pelo meio gospel.

Ed Wilson foi um dos criadores da Banda The Originais em 2005, onde gravou CDs/DVDs da Banda.

Ed Wilson nasceu em 25 de julho de 1945, no Rio de Janeiro e faleceu no dia 03 de outubro de 2010. Tendo iniciado a sua carreira em 1958 e só parou em 2010. Ele sofria de câncer. Ed Wilson permaneceu alguns dias internado no Hospital São Lucas, no bairro carioca de Copacabana, vindo a óbito em 03 de outubro de 2010.

Alguém que curtiu a época da Jovem Guarda lembra certamente de Ed Wilson, com suas canções românticas falando de amor e de saudade. inclusive, Saudade é o título de um dos seus maiores sucessos dos anos 60 que a gente vai recordar matando a  SAUDADE

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa ‘Tocando o Passado’ pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.