Cultura

Por Naldinho Rodrigues*

Vamos relembrar um pouco de José Adauto Michiles, ou simplesmente Orlando Dias. Esse talento pernambucano que nasceu  em 01 de agosto de 1923 e faleceu no dia 11 de agosto de 2001, no Rio de Janeiro, aos 78 anos.

Orlando Dias foi um cantor e compositor. Seu avô, poeta e violinista, ensinou-lhe os primeiros rudimentos musicais. Em 1938 tentou um programa de calouros, mas foi congado, repetiu a experiência, desta vez com sucesso, na Rádio Clube de Pernambuco.

Até  o final dos anos 50 havia em nossa música popular cantores ecléticos, que gravavam para todos os gostos, dos mais refinados aos menos exigentes. Foi nessa ocasião que começaram a surgir os primeiros especialistas num tipo de música popularesca, de sentimentalismo exagerado que, tempos depois, passou a ser rotulada de Brega-Romântico.

Entre eles surgiu à figura do pernambucano Orlando Dias, que se tornou um dos mais populares cantores bregas de sua geração. Com voz, físico e postura cênica ideal para o gênio. Cantor emocionado, mímica espalhafatosa, roupas em desalinho, Orlando Dias apresentava-se em  toda parte, vendendo aos milhares de discos em que interpretava composições como “Tenho Ciúme de Tudo” Sinfonia da Mata, Uma Esmola, Mentiste-me… E tantas outras…

Sua marca registrada eram suas interpretações cheias de estilo, exageradas, que se constituíam em verdadeiro delírio do público popular. Em meados da década de 40, casou-se e pouco depois ficou viúvo. Deixou o Recife definitivamente em 1950 indo morar até o último suspiro na cidade maravilhosa.

Orlando Dias tornou-se um dos maiores precursores  do que hoje chama estilo  “Brega-Romântico”.

Relembre com muita saudade esse grande sucesso (inesquecível) na voz do talentoso pernambucano Orlando Dias…

O CALENDÁRIO

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7hs.

O projeto Tengo Lengo Tengo está em cartaz no Museu Cais do Sertão, no Recife Antigo. A ideia do programa é explorar toda a riqueza cultural do Sertão pernambucano, trazendo atrações musicais e culturais que representem bem as raízes da região. Neste domingo (14), o xaxado e o forró marcam presença a partir das 15h com entrada gratuita para o público.

A programação se inicia com o forró de Rafael do Acordeon ao lado do seu trio musical. Em seguida será realizada uma apresentação de xaxado com o tradicional grupo Cabras de Lampião, que vem diretamente de Serra Talhada para o Cais do Sertão com um repertório baseado no cangaço. Vestidos a caráter, com figurino da época, mostram por um outro ângulo a saga de Lampião. 

O espetáculo apresentado pelo grupo conduz o público em um mergulho no mundo mágico e místico do Sertão. Cabras de Lampião é um grupo musical e de dança, um dos maiores divulgadores do xaxado no Brasil, mantendo a originalidade da dança criada pelos bandoleiros do Sertão ao reproduzir no palco a forma como os cangaceiros se divertiam nas caatingas, nos intervalos dos combates.

Tengo Lengo Tengo

O projeto Tengo Lengo Tengo homenageia os 30 anos da morte de Luiz Gonzaga e do Padre João Câncio, os criadores da Missa do Vaqueiro de Serrita, que acontece há 49 anos, sendo uma das mais importantes dos sertões. O projeto engloba uma exposição, lançamento de uma biografia sobre o pároco, a celebração da Missa do Vaqueiro na capital pernambucana e uma série de oficinas, mesas redondas, leituras e apresentações culturais que serão realizadas até o dia 27 de agosto.

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Maria, a mãe de Jesus, é conhecida por mais de mil títulos. Mas até a próxima terça-feira, no Recife, ela responde pelo nome de Nossa Senhora do Carmo, padroeira da cidade. É ela quem escuta os pedidos silenciosos de Luzia Ramos da Silva, as súplicas de Luzia Maria Sérgio, os agradecimentos de Mário Cavalcanti de Albuquerque e as preces dos mais de 300 mil devotos que deverão participar da 323ª Festa do Carmo na basílica dedicada à santa, no Centro da capital pernambucana.

Voluntária num abrigo para idosos, Luzia Maria Sérgio, 59 anos, recorreu à Virgem do Carmo quando teve um problema nos joelhos, oito anos atrás. “Passei dois anos sem andar, minha mãe do Carmo me ouviu e hoje estou firme e forte para pagar minha promessa de acompanhar a procissão descalça até o dia que Deus quiser”, declara Luzia, moradora de Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Ela disse que também alcançou outra graça depois de perder os movimentos dos dedos por causa de uma doença.

“Minhas mãos ficaram fechadas, pedi que me curasse porque eu ainda tinha uma missão na Terra, queria voltar a ser voluntária no abrigo, orei com fé e fui atendida”, afirma Luzia Maria, sem reservas para compartilhar as conversas com Nossa Senhora do Carmo. Enquanto isso, Luzia Ramos da Silva, 70, prefere guardar no coração os pedidos que faz à santa, elevada a padroeira do Recife em 1909 pelo papa Pio X. Ela divide o título com o franciscano Santo Antônio, padroeiro da cidade e festejado em 13 de junho.

Luzia Ramos mora em Nova Descoberta, bairro da Zona Norte do Recife, e tem devoção a Nossa Senhora do Carmo e Nossa Senhora da Conceição. “As duas são uma só, a mãe de Cristo, peço tanta coisa que nem lembro. Tudo a gente alcança, mas na hora delas e não na hora que a gente quer”, pondera. “Tenho um motivo especial para ser devota das santas, mas não posso contar, foi uma promessa que fiz para um filho”, diz Luzia, enquanto assistia à missa.

A veneração à Virgem do Carmo vem desde a Idade Média com as peregrinações ao Monte Carmelo (Israel) e se espalha pela Europa, informa o historiador e professor da Universidade Federal de Pernambuco Severino Vicente da Silva. “No Brasil, essa devoção está ligada às autoridades governamentais e começa quando os primeiros carmelitas chegam a Olinda (1580) e recebem um terreno para se estabelecerem. Nossa Senhora do Carmo era a santa de devoção do governador, ele passa a devoção para a família e também influencia a comunidade, no período colonial as pessoas seguem o caminho dos seus senhores”, avalia o professor.

“Nossa Senhora é uma só mulher com várias representações, cada nome traduz as diversas expressões da maternidade da mãe de Cristo, a mãe que de tudo cuida. A predileção por uma ou por outra depende do gosto de cada um e de como essa história é apresentada à população”, acrescenta Severino Vicente da Silva.

Para o reitor da Basílica do Carmo do Recife, frei Rosenildo Alexandre, a devoção está vinculada às necessidades dos fiéis. “As pessoas se identificam com aquilo que a imagem traz e representa”, destaca. No começo do século 20, diz ele, Nossa Senhora do Carmo tinha tantos admiradores que partiu do povo a proposta de transformá-la em padroeira do Recife. Essa história está contada na exposição Rainha de Pernambuco – Uma memória da Coroação Canônica de Nossa Senhora do Carmo, em cartaz na basílica até setembro.

Até amanhã, a mostra pode ser visitada em três horários: 9h às 11h30, 13h às 16h30 e 18h às 20h. Depois, só ficará aberta pela manhã e à tarde. A 323ª edição da Festa do Carmo é dedicada ao centenário da coroação canônica da imagem da santa, destaca frei Rosenildo. A distinção foi concedida pelo papa Bento XV e a coroação aconteceu no dia 21 de setembro de 1919 na frente da Faculdade de Direito do Recife, na Boa Vista, Centro da cidade.

Os carmelitas aproveitam a Festa do Carmo, de 6 a 16 de julho (dia da santa, dia da procissão e feriado no Recife) e pedem aos fiéis ajuda para comprar os novos sinos da igreja. “Precisamos de R$ 138 mil para a aquisição de quatro sinos e conseguimos apenas 20% desse valor, até agora. Já recebemos dois e faltam chegar mais dois, a inauguração será em 21 de setembro”, diz o frade. Ele também está empenhado na obra de pintura da fachada da basílica e do convento, no Pátio do Carmo, bairro de Santo Antônio. “A prefeitura e o governo do Estado estão se mobilizando para nos auxiliar na pintura do prédio”, comenta. Hoje, serão rezadas missas às 7h, 8h, 10h, 12h e 15h.

Recifense radicado em Cuiabá (MT), o geólogo aposentado Mário Cavalcanti de Albuquerque, 66, veio à cidade para o aniversário de um neto e se juntou aos devotos para assistir a uma missa na basílica. “Casei nesta igreja em 1980, continuo casado e a felicidade é grande. Vim agradecer, Deus tem sido muito bom comigo. Também comprei duas pulseiras iguais, uma para mim e outra para minha esposa, com uma cruz com a imagem da santa, pedi para benzer e não tiro mais do braço”, declara Mário Cavalcanti.

“A vida católica é tudo para mim e Nossa Senhora do Carmo é uma mãe. De primeiro eu ia às procissões, mas agora só venho às missas, minhas pernas não aguentam mais fazer a caminhada”, relata a devota Luzia Ramos da Silva, 70 anos

“Não faço pedidos, sou mais de agradecer. Pedidos só devem ser feitos quando realmente a pessoa está precisando. Se não está, deixa quieto”, afirma o geólogo aposentado Mário Cavalcanti de Albuquerque, 66 anos

“Tenho um filho que está passando por problemas, estou rezando por ele e pedindo ajuda a Nossa Senhora do Carmo. Com a fé que eu tenho nela, vou alcançar essa graça”, declara a voluntária Luzia Maria Sérgio, 59 anos

Por Naldinho Rodrigues*

A nossa eterna saudade, hoje, é para Luiz Carlos Magno, pernambucano, nascido no Recife em 05 de dezembro de 1938 e deixando a nossa terrinha aos 77 anos, no dia 25 de janeiro de 2017. Luiz Carlos Magno foi um cantor e compositor brasileiro, que fez sucesso nos anos 60 e 70.

Iniciou sua carreira cantando frevos. Apresentou um programa chamado “Dimensão Jovem”, musical e destinado ao público jovem da época, com o sucesso local em Recife, foi levado para o Rio de Janeiro, onde passou a produzir discos pela CBS (atual Sony Music).

Sua música “Ave Maria Pro Nosso Amor” foi o primeiro grande sucesso. Logo  seguida veio composições como “Terminei Com Ela”, “Ângela La La”,” Meu Castigo”, “Rock das Quebradas”, “Vale Tudo” e muitas outras.

Teve parcerias com cantores do estilo brega, como Reginaldo Rossi e passou a viver definitivamente na capital carioca. Ali administrou a carreira, sobretudo  com o lançamento de antigos sucessos e participações em coletâneas como o CD “Jovem Guarda Milênio”.

Luiz Carlos Magno foi um cantor romântico, estilo jovem guarda. Gravou seu primeiro álbum “Amor de Estudante”, estourando com a composição “Deixe ele Sozinho” de autoria (imaginem?) de Raul Seixas. Depois gravou o LP “Eu Digo Adeus”, fazendo sucesso com a música “Jurei Mil Vezes” de Rossini Pinto, que chegou a ser lançado na França e dai começou a ser conhecido a nível internacional.

Foi no seu terceiro disco que arrebentou nas paradas de todo o Brasil, e fez com que esse trabalho chegasse a cinco países da América Latina, entre eles Argentina e Colômbia.

Em sua carreira de 23 discos, conquistou 3 discos de ouro. Mesmo diante de tanto sucesso, a família afirma que ele foi esquecido pela mídia e viveu seus últimos  dias de um salário mínimo pago pelo governo.

Luiz Carlos Magno faleceu em Duque de Caxias (RJ), depois de dois meses internado vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Já tendo sido vítima de outros cinco AVCs no período de oito anos. Nos últimos anos de vida estava com o lado direito paralisado e já não andava e nem falava. 

Um triste fim para um símbolo pernambucano que levantou multidões cantando e pedindo somente uma coisa que ele mais soube fazer… ‘Ave Maria Pro Nosso Amor’, o seu maior sucesso.

*Naldinho Rodrigues é locutor de Rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7hs.

O poeta Dedé Monteiro, um dos homenageados pela programação / Foto: Jan Ribeiro/Secult-PE/Divulgação

Quem conhece um pouco sobre a poesia popular nordestina sabe da fama da região do Pajeú como berço de poetas. Para dar visibilidade a essa tradição, a Cepe Editora anunciou na terça-feira (09), em coletiva de imprensa, a criação a Feira da Poesia Popular do Pajeú, que vai acontecer no centro de São José do Egito entre os dias 18 e 20 de julho. Na programação, a ideia é trazer lançamentos, debates, mesas de glosa e atrações musicais.

O evento vai acontecer no mesmo período da Festa Universitária de São José do Egito. A primeira edição da feira literária vai homenagear dois nomes fundamentais da região: os poetas Manoel Filó (1959-2015) e Dedé Monteiro, Patrimônio Vivo de Pernambuco. Todas as atividades são gratuitas.

Segundo Ricardo Leitão, presidente da Cepe Editora, a empresa vem trabalhando com a produção de feiras segmentadas, de olho em diversos público. A primeira delas, lançada no ano passado, foi a Feira da Literatura Infantil (Flitin). “A poesia popular e o cordel são expressões muito fortes no Nordeste, e o Sertão do Pajeú é um centro disso”, comenta o gestor. O orçamento da feira é de R$ 150 mil.

O evento prevê debates sobre a tradição da poesia do Pajeú, pensando a história da poesia popular na região, a relação com a educação e a participação feminina, entre outros assuntos. Todos os dias da feira são marcados também por mesas de glosas, desafios em que vários convidados improvisam a partir de motes. Além do lançamento do livro Concurso de Poesia Popular de São José do Egito – Poesia Premiadas, a programação traz contação de histórias, estandes e recitais.

Um dos destaques é oficina de xilogravura, uma forma de incentivar o ofício, que tem se tornado mais raro mesmo em uma região de forte tradição cordelista. “Com a diminuição de publicações, os xilogravuristas foram sumindo por lá. Hoje só tem um”, explica Leitão. Outro projeto é o de publicar o resultado das mesas de glosa em livro. A Cepe também está incentivando a criação de um conselho editorial da região que vai poder escolher anualmente três livros a serem lançados, sempre dentro da Festa de Louro, que acontece em janeiro em homenagem a Lourival Batista, o Louro do Pajeú.

Para o secretário de Cultura de São José do Egito, Henrique Marinho, o momento é importante para tentar eternizar as tradições da região. “A poesia popular de Pajeú é estudada fora daqui, na França. Essa feira vai ser o pontapé para que a gente consiga mostrar a produção da região em todas as suas formas, com glosa, cordel, aboio e mais”, comenta.

PROGRAMAÇÃO

Quinta-feira (18)

14h – Oficina de xilogravura sustentável e oficina de estêncil

16h – Abertura da exposição Pelos Sertões, do artista Marcos Pê

17h – Diálogo Os caminhos da poesia na região do Pajeú, com Antônio José de Lima e Antônio Marinho 

18h – Mesa Literatura e Educação: propostas, concepções e experiências, com Alessandra Ramalho, Aparecida Izídio e Eduarda Simone

19h – Recital infantil da Ingazeira, com Ingrid Laís, Islany Maria e Jayne Marília

19h15 – Recital Infância Rimada

19h45 – Aboio com Paulo Barba e Jairinho Aboiador

20h – Mesa de Glosas com Alexandre Morais (Afogados da Ingazeira), Gislândio Araújo (Brejinho), Lima Jr. (Tuparetama), Lucas Rafael (São José do Egito), Milene Augusto (Solidão), Zé Carlos do Pajeú (Tabira)

21h30 – Forró Rimado

Sexta-feira (19)

8h – Oficina de xilogravura e oficina de estêncil 

16h – Contação de histórias sobre o livro Dianimal (Cepe Editora) com Alexandre Revoredo

17h – Roda de diálogos com o conselho editorial da Cepe

18h – Mesa da Revista Continente (Cepe) sobre Mulheres poetas do Pajeú 

19h – Apresentação da dupla de violeiros Adelmo Aguiar e Denilson Nunes

20h – Mesa de Glosas com Anderson Brito (Tabira), Francisca Araújo (Iguaracy), Genildo Santana (Tabira), Lenelson Piocó (Itapetim), Wellington Rocha (Afogados da Ingazeira)

 Sábado (20)

8h – Oficina de estêncil

16h – Contação de histórias do livro Uma festa na floresta (Cepe Editora), com Suzana Moraes 

17h – Palestra Xucuru: a raiz-forte da poesia do Vale do Pajeú, com Lindoaldo Campos

18h – Mesa Manoel Filó: o poeta de todos os lugares, com Ciro Filó, Ricardo Moura e Jorge Filó

19h – Lançamento do livro Concurso de Poesia Popular de São José do Egito – Poesias Premiadas – Volume 1 

20h – Mesa de Glosas com Aldo Neves (Tuparetama), Elenilda Amaral (Afogados da Ingazeira), Erivoneide Amaral (Afogados da Ingazeira), Henrique Brandão (Serra Talhada), Zé Adalberto (Itapetim), Zezé Neto (São José do Egito).

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As fake news invadiram o debate global em 2016, durante a corrida eleitoral norte-americana. No Brasil, ganhou evidência com a ascensão de Jair Bolsonaro. Mas não foram a alt-right ou Steve Bannon que inventaram as notícias falsas – o mérito desses contemporâneos foi usá-las com fins políticos nas redes sociais. Em outro contexto histórico, as fake news foram disseminadas na imprensa brasileira durante a ditadura militar, como consequência de censura e manipulação. As inverdades incomodavam a crítica literária paulista Walnice Nogueira Galvão a ponto de lhe estimular a escrever uma tese sobre o tema.

No fim da década de 1960, quando o estudo foi feito, os militares que estavam no poder jamais poderiam ser alvos. Walnice, então, retornou após anos 1890 para analisar a forma como a Guerra de Canudos foi coberta pela mídia, incluindo os textos de Euclides da Cunha, que, juntos, foram a base de Os sertões (1902), uma das obras canônicas da literatura brasileira. O trabalho de Walnice se tornou o livro No calor da hora – A guerra de Canudos nos jornais (1974). “Não imaginei nem percebi que se tratava da primeira tese universitária focalizando Euclides da Cunha e Canudos”, escreveu a autora no prefácio do relançamento da obra pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) em 2019, sob o selo Suplemento Pernambuco.

Hoje, Walnice abre a 17ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada no litoral do estado do Rio de Janeiro até domingo, sob curadoria de Fernanda Diamant. Na conferência, será percorrerida uma linha histórica dos estudos sobre Euclides, autor homenageado da edição. Sua relação com o jornalista e engenheiro fluminense não se limita ao livro de 1974. Ela lançou mais 12 obras sobre o autor. Em 2019, com a ascensão das fake news no debate político, No calor da hora se torna urgente. O lançamento da nova edição pela Cepe será na sexta-feira.

“Fui a São Paulo em 2018, fazer um perfil da Walnice. Durante a conversa ela falou sobre a ditadura militar no Brasil. Ela me disse que foi amiga de vários guerrilheiros assassinados e, toda vez que as mortes saíam nos jornais, noticiavam que as pessoas haviam se matado ou sofrido acidentes. Quando percebeu isso, pensou em fazer esse trabalho que denunciava as fake news na imprensa no fim do século 19”, conta Schneider Carpeggiani, editor do Suplemento Pernambuco, ao explicar a ideia do relançamento.

Com reportagens, editoriais e poesias, o livro mostra como os jornais do Rio, São Paulo e Salvador aderiram à tese do governo de que o grupo de Antônio Conselheiro integrava uma conspiração monarquista contra a República. Assim, mostra a necessidade de criar um inimigo comum – que mais recentemente é a “ameaça comunista”. A cobertura de Canudos tem nuances da formação do Brasil, marcada pelo Estado opressor com pobres e despreocupado em compreender desigualdade. A obra de Euclides, que narra a guerra em tom épico e esbanja preconceitos, denuncia uma barbárie atual. “É interessante ler Os sertões porque fala do Brasil de agora, onde a polícia mata negros, favelas são militarizadas e ocorrem tragédias como a de Brumadinho. É uma guerra aos pobres na sua forma moderna”, aponta Walnice.

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Aos 72 anos, Israel Gouveia de Lima nunca foi de contabilizar os tiros que dá. Em sua conta, em mais de três décadas de experiência no “negócio”, eles estão na casa dos milhares. O número dos disparos subiu ontem (07), quando o aposentado, vindo de Custódia, no Sertão do Estado, juntou-se aos bacamarteiros das cidades de Solidão e Serra Talhada, e mais cerca de 500 bacamarteiros de 24 grupos de Pernambuco e de Sergipe em um encontro no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Encontro que homenageia Zé da Banha, um torneiro mecânico que criou os primeiros  bacamartes de aço e fundou a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo (Sobac).

Com o bacamarte, que não era, segundo Israel Lima, um dos mais “possantes” do encontro, Israel deu os seus tiros. A arma não era das mais “possantes”, mas cumpriu a tarefa de anunciar que ontem o dia era de folia e, acima de tudo, de celebração no Cabo. Os bacamarteiros percorreram as ruas centrais da cidade em uma procissão em homenagem aos santos juninos. Á frente do cortejo, as bandeiras de Santo Antônio, São João e São Pedro. Atrás das bandeiras, homens, mulheres e crianças, animados por bandas de forró, de pífano e pelos estrondos dos tiros.

“Os bacamarteiros formam uma grande família. E a alegria de hoje é reunir essa família, que vai além do nosso estado”, disse o mestre e presidente da Sobac Ivan Marinho, durante a missa que foi o ponto máximo da procissão. Na celebração, os tiros ficaram de fora, mas o ritmo junino, puxado por um coral de nome peculiar – Boca de Bacamarte – e ao som de sanfona, zabumba e pífano, deram o tom dos cânticos. No cântico final, a Ave Maria Sertaneja, imortalizada por Luiz Gonzaga, teve muito “macho” e muita “muié” de bacamarte em punho, segurando as lágrimas.

Clima de Festa

No meio da multidão, quando os bacamarteiros saíam da igreja, devotada a Santo Antônio, padroeiro do Cabo de Santo Agostinho, o clima era de festa. A fumaça dos tiros subia a ladeira da Rua Doutor Antônio de Souza Leão. O estampido dos bacamartes atraía curiosos, de celular na mão e incrédulos em ver tantos bacamarteiros. “Parece coisa de cordel, arrancada do meio da história e, tristemente, com tão pouca gente nas ruas para prestigiar”, disse o estudante Pedro Alcântara, 23 anos. Ele estava certo. Mas os bacamarteiros desciam rumo à estação ferroviária do Cabo de Santo Agostinho.

Na contramão do tráfego, a multidão de amantes do bacamarte parecia dizer que estava ali, em um dos municípios mais industrializados de Pernambuco, para manter a tradição. E manteve. Em frente da estação, no pátio, as mesas estavam postas para matar a fome de quem veio de tão longe, de cidades como Solidão , Serra Talhada, Machado, em Pernambuco, e de Capela e de Japaratuba, em Sergipe. Ou de Pesqueira, no Agreste pernambucano, de onde, nos anos 1960, veio a inspiração para se organizar o grupo de bacamarte do Cabo. Disso Socorro Leandro, 48 anos, tomou conhecimento ontem. Ela viajou de Pesqueira para o encontro. “Perdi a conta de quantos tiros dei nestes anos que me tornei bacamarteira”, relembrou, enquanto fazia a contagem do tempo dedicado à tradição.

Lembranças

Depois de parar o olhar no horizonte, Socorro assegurou: “Tenho quatro anos de tiros”. Para ela, trajada “conforme a prática”, de roupa azul e lenço no pescoço, é muito tempo e esforço. É o valorizar da presença feminina em uma tradição iniciada por homens. Marcada por homens. E na força da “garrancheira”, um dos nomes dado ao bacamarte, uma arma de fogo de cano curto e largo, empregada na Guerra do Paraguai, na segunda metade do século 19.

Ao fim do cortejo, Socorro, Israel e Ivan ficaram sob a mesma tenda, montada em frente à estação ferroviária. Sob as árvores, as armas e os chapéus. Em uma delas, dos cordeiros pendurados, limpos e prontos para o corte e para a brasa. “Festa assim tem que ter carne. Carne boa”, pontuou um dos bacamarteiros responsáveis pela iguaria. Bem perto, uma garrafa de aguardente e um copo passado de mão em mão enquanto os bacamarteiros insistiam em seis tiros. Dez, vinte, trinta. Contei  mais de 50 em meia hora. Mas foram mais de mil durante as quase oito horas do encontro de ontem, que terminou ao som da sanfona e com a certeza de que, no próximo ano, tem mais.

Os filmes que serão exibidos às 19h, compõem a mostra “A Arte e seu Enleio”. As sessões são gratuitas e acontecem no Theatro Cinema Guarany

Julho é mês de férias e o Sesc em Triunfo preparou uma programação especial para quem deseja assistir a um bom filme. Nesta edição do projeto Cine Sesc Fábrica, haverá exibições no Theatro Cinema Guarany nos dias 11 e 18, às 13h30 e às 19h, com opções para públicos de todas as idades e com exibições gratuitas.   

A abertura da grade aconteceu nesta quinta-feira (04) com “A história da cabra: queijo de cabra”, filme da República Tcheca, com direção de Jan Tománek. A animação tem classificação etária livre, e conta a história das crianças Zuzanka e Honzik, junto com Goat, uma cabra, que se aventuram em busca de seus pais, que aparentemente foram presos em um castelo onde o conselheiro do rei obriga-os a fabricar queijo.  

Os filmes que serão exibidos às 19h compõem a mostra “A Arte e seu Enleio”, com títulos que lançam discussões fundamentais sobre os processos que envolvem a criação artística e o papel social da arte.  Dentro dessa proposta, às 19h, será exibida a animação “Com Amor Van Gogh”, dirigida por Dorota Kobiel e Hugh Welchman. O filme se passa em 1891, um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, quando o carteiro e amigo do artista, Armand Roulin, parte para a cidade francesa de Arles, onde inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, para confirmar se ele realmente se matou. A classificação do filme é 12 anos.  

No dia 11 o público poderá assistir às 13h30, o filme alemão “Puaj!”, do diretor Veit Helmer. A história se passa em um povoado na Europa, onde, para realização de estudos de mercado, idosos são internados em asilos a fim de manter baixo o índice de idade média de seus habitantes. Mas as crianças se negam a ser cobaias. A classificação é livre. Às 19h, será exibido o filme “O Cidadão Ilustre”. Dirigido por Mariano Cohn e Gastón Duprat, o filme apresenta Daniel Mantovani (Oscar Martínez), um escritor argentino e vencedor do Prêmio Nobel, radicado há 40 anos na Europa, que volta à sua terra natal e que inspirou a maioria de seus livros, para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade. A classificação do filme é de 14 anos.

No último dia da programação, dia18, a animação “A história da cabra: queijo de cabra”, será reexibida às 13h30. O Cine Sesc Fábrica de julho será encerrado às 19h com o documentário “David Lynch, a vida de um artista”, que narra sobre os anos que formaram a vida do cineasta. Com direção de Jon Neguyen, Rick Barnes e Olivia Neergaard-Holm, o filme tem classificação 12 anos.

Por Naldinho Rodrigues*

O Toque de Saudade desta quinta-feira é para destacar Francisco Petrone, mas famosamente conhecido por Francisco Petrônio, um nome artístico, que nasceu no bairro do Bexiga, São Paulo, no dia 08 de novembro de 1923 vindo a falecer em 19 de janeiro de 2007, aos 83 anos.

Casado com Rosa Petrone teve  três filhos e seis netos.

Filho de imigrantes italianos foi conhecido como A Voz de Veludo. Cantava  desde a infância e costumava dizer que “quando eu era criança, meu pai chamava amigos e companheiros e me colocava sobre uma cadeira para que eu cantasse”.

Ser cantor era um sonho de criança que apenas em 1961 tornou-se realidade. Até os 37 anos, o paulistano Francisco Petrônio ganhava a vida como motorista de táxi. Sua sorte mudou, após ser aprovado num teste para cantar na TV Tupi. Nos 46 anos de carreira, Francisco Petrônio gravou mais de 750 músicas e teve 55 discos e CDs entre gravações solo, participações especiais e regravações.

Em 1964, gravou a música “Baile da Saudade”, que marcou a sua carreira e bateu recordes de vendas. Na televisão, em 1966, Francisco Petrônio criou o programa “Baile da Saudade” apresentado na Tv Paulista, Aproveitando a boa receptividade da música que levava o mesmo nome. Posteriormente, passou por duas emissoras brasileiras, como Tv Bandeirantes  e Tv Record.

Francisco Petrônio também apresentou programas na Tv Cultura, com Festa Baile, Tv Record, com O Grande Baile e Rede Vida, com o programa Cantando com Francisco Petrônio.

Há 19 anos que a música brasileira perdeu uma das vozes mais suave, carismática, educada e boa de se ouvir…

Curta conosco e relembre um dos cantores mais populares da canção brasileira, Francisco Petrônio… Com a música: BAILE DA SAUDADE.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, na Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7hs.

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Trazendo homenagens a grandes representações da ciranda pernambucana, a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) que será realizada entre os dias 3 e 14 de julho, no Centro de Convenções, em Olinda, traz esse ano como os honrados de uma das danças mais tradicionais do Brasil, mestres e cantadores, são eles, Lia de Itamaracá, Dona Duda e Mestre Baracho, falecido em 1988.

Entre as oficinas, desfiles de moda, ações de cidadania e teatro infantil, estarão expostas seis praças de descanso, sendo duas desenvolvidas sob autoria de nove alunos da Faculdade Esuda. “Estamos orgulhosos e ansiosos para ver as exposições realizadas por nossos alunos. Afinal, eles são o futuro do mercado” declarou Wilson Barretto, diretor geral. As duas equipes fizeram parte de uma seleção promovida pelo Governo de Pernambuco, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), em parceria com o Centro de Artes de Pernambuco.

A aluna de Arquitetura e Urbanismo, Paula Polemine é a coordenadora do projeto 1, intitulado “A Magia não acontece sem você”. O projeto que garante o conforto para 15 pessoa foi pensado em homenagear não apenas à ciranda, mas também a cultura praieira e dos pescadores, moldado na estrutura do grupo. A praça ainda conta com um painel em xilogravura, que retrata uma ciranda de J. Borges, artista pernambucano que mais retrata a ciranda em suas artes, um reflexo vivo da cultura pernambucana. “Buscamos fazer uma interação dos elementos com o público, então, núcleos que tem uma perspectiva de cabana constituem um túnel com a qual as pessoas poderão interagir. Afinal, a ciranda é bem isso. Uma manifestação em que pessoas que nem se conhecem se reúnem e se conectam do nada com as mãos quando começa a dança” declarou Paula.

O segundo projeto, “Ritmos do Ganzá”, desenvolvidos pelos alunos Aline Nascimento, João Carlos Quintino e José Augusto Neto, tem como inspiração o ganzá, instrumento de percussão da cultura pernambucana e brasileira em geral, conhecido por ditar o ritmo dos movimentos populares, sendo um deles a ciranda. A praça que contará com uma armação de 2.20m e um banco de 9m, que comporta em média 20 pessoas, sendo todo feito de materiais biodegradáveis, garantido o seu reaproveitamento futuramente. “A praça por si só, é carregada de significados e nosso objetivo é passar a sensação de modernidade e algo subjetivo, com uma ideia mais contemporânea. Esperamos que as pessoas tenham uma visão mais moderna da ciranda e da cultura popular, pois é algo moderno, que sempre está em mutação”, afirmou José Augusto Neto, coordenador da segunda equipe.

Durante os 11 dias de evento, o público pode conferir as praças que trazem a partir de diferentes conceitos a sua homenagem a Dona Duda e outras personalidades ligadas à ciranda.

Por Naldinho Rodrigues*

Você já ouviu falar em Jair Alves de Souza? – Não? Pois esse era o nome de batismo de uma das vozes mais belas da música brasileira. E do multiartista Jerry Adriani? Com certeza os amantes das boas músicas, dos palcos e das TVs já ouviram falar, e muito.

Nascido em 29 de janeiro de 1947 no bairro do Brás, em São Paulo, começou a sua vida profissional em 1964, com a gravação do seu primeiro LP, Italianíssimo, e no mesmo ano gravou seu segundo LP, Credi a Me. Seu nome artístico foi inspirado em dois artistas estrangeiros: o ator americano Jerry Lewis e o cantor italiano Adriano Celentano.

Em 1965 lançou Um Grande Amor, seu primeiro disco gravado em português. Tornou-se apresentador do programa Excelsior a Go Go, na antiga TV Excelsior de São Paulo, ao lado do comunicador Luís Aguiar; apresentava músicas dos Vips, Os Incríveis, Trini Lopez, Cidinha Campos, entre outros.

Entre 1967 e 1968, já na TV Tupi de São Paulo, passou a apresentar A Grande Parada, ao lado de artistas, como Neyde Aparecida, Zélia Hoffmann, Betty Faria e Marília Pera. Era um musical ao vivo que apresentava grandes nomes da música popular brasileira.

No cinema participou de três filmes como ator/cantor: Essa Gatinha é Minha (com Peri Ribeiro e Anik Malvil), Jerry, A Grande Parada, Jerry em busca do tesouro (com Neyde Aparecida e os Pequenos Cantores da Guanabara).

Em 1969 recebeu o Título de Cidadão Carioca.

Foi responsável pela ida de Raul Seixas para o Rio de Janeiro. Eles eram amigos desde a época em que Raul tinha uma banda em Salvador, chamada Raulzito e os Panteras, que posteriormente foi à banda de apoio de Jerry durante três anos. Entre as músicas que a banda tocava, ambas compostas por Raulzito, estão “Tudo Que É Bom Dura Pouco”, “Tarde Demais” e “Doce, Doce Amor”.

Entre os anos de 1969 a 1971, Raul Seixas foi seu produtor, até iniciar a carreira solo. Na década de 1970, fez shows na Venezuela, Peru, Estados Unidos, México, Canadá e outros países.

Em 1975, participou de um musical no Hotel Nacional, denominado Brazilian Follies, dirigido por Caribe Rocha, ficando um ano e meio em cartaz. Nesse período, incursionou pela soul music, gravando canções de Hyldon, Paulo César Barros e Robson Jorge.

No começo da década de 1990, gravou um disco que trazia de volta as origens do rock and roll, intitulado Elvis Vive, um tributo a Elvis Presley, sendo este o 24º disco da sua carreira.

Em 1994, a convite de Cecil Thiré, participou da novela Uma Onda no Ar, produzida pela TV PLUS e exibida pela Rede Manchete, exibida também em Portugal, com grande sucesso. Em 1999 lançou o álbum Forza Sempre, gravado apenas com músicas da banda Legião Urbana, em italiano. O álbum foi um de seus maiores sucessos na carreira pós Jovem Guarda, atingindo a marca de 200 mil cópias vendidas. A canção “Santa Luccia Luntana” foi incluída na trilha sonora da novela Terra Nostra.

Morte

Jerry Adriani morreu aos setenta anos, em 23 de abril de 2017, vítima de um câncer de pâncreas. A doença evoluiu rapidamente, depois de duas semanas de internação no Hospital Vitória da Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. Desde 2 de março, o cantor já vinha fazendo tratamento de uma trombose venosa na perna, mas continuou a fazer shows até o final do mês. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju. Jerry tinha três filhos: Thiago, Tadeu e Joseph.

E para recordar desse artista que para muitos ainda não morreu, vamos ouvir a musica que traduz a sua marca, a sua voz: DOCE, DOCE AMOR.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado na Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7hs.

O cortejo seguirá pelas ruas do Recife a partir das 19h / Foto: Wesley D'Almeida/ Divulgação

A tradicional Caminhada do Forró irá homenagear a figura do sanfoneiro nesta quinta-feira (27). Em sua 15ª edição, a caminhada precisou ser adiada devido às chuvas que atingiram o Grande Recife no último dia 13 de junho.

A concentração será às 17h, na Rua da Moeda, no Bairro do Recife, e o cortejo seguirá pelas ruas do Centro do Recife a partir das 19h. Os forrozeiros seguirão pelas ruas Mariz de Barros, Rio Branco, Bom Jesus até chegar à Praça do Arsenal, onde acontecerão várias apresentações. Sobem ao palco Petrúcio Amorim, Josildo Sá, André Macambira, Rogério Rangel, Nádia Maia, Andreza Formiga, Irah Caldeira, Pecinho Amorim e Edi Carlos. Além de um sexteto sanfônico formado por Cezzinha, Terezinha do Acordeon, Luizinho de Serra, Neném Oliveira, Zé Bicudo e Derico Alves.

Festa do Fogo

Também nesta quinta-feira, acontece a Festa do Fogo em homenagem ao Orixá Xangô. A festa será realizada no Pátio de São Pedro a partir das 18h. Como parte da cerimônia, os devotos dançam ao redor de uma grande fogueira, exaltando seu o rei com cânticos.
Participarão da cerimônia os afoxés Alafin Oyó e Omó Obá Dê.

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Ainda não é hora de guardar a camisa xadrez, o vestido de chita, o chinelo de couro e o chapéu de palha. Os festejos juninos seguem com todo gás, esta semana, no Recife. Na sexta-feira, logo na véspera de São Pedro, é dia de celebrar o dono da chave do céu, senhor do tempo e padroeiro dos pescadores. Além da capital, tem farra no friozinho de Serra Negra, em Bezerros, e em Caruaru, ambos no Agreste.

Hoje haverá eliminatória do 17º Concurso de Quadrilhas Juninas Infantojuvenil, no Sítio Trindade, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. Vão se apresentar a Mirim Evolução, a Matutinho Dançante e a Junina Fusão. Na disputa estão sete grupos. Os três finalistas voltam para a final, domingo. No fim de semana o local receberá o concurso de quadrilhas adultas.

Quinta-feira, o Pátio de São Pedro dará espaço à Festa do Fogo, realizada pela Caminhada dos Terreiros. É uma celebração ao Orixá Xangô, divindade do trovão e da Justiça, que corresponde a São João no sincretismo religioso. No mesmo dia, na Rua da Moeda, Bairro do Recife, acontecerá a 15ª Caminhada do Forró. A Frevioca, uma das marcas do Carnaval recifense, muda à fantasia, transforma-se em Forrovioca e segue tocando clássicos dos mestres Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos . O cortejo passa por várias ruas.

O tradicional Desfile das Bandeiras é a sugestão para os amantes do ciclo junino na sexta-feira, véspera de São Pedro. As estampas com imagens dos três santos de junho sairão da Rua da Moeda, também no Bairro do Recife, até a Praça do Arsenal. Lá está programado o espetáculo Forró de PE, uma homenagem aos vários sotaques que o forró tem.

Uma procissão vai reverenciar São Pedro em Brasília Teimosa, Zona Sul. Haverá também missa e salva de fogos. Na parte profana, um dos convidados será Nando Cordel, homenageado do São João de Recife este ano. No Pátio de São Pedro vai ter Isaar, Quinteto Violado, Rogério Rangel, Irah Caldeira e Azulinho.

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A tradição de acender a fogueira, que remete ao nascimento de São João, o santo mais festejado do Nordeste, se mantém forte não apenas no interior do estado, mas também na capital pernambucana, embora seja mais comum nos bairros periféricos. A venda de madeira para iluminar a véspera da chegada do santo já era intensa desde a semana passada. Os cuidados com a fiscalização não parecem ser problema para os vendedores. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) não realizou nenhum trabalho especial de vistoria de madeira em 2019 – apenas as de rotina.

“Há três anos não temos apreensão de material ilegal na Grande Recife. Entendemos que isso é resultado da fiscalização, do trabalho da educação ambiental que fizemos”, explicou Cinthia Lima, analista em gestão ambiental da CPRH. A reportagem percorreu algumas localidades e constatou que a tradição vem sendo mantida. Na Rua Astronauta Collins, em Santo Amaro, área central, a vizinhança inteira aguardava a véspera do dia 24 na companhia da pilha de lenha.

“Todo ano cada um na rua faz a sua. Olha como ficou bonitinha a minha”, afirma a dona de casa Solange do Nascimento, 62 anos. Com sua neta, Mayara, nos braços, ela mostra orgulhosa a fogueira, que fez com madeira que ela mesma catou. “O povo do interior que faz mais, né? Mas aqui na rua a gente gosta. Meu marido já tinha acendido uma para Santo Antônio e agora no São João tem de novo”, contou.

Na Avenida Professor José dos Anjos, no Arruda, encontramos o gari Jorge Rocha, 45, fazendo a sua fogueira. “É uma tradição e vai ter muito forró para animar toda a comunidade”, revelou Jorge. Pai do pequeno Iuri, ele se cerca de cuidados para não se machucar. “Não adianta por gasolina ou álcool, senão o fogo vai para cima de você”.

Apesar do gosto pela tradição as vendas foram mais fracas em relação a anos anteriores. O autônomo Marconi da Silva, 34, trabalha com fogueiras desde os 15 anos. “Quem sabe trabalhar, tira um bom trocado. Normalmente vendo por R$ 40, mas aí se chega uma pessoa sem tanta condição, a gente faz por R$ 30”, explicou. Já o vendedor Iranildo Lima, 47, diz que a tradição só se mantém por causa dos mais velhos. “A turma nova não liga muito, não. Uma das minhas clientes é uma senhora que mora no Bairro Novo. Todo ano ela me encomenda”, afirmou.

A tradição da fogueira junina tem origem bíblica e conta o acordo entre as primas Maria e Isabel. Isabel combinou com Maria que acenderia uma fogueira quando seu filho, João Batista, nascesse. Assim, Maria saberia o momento em ela daria a luz.

O cotidiano de Recife e Olinda desponta no trabalho “Relatório de Imagens” do multiartista pernambucano Carlos Vasconcelos que apostou em registros especiais de cartões postais turísticos, culturais e sociais das cidades pernambucanas em projetos exclusivos, que enfatizam a riqueza do estado em fotos e documentário. A Casa dos Bonecos Gigantes de Olinda e o patrimônio arquitetônico pernambucano com destaque para o Teatro Santa Isabel, a Faculdade de Direito do Recife e a Assembleia Legislativa de Pernambuco integram esse novo processo de trabalho do artista, fotógrafo, escultor e diretor de arte e criação. “Saí por ai procurando um bom tema e trabalhando a luz e percebi pela coleta de imagens que tudo que nós temos é muito forte e que essa coleta de foto e vídeo poderia render um projeto diferenciado com várias perspectivas que intitulei de ‘Relatório de Imagens”, destaca Carlos Vasconcelos.

Desta forma, algumas peculiaridades desses vários cartões postais entram no foco das ações que mostram novos olhares sobre diversos ambientes, lugares e endereços pernambucanos em um experimento com a tecnologia “dual pixel”, focagem automática que permite um foco mais preciso de maneira mais rápida. “O resultado são fotos mais nítidas para realçar a beleza desses lindos e importantes pontos do Recife e Olinda que estou revisitando nesse processo de construção de um novo olhar sobre as cidades e tudo que lhe concretiza, enquanto significação da sociedade e do nosso povo” comenta o multiartista.

Toda efervescência da nossa história, arquitetura, cultura e sociedade são assim focados no projeto que invade as redes trazendo essa perspectiva própria do fotógrafo de algumas emblemáticas referências de Pernambuco. Um exemplo disso, por exemplo, é o registro peculiar da Casa dos Bonecos Gigantes de Olinda em vídeo de cerca de sete minutos (https://www.youtube.com/watch?v=eueeO5908Ro). Destacando personagens como o Palhaço Chocolate, o Maestro Forró, Bob Marley e Capiba, o documentário reforça como o espaço cultural impacta com sua homenagem a personalidades e faces que criam e são história em nosso país e no mundo. Da mesma forma, reforça como sua opulência pesa numa das mais importantes tradições do estado, que é o Carnaval. “Presente em várias culturas, os nossos bonecos gigantes são grande parte da cultura do carnaval de Olinda e Recife. Por isso, a casa é um espaço importante e que ganha grande ênfase nas ações turísticas com os seus modelos que prestigiam Luiz Gonzaga, Chacrinha, o Maestro Spok, Cinderela e tantas pessoas do passado e do presente da nossa construção social”, completa Vasconcelos.