Cultura

Por Naldinho Rodrigues*

Hoje vamos prestar uma homenagem à  Marcos Roberto Dias Cardoso, mais conhecido como Marcos Roberto. Que nasceu no dia 26 de junho de 1941 e faleceu no dia 21 de julho de 2012.

Marcos Roberto foi um cantor, compositor e produtor musical que fez  sucesso desde a década de 1960. Foi um dos cantores mais premiados, ganhou o troféu Chico Viola, 12 Discos de Ouro, 5 de Platina e 2 de Diamante.

Sua primeira música gravada foi “Canção do Amor Perdido”. Fez inúmeros sucessos como: “Amor, Amor, Amor”, “Há, Antes que eu e Esqueça”, “Vá Embora Daqui”, e na década de 1980 com a música  “A Última Carta”, que ficou meses em primeiro lugar nas paradas, vendeu mais de dois milhões de discos. Devido ao grande sucesso, participou dos principais programas de rádio e televisão da época.

Marcos Roberto foi produtor de  novos cantores e bandas musicais. Foi um dos NOMES ligados à Jovem Guarda, nos anos 60, participante do consagrado programa comandado por Roberto Carlos, na TV Record.

Participou com grande brilho do show  da Rádio América, em 15 de março de 1968, no antigo Cine Piratininga do Brás. Marcos Roberto também chegou a gravarem espanhol com bastante êxito. Faleceu aos 71 anos, devido a falência múltipla dos órgãos, o cantor ficou internado no Hospital Municipal Antonio Giglio, na cidade de Osasco, São Paulo, sua terra natal.

Seu velório foi realizado no cemitério municipal da cidade e o enterro no cemitério São Antonio, em Osasco. Alguns fãs do cantor também estiveram presentes no local, além de familiares e amigos. Segundo relato de familiares, Marcos Roberto sofria de depressão por causa da morte de sua mulher vítima de câncer.

Acredito que alguém esteja perguntando? Que foi Marcos Roberto? Como ele cantava? Qual o seu maior sucesso?

Mate a sua curiosidade, ouvido o seu primeiro e mais badalado sucesso no início dos anos 70,  com a música “Amor, Amor, Amor”.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 8 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Você sabe ou já ouviu falar em Antonio Gilson Porfírio? E se eu mudasse, perguntando-lhe: já ouviu falar em Agepê?

Agepê nasceu no Rio de Janeiro, no dia 10 de agosto de 1942. No dia 27 de agosto de 1995, o músico foi internado na clínica São Bernardo (RJ) por conta de uma úlcera agravada pela diabetes, entrando no dia seguinte em coma profundo.

Agepê faleceu no dia 30 de agosto de 1995, aos 53 anos de idade e foi enterrado no cemitério São Francisco Xavier, no Caju (RJ).

Agepê foi um cantor e compositor brasileiro. O nome artístico decorre da pronuncia fonética das iniciais do nome de batismo do sambista “AGP”. Antes da fama, Agepê trabalhou como transportador de bagagem onde era conhecido como ripinha e também foi técnico projetista da extinta Telerj, a que abandonaria para se dedicar à carreira artística.

A carreira fonográfica teve início em 1975 quando lançou o compacto com a canção “Moro onde não mora ninguém”, primeiro sucesso dele que seria regravada posteriormente por Wando. Nove anos depois, lançou o sucesso  estrondoso “Deixa eu te amar”, que fez parte  da trilha sonora da telenovela Vereda Tropical. O disco Mistura Brasileira, que continha esta canção, foi o primeiro disco de samba a ultrapassar a marca de um milhão de cópias vendidas (vendeu um milhão e meio de cópias).

A carreira destacou-se por um estilo mais romântico. Agepê foi integrante da ala  dos compositores da Portela. Contendo um repertório eclético, composto principalmente por baião e teve no compositor canário o mais frequente parceiro. Na sua voz tornaram-se consagradas inúmeras composições da autoria, como Menina de Cabelos Longos, Cheiro de Primavera, Me Leva, Moça Criança, dentre outras. Também regravou Cama e Mesa de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, com grande sucesso.

Agepê foi o terceiro cantor brasileiro que mais vendeu LPs (disco vinil), depois de Roberto Carlos e a turma do Balão Mágico. Rotulado por alguns como cantor brega e discriminado por parte dos intelectuais e da imprensa do país, Agepê é reconhecido como um grande talento da música brasileira. Com um estilo marcado pela voz forte e pelo romantismo apurado, o músico  mesclava batuques e ritmos africanos como o Ijexá, além de outros consagrados como o baião e o samba.

Certa vez, o próprio cantor tentou se definir dizendo: Sou mesmo coisa de fenômeno, referindo ao fato de ser o terceiro maior vendedor de LPs. A saudosa Beth Carvalho, chegou a fazer a seguinte declaração sobre o cantor Agepê: Os sambistas que eu e Martinho da Vila gravamos tem a cara do povão, enquanto que o Agepê e os sambistas românticos se dirigem ao homem médio, daí o sucesso. Para o próprio Agepê, o seu êxito deveu-se à maneira como viveu “eu conheço a linguagem brasileira porque já vivi de A a Z”.

Seu primeiro grande sucesso foi Moça Criança, e é com essa melodia que você meu caro leitor(a), vai relembrar com bastante carinho do inesquecível sambista, AGEPÊ…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 8 da manhã.

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Todo 6 de janeiro, Dia de Reis, aqueles que comemoram o Natal se preparam para desfazer a árvore, os presépios e os enfeites natalinos. Mas qual é a origem da data? Epifania, ou Dia de Reis, como é conhecida a festa comemorada no dia 6 de janeiro pelos católicos, lembra quando os três reis magos, guiados pela estrela de Belém, encontraram o menino Jesus. Eles traziam presentes para a criança, incenso, ouro e mirra.

A tradição surgiu no século 8 com Melchior (também chamado de Belchior), Gaspar e Baltazar. Ao contrário do que se pensa, os reis magos saíram de seus lugares de origem e não viajaram juntos para o encontro com o menino Jesus.

Baltazar saiu de alguma região da África e levou mirra, uma espécie de arbusto de onde é extraída uma resina para o preparo de medicamentos.

Gaspar saiu da Índia e levou incenso para Jesus. O objeto é queimado há séculos para aromatizar ambientes, espantar insetos e representa a fé e espiritualidade.

Já Melchior partiu de algum lugar da Europa e levou ouro, que simbolizava a nobreza e era oferecido apenas aos deuses.

Origem

A Folia dos Reis, que começou em Portugal, termina um ciclo de festas que se inicia na noite de Natal, data em que os reis teriam recebido a mensagem do nascimento. A comemoração também é conhecida como Terno dos Reis ou Santos Reis.

Por todo o país, as pessoas costumam cantar pelas janelas ou de porta em porta. Quem ouve as canções normalmente convida as pessoas para entrar e degustar pequenas refeições como doces, salgados e tomar uma taça de vinho.

No Brasil

A tradição veio com os portugueses e sua colonização. Os brasileiros realizam festas folclóricas diferentes, dependendo de cada região do País.

Alguns grupos, compostos por mestre, contramestre, conhecedores sobre a festa e músicos, passam de casa em casa cantando versos e tocando instrumentos. Os moradores, em troca da cortesia, oferecem comida.

Também há a presença dos três reis magos representados e de um palhaço, que anima a festa e protege o menino Jesus contra os soldados de Herodes, que queriam matá-lo.

Bolo de Reis

O chamado Bolo de Reis, ou bolo-rei, é muito tradicional em Portugal. Os portugueses fazem a famosa guloseima, que contém frutas cristalizadas e um caroço de fava. Quem encontrar a fava, tem sorte no próximo ano e fica incumbido de levar o bolo para a família na próxima comemoração.

Por Naldinho Rodrigues*

Na primeira crônica do ano vamos abordar Emílio Vitalino Santiago, que nasceu Rio de Janeiro, 6 de dezembro de 1946 e veio a óbito também no Rio de Janeiro, em 20 de março de 2013, este foi um excelente cantor brasileiro.

Em um congresso de otorrinos e cirurgiões de cabeça e pescoço, fonoaudiólogos comentaram que as análises técnicas da voz de Emílio Santiago mostravam que o cantor tinha a voz mais perfeita do Brasil.

Emília Santiago frequentou a Faculdade Nacional de Direito, na década de 1960, inicialmente para se tornar um advogado. Ao decorrer do curso, Emílio desejou ser diplomata, pois o incomodava o fato de não existirem negros nos quadros do Itamaraty. Emílio já cantava nos bares da faculdade, em roda de amigos, apenas por diversão. No início, não queria se tornar um cantor profissional e tampouco pensava nisso. Quando as inscrições do festival de música da Faculdade foram abertas, os amigos de Emílio o inscreveram sem que ele soubesse. Emílio participou e venceu o concurso, chamando a atenção dos jurados, entre eles, Beth Carvalho. A partir daí, sua presença em festivais estudantis era frequente, ganhando todos os concursos dos quais participava.

A música já falava mais alto na vida de Emílio, porém, concluiu o curso de Direito por insistência de seus pais. Nesta mesma década, participou de um conceituado programa de auditório, chegando as finais no programa de Flávio Cavalcanti, na extinta TV Tupi. Trabalhou como crooner da orquestra de Ed Lincoln, além de muitas apresentações em boates e casas noturnas; o cantor Emílio Santiago substituiu Tony Tornado no conjunto musical, quando este saiu para disputar o V Festival Internacional da Canção, no Rio de Janeiro. Em 1973, lançou o primeiro compacto pela Polydor com as canções Transa de amor e Saravá Nega, que o levou a uma maior participação em rádios e programas de televisão.

Seu primeiro LP foi lançado pela CID em 1975, com canções esquecidas de compositores consagrados como Ivan Lins, Gilberto Gil, João Donato, Jorge Ben, Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito, Durval Ferreira, João Nogueira, Paulo César Pinheiro, Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle, dentre outros. Transferiu-se no ano seguinte para a Philips–Polygram, permanecendo neste selo até 1984, pelo qual lançou dez álbuns, todos com pouca repercussão. Além de ganhar o concurso Rede Globo MPB Shell em 1982, com a canção Pelo Amor de Deus, foi escolhido três anos depois como melhor intérprete no Festival dos Festivais, também da Rede Globo, com a canção Elis Elis.

Uma grande fase de sucesso do cantor iniciou-se em 1988, com o lançamento do LP Aquarela Brasileira, pela Som Livre, um projeto especial dedicado exclusivamente ao repertório de música brasileira. Inicialmente, planejava-se lançar apenas um LP, mas devido à grande repercussão e ao sucesso, foram lançados sete trabalhos da série Aquarela Brasileira. O projeto ultrapassou a marca de quatro milhões de cópias vendidas. Nesta época, gravou músicas que se tornaram sucessos como Saigon, em Aquarela Brasileira 2 (1989), e Verdade Chinesa, em Aquarela Brasileira 3 (1990). Lançou também outros projetos como um tributo ao cantor Dick Farney (Perdido de amor, de 1995) e regravando clássicos do bolero hispânico (Dias de Luna, de 1996).

E para lembrar da voz que encantou um grande público, vamos ouvir VERDADE CHINESA.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

Hoje, nas vésperas do ano novo vamos abordar a figura de Carlos Roberto de Oliveira, mais conhecido como Dicró, que nasceu em Mesquita, no Estado do Rio de Janeiro em 14 de fevereiro de 1946 e faleceu em Magé, no mesmo estado no dia 25 de abril de 2012.

Filho de mãe de santo, Dicró cresceu na favela do bairro de Jacutinga, na cidade de Mesquita. Desde cedo frequentava as rodas de samba organizadas por sua mãe em seu próprio terreiro. Eventualmente tornou-se compositor, integrando a ala das escolas de samba Beija-Flor, em Nilópolis, e Grande Rio, em Duque de Caxias. É dessa época o surgimento do apelido Dicró. De acordo com o poeta Sérgio Fonseca, os sambas da autoria de Carlos Roberto eram impressos com as iniciais de seu nome, “CRO”. Com o tempo, a pronúncia e os erros tipográficos, o “De CRO” mudou para “Di CRO”, para no fim se tornar “DICRÓ”.

Dicró foi um cantor e compositor brasileiro de sambas satíricos. Ao lado de Moreira da Silva, Osmar do Breque, Germano Mathias e Bezerra da Silva, é considerado um dos principais sambistas da linha. Seu grande amigo Jovelino conhecido como Jovem foi o primeiro a ouvir sua música humorística. Entre suas letras bem-humoradas, destacam-se aquelas em que ele falava mal da própria.

Em 1991, estreou como dramaturgo com o texto “O dia em que eu morri”. Durante o governo de Anthony Garotinho no Rio de Janeiro, foi um dos principais incentivadores da criação do Piscinão de Ramos.

Compôs diversas músicas para o projeto, passando a ser considerado “Prefeito do Piscinão”. Manteve um trailer no local, que se tornou ponto de encontro de sambistas e grupos de pagode. No começo de 2010, assinou contrato com a Rede Globo para apresentar um quadro no programa Fantástico.

Portador de diabetes, passou a enfrentar na mesma época sérios problemas de saúde. No dia 25 de abril de 2012, voltando para casa após uma sessão de hemodiálise, sentiu-se mal, vindo a ser internado em um hospital de Magé. Morreu poucas horas depois, em decorrência de um infarto. Foi sepultado no dia seguinte no Cemitério Parque Jardim de Mesquita, na Baixada Fluminense.

E para comemorar o encerramento do ano com a nossa última crônica de 2019 para o Blog PE Notícias, um blog conceituado que está proporcionando aos seus leitores, de todas as idades, o resgate da memória dos nossos artistas que se foram, mas que suas obras ficaram eternizadas em nossas mentes. Vamos relembrar um grande sucesso desse cantor humorista que foi DRICÓ que é a música ‘BARRA PESADA’.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7 da manhã.

O Baile do Menino Deus está na sua 36ª apresentação / Foto: Leo Motta/JC Imagem

A primeira noite de apresentação do Baile do Menino Deus, realizada nesta segunda-feira (23), lotou o Marco Zero, no Bairro do Recife, levando uma mensagem que desconstrói o imaginário natalino de inspiração europeia, com Papai Noel, renas voadoras e consumo exagerado. No palco, figuras típicas da cultura popular nordestina, como o Mateus, o bumba meu boi e os caboclinhos, cantando e dançando animados por canções regionais. O espetáculo, dirigido por Ronaldo Correia de Brito e com canções de Antônio Madureira, terá mais duas apresentações: nesta terça-feira (24) e quarta-feira (25), sempre a partir das 20h.

O Baile do Menino Deus está na sua 36ª apresentação, sendo que há 16 anos a encenação é realizada, gratuitamente, no Marco Zero. O espetáculo conta a história de uma festa que vai acontecer e que tem os brincantes como personagens que seguem de casa em casa convocando as pessoas. A história é conduzida por palhaços, os Mateus. Na peça, o Natal apresentado e comemorado não valoriza as compras nem a comilança da festa. Ao contrário, tem o Menino Deus como estrela e o que ele representa como símbolo do renascimento e da esperança. E, para muita gente que assistiu ao espetáculo, a mensagem foi captada. Continue reading

Por Naldinho Rodrigues*

Hoje, vamos relembrar  Silvio Antonio Narciso de Figueiredo Caldas, ou simplesmente Silvio Caldas. Nascido na Rua São Luiz Gonzaga, no Rio de Janeiro, em 23 de maio de 1908 e foi criado no bairro São Cristóvão. Tendo falecido no dia 03 de fevereiro de 1998. Silvio Caldas começou a dar duro aos nove anos de idade como aprendiz de mecânico e, aos 16 anos, em 1924, saiu de casa para trabalhar na capital paulista.

Em Catanduva, São Paulo, foi leiteiro. Exerceu outras atividades: lavador de carros, cozinheiro de turma, motorista de caminhão e mecânico de manutenção dos caminhões das obras da estrada Rio-São Paulo, atual Via Dutra. Em 1927 estava de volta ao Rio de Janeiro e foi ouvido numa seresta por Milonguita (Antonio Gomes), cantor de tangos, que o levou a Rádio.

Em 1929 passou a cantar na Rádio Sociedade. Começou a gravar no início de 1930. A primeira e segunda gravações, Os Sambas Amoroso e Alô Meu Bem. Silvio Caldas se transformaria, ao lado de Orlando Silva, Francisco Alves e Carlos Galhardo, um dos cantores de maior sucesso da chamada época de ouro da MPB. Foi levado por Ary Barroso para o Teatro Recreio, onde lançou seus primeiro sucesso “Faceira”.

A partir e 1934, por meio da parceria com Orestes Barbosa, demonstra seu talento para seresta, gênero que o promoveria por todo o Brasil. Em 1937 lançou dois de seus grandes sucessos “Chão de Estrelas e Meu Limão Meu Limoeiro”. No ano seguinte foi eleito cidadão samba ao cantar a música “Pastorinhas”, de Noel Rosa e João de Barros. Outras canções que viraram sucesso na voz de Silvio Caldas foram “Minha Palhoça, Um Caboclo Abandonado, Arranha-céu, Da Cor do Pecado, Mulher, Serenata, Chuva Miúda, Foi Ela, Até Amanhã, Jangada e  a Jardineira”.

No final da década de 60 Silvio Caldas se afastou da vida pública, recolheu-se a um sítio em Atibaia (SP) e diminuiu seu ritmo de apresentações, o que lhe valeu o apelido de “cantor das despedidas”, de tantas vezes que anunciou seu artístico.

Em 1995 participou de um CD “Sonabook Ary Barroso” cantando  “Quando eu Penso na Bahia” em dueto com Aurora Miranda. Silvio Caldas foi um grande amigo do pai da cantora Maysa, e foi ele quem a ensinou a tocar violão. Dono de um timbre de voz inconfundível, que lhe valeu a fama de grande seresteiro, foi conhecido também por alcunhas carinhosas, como caboclinho querido, a voz morena da cidade ou titio.

Silvio Caldas foi um cantor e compositor brasileiro e o seu maior sucesso ninguém esquece: CHÃO DE ESTRELAS.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 horas da manhã.

Por Naldinho Rodrigues*

No dia 18 de novembro de 2014, às 14h45, nos deixava o cantor brega Genival Santos, aos 71 anos, no Hospital do Coração, em Fortaleza. Com doença pulmonar, ele ficou internado durante seis dias.

Natural de Campina Grande, na Paraíba, Genival Santos morava no Ceará havia 30 anos. Genival Santos foi cantor do gênero brega e teve como seu maior sucesso a música “Eu te Peguei no Fraga”. Segundo os produtores do cantor, ele gravou 28 discos e vendeu cinco milhões de cópias. Mas teve muitos sucessos, cantados pelos que realmente o curtiam.

Ele fez parte de uma leva de cantores surgidos no final  da Jovem Guarda, com letras de um romantismo exacerbado, com acompanhamento de baixo, guitarra, bateria e teclados. Formava num time em que também atuavam, entre muitos outros, nomes como Baltazar, José Ribeiro, Fernando Mendes, José Augusto, Odair José, Carlos André (nome artístico do produtor Oséas Lopes).

Nascido em Campina Grande (PB), ele foi morar na Baixada Fluminense quando tinha seis anos, em Santa Cruz da Serra, onde viveram e vivem ainda membros da família de Luiz Gonzaga (os sobrinhos e sobrinhos netos). Genival Santos começou a carreira como forrozeiro e durante  algum tempo equilibrou-se entre os ritmos nordestinos, e o brega. Lançou um compacto vinil duplo com quatro forrós, No estilo samba de latada, e participou de três edições da compilação junina (quebra pote) ao lado do Trio Nordestino, Ary Lobo e Genival Lacerda.

Autores de forró como João Silva, Antonio Barros, Cecéu, Raimundo Evangelista, e Oséas Lopes assinam composições em seus primeiros álbuns. O primeiro deles (Morrendo de Amor – 1973), foi lançado pela gravadora Bervely, tem uma faixa assinada por Bezerra da Silva, na época cantor de cocos e rojões na linha de Jackson do Pandeiro. Sua participação, nesta época, no programa Flávio Cavalcante certamente foi armação da gravadora  com a produção do polêmico apresentador, de maior audiência na época da TV brasileira, no horário nobre do domingo à noite.

Cantores populares iam a Flávio Cavalcante para serem destroçados pelo corpo de jurados e pelo apresentador (que em um outro programa, (um instante maestro), quebrava discos fazendo estudada cara de mau, (chegou a quebrar um disco inexistente de Jackson do Pandeiro). Mas valia a pena o achincalhe , pela exposição que recebia de norte a sul do país.

Genival Santos até meado dos anos 70, assim como Odair José ou José Ribeiro, não eram  considerados bregas, apenas, até porque a expressão ainda se usava para designar o baixo meretrício, onde a música destes cantores tocava. O nome brega ao estilo musical aconteceu por associação ao lugar onde faziam tanto sucesso. Quando Genival Santos surgiu, a Jovem Guarda já era passado, não tocava mais no rádio do Rio ou São Paulo com grande frequência, e o mercado que o consumia eram os subúrbios desta metrópoles, onde viviam os imigrantes nordestinos, e no Norte e Nordeste, regiões em que seus discos vendiam muito, e eram executados em alto-falantes de Parque de Diversão, emissoras AM, abrindo-lhes  um mercado de show que  funcionava o ano inteiro.

A maioria da discografia de Genival Santos encontra-se fora de catálogo. Seus discos dos anos 70 e 80 foram lançados quase todos por gravadoras já extintas. As músicas mais executadas nas rádios brasileiras de Genival Santos são: Sendo Assim, Se Errar Outra Vez, Eu te Peguei no Fraga, Espelho Fiel, Peço Bis, Preciso parar pra Pensar, Se for Preciso, Crucificado do Amor e Maria Garrafa. Genival Santos vendeu mais de cinco milhões de discos.

Vamos matar um pouco da saudade desse paraibano arretado de Campina Grande, com a música SE ERRAR OUTRA VEZ…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.

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Se hoje o clima é de paz entre as religiões que dividem espaço no Morro da Conceição, a realidade nem sempre foi assim. A perseguição, principalmente com as religiões de matriz africana, existiu durante boa parte da história. E o preconceito ainda perdura. Como forma de dar um basta à intolerância religiosa, a 115ª edição da Festa do Morro incluiu no período pré-festa, pela primeira vez, uma celebração inter-religiosa, que contou com a presença de católicos, umbandistas, juremeiros, evangélicos, candomblecistas e espíritas kardecistas.

Há 32 anos, quando começou a seguir o candomblé, o pai de santo José Bonfim encontrou outra realidade. “Era muita perseguição. Os terreiros precisavam ficar escondidos nos fundos das casas, era muito difícil”, lembra.

A situação era ainda pior durante a ditadura militar, entre as décadas de 1960 e 1980. “Próximo aos anos 1980, existia muita repressão. Era polícia batendo, levando preso. Éramos proibidos de tocar, de manifestarmos nossa fé”, conta Pai Bonfim. Por consequência, os terreiros foram, aos poucos, parando de atuar.

Para Bonfim, ainda que a situação tenha melhorado, o preconceito é uma realidade enfrentada diariamente. “Não só o candomblé, mas as religiões de matriz africana, de forma geral, são vistas como algo do mal. A gente precisa e quer semear a paz e a união entre as religiões”, defende. 

Quando se fala em respeito entre as diferentes manifestações religiosas existentes no Morro da Conceição, um nome é lembrado por todos: o do padre Reginaldo Veloso. O religioso atuou enquanto pároco do hoje Santuário de Nossa Senhora da Conceição de maio de 1978 a dezembro de 1989, quando foi expulso das funções de sacerdote. Continue reading

Brasil, onde estás?

Por Maciel Melo*

Não vês que o teu povo clama? Não ouves a voz dos que proclamam o direito de ir e vir? A cor púrpura te sangra, te cega, te entontece, te mata e não vês as veias abertas da América, te sugando todo o sangue.

Enquanto isso, a vida se adianta, o país se atrasa, e o povo segue sua sina cigana, tirando as pedras do caminho, sem direito a se deitar em berço esplêndido, nem acordar ao som do mar, à luz de um céu profundo. Segue desafiando em seu peito a própria morte; vendo a fome bater à sua porta, esmolando migalhas de respeito, lealdade e cidadania.

O Brasil que sonhamos não está na gulodice dos meliantes de gravatas que se esbaldam no sarcasmo de sua prepotência. Não está na arrogância dos patrões escravocratas, que continuam discriminando e agindo como se não tivesse havido a abolição. Não está nas vidas severinas afogadas nas águas do açude de Cocorobó, nem no açoite das chibatas dos Capitães do Mato. Não está nas lápides geladas da tortura, no descaso, nas agruras, na falsa cegueira de quem não quer ver.

O Brasil que sonhamos está onde o verde louro de sua flâmula aflora o fruto posto à mesa, e a fauna engorda nos pastos sobre a terra dividida. Está no direito de ir e vir, está nos versos de Joaquim Osório Duque Estrada; está em O Guarani, de Antônio Carlos Gomes, nos folhetos de cordel, na sanfona de Luiz Gonzaga, nas violas encantadas dos menestréis, dos cantadores violeiros. Está no sabor do extrato do grão do café torrado no caco e coado de manhã cedinho, alimentando os filhos pretos, de mães pretas, de pais pretos, para irem à labuta do dia a dia.

O Brasil que sonhamos está na cabeça de Paulo Freire, no Auto da Compadecida, está entre Deus e o Diabo Na Terra do Sol, está nos livros de Guimarães Rosa, nos grandes sertões, nas orações de Dom Hélder Câmara. Não está no presente, nem no futuro próximo.

O Brasil que sonhamos está em todos nós, mas, hoje, à mercê dos deuses, que na realidade é apenas um.

*Maciel Melo é cantor e compositor

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa lembrança de hoje é para Wilson Simonal de Castro, que nasceu no dia 26 de fevereiro de 1939 e faleceu em 25 de junho de 2000. Simonal foi um cantor brasileiro de muito sucesso nas décadas de 1960 e 1970. Simonal teve dois filhos também músicos, Wilson Simoninha e Max de Castro. Mas o sucesso de ambos jamais chegou perto do alcançado pelo pai.

Wilson Simonal começou a carreira cantando em bailes, rock, calipsos e até em inglês. Em 1964 viajou pelas Américas do Sul e América Central, junto com o Conjunto Bossa Três, do pianista Luiz Carlos Vinhas. De 1966 a 1967 apresentou o programa de TV, Show em Si…Monal, pela Record. Seu diretor era o famoso Carlos Imperial.

Simonal se revelou como um Show Man, fez grande sucesso com as músicas País Tropical de Jorge Ben, Mamãe passou açúcar em mim, Meu limão, meu limoeiro e Sá Marina.

Em 1970 acompanhou a seleção brasileira de futebol à Copa do Mundo, realizada no México, onde se tornou amigo dos jogadores de futebol Carlos Alberto Torres e Jairzinho e do maestro Erlon Chaves. Nesta época, Simonal era um cantor bastante assediado pela imprensa e pelos fãs e vivia o auge de sua carreira.

No início da década de 1970, Simonal sofreu um desfalque na empresa que possuía e brigou com seu contador por contas das questões financeiras e fiscais. Este contador era o contador e diversos atores e diretores do Grupo Globo, e, revoltado com a postura de Simonal, acabou se aliando com o diretor João Carlos Magaldi, que detinha um poder enorme de comunicação e juntos inventaram um boato terrível sobre Simonal visando especificamente destruir completamente a carreira do cantor. Ou seja, como eram os anos da ditadura e a Globo era o porta voz dessa ditadura, espalharam que Simonal era dedo duro (entregava os colegas) e que estaria dedurando a grande parte da classe artística para a polícia.

Durante os interrogatórios, Simonal foi acusado de ser informante do Dops. A repressão imposta pela ditadura militar brasileira, levaram os jornalistas da época a acreditar que Wilson Simonal fosse informante do SNI. O jornal alternativo O Pasquim acusou-o de dedo duro e Simonal ficou desmoralizado no meio artístico intelectual e cultural da época e sua carreira começou a declinar. A classe artística e o público voltaram-se  contra Simonal, e com isso a carreira do cantor foi completamente destruída por um boato gerado dentro da Central Globo e, até a sua morte, ele jamais conseguiu recuperar-se da fama de traidor, embora esta traição tivesse sido amplamente desmentida.

O nome do músico foi reabilitado publicamente pela Comissão Nacional de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em 2003. Independente de qualquer acusação política, porém, o legado de Wilson Simonal ganhou cada vez mais reconhecimento pela história da Música Popular Brasileira, onde é considerado um dos melhores cantores. Simonal foi o maior cantor do seu tempo.

Quando chegou a hora de embarcar para o México, em 1970, Simonal foi convidado pela CBF para acompanhar a delegação em plena euforia do Campeonato Mundial, até Pelé acusou o golpe, ressentido por dar menos autógrafos do que o rei da pilantragem. Apesar de toda essa confusão sobre o Simonal, de dedurar ou entregar os colegas, continua a dúvida na cabeça de algumas pessoas, o que se tem de concreto é que ele (Wilson Simonal), depois que surgiu o boato, perdeu quase tudo: fama, dinheiro, dignidade e morreu sem conseguir provar a sua inocência.

Para matar as saudades do rei do ritmo, do gingado e da malandragem cantando, aquele que chegou a disputar pau a pau a popularidade com o Rei Roberto Carlos:

Wilson Simonal e  a música: Sá Marina…     

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.

Artistas famosos como Caco Ciocler, Edson Celulari, Christine Fernandes, Juliana Knust e Sérgio Marone, além da influenciadora digital, Thaynara OG, estarão em Pernambuco esta semana para participar das gravações dos filmes promocionais da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém 2020, que será realizada de 4 a 11 de abril, no maior teatro ao ar livre do mundo, localizado em Brejo da Madre de Deus, a 180 km do Recife.

Os primeiros a chegar são Caco Ciocler, que fará o papel de Jesus, e Christine Fernandes, que será Maria. Eles desembarcam nesta terça-feira (03) no Recife onde gravam o áudio do espetáculo no estúdio da Muzak e depois seguem para a Nova Jerusalém a fim participar da produção dos filmes que deverá ser concluída no domingo.

Juliana Knust (Madalena) chega no dia seguinte, quarta-feira, e Sérgio Marone (Pilatos) na sexta. Edson Celulari (Herodes) e a influenciadora digital Thaynara OG (Herodíades) gravarão a trilha sonora no sábado durante o dia e, à noite, participarão das filmagens na cidade teatro. Os filmes de divulgação terão o roteiro e direção do cineasta pernambucano Eduardo Morotó.

Os ingressos para a próxima temporada começaram a ser vendidos no dia 1º de dezembro pelo site oficial www.novajerusalem.com.br. Os preços variam de R$ 60,00 a R$ 120,00 e podem ser comprados pelo site oficial em até 12x com juros do cartão de crédito. Para excursões, é oferecido desconto de 10% na entrada inteira para grupos a partir de 45 pessoas.

Este ano, também é possível adquirir os ingressos pelo site www.ingressoprime.com, pelo aplicativo Ingresso Prime ou nos quiosques da empresa nos shoppings Rio Mar, Boa Vista, Tacaruna e Olinda Pateo.

O Festival da Tapioca de Olinda é o grande vencedor do Prêmio Nacional do Turismo 2019. O título é concedido pelo Ministério do Turismo (MTur), em conjunto com o Conselho Nacional do Turismo. O propósito é de reconhecer as iniciativas de destaque e inovação no segmento. A programação gastronômica, de negócios e lazer é realizada na cidade, desde 2017, concentrando um público estimado em 100 mil pessoas, durante três dias de festa. A iguaria feita de goma reúne criatividade e sabor, comercializando mais de 80 mil unidades e movimentando cerca de R$ 3 milhões na economia local.

A ação em Olinda concorreu na categoria “Produção Associada ao Turismo”, junto a uma média de 50 projetos oriundos de todo o país. O critério de escolha traz como foco a integração da produção local à cadeia produtiva do turismo, apresentando resultados tangíveis. De acordo com o secretário-executivo de Turismo de Olinda, Uyrandei Lemos, o Festival da Tapioca traz como determinante a capacidade de agregar valor ao produto turístico. “Passamos a fazer parte do calendário nacional e internacional, enaltecendo o belo trabalho das tapioqueiras e toda a nossa riqueza cultural”, destacou.

A cerimônia de premiação acontecerá na quarta-feira (04), em Belo Horizonte, no estado de Minas Gerais. Em sua última edição, o Festival da Tapioca trouxe 11 atrações, totalizando mais de 100 artistas se apresentando nos polos do Carmo e do Alto da Sé, ponto tradicional do consumo da tapioca. O sucesso também se mostrou na comercialização de outros produtos, como as cervejas artesanais pernambucanas, estimulando a geração de negócios.

As origens de Maria Bonita, uma das personagens históricas mais representativas do Nordeste, são desvendadas no livro Lampião e o nascimento de Maria Bonita (Editora Oxente, 195 páginas), do pesquisador e sociólogo Voldi de Moura Ribeiro. O lançamento no Recife será nesta sexta-feira (29), a partir das 18h30, na Biblioteca Pública do Estado, no Centro. O ineditismo da obra está em uma nova data de nascimento Maria Gomes de Oliveira (nome de batismo). A historiografia até então apontava a data 8 de maio de 1911, mas o autor argumento que o nascimento ocorreu no dia 17 de janeiro de 1910.

A pesquisa para o livro foi feita, inicialmente, através de registros das paróquias de São João Batista de Jeremoabo (BA) e de Santo Antônio da Glória (BA), bem como nos Cartórios dos registros civis. “Em setembro de 2011 dei publicidade aos quase 370 pesquisadores que participavam do Cariri Cangaço, e, na sua maioria, aceitaram a nova datação encontrada por mim”, diz Voldi, piauiense radicado em Paulo Afonso, na Bahia. Ele foi professor adjunto da UNICAP por 10 anos ensinando algumas disciplinas da área de humanas.

A publicação também descreve a formação histórica e geográfica da região do Sertão do São Francisco, na Bahia, e monta a árvore genealógica a partir de José Gomes de Oliveira (Zé de Felipe) e de Maria Joaquina da Conceição (Dona Déa), pais da biografada. Segue descrevendo toda a sua vida, encerrando com uma análise acerca dos policiais que afirmaram ter cortado a cabeça de Maria, cujo número chega a seis homens diferentes.

Lampião e o nascimento de Maria Bonita ainda agrega três artigos do padre Celso Anunciação, um de Frederico Pernambucano de Mello, imortal da Academia Pernambucana de Letras, e outro de Luiz Rubem de Alcântara Bonfim. Fotos de Maria Bonita feitas por Bejamim Abraão Calil Botto, em 1936, aparecem colorizadas por Rubens Antônio.

SERVIÇO

Lançamento de Lampião e o nascimento de Maria Bonita, de Voldi de Moura Ribeiro

Onde: Biblioteca Pública do Estado de Pernambuco (Rua João Lira, s/n, Santo Amaro)

Quando: Sexta-feira (29), a partir das 18h30

Quanto: Entrada gratuita, com exemplares vendidos por R$ 50

Por Naldinho Rodrigues*

Algum leitor se lembra de Mário Souza Marques Filho? Claro que não! Mas se eu mudasse a pergunta para:

Alguém lembra de Noite Ilustrada?  Todos responderiam: um dos maiores e mais completos sambista desse país de todos os tempos.

Noite Ilustrada foi um cantor, compositor e violonista brasileiro. Nasceu no dia 10 de abril de 1928 na cidade de Pirapitinga, nas Minas Gerais. Vindo a falecer no dia 28 de julho de 2003 em Atibaia, São Paulo.

Nascido no interior mineiro, transferiu-se para o Rio de Janeiro nos anos 1940. Na capital federal passou dificuldades e chegou a dormir em abrigos para menores. Integrou a escola de samba Portela com a qual excursionou para São Paulo onde acabou por radicar-se em 1955. Entre os anos de 1984 e 1994, fixou residência na cidade de Recife.

Noite Ilustrada começou sua carreira como violonista em um “show” comandado pelo comediante Zé Trindade na cidade de Além Paraíba (MG). Na noite de estreia, Zé Trindade esqueceu  seu nome na hora da apresentação, e, pondo a mão no bolso, encontrou um exemplar da revista “Noite Ilustrada”. Na mesma hora decidiu apresentá-lo: “e agora com vocês a grande revelação…Noite Ilustrada”.

Há 16 anos, calou-se a voz e um cantor cujo nome artístico refletia os mais de 50 anos de carreira, entre shows em boates, bailes, eventos noturnos e em gravações madrugadas adentro. Ao longo da carreira, Mário Sousa Marques Filho, – nome verdadeiro jamais revelado ao público – viveu muitos momentos gloriosos, mas não faltaram quedas, que o colocaram quase em total ostracismo.

Mesmo assim, até poucos dias antes de partir definitivamente, em julho de 2003, insistia em repetir os versos de seu primeiro sucesso de 1963. “Levanta, sacode a poeira e dá volta por cima” e o sucesso foi tanto que só muitos anos depois o público começou a associar esse samba com seu autor, o biólogo boêmio Paulo Vanzolini.

Noite Ilustrada fez parceria em várias composições com seu amigo Jorge Costa. Foi também um dos grandes intérpretes de músicas de Ataulfo Alves, como “Meus tempos de criança” “Laranja Madura” e “Pois é”. Numa de suas quedas, foi trabalhar  como motorista de caminhão de coleta de lixo, em São Paulo.

Numa das voltas por cima, mudou-se  para Recife, onde permaneceu por dez anos, vivendo exclusivamente de música. Ao retornar às terras paulistas, em 1994, foi morar no interior paulista de Atibaia, onde viveu momentos de boas recordações e serestas ao lado do caboclinho Silvio Caldas. Dias antes de falecer, gravou um CD, cuja faixa-título, “Perfil de um sambista” é composição do violeiro Adalto Santos.

Ao partir, deixou dois discos inéditos: Um tributo a Ataulfo Alves e o outro a Lupicínio Rodrigues. Foi ou não uma boa maneira de dar adeus? Noite Ilustrada nos deixou aos 75 anos de idade, deixando sua marca que jamais será esquecida enquanto perdurar o gostoso ritmo chamado de samba. Afinal, quem não gosta de samba bom sujeito não é! Vamos ilustrar o saudoso noite com a música: CANTO PARA UM AMOR SEM FIM…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7 da manhã.