Cultura

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As fake news invadiram o debate global em 2016, durante a corrida eleitoral norte-americana. No Brasil, ganhou evidência com a ascensão de Jair Bolsonaro. Mas não foram a alt-right ou Steve Bannon que inventaram as notícias falsas – o mérito desses contemporâneos foi usá-las com fins políticos nas redes sociais. Em outro contexto histórico, as fake news foram disseminadas na imprensa brasileira durante a ditadura militar, como consequência de censura e manipulação. As inverdades incomodavam a crítica literária paulista Walnice Nogueira Galvão a ponto de lhe estimular a escrever uma tese sobre o tema.

No fim da década de 1960, quando o estudo foi feito, os militares que estavam no poder jamais poderiam ser alvos. Walnice, então, retornou após anos 1890 para analisar a forma como a Guerra de Canudos foi coberta pela mídia, incluindo os textos de Euclides da Cunha, que, juntos, foram a base de Os sertões (1902), uma das obras canônicas da literatura brasileira. O trabalho de Walnice se tornou o livro No calor da hora – A guerra de Canudos nos jornais (1974). “Não imaginei nem percebi que se tratava da primeira tese universitária focalizando Euclides da Cunha e Canudos”, escreveu a autora no prefácio do relançamento da obra pela Companhia Editora de Pernambuco (Cepe) em 2019, sob o selo Suplemento Pernambuco.

Hoje, Walnice abre a 17ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), realizada no litoral do estado do Rio de Janeiro até domingo, sob curadoria de Fernanda Diamant. Na conferência, será percorrerida uma linha histórica dos estudos sobre Euclides, autor homenageado da edição. Sua relação com o jornalista e engenheiro fluminense não se limita ao livro de 1974. Ela lançou mais 12 obras sobre o autor. Em 2019, com a ascensão das fake news no debate político, No calor da hora se torna urgente. O lançamento da nova edição pela Cepe será na sexta-feira.

“Fui a São Paulo em 2018, fazer um perfil da Walnice. Durante a conversa ela falou sobre a ditadura militar no Brasil. Ela me disse que foi amiga de vários guerrilheiros assassinados e, toda vez que as mortes saíam nos jornais, noticiavam que as pessoas haviam se matado ou sofrido acidentes. Quando percebeu isso, pensou em fazer esse trabalho que denunciava as fake news na imprensa no fim do século 19”, conta Schneider Carpeggiani, editor do Suplemento Pernambuco, ao explicar a ideia do relançamento.

Com reportagens, editoriais e poesias, o livro mostra como os jornais do Rio, São Paulo e Salvador aderiram à tese do governo de que o grupo de Antônio Conselheiro integrava uma conspiração monarquista contra a República. Assim, mostra a necessidade de criar um inimigo comum – que mais recentemente é a “ameaça comunista”. A cobertura de Canudos tem nuances da formação do Brasil, marcada pelo Estado opressor com pobres e despreocupado em compreender desigualdade. A obra de Euclides, que narra a guerra em tom épico e esbanja preconceitos, denuncia uma barbárie atual. “É interessante ler Os sertões porque fala do Brasil de agora, onde a polícia mata negros, favelas são militarizadas e ocorrem tragédias como a de Brumadinho. É uma guerra aos pobres na sua forma moderna”, aponta Walnice.

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Aos 72 anos, Israel Gouveia de Lima nunca foi de contabilizar os tiros que dá. Em sua conta, em mais de três décadas de experiência no “negócio”, eles estão na casa dos milhares. O número dos disparos subiu ontem (07), quando o aposentado, vindo de Custódia, no Sertão do Estado, juntou-se aos bacamarteiros das cidades de Solidão e Serra Talhada, e mais cerca de 500 bacamarteiros de 24 grupos de Pernambuco e de Sergipe em um encontro no Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife. Encontro que homenageia Zé da Banha, um torneiro mecânico que criou os primeiros  bacamartes de aço e fundou a Sociedade dos Bacamarteiros do Cabo (Sobac).

Com o bacamarte, que não era, segundo Israel Lima, um dos mais “possantes” do encontro, Israel deu os seus tiros. A arma não era das mais “possantes”, mas cumpriu a tarefa de anunciar que ontem o dia era de folia e, acima de tudo, de celebração no Cabo. Os bacamarteiros percorreram as ruas centrais da cidade em uma procissão em homenagem aos santos juninos. Á frente do cortejo, as bandeiras de Santo Antônio, São João e São Pedro. Atrás das bandeiras, homens, mulheres e crianças, animados por bandas de forró, de pífano e pelos estrondos dos tiros.

“Os bacamarteiros formam uma grande família. E a alegria de hoje é reunir essa família, que vai além do nosso estado”, disse o mestre e presidente da Sobac Ivan Marinho, durante a missa que foi o ponto máximo da procissão. Na celebração, os tiros ficaram de fora, mas o ritmo junino, puxado por um coral de nome peculiar – Boca de Bacamarte – e ao som de sanfona, zabumba e pífano, deram o tom dos cânticos. No cântico final, a Ave Maria Sertaneja, imortalizada por Luiz Gonzaga, teve muito “macho” e muita “muié” de bacamarte em punho, segurando as lágrimas.

Clima de Festa

No meio da multidão, quando os bacamarteiros saíam da igreja, devotada a Santo Antônio, padroeiro do Cabo de Santo Agostinho, o clima era de festa. A fumaça dos tiros subia a ladeira da Rua Doutor Antônio de Souza Leão. O estampido dos bacamartes atraía curiosos, de celular na mão e incrédulos em ver tantos bacamarteiros. “Parece coisa de cordel, arrancada do meio da história e, tristemente, com tão pouca gente nas ruas para prestigiar”, disse o estudante Pedro Alcântara, 23 anos. Ele estava certo. Mas os bacamarteiros desciam rumo à estação ferroviária do Cabo de Santo Agostinho.

Na contramão do tráfego, a multidão de amantes do bacamarte parecia dizer que estava ali, em um dos municípios mais industrializados de Pernambuco, para manter a tradição. E manteve. Em frente da estação, no pátio, as mesas estavam postas para matar a fome de quem veio de tão longe, de cidades como Solidão , Serra Talhada, Machado, em Pernambuco, e de Capela e de Japaratuba, em Sergipe. Ou de Pesqueira, no Agreste pernambucano, de onde, nos anos 1960, veio a inspiração para se organizar o grupo de bacamarte do Cabo. Disso Socorro Leandro, 48 anos, tomou conhecimento ontem. Ela viajou de Pesqueira para o encontro. “Perdi a conta de quantos tiros dei nestes anos que me tornei bacamarteira”, relembrou, enquanto fazia a contagem do tempo dedicado à tradição.

Lembranças

Depois de parar o olhar no horizonte, Socorro assegurou: “Tenho quatro anos de tiros”. Para ela, trajada “conforme a prática”, de roupa azul e lenço no pescoço, é muito tempo e esforço. É o valorizar da presença feminina em uma tradição iniciada por homens. Marcada por homens. E na força da “garrancheira”, um dos nomes dado ao bacamarte, uma arma de fogo de cano curto e largo, empregada na Guerra do Paraguai, na segunda metade do século 19.

Ao fim do cortejo, Socorro, Israel e Ivan ficaram sob a mesma tenda, montada em frente à estação ferroviária. Sob as árvores, as armas e os chapéus. Em uma delas, dos cordeiros pendurados, limpos e prontos para o corte e para a brasa. “Festa assim tem que ter carne. Carne boa”, pontuou um dos bacamarteiros responsáveis pela iguaria. Bem perto, uma garrafa de aguardente e um copo passado de mão em mão enquanto os bacamarteiros insistiam em seis tiros. Dez, vinte, trinta. Contei  mais de 50 em meia hora. Mas foram mais de mil durante as quase oito horas do encontro de ontem, que terminou ao som da sanfona e com a certeza de que, no próximo ano, tem mais.

Os filmes que serão exibidos às 19h, compõem a mostra “A Arte e seu Enleio”. As sessões são gratuitas e acontecem no Theatro Cinema Guarany

Julho é mês de férias e o Sesc em Triunfo preparou uma programação especial para quem deseja assistir a um bom filme. Nesta edição do projeto Cine Sesc Fábrica, haverá exibições no Theatro Cinema Guarany nos dias 11 e 18, às 13h30 e às 19h, com opções para públicos de todas as idades e com exibições gratuitas.   

A abertura da grade aconteceu nesta quinta-feira (04) com “A história da cabra: queijo de cabra”, filme da República Tcheca, com direção de Jan Tománek. A animação tem classificação etária livre, e conta a história das crianças Zuzanka e Honzik, junto com Goat, uma cabra, que se aventuram em busca de seus pais, que aparentemente foram presos em um castelo onde o conselheiro do rei obriga-os a fabricar queijo.  

Os filmes que serão exibidos às 19h compõem a mostra “A Arte e seu Enleio”, com títulos que lançam discussões fundamentais sobre os processos que envolvem a criação artística e o papel social da arte.  Dentro dessa proposta, às 19h, será exibida a animação “Com Amor Van Gogh”, dirigida por Dorota Kobiel e Hugh Welchman. O filme se passa em 1891, um ano após o suicídio de Vincent Van Gogh, quando o carteiro e amigo do artista, Armand Roulin, parte para a cidade francesa de Arles, onde inicia uma investigação junto às pessoas que conheceram Van Gogh, para confirmar se ele realmente se matou. A classificação do filme é 12 anos.  

No dia 11 o público poderá assistir às 13h30, o filme alemão “Puaj!”, do diretor Veit Helmer. A história se passa em um povoado na Europa, onde, para realização de estudos de mercado, idosos são internados em asilos a fim de manter baixo o índice de idade média de seus habitantes. Mas as crianças se negam a ser cobaias. A classificação é livre. Às 19h, será exibido o filme “O Cidadão Ilustre”. Dirigido por Mariano Cohn e Gastón Duprat, o filme apresenta Daniel Mantovani (Oscar Martínez), um escritor argentino e vencedor do Prêmio Nobel, radicado há 40 anos na Europa, que volta à sua terra natal e que inspirou a maioria de seus livros, para receber o título de Cidadão Ilustre da cidade. A classificação do filme é de 14 anos.

No último dia da programação, dia18, a animação “A história da cabra: queijo de cabra”, será reexibida às 13h30. O Cine Sesc Fábrica de julho será encerrado às 19h com o documentário “David Lynch, a vida de um artista”, que narra sobre os anos que formaram a vida do cineasta. Com direção de Jon Neguyen, Rick Barnes e Olivia Neergaard-Holm, o filme tem classificação 12 anos.

Por Naldinho Rodrigues*

O Toque de Saudade desta quinta-feira é para destacar Francisco Petrone, mas famosamente conhecido por Francisco Petrônio, um nome artístico, que nasceu no bairro do Bexiga, São Paulo, no dia 08 de novembro de 1923 vindo a falecer em 19 de janeiro de 2007, aos 83 anos.

Casado com Rosa Petrone teve  três filhos e seis netos.

Filho de imigrantes italianos foi conhecido como A Voz de Veludo. Cantava  desde a infância e costumava dizer que “quando eu era criança, meu pai chamava amigos e companheiros e me colocava sobre uma cadeira para que eu cantasse”.

Ser cantor era um sonho de criança que apenas em 1961 tornou-se realidade. Até os 37 anos, o paulistano Francisco Petrônio ganhava a vida como motorista de táxi. Sua sorte mudou, após ser aprovado num teste para cantar na TV Tupi. Nos 46 anos de carreira, Francisco Petrônio gravou mais de 750 músicas e teve 55 discos e CDs entre gravações solo, participações especiais e regravações.

Em 1964, gravou a música “Baile da Saudade”, que marcou a sua carreira e bateu recordes de vendas. Na televisão, em 1966, Francisco Petrônio criou o programa “Baile da Saudade” apresentado na Tv Paulista, Aproveitando a boa receptividade da música que levava o mesmo nome. Posteriormente, passou por duas emissoras brasileiras, como Tv Bandeirantes  e Tv Record.

Francisco Petrônio também apresentou programas na Tv Cultura, com Festa Baile, Tv Record, com O Grande Baile e Rede Vida, com o programa Cantando com Francisco Petrônio.

Há 19 anos que a música brasileira perdeu uma das vozes mais suave, carismática, educada e boa de se ouvir…

Curta conosco e relembre um dos cantores mais populares da canção brasileira, Francisco Petrônio… Com a música: BAILE DA SAUDADE.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, na Rádio Afogados FM, sempre aos domingos das 5 às 7hs.

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Trazendo homenagens a grandes representações da ciranda pernambucana, a Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte) que será realizada entre os dias 3 e 14 de julho, no Centro de Convenções, em Olinda, traz esse ano como os honrados de uma das danças mais tradicionais do Brasil, mestres e cantadores, são eles, Lia de Itamaracá, Dona Duda e Mestre Baracho, falecido em 1988.

Entre as oficinas, desfiles de moda, ações de cidadania e teatro infantil, estarão expostas seis praças de descanso, sendo duas desenvolvidas sob autoria de nove alunos da Faculdade Esuda. “Estamos orgulhosos e ansiosos para ver as exposições realizadas por nossos alunos. Afinal, eles são o futuro do mercado” declarou Wilson Barretto, diretor geral. As duas equipes fizeram parte de uma seleção promovida pelo Governo de Pernambuco, Secretaria de Desenvolvimento Econômico e a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (AD Diper), em parceria com o Centro de Artes de Pernambuco.

A aluna de Arquitetura e Urbanismo, Paula Polemine é a coordenadora do projeto 1, intitulado “A Magia não acontece sem você”. O projeto que garante o conforto para 15 pessoa foi pensado em homenagear não apenas à ciranda, mas também a cultura praieira e dos pescadores, moldado na estrutura do grupo. A praça ainda conta com um painel em xilogravura, que retrata uma ciranda de J. Borges, artista pernambucano que mais retrata a ciranda em suas artes, um reflexo vivo da cultura pernambucana. “Buscamos fazer uma interação dos elementos com o público, então, núcleos que tem uma perspectiva de cabana constituem um túnel com a qual as pessoas poderão interagir. Afinal, a ciranda é bem isso. Uma manifestação em que pessoas que nem se conhecem se reúnem e se conectam do nada com as mãos quando começa a dança” declarou Paula.

O segundo projeto, “Ritmos do Ganzá”, desenvolvidos pelos alunos Aline Nascimento, João Carlos Quintino e José Augusto Neto, tem como inspiração o ganzá, instrumento de percussão da cultura pernambucana e brasileira em geral, conhecido por ditar o ritmo dos movimentos populares, sendo um deles a ciranda. A praça que contará com uma armação de 2.20m e um banco de 9m, que comporta em média 20 pessoas, sendo todo feito de materiais biodegradáveis, garantido o seu reaproveitamento futuramente. “A praça por si só, é carregada de significados e nosso objetivo é passar a sensação de modernidade e algo subjetivo, com uma ideia mais contemporânea. Esperamos que as pessoas tenham uma visão mais moderna da ciranda e da cultura popular, pois é algo moderno, que sempre está em mutação”, afirmou José Augusto Neto, coordenador da segunda equipe.

Durante os 11 dias de evento, o público pode conferir as praças que trazem a partir de diferentes conceitos a sua homenagem a Dona Duda e outras personalidades ligadas à ciranda.

Por Naldinho Rodrigues*

Você já ouviu falar em Jair Alves de Souza? – Não? Pois esse era o nome de batismo de uma das vozes mais belas da música brasileira. E do multiartista Jerry Adriani? Com certeza os amantes das boas músicas, dos palcos e das TVs já ouviram falar, e muito.

Nascido em 29 de janeiro de 1947 no bairro do Brás, em São Paulo, começou a sua vida profissional em 1964, com a gravação do seu primeiro LP, Italianíssimo, e no mesmo ano gravou seu segundo LP, Credi a Me. Seu nome artístico foi inspirado em dois artistas estrangeiros: o ator americano Jerry Lewis e o cantor italiano Adriano Celentano.

Em 1965 lançou Um Grande Amor, seu primeiro disco gravado em português. Tornou-se apresentador do programa Excelsior a Go Go, na antiga TV Excelsior de São Paulo, ao lado do comunicador Luís Aguiar; apresentava músicas dos Vips, Os Incríveis, Trini Lopez, Cidinha Campos, entre outros.

Entre 1967 e 1968, já na TV Tupi de São Paulo, passou a apresentar A Grande Parada, ao lado de artistas, como Neyde Aparecida, Zélia Hoffmann, Betty Faria e Marília Pera. Era um musical ao vivo que apresentava grandes nomes da música popular brasileira.

No cinema participou de três filmes como ator/cantor: Essa Gatinha é Minha (com Peri Ribeiro e Anik Malvil), Jerry, A Grande Parada, Jerry em busca do tesouro (com Neyde Aparecida e os Pequenos Cantores da Guanabara).

Em 1969 recebeu o Título de Cidadão Carioca.

Foi responsável pela ida de Raul Seixas para o Rio de Janeiro. Eles eram amigos desde a época em que Raul tinha uma banda em Salvador, chamada Raulzito e os Panteras, que posteriormente foi à banda de apoio de Jerry durante três anos. Entre as músicas que a banda tocava, ambas compostas por Raulzito, estão “Tudo Que É Bom Dura Pouco”, “Tarde Demais” e “Doce, Doce Amor”.

Entre os anos de 1969 a 1971, Raul Seixas foi seu produtor, até iniciar a carreira solo. Na década de 1970, fez shows na Venezuela, Peru, Estados Unidos, México, Canadá e outros países.

Em 1975, participou de um musical no Hotel Nacional, denominado Brazilian Follies, dirigido por Caribe Rocha, ficando um ano e meio em cartaz. Nesse período, incursionou pela soul music, gravando canções de Hyldon, Paulo César Barros e Robson Jorge.

No começo da década de 1990, gravou um disco que trazia de volta as origens do rock and roll, intitulado Elvis Vive, um tributo a Elvis Presley, sendo este o 24º disco da sua carreira.

Em 1994, a convite de Cecil Thiré, participou da novela Uma Onda no Ar, produzida pela TV PLUS e exibida pela Rede Manchete, exibida também em Portugal, com grande sucesso. Em 1999 lançou o álbum Forza Sempre, gravado apenas com músicas da banda Legião Urbana, em italiano. O álbum foi um de seus maiores sucessos na carreira pós Jovem Guarda, atingindo a marca de 200 mil cópias vendidas. A canção “Santa Luccia Luntana” foi incluída na trilha sonora da novela Terra Nostra.

Morte

Jerry Adriani morreu aos setenta anos, em 23 de abril de 2017, vítima de um câncer de pâncreas. A doença evoluiu rapidamente, depois de duas semanas de internação no Hospital Vitória da Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro. Desde 2 de março, o cantor já vinha fazendo tratamento de uma trombose venosa na perna, mas continuou a fazer shows até o final do mês. Seu corpo foi sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, no Caju. Jerry tinha três filhos: Thiago, Tadeu e Joseph.

E para recordar desse artista que para muitos ainda não morreu, vamos ouvir a musica que traduz a sua marca, a sua voz: DOCE, DOCE AMOR.

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado na Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7hs.

O cortejo seguirá pelas ruas do Recife a partir das 19h / Foto: Wesley D'Almeida/ Divulgação

A tradicional Caminhada do Forró irá homenagear a figura do sanfoneiro nesta quinta-feira (27). Em sua 15ª edição, a caminhada precisou ser adiada devido às chuvas que atingiram o Grande Recife no último dia 13 de junho.

A concentração será às 17h, na Rua da Moeda, no Bairro do Recife, e o cortejo seguirá pelas ruas do Centro do Recife a partir das 19h. Os forrozeiros seguirão pelas ruas Mariz de Barros, Rio Branco, Bom Jesus até chegar à Praça do Arsenal, onde acontecerão várias apresentações. Sobem ao palco Petrúcio Amorim, Josildo Sá, André Macambira, Rogério Rangel, Nádia Maia, Andreza Formiga, Irah Caldeira, Pecinho Amorim e Edi Carlos. Além de um sexteto sanfônico formado por Cezzinha, Terezinha do Acordeon, Luizinho de Serra, Neném Oliveira, Zé Bicudo e Derico Alves.

Festa do Fogo

Também nesta quinta-feira, acontece a Festa do Fogo em homenagem ao Orixá Xangô. A festa será realizada no Pátio de São Pedro a partir das 18h. Como parte da cerimônia, os devotos dançam ao redor de uma grande fogueira, exaltando seu o rei com cânticos.
Participarão da cerimônia os afoxés Alafin Oyó e Omó Obá Dê.

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Ainda não é hora de guardar a camisa xadrez, o vestido de chita, o chinelo de couro e o chapéu de palha. Os festejos juninos seguem com todo gás, esta semana, no Recife. Na sexta-feira, logo na véspera de São Pedro, é dia de celebrar o dono da chave do céu, senhor do tempo e padroeiro dos pescadores. Além da capital, tem farra no friozinho de Serra Negra, em Bezerros, e em Caruaru, ambos no Agreste.

Hoje haverá eliminatória do 17º Concurso de Quadrilhas Juninas Infantojuvenil, no Sítio Trindade, em Casa Amarela, Zona Norte do Recife. Vão se apresentar a Mirim Evolução, a Matutinho Dançante e a Junina Fusão. Na disputa estão sete grupos. Os três finalistas voltam para a final, domingo. No fim de semana o local receberá o concurso de quadrilhas adultas.

Quinta-feira, o Pátio de São Pedro dará espaço à Festa do Fogo, realizada pela Caminhada dos Terreiros. É uma celebração ao Orixá Xangô, divindade do trovão e da Justiça, que corresponde a São João no sincretismo religioso. No mesmo dia, na Rua da Moeda, Bairro do Recife, acontecerá a 15ª Caminhada do Forró. A Frevioca, uma das marcas do Carnaval recifense, muda à fantasia, transforma-se em Forrovioca e segue tocando clássicos dos mestres Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e Dominguinhos . O cortejo passa por várias ruas.

O tradicional Desfile das Bandeiras é a sugestão para os amantes do ciclo junino na sexta-feira, véspera de São Pedro. As estampas com imagens dos três santos de junho sairão da Rua da Moeda, também no Bairro do Recife, até a Praça do Arsenal. Lá está programado o espetáculo Forró de PE, uma homenagem aos vários sotaques que o forró tem.

Uma procissão vai reverenciar São Pedro em Brasília Teimosa, Zona Sul. Haverá também missa e salva de fogos. Na parte profana, um dos convidados será Nando Cordel, homenageado do São João de Recife este ano. No Pátio de São Pedro vai ter Isaar, Quinteto Violado, Rogério Rangel, Irah Caldeira e Azulinho.

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A tradição de acender a fogueira, que remete ao nascimento de São João, o santo mais festejado do Nordeste, se mantém forte não apenas no interior do estado, mas também na capital pernambucana, embora seja mais comum nos bairros periféricos. A venda de madeira para iluminar a véspera da chegada do santo já era intensa desde a semana passada. Os cuidados com a fiscalização não parecem ser problema para os vendedores. A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) não realizou nenhum trabalho especial de vistoria de madeira em 2019 – apenas as de rotina.

“Há três anos não temos apreensão de material ilegal na Grande Recife. Entendemos que isso é resultado da fiscalização, do trabalho da educação ambiental que fizemos”, explicou Cinthia Lima, analista em gestão ambiental da CPRH. A reportagem percorreu algumas localidades e constatou que a tradição vem sendo mantida. Na Rua Astronauta Collins, em Santo Amaro, área central, a vizinhança inteira aguardava a véspera do dia 24 na companhia da pilha de lenha.

“Todo ano cada um na rua faz a sua. Olha como ficou bonitinha a minha”, afirma a dona de casa Solange do Nascimento, 62 anos. Com sua neta, Mayara, nos braços, ela mostra orgulhosa a fogueira, que fez com madeira que ela mesma catou. “O povo do interior que faz mais, né? Mas aqui na rua a gente gosta. Meu marido já tinha acendido uma para Santo Antônio e agora no São João tem de novo”, contou.

Na Avenida Professor José dos Anjos, no Arruda, encontramos o gari Jorge Rocha, 45, fazendo a sua fogueira. “É uma tradição e vai ter muito forró para animar toda a comunidade”, revelou Jorge. Pai do pequeno Iuri, ele se cerca de cuidados para não se machucar. “Não adianta por gasolina ou álcool, senão o fogo vai para cima de você”.

Apesar do gosto pela tradição as vendas foram mais fracas em relação a anos anteriores. O autônomo Marconi da Silva, 34, trabalha com fogueiras desde os 15 anos. “Quem sabe trabalhar, tira um bom trocado. Normalmente vendo por R$ 40, mas aí se chega uma pessoa sem tanta condição, a gente faz por R$ 30”, explicou. Já o vendedor Iranildo Lima, 47, diz que a tradição só se mantém por causa dos mais velhos. “A turma nova não liga muito, não. Uma das minhas clientes é uma senhora que mora no Bairro Novo. Todo ano ela me encomenda”, afirmou.

A tradição da fogueira junina tem origem bíblica e conta o acordo entre as primas Maria e Isabel. Isabel combinou com Maria que acenderia uma fogueira quando seu filho, João Batista, nascesse. Assim, Maria saberia o momento em ela daria a luz.

O cotidiano de Recife e Olinda desponta no trabalho “Relatório de Imagens” do multiartista pernambucano Carlos Vasconcelos que apostou em registros especiais de cartões postais turísticos, culturais e sociais das cidades pernambucanas em projetos exclusivos, que enfatizam a riqueza do estado em fotos e documentário. A Casa dos Bonecos Gigantes de Olinda e o patrimônio arquitetônico pernambucano com destaque para o Teatro Santa Isabel, a Faculdade de Direito do Recife e a Assembleia Legislativa de Pernambuco integram esse novo processo de trabalho do artista, fotógrafo, escultor e diretor de arte e criação. “Saí por ai procurando um bom tema e trabalhando a luz e percebi pela coleta de imagens que tudo que nós temos é muito forte e que essa coleta de foto e vídeo poderia render um projeto diferenciado com várias perspectivas que intitulei de ‘Relatório de Imagens”, destaca Carlos Vasconcelos.

Desta forma, algumas peculiaridades desses vários cartões postais entram no foco das ações que mostram novos olhares sobre diversos ambientes, lugares e endereços pernambucanos em um experimento com a tecnologia “dual pixel”, focagem automática que permite um foco mais preciso de maneira mais rápida. “O resultado são fotos mais nítidas para realçar a beleza desses lindos e importantes pontos do Recife e Olinda que estou revisitando nesse processo de construção de um novo olhar sobre as cidades e tudo que lhe concretiza, enquanto significação da sociedade e do nosso povo” comenta o multiartista.

Toda efervescência da nossa história, arquitetura, cultura e sociedade são assim focados no projeto que invade as redes trazendo essa perspectiva própria do fotógrafo de algumas emblemáticas referências de Pernambuco. Um exemplo disso, por exemplo, é o registro peculiar da Casa dos Bonecos Gigantes de Olinda em vídeo de cerca de sete minutos (https://www.youtube.com/watch?v=eueeO5908Ro). Destacando personagens como o Palhaço Chocolate, o Maestro Forró, Bob Marley e Capiba, o documentário reforça como o espaço cultural impacta com sua homenagem a personalidades e faces que criam e são história em nosso país e no mundo. Da mesma forma, reforça como sua opulência pesa numa das mais importantes tradições do estado, que é o Carnaval. “Presente em várias culturas, os nossos bonecos gigantes são grande parte da cultura do carnaval de Olinda e Recife. Por isso, a casa é um espaço importante e que ganha grande ênfase nas ações turísticas com os seus modelos que prestigiam Luiz Gonzaga, Chacrinha, o Maestro Spok, Cinderela e tantas pessoas do passado e do presente da nossa construção social”, completa Vasconcelos. 

Por Naldinho Rodrigues*

Já que estamos no período junino, a maior e mais tradicional festa do nordestino, que tal relembrarmos Luiz Jacinto Silva, mais conhecido como Coronel Ludugero!

Coronel Ludugero nasceu em 1929 na cidade de Caruaru, no Agreste pernambucano. Aos dez anos iniciou os estudos no Colégio de Caruaru, hoje, Colégio Diocesano, onde concluiu o curso ginasial. Aos 18 anos foi morar em Recife, onde fez concurso para telegrafista. Embora não tenha sido aprovado, foi aproveitado pelos Correios e permaneceu no órgão até ingressar na vida artística.

Coronel Ludugero iniciou sua vida artística na Rádio Cultura do Nordeste, em Caruaru, sua terra natal, onde fazia o programa das 12h30 sob o patrocínio da manteiga Turvo. Em 1961 conheceu Luiz Queiroga, que com o incentivo do radialista Hilton Marques, criou o personagem do Coronel Ludugero.

Logo no início, o Coronel Ludugero se apresentava sozinho, mas logo depois conheceu também Irandir Peres Costa (Otrópe). Apesar de muita gente não saber e o personagem de Dona Filomena ser mais conhecido com a atriz Mercedes Del Prado, nos primeiros programas o mesmo personagem foi com o nome de Dona Rosinha, e era interpretado por Rosa Maria, outra atriz de muito talento.

Coronel Ludugero retratava com bom humor a figura lendária dos coronéis, muitos dos quais pertenciam a Guarda Nacional e gozavam de grande prestigio junto à população. Era um homem simples de poucas palavras, amante da verdade e sincero. Gabava-se de si próprio. Contador de histórias fantásticas; era casado com Dona Filomena, bom aboiador, bom cantador de viola e poeta. Mantinha um secretário (Otrópe) que o orientava nos negócios e nas questões políticas. Ludugero se sentia feliz em contar histórias, dando expansão ao seu gênio brincalhão, quando não estava em crises de impaciência e nervosismo.

No dia 14 de março de 1970, morreram Luiz Jacinto e Irandir Costa, com toda sua equipe, vítimas de acidente de avião na Baía de Guajará, em Belém do Pará. O corpo de Luiz Jacinto só foi encontrado no dia 30 de março, 16 dias após o acidente e sepultado um dia depois, em Caruaru.

Depois da morte do Coronel Ludugero e de Otrópe, lançaram-se outros personagens tentando resgatar o riso perdido com a triste tragédia, entre eles: Coronel Ludrú e Gerôme, Coroné Caruá e Altenes, Seu Pajeú e Macambira, esses com a produção e direção de Luiz Queiroga, mas, até hoje, os personagens são lembrados e revividos em épocas juninas por atores amadores e admiradores do tipo.

Na cidade de Caruaru foi criada, na Vila Forró, a miniatura da casa do Coronel Ludugero e Veia Filomena, onde é grande a visitação por turistas. Durante os festejos juninos de Caruaru, podem ser vistos personagens caracterizados, desfilando pelas ruas, relembrando esses artistas. O primeiro trabalho musical do Coronel Ludugero foi o Carnavá do Coronel Ludugero e o último, inclusive o de maior sucesso, Desquite de Ludugero, gravado em 1970 pela CBS.

Relembre um obra prima do Coronel Ludugero: RABO DO JUMENTO…

*Naldinho Rodrigues é locutor de rádio. Apresenta o programa Tocando o Passado, pela Rádio Afogados FM, sempre aos domingos, das 5 às 7hs.

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As ações desenvolvidas pelos Grupos, Mestras e Mestras contemplados nesta 4ª edição do Prêmio Ariano Suassuna de Cultura Popular e Dramaturgia evidenciam uma trajetória que busca a manutenção e o registro de suas atividades, o compromisso com a transmissão de práticas, histórias e memórias às diversas gerações das comunidades em que vivem e atuam, além do fortalecimento de parcerias, num exercício incansável de dedicação e paixão para preservar as suas tradições culturais. (Clique aqui e veja a lista dos premiados).

“Esse prêmio honra da melhor forma a memória de Ariano Suassuna que, enquanto gestor público de Cultura, defendeu e ressaltou as expressões populares como prioritárias para o foco da política de Cultura do estado. Sua defesa da cultura popular vem inspirando anualmente a execução deste que é um dos mais importantes prêmios para as artes. É uma enorme alegria e satisfação para nós do Governo reconhecer e contemplar os mestres e mestras da nossa cultura, pelo trabalho e dedicação de uma vida, e ainda estimular os dramaturgos do estado para que escrevam e tornem públicas suas peças”, ressalta o secretário de Cultura Gilberto Freyre Neto. 

Na área da Dramaturgia, há que se destacar o caráter renovador da premiação, ao oferecer a este segmento, em Pernambuco, a possibilidade de montagem de novos e inéditos textos teatrais, escritos por pernambucanos. “Todos os contemplados, dramaturgos, grupos, mestres e mestras da cultura popular são uma referência para que o Governo de Pernambuco continue a reconhecer e incentivar aqueles que ao longo de sua existência e atuação promovem iniciativas que contribuem para a valorização, a salvaguarda e a renovação da nossa arte e nossa cultura”, ressalta Silvana Meireles, secretária-executiva da Secult-PE.

Além dos prêmios em dinheiro para cada categoria, os vencedores no segmento de Dramaturgia terão seus textos teatrais publicados pela Cepe Editora. A Cepe já finalizou a publicação do primeiro volume do livro “Dramaturgias”, que reúne as peças dos dramaturgos vencedores da primeira e da segunda edição do Prêmio. Haverá um pré-lançamento da obra no Festival de Inverno de Garanhuns, bem como em agosto, quando reunirá todos os autores premiados.

“A publicação dos textos vencedores representa o reconhecimento, a valorização e o incentivo aos autores da escrita dramática de Pernambuco. São textos inéditos que certamente serão levados para os ambientes de formação em teatro e resultarão, esperamos, em espetáculos inéditos montados aqui no estado e que poderão ser levados para festivais Brasil afora. Uma alegria e um orgulho podermos estar contribuindo para o fortalecimento da cena teatral no estado, além de cuidar dos mais antigos, os mestres e mestras que formam a base da nossa cultura e do nosso patrimônio”, destaca o presidente da Fundarpe, Marcelo Canuto.

A Comissão de Seleção de Cultura Popular foi composta por Jailma Maria Oliveira, Luiz Henrique Costa Santos e Wellington Bartholomeu Sampaio Mendes Júnior, sob a coordenação de Teresa Amaral, da coordenadoria de Cultura Popular da Secult. Já em Dramaturgia, a seleção foi feita por Gilberto Gawronski, Henrique Fontes e Luiz De Assis Monteiro, sob a coordenação de José Neto Barbosa, coordenador de Teatro da Secult. Os jurados desta categoria não tiveram acesso à identidade dos vencedores, apenas aos textos e pseudônimo dos mesmos.

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Literatura, arte, música e religiosidade marcaram a estreia do projeto Tengo Lengo Tengo ontem, no Centro Cultural Cais do Sertão, no Bairro do Recife. Promovida pela Secretaria de Turismo e Lazer e da Cepe, a iniciativa reuniu recifenses e caravana de vaqueiros vinda do Sertão para lembrar os 30 anos de morte de Luiz Gonzaga e do padre João Câncio. O ponto alto da tarde foi à celebração da tradicional Missa do Vaqueiro de Serrita, criada pelos dois homenageados há 49 anos.

A chuva não impediu a presença de cerca de 1.500 pessoas para acompanhar a original cerimônia sertaneja. Trajados com gibão, chapéu de couro e outras peças características do vestuário sertanejo, quase cem vaqueiros prestigiaram a missa. Eles vieram em caravana de Floresta, Exu e Serrita, animados, para vivenciar na capital a mesma fé que celebram anualmente em Serrita desde que a missa em homenagem ao vaqueiro assassinado Raimundo Jacó foi criada.

“É uma alegria sem tamanho poder realizar este evento no Recife. O governo do Estado acreditou no nosso projeto, e conseguimos uma tarde emocionante da mais pura cultura sertaneja. Agradecemos a todos que vieram, os vaqueiros, os artistas, o publico, que não teve medo da chuva e veio assistir à missa. Até o dia 25 de agosto, vamos falar muito ainda de Luiz Gonzaga e do padre João Câncio”, declarou o secretário de Turismo e Lazer de Pernambuco, Rodrigo Novaes.

Carregando bandeiras de Pernambuco, de suas cidades e do movimento LGBTT, os vaqueiros foram os personagens principais não só da missa, mas também da exposição Tengo Lengo Tengo. Antes da missa, percorreram toda a mostra, aboiaram, falaram da alegria em ver sua vida e cultura enaltecida num museu no Recife. Participaram ainda do lançamento da fotobiografia de Câncio, assinada pelo jornalista Vandeck Santiago, e publicada com apoio da Cepe.

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Em sua primeira viagem pelo Nordeste, há sete anos, a fonoaudióloga carioca Vânia Pereira, 55 anos, percorreu o litoral, da Bahia ao Maranhão. Na passagem por Pernambuco, dançou forró, encantou-se pelo artesanato de Olinda e decidiu que voltaria ao Estado para curtir o Carnaval e o São João. O sonho vai virar realidade na próxima terça-feira, quando ela desembarca com o marido no Aeroporto do Recife, em direção ao Agreste. “As formas de expressão da cultura nordestina sempre me fascinaram. Quero muito conhecer o Alto do Moura, a Feira de Caruaru e as obras dos mestres artesãos de perto”, diz Vânia, que pretende alugar um carro para visitar o máximo de atrativos nos cinco dias de passeio.

Atraídos pelo compasso da zabumba, pelas manifestações culturais e pelas delícias de milho típicas da festa, pelo menos 700 mil turistas como Vânia devem circular pelo interior de Pernambuco neste mês de junho para aproveitar o São João. Ligeiramente maior que o número registrado em 2018 (664 mil), a projeção da Secretaria de Turismo do Estado se baseia na animação de visitantes que confirmaram suas viagens com meses de antecedência. “A antecipação das reservas demonstra um sinal de retomada do fluxo turístico e melhora do cenário em relação a 2018”, confirma o vice-presidente da Associação Brasileira de Hotéis em Pernambuco (ABIH-PE), Eduardo Cavalcanti. De acordo com ele, em alguns estabelecimentos, como o Portal de Gravatá, os quartos já estão lotados há mais de 30 dias. O hoteleiro garante que, diante da crise, os preços das diárias e pacotes não foram alterados.

Nas cidades onde há tradição de festejos juninos, a perspectiva é de ocupação média de 95%, chegando a 100% em grandes polos, como o de Caruaru. Com 200 mil pessoas (quase metade da população da cidade) recebidas somente na abertura oficial da festa, em 1º/6, a Capital do Forró se enche de otimismo. Até o dia 14 de julho, quando se encerra a programação de mais de 500 atrações artísticas e culturais, a cidade espera atrair 2,5 milhões de pessoas para a festa.

E os benefícios não são só para o turismo. O Secretário de Desenvolvimento Econômico de Caruaru, João Melo Neto, estima um impacto de R$ 200 milhões na economia, 15% a mais que em 2018, com geração de sete mil empregos. “O São João é o primeiro Natal de Caruaru. Só que o efeito do ciclo junino se dá em pelo menos quatro meses do ano. Com o incremento que teremos no recolhimento de ISS (Imposto sobre Serviços), chegaremos perto do custeio total da festa”, diz João Melo, revelando que o investimento chega a R$ 14 milhões, sendo R$ 3,1 milhões da prefeitura, R$ 400 mil conveniados com o governo do Estado e R$ 10,5 milhões captados com 26 patrocinadores. “Temos apostado na descentralização e multiculturalidade, com a diversificação das atrações e o São João na Roça, que faz a economia girar também nas localidades rurais mais afastadas e gera um turismo de experiência diferenciado”, detalha.

Apesar de ter menos atrações, com a festa a partir deste fim de semana, Gravatá está investindo R$ 2,5 milhões (R$ 600 mil a mais que em 2018) e também espera forte movimentação. “Devemos receber um milhão de pessoas em junho, com injeção de R$ 150 milhões na economia”, diz o secretário de Desenvolvimento Econômico, Edson Carvalho. 

Já em Arcoverde, no Sertão, o investimento foi de R$ 2,5 milhões, com impacto esperado de R$ 30 milhões na cidade, que já está com todos os 1,2 mil leitos reservados para o próximo fim de semana. 

O Carnaval leva a fama, mas o São João é a verdadeira festa democrática do Nordeste, pelo menos do ponto de vista econômico, diz Rafael Ramos, economista da Fecomércio-PE. “Não só pela quantidade de municípios envolvidos, mas pela duração e pelo número de segmentos impactados, é o maior evento do Estado e da Região. Há aumento do consumo do Litoral ao Sertão, principalmente nos segmentos de alimentação, vestuário, calçados, transportes, bares e restaurantes”, explica.

O efeito sentido na prática por moradores, turistas e comerciantes também é comprovado cientificamente. Estudo internacional desenvolvido pela professora do departamento de Hotelaria e Turismo Carla Borba, em parceria com a Universidade Erasmus Roterdã, aponta que o São João é a festa com um dos maiores graus de interação social entre várias celebrações no mundo. “O engajamento tanto de residentes quanto de visitantes é muito alto, graças aos componentes cultural, identitário e afetivo, que fazem a experiência positiva superar a de eventos como o Festival Gastronômico de Portugal e carnavais mundo afora”, conta.

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Tradicional cerimônia do Sertão pernambucano, a Missa do Vaqueiro de Serrita ganha hoje uma versão recifense. A partir das 16h, a Avenida Alfredo Lisboa será tomada por vaqueiros encourados, que seguirão em cortejo até o módulo 2 do Cais do Sertão, onde um altar foi montando para homenagear o célebre aboiador Raimundo Jacó. O evento é parte do projeto Tengo Lengo Tengo, promovido pela Secretaria de Turismo e Lazer de Pernambuco, por meio da Empetur, em parceria com a Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

Antes da missa, às 14h, ocorre a inauguração da exposição em homenagem aos 30 anos de morte dos fundadores da Missa do Vaqueiro, Luiz Gonzaga e o padre João Câncio, além do lançamento da biografia dedicada ao pároco, escrita pelo jornalista Vandeck Santiago. Também estão previstos shows com Josildo Sá, Bia Marinho, Flávio Leandro e aboiadores sertanejos.

Segundo o secretário de Turismo, Rodrigo Novaes, a ideia do evento é fazer o link entre o Litoral e o Sertão, “despertando o desejo de viajar pelo Estado”. Para quem se animar, a festa em Serrita ocorre de 25 a 28 de julho, com programação religiosa e pagã. Para rezar e forrozar.